Relatório da ABIN cita fronteira do Acre como área sensível na rota do mercúrio do garimpo ilegal

IMPACTO AMBIENTAL

Relatório da ABIN cita fronteira do Acre como área sensível na rota do mercúrio do garimpo ilegal

Por Whidy Melo5 de março de 2026 – 05h00 4 min de leitura
Foto: Diego Gurgel/Secom

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A fronteira do Acre com o Peru, especialmente na região do município de Assis Brasil, aparece no contexto regional de expansão do garimpo ilegal e da circulação clandestina de mercúrio na Amazônia, segundo estudo elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O relatório aponta que áreas próximas ao território acreano estão inseridas nas dinâmicas transnacionais da mineração ilegal e do tráfico do metal utilizado na extração de ouro.

Intitulada “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança” e publicada em outubro de 2025, o estudo analisa as rotas internacionais do mercúrio, os impactos ambientais da mineração ilegal e as redes criminosas que operam na região amazônica.

Garimpo ilegal próximo às cidades do Acre

Foto: Imagem de garimpo na região de Madre de Dios I Infoamazônia/reprodução

De acordo com o estudo, um dos principais polos de mineração ilegal na Amazônia está no leste do Peru, na região de Madre de Dios, área que faz fronteira direta com o Acre, nas proximidades do município de Assis Brasil. Essa região também mantém conexões logísticas com cidades acreanas da faixa de fronteira, como Brasiléia e Epitaciolândia, que funcionam como portas de entrada e circulação de pessoas e mercadorias entre os dois países.

Foto: Imagem de garimpo na região de Madre de Dios I Infoamazônia/reprodução

A proximidade geográfica com municípios acreanos faz com que o estado esteja inserido no contexto regional das cadeias logísticas da mineração ilegal, que envolvem circulação de trabalhadores, equipamentos e insumos entre países da Amazônia.

Contaminação por mercúrio preocupa região amazônica

O estudo também aponta que o uso intensivo de mercúrio na mineração artesanal já provocou grande impacto ambiental na região amazônica próxima ao Acre. Estima-se que cerca de 3 mil toneladas do metal tenham sido despejadas nos rios da região de Madre de Dios ao longo de duas décadas, contaminando ecossistemas e comunidades locais.

Foto: mercúrio é o principal meio para separar ouro de outros sedimentos I Infoamazônia/reprodução

O mercúrio é utilizado para separar o ouro do sedimento, mas possui alta toxicidade. No ambiente aquático, ele pode se transformar em metilmercúrio, substância que se acumula na cadeia alimentar e chega aos seres humanos principalmente por meio do consumo de peixe.

Populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia estão entre as mais vulneráveis à contaminação, devido à dependência do pescado como principal fonte de alimentação.

Cadeia internacional abastece garimpos ilegais

O relatório mostra ainda que o Brasil não possui produção própria de mercúrio, o que faz com que praticamente todo o metal utilizado no país seja importado ou contrabandeado. No caso do garimpo ilegal, o abastecimento ocorre principalmente por rotas clandestinas que passam por países amazônicos.

Entre os principais pontos de entrada identificados estão Bolívia e Guiana, que funcionam como centros de redistribuição do metal para garimpos ilegais em diferentes regiões da Amazônia brasileira. Mas no caso do material produzido ou transportado pela Bolívia, a rota mais frequente por balsas no Rio Madeira e em locais de exploração em Mato Grosso, próximos à fronteira, a exemplo da TI Sararé.

Essas rotas fazem parte de uma cadeia internacional que envolve produtores e intermediários globais. O estudo aponta que o mercúrio frequentemente passa por países como Emirados Árabes Unidos, Índia e Rússia antes de chegar à América do Sul, onde é direcionado para mercados ilegais ligados à mineração de ouro.

Whidy Melo

Whidy Melo

Whidy Melo é acreano de Rio Branco, repórter, documentarista, fotógrafo e videomaker.

kennedywhidy@gmail.com

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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