Presidente do Avante no Acre anuncia desfiliação após articulação de Bocalom
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A movimentação do prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao governo do Estado, Tião Bocalom (PL), em busca de uma nova sigla para disputar as eleições de 2026 provocou um abalo interno no Avante no Acre.
Após Bocalom se reunir em Brasília com o presidente nacional da legenda, Luís Tibé, e afirmar que há possibilidade de concorrer ao governo pelo partido, o presidente regional do Avante, Alex de Arruda Asfuri, declarou ao ac24horas, na tarde desta terça-feira (3), que irá entregar carta de desfiliação por “perda de confiança”. Segundo Asfuri, a executiva estadual não foi consultada nem comunicada sobre qualquer tratativa envolvendo o nome do prefeito.
“Para te ser bem sincero, em nenhum momento eu, como presidente estadual do partido, fui consultado ou sequer comunicado sobre essa tratativa. Então eu já me sinto fora desse processo através do Avante”, afirmou.

“Fiquei sabendo pela imprensa”
O dirigente revelou que tomou conhecimento do convite feito a Bocalom por meio da imprensa, o que, segundo ele, comprometeu sua permanência na sigla. “Eu fiquei sabendo do convite dele para vir para o partido através da imprensa”, disse.
Asfuri ressaltou que, diante da ausência de diálogo, não se sente seguro politicamente para continuar à frente do partido no estado. “Não tem segurança política dentro desse partido, infelizmente. Se eu não sou comunicado numa tratativa dessa como presidente regional, eu não me sinto confiante para tomar nenhuma iniciativa em prol do partido que a gente não tenha o domínio”, declarou.
Desfiliação será formalizada
Questionado se deixaria o Avante imediatamente, o presidente regional afirmou que irá protocolar carta de desfiliação junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), embora o ato formal ainda dependa de trâmites administrativos. “Eu vou ter que entrar com a carta de desfiliação junto ao TRE. Ainda não está decidido o dia, mas de fato já não estou lá. De direito, eu já vou tomar as providências”, afirmou.
Ele acrescentou que integrantes da executiva estadual devem acompanhá-lo na saída da legenda. “As pessoas que eu formei a executiva vão caminhar todos comigo, eles não ficam”, disse, evitando citar nomes.
Ruptura em meio a indefinições
A crise no Avante ocorre no momento em que Bocalom busca viabilizar sua candidatura ao governo após ter sido comunicado pelo presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, de que não teria espaço para disputar o Palácio Rio Branco pela sigla.
Nos bastidores, a resistência do senador Márcio Bittar (PL), presidente estadual do PL, foi apontada como fator determinante para a negativa, uma vez que o parlamentar trabalha pela manutenção da aliança com o governo estadual e por sua própria composição na chapa majoritária ao Senado.
Diante desse cenário, o Avante surgiu como alternativa viável. No entanto, a articulação direta com a executiva nacional, sem envolvimento da direção estadual, abriu uma fissura interna que pode resultar na desestruturação do partido no Acre.
“Desprestigiado”
Asfuri afirmou ter se sentido “desprestigiado” com a condução do processo. “Por mais que você não tenha alinhamento para tomar a mesma decisão, é necessário fazer a conversa, expor a opinião da outra parte. O mínimo necessário é o respeito”, pontuou.
Ele também deixou claro que, independentemente da eventual filiação de Bocalom, não pretende permanecer na legenda. “Se não tem segurança, aconteceu agora, pode acontecer amanhã com algum outro ente político e a gente perder a estabilidade mais uma vez”, concluiu.

Whidy Melo é acreano de Rio Branco, repórter, documentarista, fotógrafo e videomaker.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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