
Dia 9 de fevereiro de 2026, às 19h. Foi nesse dia e horário que a reportagem do Metrópoles encontrou a balconista Rebeca Freitas, 26 anos, chegando em uma das paradas de ônibus da DF-095, conhecida como via Estrutural.
No começo, ela ficou receosa e demorou para atravessar a pista. E não era para menos, já que o local se encontrava, naquele dia, totalmente às escuras. Quando na parada, a balconista contou um pouco sobre a sua rotina de medo.
“Trabalho na Cidade Estrutural há sete meses, saindo nesse horário, e sempre foi assim, convivendo com essa escuridão. É muito perigoso. Além de ser um horário onde poucas pessoas estão na parada, quase não há rondas policiais e a falta de iluminação pública é constante. Considero isso um descaso muito grande”, disse.
Segundo Rebeca, essa escuridão faz com que, em algumas oportunidades, o ônibus que ela pega para ir embora não pare na rodovia, ou por não enxergar que tem alguém na parada ou, quando tem só um homem e uma mulher, por achar que pode ser alguém querendo assaltar.
“Ou seja, a falta de iluminação acaba causando uma sensação de insegurança tanto para quem está esperando o transporte público quanto para quem está dirigindo o ônibus”, ressaltou.
7 mil reclamações
O receio sobre paradas escuras, principalmente em rodovias que cortam o DF, foi confirmado por alguns rodoviários ouvidos pelo Metrópoles em uma parada de ônibus da BR-060, na altura de uma das garagens da empresa Urbi, outro local onde a escuridão predomina.
Motoristas e cobradores (que não quiseram se identificar) que estavam terminando o expediente relataram que, de fato, quando o local é isolado e/ou pouco iluminado, a atenção é redobrada e o medo de que ocorra um assalto aumenta.
A reportagem também esteve em outros locais e constatou a falta de iluminação pública:
Entre a luz e a escuridão
O Metrópoles encerrou a “blitz” no Setor Habitacional Tororó, localizada na região do Jardim Botânico. Por lá, quando finalmente parecia que haveria uma região com plena iluminação pública, um local chamou a atenção.
Em um trecho que fica mais próximo da divisa entre o DF e o estado de Goiás, os postes até existem, mas parecem que nunca foram iluminados.
Pelo menos é o que afirma o atendente de uma loja de conveniência que fica de frente para a situação. Lucas Teixeira, 30, trabalha no local há 10 anos e contou que a iluminação pública da região sempre foi deficiente.
“Para mim, que trabalho no período da noite, é muito ruim, pois traz uma sensação de insegurança. A gente nunca sabe quem está se aproximando do posto, pois os arredores ficam na escuridão. Sem contar que estamos rodeados por um matagal, o que piora a situação”, avaliou.
Segundo Lucas, quem trabalha no posto durante o expediente noturno utiliza algumas estratégias para evitar esses locais. “Costumamos não ir até as paradas onde não há iluminação, além de monitorar a chegada dos ônibus e só ir até a parada quando ele estiver perto”, comentou.
“Algumas vezes, chegamos ao ponto de perguntar para os clientes que abastecem no posto se eles estão indo para o mesmo sentido que o nosso, para pegar uma carona até algum local mais iluminado. Nunca cheguei a ser assaltado, mas já soube de algumas situações desse tipo, principalmente no período da noite”, confessou.
Respostas
À reportagem, a CEB Ipes afirmou que furtos de cabos e vandalismos nos equipamentos são as causas das maiorias dos “apagões” na iluminação pública.
De acordo com a companhia, a Via Estrutural, no trecho na altura da Cidade do Automóvel, recebeu 17 atendimentos entre dezembro e fevereiro. “A via tem sido alvo recorrente de furtos de cabos, o que compromete a prestação do serviço de iluminação pública, provocando pontos apagados e intermitência nas luminárias”, disse a CEB.
Na BR-080, a empresa afirmou há dois chamados abertos e que ambos foram incluídos na programação das equipes. “Os reparos nesse ponto são mais complexos e exigem intervenções técnicas mais elaboradas, o que demanda maior tempo de execução”, explicou a nota.
Segundo a CEB, a BR-070, na altura da QNH 11, os reparos serão feitos “no menor prazo possível”.
Já a BR-060, em Samambaia, no trecho mencionado acima, a companhia afirmou que os problemas são causados por cabos rompidos durante escavações e furtos.
Sobre a BR-251 e as imediações da Papuda, a CEB comentou que se trata de uma obra de expansão da iluminação pública. “Para sua implantação, é necessário que a rede de baixa tensão esteja devidamente instalada pela distribuidora, além do desenvolvimento de um projeto de iluminação específico, a partir de solicitação da administração regional”, destacou.
Em relação ao trecho da DF-140, a empresa garantiu, mesmo a reportagem do Metrópoles verificando o apagão in-loco, que o local recebeu obras de iluminação em toda sua extensão.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário