Prefeitura investiga tentáculos do Banco Master nos cemitérios de SP

Reprodução/Banco Master
BANCO MASTER

A Prefeitura de São Paulo apura possíveis tentáculos do Banco Master, pivô de escândalo bilionário, em empresas concessionárias dos cemitérios de São Paulo.

A SP Regula (agência que fiscaliza concessões na capital) cobrou das concessionárias Maya e Cortel, por meio de ofício do dia 10, informações sobre acionistas e controle da empresa. Até o ano passado, Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, era conselheiro de administração da Cortel.

A gestão também abriu apuração preliminar para verificar se a Cortel realizou uma fusão informal com outra concessionária, a Maya, empresa que fez empréstimo milionário com o Master –ambas negam a fusão. O caso é acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM).

O documento obtido pela reportagem dá prazo de cinco dias para que a Cortel apresente dados de sua estrutura societária, bem como da Maya. No caso da Cortel, o ofício ainda questiona se Zettel “compõe, direta ou indiretamente, o quadro de acionistas da Concessionária, da Controladora e/ou das empresas societárias”.

Empréstimo

Matrícula da Junta Comercial de São Paulo aponta a destituição de Zettel datada de 3 de dezembro do ano passado –a concessionária afirma que ele saiu em junho. Atualmente, o principal acionista da empresa é um fundo de investimentos, o Mérito Cemitérios.

O questionamento da administração às concessionárias ocorreu com base em uma nota da coluna Dinheiro & Negócios, do Metrópoles, que apontou que o banco BRB teria assumido ativos do Master, entre eles estaria a Maya –a empresa diz que tem empréstimo com o banco. Documento obtido pela reportagem mostra que a concessionária fez uma operação de crédito de R$ 77,9 milhões, em 2022, com o objetivo de pagar outorgas à prefeitura.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou ao Metrópoles que as relações com instituições bancárias ou fundos por si só não configuram irregularidade, mas que “a capacidade econômico-financeira das concessionárias é objeto de acompanhamento permanente pela administração”.

A administração acrescentou que alterações societárias exigem anuência prévia. “Eventuais indícios de integração operacional ou alterações societárias, a SP-Regula instaurou apuração preliminar, requisitou documentos e reforçou o monitoramento da prestação dos serviços”. “Qualquer modificação de controle ou estrutura relevante exige prévia anuência do Poder Concedente”, diz a nota.

Paralelamente, as duas concessionárias acumularam mais de cem autuações cada em 2025 –as irregularidades vão de cobranças abusivas a problemas no tratamento de ossadas, conforme documentos da prefeitura.

O que dizem as concessionárias

A Cortel São Paulo afirmou que “Fabiano Zettel foi conselheiro da companhia entre 2022 e meados de 2025, nunca foi sócio e não mantém atualmente qualquer vínculo com a empresa”. Além disso, diz que o fundo Mérito Cemitérios não possui ligação com Zettel ou com o grupo Master.

Diz que vem cumprindo “todas as exigências do edital de concessão, sendo a concessionária que mais tem feito investimentos nos cemitérios da capital”, e destaca que todos os ofícios e esclarecimentos estão sendo tratados junto à SP Regula, conforme previsto em contrato.

O Grupo Maya, por sua vez, também nega a fusão e afirma que atua de forma independente, mantendo acionistas inalterados desde o início da concessão.

“No campo financeiro, a empresa possui contratos regulares de empréstimo com diferentes instituições financeiras, em condições usuais de mercado, todos rigorosamente adimplentes. Não procede a afirmação de que qualquer instituição financeira exerça controle ou participação societária na concessionária. Operações de crédito com garantia não implicam ingerência na gestão, tampouco transferência de controle”, afirma a empresa em nota.

Sobre as irregularidades constatadas, a empresa diz que atua sob fiscalização permanente e conta com verificador independente. “No 4º trimestre de 2025, a concessionária obteve nota 0,967 — nível máximo previsto contratualmente — após a verificação de 144 indicadores de desempenho, refletindo evolução consistente e alto padrão operacional”.

O que diz a SP Regula

A SP Regula também afirmou ao Metrópoles que os autos contra as concessionárias “decorrem da fiscalização contínua e regular dos contratos”. “Os números mencionados agregam infrações de naturezas e graus distintos, muitas ainda em fase de instrução, sempre com garantia de contraditório e ampla defesa”, diz a gestão.

Segundo a administração, medidas mais graves contra as concessionárias só serão tomadas no caso de “comprovação de descumprimento grave e reiterado que comprometa a prestação do serviço, nos termos da legislação aplicável”.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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