Trecho da decisão de Mendonça pode dificultar delação de Vorcaro

Daniel Vorcaro, do Banco Master -- Metrópoles

Um trecho do voto do ministro do STF André Mendonça pela manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pode dificultar uma possível delação premiada do dono do Banco Master.

Isso porque a lei que trata das regras para a colaboração com o Ministério Público impede que suspeitos apontados como “líderes de organizações criminosas” sejam beneficiados com esse tipo de acordo.

Em seu voto pela manutenção da prisão do banqueiro, Mendonça, relator do Caso Master no STF, apontou a existência de uma possível “organização” que estaria sob “liderança” de Vorcaro.

“Trata-se, sim, de organização composta por um conjunto de indivíduos coordenados pelos investigados Phillipe Mourão (agora falecido) e Marilson Roseno, sob a liderança e comando inequívoco de Daniel Vorcaro, responsável por dar ordens diretas ao grupo”, diz o ministro do STF.

Assim, caso o entendimento se confirme e Vorcaro seja apontado como líder do esquema, a Procuradoria-Geral da República pode deixar de oferecer denúncia contra o banqueiro, mesmo se ele for delatar outros pessoas.

Troca de advogado

Horas depois de o STF formar maioria para mantê-lo preso, Vorcaro trocou de advogados. Sairam Pierpaolo Bottini e Roberto Podval e entrou José Luis Oliveira Lima, considerado especialista em delação premiada.

Juca, como é conhecido, foi responsável por negociar a delação do então dono da OAS, Léo Pinheiro, na Lava Jato. Também advogou para José Dirceu no Mensalão e para o general Braga Netto no inquérito do golpe.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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