
Referência como esposo, pai e figura importante na política brasileira, Mauro Benevides chegou aos 96 anos no último sábado (21/3) com uma trajetória marcada pelo exemplo na vida pública e familiar. Ao lado da esposa, Regina Benevides, com quem compartilha 72 anos de história, ele abriu as portas de sua residência para uma comemoração discreta, na qual recebeu o afeto cultivado ao longo de décadas.
À coluna Claudia Meireles, Glaucia Benevides, filha do ex-senador, descreve Mauro como um homem de valores inegociáveis. “Meu pai sempre pontuou a cultura e o bom comportamento como indispensáveis. Cordialidade, generosidade e humildade são preceitos com os quais tratou todos que o cercam”, frisa.
Ao longo dos 76 anos de vida pública, Mauro levou para os mandatos sua capacidade de ser leal, firme e justo, com a integridade necessária para comandar, especialmente em períodos de instabilidade. Em sua carreira, que atravessa momentos decisivos da política nacional, exerceu mandatos como vereador de Fortaleza, deputado estadual e federal pelo Ceará, bem como senador da República.

“Ele demonstrou uma habilidade política admirável, trouxe conciliação em meios aos conflitos, sempre pregando o diálogo e o entendimento entre as partes. Tudo isso se mantendo um homem caridoso, simples nos gestos, mas com um amor ao próximo inigualável”, destaca Glaucia.
No Congresso Nacional, Mauro presidiu o parlamento em tempos sensíveis, durante os governos de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, quando a instabilidade democrática exigia habilidade, prudência e capacidade de articulação. Entre os amigos, Mauro é lembrado especialmente por sua capacidade de ser leal, sem nunca perder a honestidade frente àqueles que representava.
Amor que atravessa o tempo
A comemoração realizada em sua residência no último sábado marcou também o aniversário da esposa, Regina Benevides. “Mamãe é uma mulher exigente, a qual devemos tudo que construímos ao longo da vida. Ainda hoje opina sobre o comportamento de netos e bisnetos”, lembra a filha.
Os dois se conheceram ainda jovens, em Fortaleza, quando pertenciam a famílias politicamente adversárias. Ele era líder da União de Moços Católicos, enquato ela estudava em um colégio tradicional, o Imaculada Conceição. Com um roteiro que facilmente poderia inspirar o cinema, a relação enfrentou resistências desde o início.
A mudança de Regina para o Rio de Janeiro, após a eleição do pai para a Câmara dos Deputados, e sua matrícula em um internato foram apenas algumas tentativas de interromper a relação que já se mostrava consistente desde o início.
Mesmo com a resistência, o casal conseguiu superar os obstáculos e subiu ao altar para selar um amor que se estende por mais de sete décadas. Dessa relação, vieram seis filhos, 12 netos e 18 bisnetos. “São 72 anos de união, respeito, amor e objetivo único: a prioridade sempre é a família. Mesmo hoje, ainda vemos momentos de ternura”, destacou Glaucia à coluna.

Político fez de Brasília seu lar
A mudança para Brasília ocorreu em fevereiro de 1975, com o primeiro mandato no Senado, pelo então PMDB. Como tantos parlamentares de sua geração, a capital seria, a princípio, um endereço funcional. No entanto, a cidade logo se tornou um lugar de permanência. Foi aqui que a família se enraizou e construiu sua história.
“Temos casa em Fortaleza e três filhos moram na região. Regina Maria, a primogênita, eu e Carlos Afonso continuamos em Brasília. Meu irmão, Mauro Benevides Filho, que exerce o mandato de deputado federal, fica em Brasília de segunda a quinta-feira”, confidencia Glaucia.
O equilíbrio entre as exigências da vida pública e a presença no ambiente familiar é apontado como uma das marcas da família. Mesmo no parlamento, Mauro Benevides nunca se afastou do cotidiano doméstico. Regina, por sua vez, assumiu com rigor a formação dos filhos, estabelecendo parâmetros claros de disciplina e dedicação.
Legado
Aos que o acompanham, o legado é a da força de um amor que escolhe permanecer e frutificar. Já no âmbito público, Mauro Benevides é uma referência de civilidade na política, não apenas pelos cargos que ocupou, como pela forma como os exerceu.
Sua vivência, marcada pela escuta e pela recusa aos excessos, mostra que é possível equilibrar público e privado, com valores como cordialidade, sobriedade, respeito e, principalmente, o diálogo.


















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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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