
Nascido em Minas Gerais e morador de Brasília desde os 9 anos, Clóvis Roberto Puttini, 72, internado há quase um ano no Hospital Brasília foi levado para uma sessão de cinema pela equipe médica. O médico carrega uma vida dedicada à pediatria.
Puttini veio para Brasília ainda criança, junto dos cinco irmãos. Ingressou em 1975 na Universidade de Brasília (UnB) onde se formou em medicina. Foi na capital que ele construiu a carreira e família.
Carreira
A escolha pela pediatria veio por afinidade. “Fui me agraciando pela profissão e pelas crianças”, contou. Ao longo da carreira, chegou a atuar como cirurgião pediátrico, mas um acidente no olho, que lesionou a córnea, fez com que abandonasse a área cirúrgica. “É uma especialidade que exige muita precisão. Aí voltei para a pediatria generalista”, explicou.
Ao longo da trajetória profissional, Clóvis atendeu crianças em hospitais públicos e privados, como o Hospital Universitário de Brasília (HUB), Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e o Hospital Anchieta, unidade de saúde da rede privada, também em Taguatinga.
Ao relembrar os anos de trabalho, o médico fala com carinho dos “pacientinhos” e da intensidade da profissão: “Tem aqueles que a gente cria mais apego, que exigem mais dedicação. São histórias maravilhosas, mas também com um pouco de sofrimento, porque a vida não é uma mágica. Nós somos mensageiros”.
Estadia no hospital e estado de saúde
A rotina nos consultórios e enfermarias foi interrompida em 2023, quando começaram os problemas de saúde. Clóvis foi diagnosticado com uma gastroenterocolite com perfuração intestinal e uma infecção grave, que exigiu a retirada de parte do intestino grosso. Ele passou cerca de um ano em casa com ileostomia e, depois, retornou ao hospital para a cirurgia de reversão.
O procedimento, no entanto, teve complicações, com o surgimento de fístulas. Desde fevereiro de 2025, está internado no Hospital Brasília.
O período de internação prolongada, segundo ele, tem sido o mais desafiador. “A parte mais difícil é o tempo. A dieta líquida, a nutrição parenteral pela veia, a enteral”, contou. Ainda assim, faz questão de destacar o cuidado recebido: “Desde que eu cheguei aqui, estou sendo muito bem cuidado”.
“Já estive em situações extremas, já estive no biquinho do urubu. Teve médico que falou ‘hoje ele vai’, e eu não fui. O plano de Deus está marcado e a gente não define quando”, disse.
Relação com a família
Em meio a esse período, ele também viveu uma perda dolorosa: um irmão mais velho esteve internado no mesmo hospital, mas faleceu em dezembro.
Casado pela terceira vez, Clóvis mora com a esposa e duas enteadas. Ao todo, tem sete filhos e oito netos. Na sessão de cinema organizada pelo hospital, uma filha e uma enteada o acompanharam.
“Um ano enfurnado no hospital sem ver o céu direito… Foi bom sair um pouco, me divertir. Se pudesse, faria todo mês”, comentou sobre a sessão.
O filme escolhido, Tom e Jerry, trouxe de volta lembranças de uma vida inteira indo ao cinema com os filhos. “Eu sempre levei as crianças para ver desenho, aventura. Gosto de aventura, de ação, mas não gosto de filme de ‘matação’”, contou.
Entre os favoritos, citou Caminhando nas Nuvens. “É muito bonitinho, um romance.”
A sessão especial não foi o único gesto de carinho da equipe. Em outro momento, após uma confissão de desejo do paciente, médicos e profissionais da assistência organizaram uma noite de pizza.
Ao final da conversa, Clóvis resumiu o sentimento que carrega hoje: “Eu só tenho a agradecer a quem está cuidando de mim, zelando pelo meu bem-estar”.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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