
O Ministério da Saúde anunciou na última sexta-feira (6/2) o início da transição do tratamento de diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS) com a ampliação do uso de uma insulina mais moderna, a insulina análoga de ação prolongada glargina, substituindo gradualmente a insulina humana NPH.
A mudança foi classificada pela pasta como um avanço histórico para a assistência a pessoas que vivem com diabetes no país. Segundo o órgão, a molécula glargina tem efeito prolongado de até 24 horas e permite uma única aplicação diária, o que pode trazer mais praticidade ao tratamento no dia a dia dos pacientes.
A transição começa por meio de um projeto-piloto em quatro estados: Amapá, Paraná, Paraíba e o Distrito Federal. De acordo com a estimativa do órgão, mais de 50 mil pessoas poderão ser beneficiadas nessa primeira etapa. A fase inicial do programa atende prioritariamente dois grupos:
A transição não será automática. Cada paciente passará por avaliação individualizada para verificar se a mudança é adequada ao seu quadro clínico. As equipes de saúde da Atenção Primária estão recebendo treinamentos específicos para implementar a transição nos territórios selecionados.
Depois dos primeiros meses de implementação, o governo federal pretende avaliar os resultados para estruturar um plano de expansão da glargina para outros estados do país.
Insulina moderna e produção nacional
A insulina glargina tem sido produzida no Brasil por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que reúne o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.
A pasta também destacou iniciativas paralelas para garantir a fabricação nacional dos insumos básicos de insulina humana — NPH e regular — por meio de parcerias com a farmacêutica indiana Wockhardt, o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm.
A transição no SUS tem como base o trabalho do Grupo de Trabalho da Insulina, criado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2025 para estudar melhorias na insulinoterapia diante de um cenário global de restrição de insumos básicos.
O processo inclui monitoramento contínuo de dados, formação de equipes das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e abordagens de temas como o uso correto das canetas aplicadoras de insulina e a técnica de administração do medicamento.
Os treinamentos começaram em 27 de janeiro de 2026 e devem seguir até meados de fevereiro, preparando os profissionais para iniciar o atendimento nos seus territórios.
O que o SUS já oferece
O SUS já garante assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico até o tratamento, conforme o quadro clínico de cada paciente, com a Atenção Primária à Saúde como porta de entrada e responsável pelo acompanhamento contínuo por equipes multiprofissionais.
Atualmente, o sistema ofertava antes da transição quatro tipos de insulina: insulinas humanas NPH e Regular, e análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais para o tratamento do diabetes mellitus.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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