Vizinhos reclamam de barulho do Instituto Butantan: “Não durmo”

Foto: João Valério/Governo de SP
Instituto Butantan, em SP

Vizinhos do Instituto Butantan, na zona oeste da capital paulista, afirmam que não têm conseguido dormir à noite por causa do barulho dos equipamentos da instituição. Os moradores cobram uma solução para o problema e criticam a falta de diálogo com o instituto, que completou 125 anos na última semana.

O Butantan, por outro lado, diz que já está a par da situação e construindo um isolamento acústico para atender a demanda dos moradores (veja mais abaixo).

A aposentada Mônica Rosenfeld, de 62 anos, mora ao lado da instituição e é uma das participantes do movimento SOS Butantan, que reivindica uma resposta do instituto.

“Depois que esse barulho aumentou, eu, que sempre tive um sono tranquilo, não durmo mais”, conta a moradora.

Mônica afirma que os ruídos surgiram em meados de abril de 2025. Na época, ela e o marido chegaram a cogitar que o som fosse causado por algum gerador.

Os ruídos vêm do sistema de refrigeração do biotério, prédio novo do instituto, onde ficam animais que auxiliam na produção dos medicamentos desenvolvidos no Butantan.

Em maio, o barulho teria ficado mais forte e passou a ser percebido pela família de Mônica em qualquer horário do dia, inclusive de madrugada. “O quarto de casal é o pior. Você ouve o barulho com tudo fechado”. Em um vídeo enviado pela aposentada ao Metrópoles, é possível notar o ruído durante a noite.

Mônica diz que já registrou mais de 20 boletins de ocorrência por causa do ruído. A empreendedora Patrícia Coelho, 53, também tem sofrido com o problema.

“Se você andar pelo Butantan, você vai ver o nível de ruído que existe dentro de todo o ambiente do instituto. Prejudica colaboradores e funcionários da fundação e do instituto também”, afirma ela.

Limite ultrapassado

Patrícia diz que os vizinhos já acionaram diferentes instâncias para reclamar da situação. Uma delas foi a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que foi até o local verificar o nível dos ruídos.

O parecer técnico emitido pela Cetesb, ao qual o Metrópoles teve acesso, confirmou que os níveis de “pressão sonora” emitidos pela Instituto Butantan ultrapassam o limite estabelecido pela Norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o ambiente externo, no período diurno. O documento é de novembro de 2025.

Os moradores dizem que o instituto não tem respondido às tentativas de diálogo do grupo, o que é negado.

Diretor do Butantan desde 2023, Ésper Kallas disse ao Metrópoles que o instituto ouviu os moradores e contratou uma empresa para construir uma parede acústica ao redor do prédio de onde partem os ruídos.

“A gente abriu um diálogo também com o [Programa] PSIU [da Prefeitura de São Paulo], com o Ministério Público, com todo mundo, e identificou a necessidade de fazer uma obra de contenção de ruído, que está na sua fase final de conclusão”, afirma o diretor.

Segundo ele, a obra deve terminar até abril. “É claro que a gente gostaria que ela terminasse mais cedo, mas os processos administrativos e executivos numa instituição pública, mesmo sendo uma fundação privada, acabam indo um pouco além do que a gente gostaria, mas a gente tá terminando. Isso deve solucionar esse problema.”

Corte de árvores

Além do barulho do biotério, outro ponto de preocupação para o movimento SOS Butantan é a expansão da planta de fábricas do instituto, que vai inaugurar novos prédios para aumentar a capacidade de produção de imunizantes, como a vacina contra os vírus da dengue e HPV, além de outros medicamentos.

A ampliação das fábricas foi possibilitada por meio de uma mudança no zoneamento da região, aprovada na Câmara Municipal de São Paulo. O projeto, no entanto, levantou críticas dos moradores, entre outros pontos, por causa da quantidade de árvores que será cortada no terreno. O tema virou alvo de um inquérito no Ministério Público (MPSP) e de uma ação na Justiça.

“Hoje, a gente reduziu isso para uma intervenção de supressão de 1.700 árvores (). Quase 90% delas são árvores invasoras ou exóticas”, afirma o diretor. Segundo ele, o instituto assumiu o compromisso de fazer uma “reestruturação ecológica”, com o plantio de nove mil árvores da Mata Atlântica como compensação.

O diretor diz que a maioria das árvores que seria cortada para a construção dos prédios já foram retiradas, e que o projeto de reestruturação já começou.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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