
Morreu neste sábado (21/3), aos 91 anos, o ator e dramaturgo Juca de Oliveira, um dos nomes mais conhecidos da televisão e do teatro no Brasil.
O artista estava internado da UTI no Hospital Sírio-Libanês, com pneumonia.
Nascido em 16 de março de 1935, em São Roque, no interior de São Paulo, José Juca de Oliveira Santos construiu uma carreira de mais de seis décadas, com diversos papéis marcantes.
A trajetória artística começou nos palcos, em meio a nomes consagrados como Aracy Balabanian e Glória Menezes, experiência que ajudou a moldar sua presença cênica.

Em seguida, passou pelo prestigiado Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde mergulhou em montagens de grandes clássicos, entre eles O Pagador de Promessas e A Morte do Caixeiro Viajante, consolidando sua formação no teatro.
Já a entrada na televisão ocorreu ainda nos anos 1960, pela TV Tupi, com participações em teleteatros e programas de humor. O salto para a popularidade veio pouco depois, em 1969, ao assumir o papel principal de Nino, o Italianinho.
A produção teve longa duração e projetou o ator nacionalmente, tornando-o conhecido do grande público.
Nos anos 1970, consolidou seu espaço na dramaturgia com personagens marcantes. Um dos mais lembrados é João Gibão, da primeira versão de Saramandaia, figura emblemática dentro do universo de realismo fantástico da trama.
Na mesma década, fez parte dos elencos de novelas como Cuca Legal, À Flor da Pele e Pecado Rasgado, em papéis que reforçavam sua inclinação para personagens densos e emocionalmente complexos.
Já nos anos 1990, voltou a ganhar destaque em produções da TV Globo, com atuações em Fera Ferida, Os Ossos do Barão e Torre de Babel.

Entre seus trabalhos mais icônicos está o Doutor Augusto Albieri, de O Clone. A novela, exibida no início dos anos 2000, alcançou repercussão dentro e fora do Brasil, e o personagem — um cientista envolvido com clonagem humana — tornou-se um dos mais emblemáticos de sua carreira.
Nas décadas seguintes, continuou ativo em produções de grande alcance. Em Avenida Brasil, deu vida ao personagem Santiago. Também esteve em Flor do Caribe, Os Experientes e O Outro Lado do Paraíso, onde interpretou o juiz Natanael Montserrat.
No cinema, construiu uma carreira consistente desde a década de 1960. Um de seus papéis mais marcantes foi em O Caso dos Irmãos Naves, obra baseada em um caso real de injustiça. Anos depois, participou de produções como Bufo & Spallanzani, O Signo da Cidade e De Onde Eu Te Vejo, além de Outras Estórias. Também atuou como roteirista em projetos como Caixa Dois e na peça que originou Qualquer Gato Vira-Lata.

Paralelamente, firmou-se como autor teatral, assinando textos como Meno Male, Hotel Paradiso e Caixa Dois. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, acumulou prêmios importantes, como o Troféu APCA de Melhor Ator e o reconhecimento no Festival de Gramado por sua atuação em Bufo & Spallanzani.
Com uma trajetória extensa e versátil, o ator se consolidou como um dos nomes mais respeitados da dramaturgia brasileira, transitando com naturalidade entre teatro, televisão e cinema, sempre marcado pela intensidade de suas interpretações e pela capacidade de se reinventar ao longo do tempo.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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