
Durante décadas, a cirurgia íntima feminina foi envolta em silêncio, preconceitos e desinformação. Queixas como dor, desconforto ao caminhar, ao praticar atividades físicas ou durante relações sexuais eram frequentemente minimizadas e encaradas como parte natural da condição feminina. Atualmente, esse cenário começa a mudar. Com maior acesso à informação e avanços da medicina, especialmente na ginecologia regenerativa, a saúde íntima passou a integrar o debate sobre qualidade de vida, funcionalidade corporal e bem-estar emocional.
Novas tecnologias e técnicas cirúrgicas vêm transformando a abordagem desses cuidados, com procedimentos mais precisos, menos invasivos e com recuperação mais rápida. Entre essas inovações está o uso do laser de CO₂ em cirurgias íntimas, associado a conceitos que priorizam a preservação da anatomia e da função dos tecidos, ampliando as possibilidades terapêuticas para mulheres de diferentes idades.

Do tabu ao cuidado com a saúde integral da mulher
A ginecologista Lisieux Nóbrega explica que o estigma em torno da cirurgia íntima feminina tem raízes culturais profundas.
“Durante muito tempo, as queixas da mulher foram naturalizadas. Dor, desconforto e limitações físicas eram vistas como algo normal, o que atrasou o desenvolvimento de soluções médicas específicas para a saúde íntima”, afirma.
Segundo ela, a mudança de mentalidade está diretamente ligada ao acesso à informação e à evolução científica. “Entendemos que a saúde íntima faz parte da saúde global da mulher. Falar sobre isso deixou de ser um tabu e passou a ser uma necessidade de cuidado, prevenção e qualidade de vida.”
Entre os avanços mais relevantes está o uso do laser de CO₂ em cirurgias ginecológicas, que permite maior controle cirúrgico, menor sangramento e recuperação mais rápida.
A especialista em ginecologia regenerativa desenvolveu, ainda, uma técnica que associa tecnologia a critérios anatômicos e funcionais.
Benefícios que vão além da estética
Embora muitas mulheres busquem esses procedimentos inicialmente por questões visuais, os impactos mais relevantes estão relacionados à saúde e ao bem-estar.
“Observamos melhora significativa do conforto físico, redução de dores, maior liberdade para atividades físicas e melhora na vida sexual. Isso reflete diretamente na autoestima e na qualidade de vida”, destaca a ginecologista.
A médica reforça que tratar a saúde íntima como parte do cuidado integral da mulher ajuda a prevenir problemas futuros e a promover maior bem-estar ao longo dos anos.

Além da ninfoplastia, o laser de CO₂ tem aplicações em diversos outros procedimentos íntimos. Entre eles estão a perineoplastia, indicada para correção do alargamento vaginal e fortalecimento do assoalho pélvico, especialmente após partos vaginais.
“O laser também pode ser utilizado em cirurgias da glândula de Bartholin, no tratamento de cistos e abscessos, com menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida”, explica Lisieux, mestre em saúde da mulher.
Em casos selecionados, a tecnologia é empregada na redução do clitóris, sempre com técnicas que preservam completamente a sensibilidade, a vascularização e a inervação da região.
Ginecologia regenerativa
Outro avanço importante é a atuação da ginecologia regenerativa, que permite acompanhar a mulher desde o período reprodutivo até a menopausa e o envelhecimento.
“Trabalhamos na restauração e manutenção da qualidade dos tecidos íntimos, melhorando elasticidade, lubrificação, vascularização e função vaginal”, afirma a especialista.
Entre os tratamentos estão terapias com laser para flacidez vaginal, rejuvenescimento íntimo funcional e controle dos sintomas geniturinários da menopausa, sempre com foco na saúde e não apenas na aparência.

Cuidado humanizado
Para Lisieux, o desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas é fundamental para ampliar a segurança e os resultados dos tratamentos íntimos.
“A medicina evolui quando unimos ciência, tecnologia e sensibilidade clínica. Cada mulher é única, e os procedimentos precisam respeitar essa individualidade para promover saúde real e duradoura”, ressalta.
Segundo ela, a busca por inovação está diretamente ligada ao cuidado humanizado e à melhora contínua da qualidade de vida das pacientes.
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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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