
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeiro turno, nesta quarta-feira (18/3), um projeto de lei que propõe a mudança do nome da rua Peixoto Gomide, na região central de São Paulo, para rua Sophia Gomide. A proposta é de autoria da Bancada Feminista do PSol e ganhou apoio de mais de dez vereadores como coautores.
O texto foi aprovado com 33 votos favoráveis e nenhum contrário. Apesar do avanço, a medida ainda precisa passar por uma segunda votação no plenário. Se novamente aprovada, seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que decidirá se a mudança será oficializada.
Na prática, a proposta busca alterar a denominação da via, etapa que exige aprovação legislativa em dois turnos antes de entrar em vigor. A tramitação ainda não foi concluída, mas a aprovação inicial indica apoio da maioria dos parlamentares à mudança.
História por trás da mudança
A proposta de mudança do nome da via está diretamente ligada à história que originou a homenagem atual. A rua leva o nome de Peixoto Gomide, ex-senador que, em 1906, matou a própria filha, Sophia Gomide, por não aceitar o casamento dela. Após o crime, ele tirou a própria vida. Anos depois, em 1914, a Câmara Municipal deu o nome do ex-parlamentar à rua, sem qualquer menção ao assassinato.
O caso voltou ao debate público recentemente, impulsionado por discussões sobre memória histórica e violência de gênero. Um dos pontos levantados é que a vítima, Sophia, nunca foi mencionada na homenagem oficial, enquanto o autor do crime permaneceu como referência na cidade por mais de um século.
Com a mudança proposta, o objetivo é inverter essa lógica, substituindo o nome do agressor pelo da vítima. Segundo os autores do projeto, a medida busca promover uma reparação simbólica e dar visibilidade a casos de feminicídio, em um contexto
Nunes promete sancionar mudança
O prefeito Ricardo Nunes afirmou, na última terça-feira (17/3), que pretende sancionar, caso seja aprovado pela Câmara Municipal, o projeto de lei. Ele declarou que “homenagear alguém que matou uma pessoa já não é correto, ainda mais uma filha” e que irá sancionar a lei, havendo respaldo legal.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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