PM Gisele: coronel foi alvo de "investigação preliminar" por traição

Reprodução/Redes sociais
Imagem colorida mostra o tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana - Metrópoles

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi alvo de uma “investigação preliminar” no 49º Batalhão da Polícia Militar (PM) após denúncias de um relacionamento extraconjugal com outra policial. Preso desde a última quarta-feira (18/3), ele é acusado da morte da companheira, a soldado Gisele Alves Santana, em 18 de fevereiro.

Comentários sobre a possível traição aparecem no inquérito da Polícia Civil, obtido pelo Metrópoles. Em depoimento, um superior do tenente-coronel afirmou que recebeu, em setembro de 2025, informações de que Neto poderia estar se envolvendo com uma subordinada do batalhão. Questionado, o tenente-coronel teria negado o caso e demonstrado receio de que o boato pudesse prejudicar sua vida, pois estava em processo de separação. O oficial teria relatado que estava com problemas no relacionamento, inclusive dormindo em um quarto diferente de Gisele.

O documento indica que houve uma segunda denúncia sobre a suposta traição. A mulher envolvida, que seria soldado do 49º BPM/M, foi ouvida e negou qualquer tipo de relação. Posteriormente, Geraldo Neto foi transferido para o Comando de Policiamento de Área (CPA) e outro tenente-coronel assumiu o batalhão.

No depoimento, o superior negou a existência de qualquer procedimento administrativo contra Neto, “apenas essa investigação preliminar de que ele supostamente teria beneficiado uma soldado em razão de um relacionamento extraconjugal”.

“Nada justifica uma traição”

Colegas da soldado Gisele relataram que a denúncia de traição era conhecida na corporação e que o boato prejudicou o relacionamento do casal. Segundo os depoimentos, Gisele passou a fazer comentários sobre o interesse em se divorciar após ficar sabendo do caso. Aos colegas, ela relatou que recebeu uma mensagem sobre a possível traição.

De acordo com a soldado, o marido teria mudado de comportamento e passou a chegar mais tarde em casa, aumentando a desconfiança. Gisele teria ido presencialmente ao local de trabalho do oficial “para mostrar que era esposa dele”.

O documento sugere que o assunto era “comentado por toda instituição”, o que teria causado preocupações em Gisele, que “temia por sua reputação”. Após conversas com colegas, a soldado teria afirmado que não conseguiria mais ficar com o tenente-coronel e esquecer o caso.

O tema também aparece em trocas de mensagens entre o casal detalhadas na investigação. Em uma das mensagens, a soldado afirmou que recebeu o nome e o número do registro funcional da amante.

“Por mais que você diga para mim, nada justifica uma traição. E você sabe como é viver com isso, não tem um dia que eu não lembre dessa história, de você e dela e o quanto me dói. Então, por mais que o tempo passe, talvez eu não ‘desencane’ dessa história e realmente tenha que separar por não confiar mais em você”, escreveu Gisele ao marido cerca de uma semana antes de ser baleada.

Em outro momento, o tenente-coronel questionou a foto de perfil da soldado, que aparecia sozinha. Ele sugeriu que a foto seria um código da mulher “com os contatinhos”. Em resposta, Gisele disse: “Se pensa isso de mim, realmente temos que separar, porque eu não confio em você, nem você em mim. Isso porque você não passou um terço do que eu passei com você referente à traição, mentira e falta de lealdade“.

Outra troca de mensagens mostra o tenente-coronel incomodado com a “farda colada” de Gisele. Ela rebateu, afirmou que a farda estava larga e precisava de ajuste, e disse que a policial do 49º Batalhão é que era “embalada a vácuo”. A soldado também questionava o fato de o tenente-coronel não usar alianças e se recusar a comprar um novo par após o casal perder as joias.

Traição por inteligência artificial

Após a morte da soldado Gisele, o tenente-coronel abordou a suposta traição com os policiais que atenderam à ocorrência. Segundo o boletim, Neto afirmou que o relacionamento se tornou conturbado após os boatos. Ele alegou que a história era falsa e foi espalhada como forma de vingança pelas alterações internas que promoveu no batalhão.

O tenente-coronel ainda afirmou que eram encaminhadas “imagens supostamente adulteradas, possivelmente produzidas por meio de inteligência artificial, com o intuito de sustentar tais acusações”. Segundo ele, perfis falsos nas redes sociais enviavam mensagens para Gisele afirmando que ele mantinha amantes.

O mesmo superior que recebeu as denúncias foi questionado, durante o depoimento, se recebia muitas reclamações contra o tenente-coronel. Em resposta, ele afirmou que havia algumas queixas sobre a “conduta muito exigente de comandamento da unidade; que o oficial exigia muito da tropa, fazendo com que trabalhassem muito”.

Feminicídio e fraude processual

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e tornou réu o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto pelos crimes de feminicídio e fraude processual. O oficial é acusado de matar a esposa policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, no dia 18 de fevereiro.

A denúncia foi oferecida pelas promotoras Ingrid Maria Bertolino Braido e Daniela Romanelli da Silva, no dia 18 de março.

Segundo a promotoria, a acusação formal engloba os crimes de feminicídio qualificado, por ter sido praticado no contexto de violência doméstica e familiar, com circunstâncias agravantes como motivo torpe; e causas de aumento de pena, a exemplo do recurso que dificultou a defesa da vítima. A denúncia também cita o crime de fraude processual, alegando que o réu alterou a cena do crime para induzir a investigação ao erro.


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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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