
Após anos em que alimentos ricos em proteína dominaram lançamentos e estratégias de marketing, um novo nutriente começa a ocupar o centro das atenções: as fibras. A indústria de alimentos tem apostado cada vez mais em produtos enriquecidos com esse componente, impulsionada por uma tendência crescente nas redes sociais e no mercado: o chamado “fibermaxxing”.
O termo se refere à estratégia de aumentar intencionalmente o consumo de fibras ao longo do dia, com foco em melhorar a saúde intestinal, prolongar a saciedade e favorecer o controle glicêmico. A ideia ganhou popularidade especialmente entre consumidores interessados em microbiota intestinal, metabolismo e bem-estar digestivo.

Ciência está de olho neste tipo de alimento
A mudança acompanha também a ciência. Um relatório publicado na revista científica The Lancet reuniu dados de mais de 135 milhões de pessoas e mostrou que ingestões entre 25 g e 29 g de fibras por dia estão associadas à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e mortalidade geral.
Mesmo com esses benefícios, a ingestão média ainda está abaixo do ideal. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que grande parte da população consome menos de 20 g diárias, quando a recomendação varia entre 25 g e 38 g, dependendo da idade e do sexo.
Esse cenário abriu espaço para uma nova onda de produtos: iogurtes com fibras prebióticas, barras com inulina, bebidas com psyllium, pães enriquecidos com beta-glucana e até sobremesas com amido resistente. O objetivo é agregar benefícios ligados à microbiota intestinal, tema que ganhou destaque com o avanço das pesquisas sobre o eixo intestino-cérebro.
Do ponto de vista fisiológico, as fibras atuam de diferentes formas. As solúveis ajudam a reduzir a absorção de glicose e colesterol, contribuindo para o controle metabólico. Já as insolúveis aumentam o volume fecal e favorecem o trânsito intestinal. Há ainda as fibras prebióticas, que servem de alimento para bactérias benéficas da microbiota.
Além dos benefícios digestivos, o aumento da ingestão de fibras também está relacionado à saciedade. Dietas mais ricas em fibras estão associadas a menor ingestão calórica ao longo do dia, fator relevante no controle do peso.

É importante dizer que, no entanto, o “fibermaxxing” deve ser feito com equilíbrio. A introdução rápida de grandes quantidades de fibras pode causar desconfortos como gases e distensão abdominal, além da necessidade de aumentar o consumo de água para evitar a constipação.
A recomendação continua sendo priorizar fontes naturais, como frutas, legumes, verduras, feijões, sementes e grãos integrais, utilizando produtos industrializados enriquecidos apenas como complemento.
A nova tendência indica uma mudança no comportamento do consumidor: mais do que apenas proteína, cresce o interesse por alimentos que contribuam para o equilíbrio metabólico e a saúde intestinal. Nesse cenário, as fibras passam a ocupar o centro das atenções.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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