Transplante de medula parcialmente compatível já é eficaz, diz estudo

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Cirurgião experiente monitora procedimento de extração de medula óssea realizado em paciente na sala de cirurgia do hospital. Medula óssea transplante de medula doação

O transplante de medula pode não precisar ser realizado entre pessoas 100% compatíveis para ter sucesso, segundo um estudo brasileiro publicado em dezembro na revista Blood. A pesquisa indicou que familiares apenas parcialmente compatíveis já podem ser doadores com o mesmo perfil de segurança e eficácia que os de total correspondência.

O estudo conduzido no Brasil comparou pessoas 100% compatíveis não aparentadas com aquelas de correspondência parcial, mas que eram parentes próximas e encontrou que os dois perfis são bons candidatos à doação de medula óssea. Essa terapia é o tratamento para diversas doenças que afetam o sangue, incluindo leucemias.

Como foi feito o estudo?

Desse total, 335 pacientes receberam células de doadores parcialmente compatíveis. Outros 166 foram submetidos a transplante com doadores totalmente compatíveis não aparentados. Os participantes tinham idade igual ou superior a 18 anos. Todos apresentavam diagnóstico de leucemia mieloide aguda ou leucemia linfoblástica aguda. No momento do transplante, os pacientes se encontravam em remissão completa, sem sinais detectáveis da doença.

Após dois anos de seguimento, os pesquisadores não identificaram diferenças clinicamente significativas entre transplantes haploidênticos (em que o doador é parcialmente compatível, podendo ser pai, mãe, filho e irmão) e os MUD (em que o doador não é parente, mas é totalmente compatível com o paciente).

Quais foram os resultados dos transplantes?

As taxas de sobrevida global, retorno da doença e toxicidade apresentaram valores semelhantes, o que solidifica as evidências científicas que já indicavam para a possibilidade de recorrer a doadores familiares como alternativa segura em contextos onde um doador totalmente compatível não está disponível.

A incidência de retorno da doença em dois anos foi de 20% nos transplantes haploidênticos e de 14% nos MUD. Após ajustes estatísticos, o tipo de doador não se mostrou preditor independente de recidiva. Esses dados sustentam a conclusão de que a escolha do doador não alterou de forma significativa o prognóstico.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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