
O sol forte marcou o segundo dia oficial do Carnaval paulistano, neste domingo (15/2). E para conseguir curtir os blocos sem risco de passar mal, os foliões resgataram estratégias certeiras de anos anteriores: água, protetor solar e descanso – sempre que possível.
No centro de São Paulo, a concentração do bloco Domingo Ela Não Vai já começou com parte do público dividindo as poucas áreas de sombra nas marquises dos prédios na Avenida Ipiranga. “Só debaixo de uma marquise mesmo pra aguentar esse calor”, contou a psicóloga Fernanda Duarte, de 32 anos.
Ela e mais duas amigas usavam leques coloridos, no mesmo tom das fantasias, para se abanar. O acessório, já há alguns anos, virou item indispensável no Carnaval de rua para amenizar o calor.
A poucos metros do trio, a auxiliar de contabilidade Luana de Souza, de 32 anos, aproveitava o único canto de sombra disponível ao lado de uma farmácia, antes do trio elétrico dar início ao desfile.
“Enquanto o bloco não sai a gente fica aproveitando a sombrinha para não ter insolação, nem nada. Quando começar vou para o meio da galera no sol”.
Quando o bloco saiu, no desfile que marcou 10 anos do Domingo Ela Não Vai no Carnaval paulistano, foliões relembraram as danças icônicas do axé dos anos 90 sob um calor de mais de 30°C.
Em meio ao calorão, teve quem fizesse pausas nas áreas de sombra enquanto o trio seguia embaixo do sol. “A gente abandonou o bloco e tá na sombra para pegar um arzinho, dar uma refrescada. Se não já era”, contou Guilherme Martins, enquanto se abanava com um leque.
Em Perdizes, na zona oeste da cidade, a sombra das árvores ajudou a proteger as famílias que acompanharam o Bloco Gente Miúda. As crianças pareciam nem ligar para o calorão e pulavam animadas enquanto jogavam espuma umas nas outras.
A brincadeira com a espuma foi a parte favorita da festa para Mariah Torres, de 11 anos: “Eu dei uma de cabeleireira e fiz vários topetes no meu irmão”.
A amiga dela, Elisa Bento de Almeida, de 7 anos, também aprovou a festa cheia de espuma. Ela tinha só uma crítica: “A única coisa que eu não tô achando divertido é a caminhada”. Dava pra entender: o bloco deu a volta no quarteirão subindo e descendo as ladeiras embaixo do sol forte.
Ibirapuera une sertanejo e funk
Os arredores do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulsita, viraram uma verdadeira pista de funk e sertanejo neste domingo (15/2) de Carnaval de rua em São Paulo. Sob um calor de mais de 30 graus, leques e borrifadores de água se somaram à paisagem formada por uma multidão de foliões que foi curtir os blocos de Michel Teló e Pocah.
A festa começou comandada pelo sertanejo, com o desfile do bloco Sertanejinho do Teló. O cantor agitou os fãs com seus grandes sucessos, como Fugidinha e Ai Se eu Te pego, além de músicas do seu álbum mais recente, de mesmo nome do bloco que percorreu o trecho entre o Obelisco do Ibirapuera e o Monumento às Bandeiras.
Teló também levantou o público com clássicos do pop rock nacional e internacional, embalados no estilo de marchinha.
O músico paranaense já faz parte da história do Carnaval de rua em São Paulo, com o bloco Bem Sertanejo, destaque nos últimos anos. Desta vez, no entanto, o artista retornou ao Carnaval paulistano com uma nova proposta. O Bloco Sertanejinho do Teló faz referência ao seu projeto mais recente, no qual o cantor explora outras variedades musicais, que vão de clássicos do sertanejo universitário a releituras de outros gêneros.
Porém, nem tudo foi alegria. Após duas horas de espera — a concentração começou às 11h e a entrada de Teló no trio ocorreu apenas às 13h — o público ficou impaciente e chegou a ensaiar uma vaia. Sob forte calor, uma jovem chegou a precisar deixar a aglomeração com medo de passar mal. “O povo está cozinhando aqui parado“, reclamou uma foliã.
Um dos momentos mais emocionantes do bloco Sertanejinho do Teló foi quando o artista chamou sua família para subir no trio elétrico e cantar com ele. Sua mulher, Thais Fersoza, e seus dois filhos, Melinda e Teodoro, cantaram sucessos nacionais com o sertanejo, ajudando a levantar o público que lotou o bloco.
A “festa” de Pocah
Já no início da tarde, foi a vez da funkeira Pocah arrastar a multidão no Ibirapuera com seus lançamentos mais recentes, como o hit Molhadin, lançado no fim de 2025, entre outros sucessos da cantora carioca.
Ainda sob um forte calor, o Bloco da Pocah levou um público animado a cantar e dançar, além do funk, clássicos do Carnaval com tempero de pop, axé e pagode baiano. A diversidade musical e a proximidade com os foliões ajudaram a criar um clima espontâneo de festa, típico do Carnaval de rua paulistano.
“Quando eu toco em bloco assim, gosto de festa. Estou muito feliz de estar aqui”, afirmou em entrevista ao Metrópoles pouco antes de começar a “festa”. No terceiro ano embalando o público no Carnaval de rua paulistana, a artista declarou seu amor por São Paulo.
“Para mim, eu sou uma funkeira do Rio de Janeiro, mas São Paulo está no meu coração. Foi um dos primeiros lugares a me abraçarem e ó meu terceiro ano do meu bloco de rua”, disse.
Segundo ela, muitos encontros com o público da cidade ainda virão. “É uma história muito antiga e é um prazer sempre estar aqui, levando alegria, estou muito feliz de estar aqui. Estou construindo ainda, vamos passar muitos e muitas datas juntos. Eu amo São Paulo”, acrescentou.
Sobre gêneros musicais tocados no Carnaval, Pocah reforçou a importância de proporcionar festa aos foliões. “Eu penso nos clássicos da Bahia, sabe? E também penso em músicas que não são do carnaval, mas as transformo em ícones do carnaval”, disse a funkeira ex-BBB.
Já na chegada ao bloco, Pocah mostrou que a tarde seria de sinergia com o público. Antes de subir no trio, brincou e cumprimentou os fãs, esguichando água nos foliões que se aglomeravam em frente ao trio elétrico sob um calor intenso.
Ocorrências
Durante o Bloco da Pocah, a equipe do Metrópoles flagrou ao menos duas ocorrências em que agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) retiraram suspeitos do meio da multidão.
Um deles, de acordo com um dos guardas envolvidos na ação, foi detido após tentar agredir um cadeirante. Não há detalhes sobre o motivo do suposto desentendimento nem a identidade do detido.
Momentos antes, um suspeito de furto de celular foi preso entre os foliões do bloco da cantora.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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