Queda de ponte no DF obriga moradores a pegar desvio de 23 km. Veja vídeo

Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
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O atoleiro que prendeu um ônibus escolar na quarta-feira (25/3) em uma rota improvisada entre o Paranoá e o Sobradinho dos Melos e Capão da Onça, no Distrito Federal é só o acontecimento mais recente de um problema antigo.

A quilômetros dali, uma ponte destruída interrompe completamente a passagem de moradores e transforma tarefas simples em um desafio diário. No local, não passam com segurança carros, motos ou ambulâncias.

A estrutura é conhecida e carinhosamente pelos moradores como “Ponte do Seu Joaquim”, e cedeu no início deste ano. Desde então, quem vive do outro lado se vira como pode: a pé, carregando compras, botijão de gás e até atravessando longas distâncias para conseguir acesso ao básico.

Mesmo os moradores que precisam passar de Sobradinho dos Melos, no Paranoá para o Capão da Onça de carro, e são obrigados a desviar 23 quilômetros que seriam poupados com a reestruturação da estrutura, são atingidos novamente pela insegurança de outra ponte: para chegar ao local do atolamento, é necessário transitar por uma ponte de madeiras irregulares e sem manutenção.

“Para comprar um pão, a gente anda 12 quilômetros”, resume uma moradora.

“Eu vou até aqui, deixo o quadriciclo e sigo a pé. Agora não dá pra passar. Se passar mal lá em cima, morre, porque não tem como chegar socorro”, relata.

O medo não é exagero ou pesadelo sem base. Segundo ela, o marido sofreu um infarto durante a madrugada, em 2025, e só conseguiu ser socorrido porque a ponte ainda permitia passagem.

Travessia improvisada e rotina de risco

Sem a ponte, moradores se arriscam em rotas alternativas precárias — como a estrada de terra onde o ônibus escolar atolou nesta semana. Em dias de chuva, o caminho vira lama.

“Se o ônibus daquela altura atola, imagina os carros”, comenta um dos moradores.

A alternativa mais comum tem sido atravessar a pé. Para quem mora mais afastado, o trajeto pode levar minutos, até, isso quando é possível passar.

Aos 73 anos, Helena Anselmo Januário carrega as compras em um carrinho improvisado: “É tudo assim, arrastando. Tem que trazer tudo no braço”, conta. Ela diz que sai de casa apenas uma vez por semana, quando consegue: “Se precisar de mais coisa, não dá. A gente fica sem.”

Ponte improvisada por moradores

A travessia no local nunca foi simples. Segundo Joaquim José Moreno, de 78 anos, o senhor que dá nome à ponte, a estrutura sempre foi improvisada.

“Quando eu cheguei aqui, em 1990, já era de madeira. Duas madeirinhas no meio, a gente passava se equilibrando”, relembra. Ao longo dos anos, os próprios moradores fizeram reparos como podiam. Há cerca de dois anos, uma reforma foi realizada, mas a estrutura voltou a ceder após as chuvas.

“Ficamos seis anos esperando arrumar. Quando arrumaram, não durou”, comenta Carlos Jean Moreno, um dos nove filhos de Joaquim.

A situação é tão antiga que já virou até ironia entre os vizinhos: em 2024, eles chegaram a fazer um “aniversário” simbólico da ponte, como forma de protesto pela demora nas obras.

Produção prejudicada e isolamento

A região é formada por chácaras e áreas produtivas. Há criação de animais, produção de ovos, hortaliças e outros alimentos que dependem do escoamento diário.

“Tudo passa por aqui. Produção, gente, tudo. Agora ficou travado”, relata um morador.

Mesmo com pontos de parada de ônibus espalhados ao longo da estrada, não há transporte público regular na região. Antes, apenas o ônibus escolar fazia o trajeto, e agora consegue passar somente pelo desvio, que os distancia a mais de 20km da passagem.

Os moradores relatam que já buscaram ajuda diversas vezes, mas dizem não ter retorno efetivo do poder público. Segundo eles, há promessas de reconstrução da ponte, mas sem prazo concreto: “A gente cobra, mas ninguém responde”.

O Metrópoles tentou entrar em contato com a Administração Regional do Paranoá, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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