
O sócio da academia C4 Gym, onde uma mulher morreu e outras seis pessoas foram internadas após utilizarem a piscina, Celso Bertolo Cruz apresentou um certificado de conclusão de curso de tratamento de água de piscinas, teórico e prático,
O documento, obtido pelo Metrópoles, atesta que Celso concluiu o curso presencial em 2 de agosto de 2023, ministrado por um técnico em piscinas. A reportagem entrou em contato com o responsável pela aplicação do curso, José Américo, que detalhou como o treinamento foi realizado.
José Américo é técnico em piscinas e oferece cursos básicos e introdutórios voltados a pessoas que desejam contratar uma empresa especializada para manutenção e querem ter conhecimento mínimo para fiscalizar se o serviço está sendo executado corretamente.
O treinamento, segundo José, foi realizado exclusivamente com Celso, sem a participação de qualquer outro funcionário da C4 Gym, academia, localizada na zona leste de São Paulo. O técnico afirmou ainda que, à época em que ministrou o curso a Celso Bertolo Cruz, Severino José da Silva, o manobrista responsável pelos cuidados com a piscina, ainda não era funcionários da rede.
“É um treinamento básico, não é uma capacitação técnica para assumir o tratamento da piscina”, disse. José afirmou ainda que deixou claro a Celso o alcance limitado do curso e o orientou a contratar uma empresa especializada para realizar os cuidados e a manutenção da piscina.
À reportagem, o técnico afirmou que alertou Celso sobre possíveis riscos. “Eu avisei que poderia colocar pessoas em risco. Não precisava me contratar, mas precisava ter um profissional qualificado”, relatou.
“Eu levo até dois anos para formar um funcionário comigo. Quatro horas não tornam ninguém técnico”. O técnico reforçou que o curso não substitui acompanhamento especializado. “Quem tem que fazer a manutenção é uma empresa qualificada”, complementou.
Morte após aula de natação
Sócio trocava mensagens sobre produtos químicos
Uma troca de mensagens entre o sócio da C4 Gym, Celso Bertolo Cruz, e o manobrista Severino José da Silva mostra que o funcionário recebia orientações diretas sobre a aplicação de produtos químicos na piscina.
As conversas, obtidas pelo Metrópoles, registram respostas frequentes de Severino com “ok” após o envio das instruções. Parte do conteúdo, porém, foi apagada por Celso e não é possível visualizar integralmente as ordens enviadas. Nos trechos que permaneceram, aparecem comandos como “Joga mais 6” e “Joga 2”, sem especificação do produto ou da medida mencionada.
Em depoimento à Polícia Civil, Celso afirmou que se apresentou como responsável pela manutenção da piscina e confirmou que orientava o funcionário sobre as dosagens. Ele declarou que apagou as mensagens ao saber da morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, dizendo que ficou “desesperado” e que excluiu o conteúdo “sem pensar”.
Apesar de terem sido indiciados, Celso Bertolo Cruz e os outros dois sócios da C4 Gym, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração continuam em liberdade. A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão dos sócios da academia em decisão proferida nesta sexta-feira (13/2). Eles seguem sendo investigados pelos casos de intoxicação registrados na piscina do estabelecimento.
O que dizem os advogados do sócio da academia
Os advogados Rafael Serra Oliveira e Caio Rimkus, que representam Celso Bertolo Cruz, em nota, informaram que receberam “com satisfação a decisão judicial que garante aos nossos clientes o direito de aguardar a apuração dos fatos em liberdade, sendo certo que cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela Justiça. Todas as demais questões relativas ao processo serão respondidas nos autos.”
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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