Receita Federal “frustrou” apuração da PF ao gravar com Área Restrita. Vídeo

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Receita Federal “frustrou” apuração da PF ao gravar com Área Restrita - Metrópoles

A Receita Federal “frustrou” uma investigação da Polícia Federal (PF), em dezembro de 2024, contra um caso de tráfico internacional de drogas no Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. A informação consta em um relatório da corporação obtido pela reportagem.

O Metrópoles também teve acesso, nesta semana, a um vídeo que mostra agentes da Receita abordando um suspeito durante uma gravação da série Aeroporto: Área Restrita. Veja:

As imagens mostram uma ocorrência de 18 de dezembro de 2024. Na ocasião, um agente portuário utilizou um trator para transportar malas com 88kg de cocaína para o interior do Aeroporto de Guarulhos. O entorpecente foi entregue por integrantes da organização criminosa, que estavam do lado externo do aérodromo.

Segundo o relatório, a PF monitorava a ação quando a droga foi inserida no perímetro do aeroporto. Nesse momento, agentes da Receita abordaram o funcionário que conduzia o trator, sem ter conhecimento que ele estava sob monitoramento. A equipe do Área Restrita acompanhava a movimentação de perto.

PF aponta erros da Receita

Fontes ouvidas pela reportagem apontam que a abordagem antes da hora planejada e a movimentação com a equipe do programa alertaram os demais integrantes da organização criminosa, o que impediu a identificação dos suspeitos. Este seria o principal objetivo do monitoramento.

“[A movimentação] frustrou a ação policial em curso e impediu a identificação de outros integrantes da organização criminosa”, diz trecho do relatório.

O documento destacou ainda que os agentes da Receita “lançaram uma granada de luz e som” em direção ao ponto onde ocorreria a fuga dos integrantes da quadrilha, responsáveis pela entrega da droga. Segundo a corporação, o artefato luminoso foi usado “com a única finalidade de viabilizar registros pela equipe de televisão”.

Após a abordagem, a equipe do Área Restrita fez imagem da droga apreendida. O suspeito foi encaminhado ao posto da autarquia no aeroporto. Ele foi ouvido na companhia da equipe da série, “com nítido propósito de exposição midiática, em condições vexatórias e abusivas”, afirma o documento.

Finalmente, a droga foi realocada nas malas por agentes da Receita e, em seguida, encaminhada à Delegacia da Polícia Federal.

Gravação de série põe investigações em risco, diz PF

Mais tarde, em janeiro deste ano, a PF suspendeu as gravações da série em diferentes aeroportos do país, após identificar riscos à segurança das investigações, especialmente contra o tráfico internacional de drogas.

A corporação negou o credenciamento da equipe para ingressar em áreas restritas do Aeroporto de Guarulhos e desautorizou a gravação nos demais aeroportos.

Receita alega demora da PF em abordar quadrilha

Fontes da Receita Federal afirmaram à reportagem que a autarquia percebeu movimentações da quadrilha no entorno do aeroporto em ao menos seis situações diferentes.

Os indícios surgiram principalmente após a identificação de buracos na grade que cerca o local. Veja abaixo:

Ainda segundo a Receita, em dois dos episódios, a PF foi acionada. A corporação não teria atendido a nenhuma das solicitações. Sem resposta, a Receita decidiu abordar o suspeito por conta própria.

A autarquia reconhece que a operação teria sido melhor sucedida se tivesse identificado toda a quadrilha envolvida no tráfico internacional de drogas, mas ressaltou que tanto o agente portuário quanto o entorpecente foram apreendidos, o que demonstraria que a ação foi bem sucedida.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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