Não se pode fazer análise política com o fígado, tem que se focar nos fatos. Para começar a conversa: filiação a um partido não é algo indissolúvel. A política gira em torno do interesse, seja financeiro, por espaços no poder ou por perspectiva de poder. Vamos começar pela saída dos deputados Tadeu Hassem e Eduardo Ribeiro da base do governo e se aliando à candidatura de oposição do senador Alan Rick (Republicanos). Em tese, se for olhado só por um lado da moeda perderia a candidata Mailza Assis (PP), mas se for olhado o outro lado da mesma moeda, vamos ver que o buraco é mais embaixo. Com a aliança com o MDB, a Mailza ganhou dois deputados, o Tanízio Sá e a Antônia Sales. Ambos, se comparados politicamente, têm bem mais votos que o Tadeu e o Eduardo. Disparados! Sem falar que com o MDB, a Mailza também marcou outro tento: ganhou duas reconhecidas lideranças, o ex-prefeito Marcus Alexandre e a ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB). Sem falar que o MDB é um partido organizado em todos municípios. Os fatos são estes, avaliem quem saiu ganhando ou perdendo. O pensamento é livre.
Outra figura política a abandonar o governo foi a ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem. É uma vencedora de eleições para prefeita. Só que agora está sem mandato. E, no político sem mandato, nem o vento bate nas costas, diz o velho ditado. Seria uma aliança de peso na região do Alto Acre para a candidatura do senador Alan Rick (Republicanos) ao governo, se junto com ela tivesse saído do PP seu principal aliado, o prefeito Carlinhos do Pelado. Mas este declarou ao BLOG em entrevista exclusiva que fica no PP e apoiará a candidata Mailza Assis ao governo. Por tabela, a decisão da Fernanda levou o prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes, seu desafeto político, a anunciar que será candidato a deputado federal na chapa do PL do senador Márcio Bittar. Lembrando: Bittar apoia a Mailza para o governo. Não brigo com os fatos. E esses são os fatos frios e reais que estão na mesa. Cada um que tire a sua conclusão sobre essa movimentação de ontem.
Não tenho bola de cristal para dizer se foi um erro ou não, os deputados Tadeu Hassem, Eduardo Ribeiro e a ex-prefeita Fernanda Hassem se bandearam para uma candidatura de oposição ao governo, ao qual estiveram atrelados até ontem com o emprego de familiares em cargos de confiança do governo do Gladson. Se o senador Alan Rick (Republicanos) ganhar, terão os bônus no seu governo. Se a Mailza Assis (PP) ou o prefeito Tião Bocalom ganharem, terão dado um tiro no pé. As urnas que vão dizer se acertaram ou entraram numa grande roubada.
Não se tratarão de perseguição as demissões que virão de mais indicados dos políticos que abandonaram a base do governo. Seus afilhados estão em cargos de confiança. No momento em que se aliam a um candidato de oposição, perdem a confiança do governo, e por tabela os aludidos cargos. Faz parte do jogo. Ninguém pode reclamar de nada. Quem se arrisca na política, está sujeito às retaliações.
Esse jogo de empurra e empurra da direção nacional do PSDB, sobre quem ficará com o partido, virou brincadeira. Pela terceira vez a decisão foi adiada. O prefeito Tião Bocalom continua resiliente de que o desfecho lhe será favorável e disputará o governo pela sigla.
A previsão é de que o ex-governador Jorge Viana (PT) anuncie na coletiva à imprensa prevista para hoje, que será candidato a uma das duas vagas para o Senado. Será uma pedra importante no jogo, disputando uma vaga com os candidatos do andar de cima. Deixará a briga para o Senado mais embolada.
Qualquer deputado tem o direito de trocar de partido. Mas não se queixar que não foi bem tratado no governo do Gladson. É só ver o quanto levaram de emendas parlamentares e os nomes de familiares e afilhados que estão em cargos de confiança nos oito anos do atual governo.
A candidatura de Jorge Viana (PT) ao Senado é tudo o que os seus aliados que disputarão mandatos de deputados e para o governo, queriam como desfecho. Jorge será o grande puxador de votos na federação formada pelo PT-PV-PSDB. E ajudará a candidatura do médico Thor Dantas (PSB) ao governo a ser mais conhecida.
Essa delação premiada do famoso Vorcaro do Banco Master, que está em negociação, pode implodir a política e a República, pegando figurões do Judiciário, Legislativo e Executivo.
A região do Alto Acre – Assis Brasil, Epitaciolândia e Brasiléia – deverá ter três candidatos a deputado federal. A ex-prefeita Leila Galvão, e os prefeitos Jerry Correia e Sérgio Lopes. Muitas bocas para pouco pirão de votos.
Embora não apareça bem avaliado no momento, ainda assim o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, será peça importante na eleição, pelo fato de estar no poder. Deve apoiar ao Senado o Gladson e o Bittar, e a Mailza para o governo.
A dúvida que ainda perdura sobre a candidatura do prefeito Tião Bocalom ao governo, é se manterá seu nome no jogo, mesmo se não ganhar o PSDB. Posso até errar, mas acho que não recuará na intenção de disputar o Palácio Rio Branco. Estamos perto de saber.
O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado, prepara uma grande festa para receber amanhã, os seus candidatos ao governo e a senador, Mailza Assis e Gladson Cameli, respectivamente. Será uma forma de mostrar a sua lealdade a ambos.
O MDB, com a ajuda do governo, espera ter uma chapa de peso para a Câmara Federal. Muitos nomes citados, mas é bom aguardar até o dia 4 de abril, para confirmar ou não a expectativa da cúpula regional do MDB. Até essa data pode acontecer tudo, ou nada.
Luis Carlos Moreira Jorge, Bacharel em Direito, no jornalismo político desde 1978, militou nos principais órgãos de comunicação do estado, foi secretário de Comunicação de três governadores e três prefeitos.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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