Sucessão no Irã pode fortalecer ainda mais ala radical e anti-Ocidente

IRANIAN LEADER PRESS OFFICE/Anadolu via Getty Images
Imagem colorida mostra o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei - Metrópoles

Com a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei — atingido por ataques dos EUA e de Israel no sábado (28/2), pairam dúvidas sobre a sucessão do aiatolá, que comandava o regime teocrático islâmico no Irã desde 1989.

Após a morte de Khamenei, o aiatolá Alireza Arafi foi nomeado para comandar o país interinamente, enquanto o sucessor não é escolhido. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei também fazem parte do conselho que comanda o país temporariamente.


Assembleia de Peritos


Regime islâmico xiita deve seguir

A votação não tem uma data publicamente definida. O mais provável é que o sucessor de Ali Khamenei como líder supremo do regime iraniano seja também um defensor radical do islamismo xiita, já que todo o processo é feito para que o líder supremo tenha influência sobre quem escolherá seu sucessor.

O historiador e chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Rodrigo Medina, analisa que a possibilidade de um sucessor mais progressista é pequena.

“A Assembleia de Peritos muito dificilmente dará lugar a uma ala mais progressista e próxima ao ocidente“, explica Medina.  

Nesta terça-feira (3/3), Israel atacou o local onde a Assembleia de Peritos se reúne, na cidade de Qom. A parte israelense afirmou à mídia local que todos os 88 aiatolás estavam presentes no local. Por outro lado, a mídia estatal iraniana disse que o prédio foi evacuado e nenhum líder religioso foi atingido. Até o momento, não há informações sobre aiatolás mortos ou feridos.

Papel da Guarda Revolucionária do Irã

Outro ator importante para os rumos futuros do Irã é a Guarda Revolucionária — uma organização paramilitar, subordinada às Forças Armadas do país e leal ao regime islâmico dos xiitas.

O professor Rodrigo Medina avalia que a chance da Guarda Revolucionária abandonar o regime dos aiatolás também é muito pequena, pois o grupo é identificado com o mesmo nacionalismo religioso do regime atual.

“Depende de uma variável pouquíssimo plausível, que seria a oposição interna ao regime dos aiatolás e de Ali Khamenei, simpática a algumas pautas dos movimentos insurgentes que tomaram as ruas do Irã em protestos no final do ano passado e início deste – acabar prevalecendo no processo de sucessão”, destacou o chefe do Departamento de Relações Internacionais da Unifesp.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda faz a defesa dos princípios religiosos do islamismo, adepta, principalmente, ao que Medina categoriza como uma “expressão radical do islamismo xiita”.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *