Vendas abaixo do esperado no varejo mostram economia em desaceleração

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Varejo

A queda nas vendas do comércio varejista em dezembro do ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam a desaceleração da economia brasileira, que também vem atingindo outros setores.

A avaliação é de economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles, nesta manhã, pouco depois da divulgação dos resultados. O varejo registrou recuo de 0,4% no último mês do ano – ante alta de 1% de novembro. Em 2025, como um todo, houve crescimento de 1,6%, ante 1,5% do levantamento anterior.

Os resultados vieram ligeiramente abaixo das estimativas do mercado, que apontavam alta de 2,5% (anual) e queda de 0,2% (mensal). Iniciada em janeiro de 1995, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) produz indicadores sobre o comportamento conjuntural do comércio varejista no país.

O que diz o mercado

André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que, em dezembro, o volume de vendas no comércio varejista recuou 0,4% frente a novembro, enquanto avançou 2,3% na comparação com dezembro de 2024. “Com o resultado, o setor acumulou alta de 1,6% em 2025, bem abaixo dos 4,1% observados em 2024, reforçando a tendência de desaceleração do setor. Ainda assim, é o nono ano consecutivo de crescimento anual do setor, mas o menor desde 2022”, afirma.

Segundo Valério, o resultado consolidado de 2025 “reflete um ambiente mais desafiador no lado da demanda, especialmente a discricionária, consequência da elevada taxa de juros e uma menor disponibilidade de crédito, mas contrastando com o bom desempenho do mercado de trabalho”.

“Reflexo disso é o desempenho do varejo em 2025 ter sido quase que totalmente explicado por vendas de supermercado e farmácias, que juntas, representaram por mais da metade do crescimento do setor no ano, duas atividades de consumo essencial”, diz o economista.

Para Valério, “o resultado de dezembro reforça o cenário de moderação na atividade”. “As vendas do varejo mais sensível à renda recuaram 1% no mês, enquanto as mais sensíveis ao crédito recuaram 1,7%, indicando uma demanda enfraquecida. Considerando o conjunto de dados do IBGE, tivemos um mês de dezembro mais fraco, os três setores apresentando recuo na produção”, analisa.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que, embora as vendas no varejo ampliado tenham acumulado bons resultados no 2º semestre, “a leitura geral é de que o setor desacelerou ao longo de 2025, encerrando o ano com apenas um ligeiro crescimento de 0,1% em relação a 2024”. “Nesta métrica, o segmento de veículos e motocicletas recuou 2,9%, enquanto as vendas de material de construção ficaram praticamente estáveis (-0,2%). No varejo restrito, por outro lado, tivemos resultados mais positivos, com altas nas vendas de móveis e eletrodomésticos (4,5%) e tecidos, vestuário e calçados (1,3%)”, afirma.

Para Moreno, mesmo com a perspectiva de cortes ao longo deste ano, “os juros continuarão em patamar elevado, impactando principalmente os segmentos mais sensíveis ao crédito, como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos”. “Por esse motivo, nossa projeção é a de que as vendas no varejo ampliado fechem 2026 somente com uma leve alta em relação ao ano passado”, diz a economista.

“Considerando os números do varejo, da indústria e dos serviços divulgados recentemente pelo IBGE, nossa expectativa é que o PIB tenha crescido 0,2% no 4º trimestre e feche 2025 com alta de 2,3% em relação a 2024. Já para 2026, projetamos que o PIB avance 1,7%, uma vez que medidas de estímulo promovidas pelo governo, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, devem evitar um esfriamento mais intenso da atividade econômica.”

O economista Maykon Douglas, por sua vez, destaca que, ao longo do ano passado, “o varejo registrou uma performance em dois trilhos, em que a ponta mais sensível ao crédito saiu perdendo devido ao aperto monetário em curso, apesar de alguns resultados positivos em sondagens anteriores”. “Essa parcela do varejo caiu 0,2% em relação a 2024, enquanto o varejo sensível à renda registrou alta de 1,1%”, afirma.

“Essa heterogeneidade deve continuar no curto prazo, devido ao efeito defasado dos juros elevados e às medidas de expansão da renda que o governo deve colocar em prática na primeira metade deste ano”, conclui o economista.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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