Terapia hormonal na menopausa não eleva risco de demência, diz estudo

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Foto de mulher de amarelo segurando bula de remédio - Metrópoles

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em dezembro de 2025 na revista The Lancet Healthy Longevity, que reuniu dados de mais de 1 milhão de mulheres, concluiu que a terapia hormonal usada na menopausa não está associada ao aumento nem redução significativa do risco de demência ou de comprometimento cognitivo leve em mulheres.

A terapia hormonal da menopausa — também chamada de reposição hormonal ou HRT/MHT — é um tratamento médico que usa hormônios como estrogênio e, em alguns casos, progesterona/progestina, para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e alterações do humor.

Segundo a pesquisa feita no Departamento de Psicologia Clínica, Educacional e da Saúde da University College London, apesar de ser usada há décadas para aliviar sintomas, há debate científico desde os anos 1990 sobre se o uso desses hormônios poderia influenciar o risco de demência em mulheres mais velhas.

Estudos antigos, como alguns ensaios clínicos e observacionais, chegaram a sugerir tanto potenciais benefícios quanto riscos, dependendo da idade de início e do tipo de hormônio.

Diante dessa incerteza, os pesquisadores decidiram reunir e analisar toda a evidência disponível para responder de maneira mais clara a pergunta: a terapia hormonal altera o risco de demência?

O estudo mais recente e seus principais resultados

A análise publicada na The Lancet Healthy Longevity avaliou dados combinados de 10 estudos — incluindo um ensaio clínico randomizado e nove estudos observacionais — com o total de 1.016.055  participantes.

Os pesquisadores ressaltam que a terapia hormonal ainda tem benefícios claros para tratar sintomas do climatério, mas a escolha de usá-la deve sempre considerar alguns fatores.


O que deve ser avaliado antes de começar a terapia hormonal?


Segundo os autores, apesar da enorme quantidade de participantes, muitos dos dados vêm de estudos observacionais que apresentam certeza de evidência “baixa” ou “muito baixa” para determinados desfechos, o que significa que resultados menores ou específicos ainda não podem ser totalmente descartados.

A autora principal, a pesquisadora Melissa Melville, declarou que o objetivo foi reunir a melhor evidência disponível para orientar médicos e pacientes diante de anos de resultados conflitantes, e que os achados sugerem que a decisão de usar terapia hormonal deve se basear nos benefícios esperados para sintomas da menopausa e nos riscos conhecidos, e não na prevenção da demência.

Com base nos resultados dessa revisão abrangente, não há evidência científica forte de que a terapia hormonal aumente ou reduza de forma significativa o risco de demência em mulheres na pós-menopausa.

Além disso, embora essa análise seja a mais abrangente até hoje, a ciência ainda carece de estudos randomizados longos e com maior certeza de evidência, especialmente em grupos de mulheres com menopausa precoce ou com outras condições de saúde específicas.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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