Ratinho será candidato do PSD (por André Gustavo Stumpf)

Divulgação/Assembleia Legislativa PR
Governador do Estado do Paraná, Ratinho Jr

Carlos Massa, o Ratinho Junior, será o candidato do PSD à Presidência da República. Há duas semanas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reuniu em discreto restaurante na cidade de São Paulo, os três possíveis candidatos do partido e alguns dos principais consultores para organizar a participação da legenda nas próximas eleições presidenciais. O objetivo do encontro foi destacar a necessidade de manter a unidade partidária e evitar o surgimento de eventual dissidência. O exemplo utilizado para manter a unidade foi o de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.  Os dois disputavam, dentro do mesmo partido, a presidência da República. Tancredo Neves chegou lá e ganhou inteiro apoio de Ulysses, apoio verdadeiro, profundo, sem mágoas.

Desta forma, os dois participaram do poder. Tancredo Neves morreu antes de tomar posse. E Ulysses foi o poderoso presidente da Câmara dos Deputados, do MDB e da Constituinte. Frequentou as primeiras páginas dos jornais durante todo o processo de realização da Constituição. Só saiu de cena com sua morte, em outubro de 1992. O grupo de parlamentares que trabalhou contra a ditadura dos militares só iria se dividir depois da promulgação da lei da anistia. Até então, todos estiveram protegidos pela legenda do MDB.

Nesta reunião, depois de colocada a orientação maior para preservar a unidade, cada um dos presidenciáveis do partido discursou. Os três defenderam com ênfase a unidade partidária, assumiram o compromisso de defender o candidato do partido e trabalhar para que a candidatura tenha sucesso. Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Carlos Massa, o Ratinho Junior, falaram na defesa intransigente da unidade partidária. Todos deverão caminhar juntos até a eleição em outubro deste ano.  Em seguida, o grupo decidiu que Carlos Massa, o Ratinho Junior, será anunciado até o final deste mês como candidato do PSD à Presidência da República. Em abril será realizada a convenção com objetivo de transformar a candidatura em assunto nacional.

A expectativa dos coordenadores da campanha de Carlos Massa é de que o candidato tenha boa votação no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina. Em São Paulo, ele vai disputar os votos com o candidato Flávio Bolsonaro. No centro-oeste, Ronaldo Caiado deverá trabalhar pelo candidato. No Nordeste e no Norte o principal cabo eleitoral do atual governador do Paraná deverá ser seu pai, o Ratinho, que comanda um programa de televisão, transmitido para todo o país pelo SBT, com bons índices de audiência.

As expectativas são grandes em torno do candidato do PSD, que tem 44 anos, dois mandatos de governador no Paraná muito bem avaliados pela população e carrega ideias novas para a política e administração brasileiras. É o fato novo no cenário nacional. O candidato Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu começar sua campanha. Ele viajou aos Estados Unidos em busca de alguma declaração a seu favor, mas retornou de mãos vazias. Ainda vai começar a andar pelo país, não montou sua chapa, nem conseguiu identificar o homem forte da economia. É o único candidato ostensivo. Vai enfrentar pesado fogo de barragem quando começar a se movimentar. Será convidado a explicar as rachadinhas no seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a misteriosa loja de chocolates e o empréstimo conseguido no, agora famoso, BRB para comprar luxuosa mansão em área nobre de Brasília.

O presidente Lula, candidato eterno do PT, enfrenta dificuldades. Os escândalos do Banco Master e do INSS, que prejudicaram fortemente os aposentados em todo país, se refletiram na Presidência da República. As pesquisas de opinião demonstram o cansaço do eleitor com as ideias e soluções propostas pelo PT, o partido que realizou severo aumento de impostos e penalizou toda a sociedade. Há um sentimento latente anti-PT, já revelado na última eleição. O eleitor esteve preso dentro do radicalismo nacional. A proposta do candidato do PSD oferece outras soluções além da confrontação entre a direita obtusa e o sindicalismo de resultados.

Mas o ano de 2026 contém ingredientes imprevisíveis. As ações aparentemente descoordenadas de Donald Trump, no comando dos Estados Unidos, estão modificando as relações entre os países, inclusive aqueles tradicionalmente aliados. É possível que o norte-americano tente influir na eleição brasileira. Daren Beattie, assessor especial de Trump, pretendia visitar Jair Bolsonaro na prisão. O governo brasileiro não permitiu. Washington já mostrou ser capaz de sequestrar o presidente da Venezuela, condenar Cuba a um terrível isolamento e bombardear sem aviso prévio o Irã. O mundo de Trump é confuso, oscila segundo seus devaneios. Imprevisível e inconsequente. É preciso estar atento aos caprichos que vêm do Norte.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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