Presidente da Funai diz demarcação das Terras Indígenas terá continuidade

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A Presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, participa nesta terça-feira, 3, no Teatro do Moa, no Campus Floresta da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Cruzeiro do Sul, de uma reunião com os indígenas da região com objetivo de ouvir ideias e propostas, com vistas ao fortalecimento das políticas públicas destinadas aos povos originários.
Lideranças indígenas, estudantes do Curso de Licenciatura Indígena da Ufac, a reitora Guida Aquino e representantes de órgãos federais e estaduais participam do evento. Os Ashaninka e os Puyanawa citaram a falta de segurança em seus territórios, que são invadidos por madeireiros e caçadores.
Francisco Pyãnko, presidente da Organização dos Povos Indígenas do rio Juruá (Opirj) e Ashaninka, destacou que é preciso proteger os originários que vivem nas fronteiras. “Está sendo construído no Ministério dos Povos Indígenas com a FUNAI e outras instituições um plano de proteção dessa região de fronteira. A gente vive um problema em todos os municípios de fronteira, em todas as comunidades ribeirinhas, de alguma maneira tem um problema de falta de segurança. Então acho que nada mais justo do que dar uma focada nessa questão. Os povos indígenas estão precisando muito da atenção do Estado para fazer com que os seus direitos sejam respeitados, a proteção do território e a promoção também de desenvolvimento dessas comunidades nas políticas públicas”, destacou.
Joel Puyanawa, Cacique da Aldeia Barão, de Mâncio Lima, também cita a segurança como um gargalo e busca a expansão do território . “ Precisamos de ajuda para fazer o monitoramento das nossas terras para defender as invasões dos madeireiros, dos pescadores, dos caçadores. Precisamos fazer a revisão de limites dos nossos territórios, ter a oportunidade de ampliar nossas terras, onde tem o nosso sítio sagrado. Então esse momento aqui para nós é esperança de que realmente vai surgir novos horizontes com oportunidade de crescimento, de ouvir e resolver as nossas situações, pelo menos encaminhar para o futuro melhor para cada povo”, relatou
Joênia, disse que a vinda dela ao Acre é parte de uma estratégia de fortalecimento institucional da Funai, que tem 43 coordenações regionais. Ela citou a recente demarcação da Terra Indígena dos Nawa e afirma que o movimento de legitimação terá continuidade no Acre.
“É importante a gente ter essa visita aqui e ouvir as lideranças, as demandas, os questionamentos, responder as perguntas. O que a gente busca nessas visitas é tanto o fortalecimento dos povos indígenas, mas também da própria FUNAI para que aprimore os seus atendimentos junto aos povos indígenas. Realizamos concurso, temos mais servidores, para dar esse apoio, estar mais próximo do povo indígena. Isso melhorar tanto o quadro e os serviços que a FUNAI desenvolve, como a regularização fundiária das terras indígenas, tem também a gestão territorial, que é de grande importância para os povos indígenas, a promoção dos direitos sociais e é junto aqui com as demais instituições do Estado brasileiro que a FUNAI vem atendendo os povos indígenas. Está com menos de um mês que eu assinei o relatório de identificação da terra indígena Nawa ela está no processo de regularização, ainda consta em nosso sistema algumas terras indígenas que estão com pedido há um tempo de revisão e GTs de uma que está em andamento de identificação, eu esqueci o nome agora, mas tem ainda algumas terras a serem regularizadas”, citou ela, elencando dificuldades enfrentadas pela Fundação.
“A gente tem muita dificuldade da resposta rápida, principalmente em relação às fiscalizações, porque às vezes não depende somente da FUNAI, depende de toda uma articulação com outras instituições. É muita questão relacionada à educação, à falta de estrutura em algumas comunidades, que precisam da atenção do Estado, dos municípios. Alguns problemas relacionados também a invasões das terras indígenas, que isso nos torna, digamos assim, prioritário, porque tem muita gente que cobiça ainda os recursos naturais das terras indígenas, a gente alerta que se trata do crime, então é preciso que as fiscalizações, que ocorram com mais frequência. Hoje as terras indígenas têm a biodiversidade de maior concentração protegida, tem tido a menor taxa de desmatamento, por mais que a gente tenha um desafio das invasões, mas as terras indígenas têm um potencial muito grande de enfrentar essas mudanças climáticas, então é estratégico que a gente proteja as terras indígenas também”, enfatiza.
Vagas na Ufac para os indígenas
A reitora da Universidade Federal do Acre – Guida Aquino apresentou à Joênia o Curso de Licenciatura Indígena, que funciona no Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul desde 2007. Além disso, o Conselho Universitário aprovou política na universidade, que garante uma vaga para indígenas em todos os cursos de graduação da Ufac.
“Além da licenciatura indígena, que nós temos aqui no Campos Floresta, o indígena pode cursar Medicina, Enfermagem, Pedagogia, enfim, outros cursos.
E a licenciatura já estamos na quarta turma e a gente tem aumentado bolsas. Então, não basta dar oportunidade para ele ingressar na universidade mas também mantém a bolsa até o final do curso”, citou a reitora.
“Estou muito feliz de poder apresentar isso para a presidenta da Funai e queremos, sim, mais apoio do governo federal, da nossa ministra dos povos indígenas”, concluiu a reitora.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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