Railson diz que nunca financiou manifestação e critica politização do debate sobre saúde

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O prefeito de Feijó, Railson Ferreira (Republicanos), afirmou na manhã desta terça-feira, 03, durante entrevista ao programa Boa Conversa – Edição Aleac, do ac24horas, que a mobilização popular em torno das obras do hospital do município não teve patrocínio da prefeitura e que a discussão precisa ser tratada com responsabilidade institucional, sem viés partidário.
A entrevista foi concedida após reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), que debateu os desdobramentos da paralisação e manutenção da unidade hospitalar.
Railson destacou que o tema deve ser conduzido com seriedade, por envolver diretamente a vida da população. “Marcos, é muito importante nós tratarmos esse tema, a problemática que leva as pessoas à morte de uma forma muito séria. Nós somos gestores, somos eleitos para representar e executar as ações que viabilizem uma melhor vida para a nossa população. Então, o primeiro ponto é que a gente trate isso com muita seriedade, sem lado partidário”, afirmou.
O prefeito negou que a gestão municipal tenha incentivado ou financiado o protesto que chegou a bloquear a BR-364 em Feijó. “A prefeitura de Feijó nunca patrocinou qualquer ato dos manifestantes. Os manifestantes, por si só, por uma revolta, insurgidos nesse sentimento de fazer com que as coisas aconteçam, se mobilizaram e é direito deles, assim como a Constituição Federal os garante”, declarou.
Segundo ele, a iniciativa da audiência pública partiu da própria prefeitura, em conjunto com representantes do Legislativo. “Enquanto Prefeitura, eu procurei o presidente desta casa, da Aleac, juntamente com um deputado que é o presidente da Comissão de Saúde, que é o meu querido Adailton Cruz (PSB), e solicitei uma audiência pública juntamente com o presidente da Câmara de Feijó, para que aqui nós possamos debater, sair com encaminhamentos e resolução para o caso”, explicou.
Railson criticou o que considera uma tentativa de politizar o debate sobre a situação do hospital. “O que não pode é nós ignorarmos, negligenciarmos algo que está sob a nossa responsabilidade, tanto a minha quanto gestor do Estado Municipal, quanto o governo do Estado do Acre, e colocarmos como uma culpa por uma divergência política”, disse.
Ele também afirmou que, ao longo de sua gestão, evitou ataques ao governo estadual. “Em momento algum, na minha vida, eu ataquei o governo do Estado do Acre, ataquei o governador Gladson Cameli, ataquei qualquer pessoa da cúpula da saúde, porque a Prefeitura sempre manteve as portas abertas para qualquer ato republicano”, pontuou.
O prefeito citou despesas assumidas pelo município que, segundo ele, seriam de atribuição estadual. “Eu pago em média R$ 80 mil por mês de TFD, que é a obrigação do governo do Estado do Acre. Eu pago R$ 250 mil por mês para atender 150 crianças com neurodivergência, que também é atribuição do governo do Acre. Aliado a isso, nós temos outros investimentos que também são de atribuição do governo do Acre, que eu não vou listar, mas eu nunca, em momento algum, ataquei o governo”, afirmou.
Railson relatou que passou a sofrer críticas e insinuações após participar do evento partidário da filiação de Alan Rick ao Republicanos. “O que houve foi um ataque à minha pessoa, dizendo que eu era patrocinador. Nunca o fui. Eu sou gay assumido, não tenho medo de patrocinar qualquer evento popular que seja legítimo. Mas deixei muito claro, durante a audiência pública, que se não houver de fato uma solução, eu não poderei mais ficar alheio a esse problema que bate todo dia na minha porta”, declarou.
Ele disse que, caso não haja resolução, poderá se posicionar de forma mais incisiva. “Irei sim me manifestar, irei sim me posicionar, mas eu espero que isso não aconteça. As instituições são grandes, estão aqui para se unir, para que a gente possa solucionar o que aconteceu”, afirmou.
Sobre a relação com o governo estadual, o prefeito disse que mantém diálogo com o governador, mas apontou dificuldades com integrantes da equipe. “Com o governador Gladson Cameli, a minha relação ainda continua boa. Não com a equipe dele. A partir daquele momento, os convênios que existiam, onde a gente ajudava o Estado, onde o Estado nos ajudava, eles foram cortados”, relatou.
Entre os exemplos citados, ele mencionou ações conjuntas na área da saúde e cessão de equipamentos. “O ano passado eu realizei em torno de cinco itinerantes de saúde com especialistas, que também não é atribuição minha. Nós tínhamos um itinerante de saúde em conjunto com o governo do Estado do Acre, que foi cortado. Nós tínhamos agora a cessão da usina para fazer o asfalto, foi cortado”, disse.
“A prefeitura sempre se colocou de portas abertas e sempre vai se colocar, porque acima de um partido, eu tenho que cuidar do meu povo. Você não pode reprimir a minha sociedade apenas por eu ser de um partido que nessas eleições é adversário. A partir de outubro, acabam as eleições e o meu povo vai sofrer porque eu sou do Republicanos? Não é digno que o meu povo sofra”, acrescentou.
O prefeito também apresentou números da área da saúde para destacar avanços na gestão municipal. “O ano passado eu consegui R$ 11 milhões de emenda para a saúde, esse ano consegui mais de R$ 19 milhões. O meu PAB, que é um dinheiro que vem da saúde do Ministério, o ano passado era R$ 67 milhões aproximadamente, hoje acabei de receber a informação que vai ser 12 milhões e 300 e poucos mil, ou seja, praticamente dobramos. Por que se dobra? Pelas ações. Quanto mais ações você faz, mais recurso vem”, afirmou.
Railson reconheceu dificuldades estruturais no município, especialmente na infraestrutura urbana. “Eu tenho uma falha estrutural em Feijó que eu não nego, eu estou doente por ver tanto buraco na minha cidade. Mas se o governo não me ajuda, fica difícil, porque vem dinheiro para a saúde, vem dinheiro para a educação, mas para tapa-buraco não vem”, disse.
Questionado sobre o novo prazo dado pelo governo estadual para a conclusão da primeira etapa da obra do hospital até o fim de abril, o prefeito disse esperar que o compromisso seja cumprido. “Eu parto do princípio de que as instituições existem para beneficiar o povo. Dei duas mãos ao governo do Estado do Acre para que precisar da prefeitura a gente solucione esse problema. Se eu tenho equipamento e o Estado não tem, eu cedo. Eu quero que o Estado me ajude a resolver o problema da minha cidade”, afirmou.
“Eu não quero um governo inimigo por eu ser do Partido Republicanos, eu quero um governo amigo que ajude a minha cidade. Me colocaram como vilão apenas para mudar a narrativa. Solicito convênios, os convênios não são aceitos. Só porque sou de outro partido? Eu estou na política não para ser político de carteirinha, eu estou para mudar a vida das pessoas. O bem comum tem que prevalecer”, finalizou.
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Jornalista formado pela Ufac com atuação em pautas gerais, cotidiano e política. Foi setorista na Câmara Municipal de Rio Branco, com experiência em coletivas e bastidores. Atualmente é repórter e editor substituto do ac24horas.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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