Sem garantir prorrogação, CPMI do INSS muda foco para caso Master

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a direcionar parte de sua agenda para apurações relacionadas ao Banco Master.

O colegiado conseguiu, por exemplo, aprovar a convocação de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e de Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro.

Além disso, a CPMI recebeu os arquivos da quebra de sigilo de Vorcaro. O material ficará protegido em uma sala-cofre, monitorada por câmeras.

A mudança de foco ocorre em meio à incerteza sobre a prorrogação dos trabalhos do colegiado no Congresso Nacional. Como mostrou o Metrópoles, o presidente da comisssão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tenta costurar um acordo com a base do governo para prolongar os trabalhos por ao menos 30 dias.

Nos bastidores do Congresso, há divergências sobre a possibilidade de extensão do prazo da CPMI. A prorrogação depende de novo apoio parlamentar e de articulação política entre líderes partidários, o que ainda não foi consolidado. Sem garantia de tempo adicional, membros da comissão buscam acelerar a coleta de provas e a realização de oitivas.

Quem resiste à ideia é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tem evitado falar sobre o assunto. À jornalistas na tarde da última quinta-feira (12/3), Viana disse que conversou com o senador amapaense, mas não obteve qualquer resposta ou posicionamento dele. Diante disso, o presidente do colegiado entrou com um pedido de prorrogação no Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (13/3).

Integrantes da comissão ouvidos pela reportagem avaliam que o tempo restante para a conclusão das investigações pode ser insuficiente para aprofundar todas as frentes abertas desde a instalação da CPMI.

Ao Metrópoles, o relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), afirmou que os próximos passos serão “ouvir presidentes de bancos, testemunhas e análise de dados”.

A expectativa de senadores e deputados é que os depoimentos ajudem a esclarecer a movimentação de recursos associados a entidades e empresas citadas nas investigações.

O prazo de funcionamento da CPMI termina em 28 de março, um sábado. A previsão é que, sem prorrogação, os trabalhos encerrem em 26 de março.

Caso o prazo não seja estendido, o colegiado terá de apresentar relatório final nas próximas semanas, reunindo as conclusões das investigações e eventuais recomendações de indiciamento ou de mudanças na legislação para reforçar os mecanismos de controle sobre benefícios previdenciários.

Parlamentaress da CPMI do INSS entraram, na noite de sexta-feira (13/3), com um mandado segurança no STF para tentar garantir a prorrogação dos trabalhos da comissão por até 120 dias.

No processo, o grupo argumenta que o Congresso tem se omitido ao não receber formalmente o requerimento que pede a extensão do prazo da CPMI.

Os autores também pedem que o STF reconheça como ilegal e inconstitucional a suposta omissão da cúpula do Congresso em dar prosseguimento ao pedido. Além disso, solicitam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja intimada a emitir parecer jurídico sobre o caso no prazo de dez dias.

O colegiado foi criado com o objetivo de investigar um esquema que cobrava mensalidades irregulares, descontadas dos beneficiários de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles. A estimativa é que R$ 6,3 milhões tenham sido desviados.

O Master entrou na mira da CPMI após a liquidação da instituição financeira, em novembro de 2025, pelo Banco Central. O banco é suspeito de diversas fraudes financeiras, entre elas a venda de créditos consignados para pensionistas.

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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