
Nove dias antes dos megablocos Skol e Baixo Augusta levarem uma multidão para a Rua da Consolação, no centro da capital paulista, a vereadora Marina Bragante (Rede) questionou a Prefeitura de São Paulo sobre o planejamento da gestão para evitar uma superlotação. Em resposta, a SPTuris disse que adotou providências para a “excelência” dos eventos.
Como mostrou o Metrópoles, o show do DJ Calvin Harris, durante a passagem do Bloco Skol neste domingo (9/2), terminou, no entanto, em tumulto. Com a Consolação lotada, parte do público que foi ao centro ver o artista escocês derrubou as grades da Escola Paulista de Magistratura (EPM) para fugir do empurra-empurra.
A reportagem do Metrópolesflagrou pessoas passando mal no meio da multidão. O Corpo de Bombeiros socorreu aproximadamente 30 pessoas. O cenário caótico, com pessoas escalando grades e relatos de gente sendo arrastada, destoa daquele que foi desenhado pela SPTuris, organizadora do Carnaval, em resposta à vereadora da Rede antes do evento.
Preocupação
Marina Bragante acionou a gestão Ricardo Nunes (MDB) no dia 30 de janeiro alegando preocupação com os desfiles previstos para o dia 8 de fevereiro na Consolação. No ofício, a parlamentar disse que a presença dos dois blocos no mesmo endereço poderia “resultar em uma somatória expressiva de foliões”.
“Coloca-se a necessidade de adoção de medidas que assegurem uma dispersão tranquila e pacífica do primeiro bloco, compatibilizada com a saída do bloco subsequente, considerando-se, especialmente, a previsão de público de 1,5 milhão de pessoas […]”, disse Marina.
A vereadora solicitou que a gestão considerasse reorganizar os blocos, reajustando horários, para evitar prejuízo aos foliões.
Em nota respondida no dia 5 de janeiro, a SPTuris disse que a Comissão Especial de Carnaval de Rua 2026 adotou providências para que ambos os blocos – Baixo Augusta e Skol – desempenhassem “com excelência seus eventos”.
A empresa afirmou que realizou reuniões com vários órgãos, como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM), para organizar o evento.
“Os blocos iniciarão seu deslocamento partindo de locais e horários distintos, ainda que estejam na Rua da Consolação, o que possibilitará que a SELIMP [Secretaria Executiva de Limpeza Urbana] possa realizar a limpeza da via entre os blocos. Esse distanciamento será fundamental no momento da dispersão, o que também foi definido nas respectivas vistorias técnicas realizadas pelos órgãos citados em conjunto com os representantes dos blocos Baixo Augusta e Skol”, disse a SPTuris.
A resposta falava ainda que fachadas de prédios seriam isoladas com tapumes ou grades, “evitando assim danos indesejados”. Não havia proteção entre o trajeto dos foliões e a EPM, no entanto, que teve as grades derrubadas.
Ao Metrópoles, a EPM disse, nesta segunda-feira (9/2), que um bloco de carnaval “necessitou utilizar a área como forma de escape”. A escola afirma que os danos materiais serão reparados e que “reforçará a equipe de apoio do prédio durante o período de carnaval para auxiliar os blocos a passarem pela área sem ferimentos ou danos”.
A superlotação no show de Calvin Harris impactou também no início do bloco seguinte, o Baixo Augusta. Em nota, a organização do Baixo Augusta disse que o episódio foi um desrespeito à história do bloco, que existe há 17 anos.
Depois da confusão, Marina Bragante publicou um vídeo do fundador do Baixo Augusta, Alê Youssef, criticando a demora na dispersão do bloco anterior.
“O que vimos na Rua da Consolação neste Carnaval não foi falha de logística, foi uma escolha que revela as prioridades da atual gestão. Colocar dois megablocos no mesmo dia e local ignora o básico: segurança e bem-estar”, disse a vereadora.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB), por outro lado, disse que o Pré-Carnaval foi um “sucesso”. A Polícia Militar afirma que registrou 12 ocorrências durante os blocos deste domingo, sendo um roubo de celular, 6 furtos, duas agressões, duas invasões de propriedade e uma prisão por receptação e tráfico de drogas.
Depois da confusão deste domingo, o vereador Nabil Bonduki (PT) enviou um ofício ao Ministério Público cobrando uma reunião “em caráter de urgência” entre a Prefeitura, a Polícia Militar e os demais envolvidos na organização do Carnaval de rua.
“Cenas como as de hoje não podem se repetir nos próximos desfiles. Essa prévia de tragédia não pode se repetir, e é fundamental identificar e responsabilizar quem permitiu que essa situação ocorresse”, disse o petista nas redes.
O MPSP afirmou à reportagem que não recebeu a representação do vereador ainda, mas abriu um procedimento para apurar a superlotação do bloco deste domingo.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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