Urbia veta ceder Marquise para manobras de skate na semana do Mundial

William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra Marquise do Ibirapuera - Metrópoles

A concessionária Urbia, responsável pela gestão do Parque Ibirapuera, alegou que skatistas têm “vandalizado” a Marquise José Ermírio de Moraes e vetou ceder o espaço para a prática de manobras durante a semana do Campeonato Mundial do esporte, que vai até o próximo domingo (8/3), na capital paulista.

No dia 19 de fevereiro, a gestão Ricardo Nunes (MDB) solicitou à Urbia uma autorização para instalar duas ativações na marquise com o objetivo de promover o campeonato. Uma delas previa colocar obstáculos para manobras, enquanto a outra previa reservar um espaço para uma competição aberta de manobras entre skatistas – a chamada “Best Trick”.

Em resposta, a Urbia negou o pedido e alegou que, desde a reabertura da marquise, skatistas têm “vandalizado” a estrutura projetada por Oscar Niemeyer ao fazer manobras no local, gerando gastos de manutenção e zeladoria.

A concessionária afirmou ainda que as instalações sugeridas pela Prefeitura de São Paulo provocariam novos danos na marquise e incentivariam o “mau uso” do espaço. No e-mail, a Urbia diz que a gestão Nunes deveria, na verdade, reprimir essas práticas.

Tais condutas, na verdade, não deveriam ser estimuladas pelo Poder Concedente, mas reprimidas e coibidas, especialmente quando se está ciente das irregularidades e dos danos que têm sido causados na marquise do Parque Ibirapuera – que é um bem público de elevado valor histórico, arquitetônico e cultural – há pouco menos de 1 (um) mês após a sua reinauguração e reabertura à fruição da população”, diz o e-mail.

Em nota ao Metrópoles, a empresa disse que disponibilizou outra área do parque, o Skate Park, para a promoção do evento, e alegou que a proposta da prefeitura previa acrobacias com aproximadamente dois metros de altura no local, o que foi considerado “tecnicamente incompatível com as características arquitetônicas e patrimoniais do espaço.”

“A decisão foi estritamente técnica e voltada à preservação do bem tombado”, disse a empresa na nota. Na resposta enviada à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, à qual o Metrópoles teve acesso, as tais acrobacias não são citadas pela Urbia.

A concessionária, por outro lado, anexou no e-mail fotos de marcas de desgaste nas estruturas da Marquise e também imagens de skatistas usando paredes e colunas do local para reclamar de uma suposta falta de fiscalização da prefeitura.

“Além de serem práticas inadmissíveis, não se trata de um uso normal e regular do equipamento pelos usuários, mas de atos de vandalismo e degradação intencional do patrimônio público, que requer urgente intervenção do Poder Concedente para conter tais condutas”.


A discussão sobre a marquise


Na troca de e-mails com a prefeitura, a empresa diz que desde o dia da reinauguração do local, em janeiro deste ano, já foram registradas 789 ocorrências – sem explicar quais seriam – e que “apenas 405 foram saneadas e/ou paralisadas após abordagem da equipe de vigilância”. A Urbia alega que chamou a Guarda Civil Metropolitana em 36 casos, mas só foi atendida em sete desses.

Em nota ao Metrópoles, a concessionária disse que a decisão por vetar as ativições do campeonato na marquise levaram em consideração também o fato de que é preciso “um período maior de orientação e consolidação do regramento junto ao público para garantir o adequado uso do espaço”.

“A Urbia reforça que é favorável ao incentivo ao esporte e que o Skate Park do Ibirapuera, espaço exclusivo, recentemente requalificado e com infraestrutura adequada para a modalidade, é o local apropriado para esse tipo de ação. A continuidade do projeto no espaço sugerido está sendo avaliada pelos organizadores”, diz a empresa.

Em nota, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) afirma que “acompanha permanentemente as condições de uso do Parque Ibirapuera, adotando todas as medidas cabíveis como Poder Concedente e fiscalizadora do contrato de concessão”.

A pasta diz que solicitou à Urbia reforço na comunicação ao público sobre as regras de uso da Marquise, bem como maior orientação por parte dos vigilantes, além de manter tratativas com as associações do segmento.

“Embora a gestão do Parque Ibirapuera seja privada, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) realiza ações coordenadas com a concessionária para garantir a segurança dos visitantes. O parque e o entorno são monitorados pelas câmeras do programa Smart Sampa, e o patrulhamento foi reforçado com 30 agentes, 13 viaturas e 6 motocicletas, com intensificação nos horários de maior movimento. Sobre as ativações para o Campeonato Mundial de Skate Street e Park , a Secretaria Municipal de Esportes já instalou uma das ações previstas em frente à Prefeitura de São Paulo, e outras atividades planejadas estão em fase de validação”, completa a nota.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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