Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Morre jovem baleada na cabeça após briga com namorado; suspeito fugiu

    Morre jovem baleada na cabeça após briga com namorado; suspeito fugiu

    Reprodução
    Jailaine de Jesus da Silva

    A jovem Jailaine de Jesus da Silva (foto em destaque), de 21 anos, morreu após passar dias internada depois de ser baleada na cabeça durante uma discussão com o companheiro na zona rural de Cansanção, no norte da Bahia.

    O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (23), na casa onde ela morava com o companheiro. Segundo a Polícia Militar, equipes foram acionadas e encontraram a vítima gravemente ferida.

    Jailaine recebeu os primeiros atendimentos no município e, devido à gravidade do quadro, foi transferida para o Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu na sexta-feira (27/3).

    O principal suspeito do crime é o companheiro da jovem, de 28 anos, que não foi localizado e é considerado foragido.

    Inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio consumado após a morte da vítima. A Justiça já havia expedido mandado de prisão contra o suspeito.

    A Polícia Civil realiza buscas para localizar o homem e esclarecer as circunstâncias do crime.

  • Força Tática do 2º Batalhão prende seis suspeitos após duplo homicídio

    Força Tática do 2º Batalhão prende seis suspeitos após duplo homicídio

    FECHANDO O CERCO

    Força Tática do 2º Batalhão prende seis suspeitos após duplo homicídio

    Por Davi Sahid28 de março de 2026 – 11h44 3 min de leitura

    Siga o ac24horas no WhatsApp e receba as principais notícias do Acre em primeira mão.

    Seguir canal

    Ryan Gabriel Santiago da Silva, Carlo Eduardo Lima Santos, de 25 anos, Thyago Levy da Silva Santos, de 24, Maikon Freitas Araújo, de 27, Kaliu Monteiro da Silva, de 29, e Lucas Rodrigues Pereira, de 18 anos, foram presos por Policiais Militares da Força Tática do 2º Batalhão, durante uma operação realizada nesta sexta-feira (27), em Rio Branco.

    As prisões ocorreram após um duplo homicídio registrado por volta das 4h, na Rua 11 de Fevereiro, no bairro Belo Jardim II. Segundo a Polícia Militar, as mortes estão relacionadas à disputa entre organizações criminosas rivais que atuam na região.

    De acordo com as informações, homens armados invadiram a área e chamaram Cleildson Quirino Lima, conhecido como “Boladão”, para fora de casa. Ao sair, ele foi atingido por diversos disparos e morreu no local. Durante a perícia, um segundo corpo foi encontrado nas proximidades, identificado como Eduardo Mateus Leal, de 17 anos, que também apresentava marcas de tiros.

    Após o crime, os suspeitos fugiram em direção a uma área de mata, no sentido do Ramal do Brás. Ainda pela manhã, equipes da Polícia Militar iniciaram buscas na região, com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), mas os envolvidos não foram localizados naquele momento.

    As diligências continuaram ao longo do dia. Já no início da noite, por volta das 18h, uma denúncia anônima informou que um veículo branco estaria transportando vários suspeitos nas proximidades do Ramal da Usina. Diante da informação, as equipes intensificaram o patrulhamento em pontos estratégicos da região.

    Durante a ação, os policiais abordaram um veículo com características suspeitas. No momento da abordagem, os ocupantes desceram e se deitaram no chão. Conforme a PM, alguns deles ainda tentaram se desfazer de armas de fogo.

    Dentro do veículo, os policiais também encontraram sacolões, que, segundo a corporação, podem ter sido utilizados como forma de coação ou apoio logístico por integrantes de organizações criminosas na região.

    Ainda conforme a Polícia Militar, o bairro Belo Jardim II vem sendo palco de confrontos entre facções, com registros recentes de homicídios relacionados à disputa territorial. Relatos apontam que grupos armados vêm intimidando moradores e ocupando residências para utilização como base de operações.

    Diante dos fatos, os seis suspeitos receberam voz de prisão e foram conduzidos à Delegacia Especializada de Flagrantes (Defla), junto com o material apreendido. Eles devem responder, inicialmente, por homicídio qualificado, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo.

  • Laudo aponta presença de bactéria em pizza que causou morte na PB

    Laudo aponta presença de bactéria em pizza que causou morte na PB

    Reprodução/ TH Mais
    Pizzaria em Pombal é interditada após intoxicação alimentar atingir mais de 100 pessoas

    Segundo a Secretária de Saúde da Paraíba, exames laboratoriais confirmaram a contaminação por bactérias em amostras de alimentos coletados na pizzaria investigada pelo , no sertão do estado.

    O laudo do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen) aponta que seis dos sete itens analisados estavam contaminados por Staphylococcus aureus e Escherichia coli, duas bactérias que podem causar intoxicação alimentar quando há falhas no manuseio ou armazenamento dos alimentos.

    Apesar disso, análise não identificou a presença de Salmonella.

    O caso ganhou grande repercussão após cerca de 100 pessoas apresentarem sintomas compatíveis com intoxicação alimentar, como náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia, depois de consumirem refeições no estabelecimento. Uma mulher de 44 anos morreu após complicações associadas à infecção.

    Em resposta ao incidente, a Vigilância Sanitária de Pombal havia interditado a pizzaria em 16 de março, após encontrar irregularidades graves no local, como falta de documentação obrigatória, armazenamento inadequado de alimentos, problemas na temperatura dos produtos e a presença de pragas e insetos.

    O laudo foi encaminhado às autoridades competentes, incluindo o Instituto de Polícia Científica, que seguem investigando as causas e possíveis responsabilizações pelo episódio.

    As investigações podem incluir enquadramentos por homicídio culposo e por venda de alimento impróprio para consumo, previstos no Código de Defesa do Consumidor.

    De acordo com o secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, ainda não é possível atribuir a alta concentração de bactérias como causa do óbito. Ele reforçou, no entanto, que as bactérias identificadas em alta concentração têm o potencial de causar sintomas agudos, conforme os pacientes apresentaram.

    “A única afirmação que podemos fazer nesse momento é que há evidências científicas de que há uma má manipulação dos alimentos na pizzaria. Não podemos atribuir a essa concentração elevada de bactérias como causa do óbito, porque precisamos que as amostras biológicas sejam analisadas para verificar toxinas dessas bactérias no sangue, principalmente na amostra desse óbito”, disse.

  • Cacau Protásio atualiza estado de saúde após perder visão

    Cacau Protásio atualiza estado de saúde após perder visão

    Reprodução
    Atriz Cacau Protásio

    A atriz Cacau Protásio atualizou seu estado de saúde após sofrer perda temporária da visão em um dos olhos, causada pelo uso de uma pomada capilar. Nas redes sociais, a artista, de 50 anos, tranquilizou os seguidores ao afirmar que voltou a enxergar após iniciar o tratamento.

    “Não está 100%, mas vai ficar. Meu olho ficou verde e muito danificado, mas agora está melhor. O verde já saiu, mas a claridade do sol e do celular ainda incomodam muito, fazem arder e lacrimejar”, relatou.

    Cacau informou que está em tratamento com antibiótico, quatro tipos de colírio e uma pomada oftalmológica. Ao relembrar o episódio, descreveu o momento como o mais difícil que já viveu. “Fiquei cega por seis, sete horas. Foi o pior momento da minha vida, horrível. Senti uma dor avassaladora. Eu chorava e não sabia o que fazer”, contou.

    A atriz também fez questão de destacar que o produto não foi aplicado por sua trancista habitual. Segundo ela, a pomada teria sido utilizada por uma profissional durante um trabalho na televisão. “Não foi a minha trancista. Ela usa um gel quase infantil. Foi em um trabalho de TV, e lá a profissional usou uma pomada, mas ela também não tem culpa disso”, afirmou.

    Na última quarta-feira (25/3), a artista — conhecida por trabalhos como o humorístico Vai Que Cola — revelou ter sofrido inflamação ocular após o uso do produto.

    Na ocasião, Cacau Protásio fez um alerta aos seguidores. “Vim falar com a mulherada que usa pomada. Vamos ter cuidado. Usei uma ontem e, de madrugada, acordei com uma dor insuportável, que me fazia chorar. Não conseguia abrir o olho. Isso aconteceu no olho direito. O esquerdo ficou verde. Usei um colírio”, disse.

  • Jovem garante dois pódios no primeiro dia do Metrópoles Endurance

    Jovem garante dois pódios no primeiro dia do Metrópoles Endurance

    Davi Mattioli Ferreira Correa ficou em 3º nas duas provas masculinas de natação em águas abertas, disputadas neste sábado (28/3)

  • Amigos de Dominó se unem para proporcionar Páscoa a crianças carentes

    Amigos de Dominó se unem para proporcionar Páscoa a crianças carentes

    Um grupo de amigos, que se reúne para jogar dominó, resolveu ir além do jogo de mesa e promover uma ação social em celebração antecipada à Páscoa no bairro Belo Jardim I.

    Neste sábado (28) reuniram centenas de crianças na Escola Djalma Teles Galdino, localizado na Rua Primavera, e proporcionaram uma manhã de muitas brincadeiras, com animadores, pula-pula, pintura facial, música e muita alegria.

    O publicitário Roque Silas, que coordenou o evento, ressaltou a importância da ação, afirmando que “Aquilo que para muitas pessoas parece pouco é especial para essas crianças, um momento lúdico em meio a tantas adversidades. Não é sobre distribuir coisas, é sobre emprestar um pouco carinho”.

    O presidente do Dominó, o advogado Marcos Paulo Gomes, promete que é apenas a primeira ação de uma série de outras que serão promovidas pelo grupo. Segundo ele, “ajudar o próximo é o mínimo que podemos fazer”.

  • O estudante que se deixou picar por mosquitos pela ciência

    O estudante que se deixou picar por mosquitos pela ciência

    Joao Paulo Burini/Getty Images
    Foto colorida de Aedes aegypti - Aedes aegypti: quem ele pica, quando ataca e como ocorre a transmissão - Metrópoles

    Quando um bar está cheio de gente, não é porque os clientes tenham seguido uns aos outros, mas porque há algo interessante nele. Algo parecido acontece com os mosquitos: uma nova pesquisa, publicada na revista Science Advances, acaba de confirmar que esses insetos não se movem em grupo, mas que cada um é, individualmente, atraído pelos mesmos sinais.

    Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recorreram até mesmo a uma isca humana: o estudante Chris Zuo, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, passou cerca de quatro minutos dentro de um cômodo com uma centena de mosquitos sedentos, vestido apenas com um traje de tela que supostamente deveria protegê-lo. Ao sair, sua pele estava coberta de picadas.

    “Quatro minutos é demais”, escreveu ele depois numa nota enviada aos pesquisadores, junto com fotos das inúmeras picadas em sua pele. Aquele breve “massacre”, na descrição de um dos pesquisadores no site The Conversation, fez parte de um estudo que se prolongou por três anos para compreender melhor o comportamento desses insetos.

    Pode parecer trivial entender como os mosquitos se movimentam, mas se trata de uma questão fundamental para a saúde pública. A ciência os considera um dos animais mais perigosos para os seres humanos: eles transmitem doenças como dengue e malária e causam mais de 770 mil mortes por ano.

    Das 3.500 espécies conhecidas, cerca de cem evoluíram para atacar especificamente os humanos. Entre elas se destaca o Aedes aegypti, também chamado de mosquito da febre amarela por ser o vetor dessa doença. Muito comum no sudeste dos Estados Unidos e em outras regiões do mundo, incluindo o Brasil, essa espécie utiliza diversos sinais para localizar seus hospedeiros humanos e foi a escolhida para esse estudo.

    Modelo em 3D de como voam os mosquitos

    A pesquisa, realizada por cientistas de dois centros de pesquisas americanos – o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o Instituto de Tecnologia da Geórgia – permitiu visualizar em 3D o comportamento de voo dos mosquitos, algo que pode resultar em melhores estratégias de controle e captura desses insetos.

    Essa visualização tridimensional do modelo de voo permitiu descobrir que um mosquito localiza sua vítima com a ajuda de certos sinais do ambiente, como a silhueta de uma pessoa e o dióxido de carbono (CO₂) que ela exala.

    Como resultado, criaram um modelo matemático que prevê como e para onde as fêmeas do mosquito voam ao buscar sangue humano – ou, em outras palavras, suas regras de voo. O modelo está disponível numa página web interativa e aberta para que outros pesquisadores possam utilizá lo.

    Os mosquitos não seguem o grupo, mas sinais

    “Nossos experimentos indicam que os mosquitos se agrupam não porque seguem o grupo, mas porque cada um capta sinais de forma independente e acabam se encontrando no mesmo lugar ao mesmo tempo”, afirma um dos autores, David Hu, professor de engenharia mecânica no Instituto de Tecnologia da Geórgia.

    “É como um bar lotado. Os clientes não estão lá porque seguiram uns aos outros até o bar. Eles são atraídos pelos mesmos sinais: bebidas, música ou o ambiente. O mesmo ocorre com os mosquitos. Em vez de seguir o líder, o inseto segue os sinais e, por coincidência, chega ao mesmo lugar que os demais”, explica o pesquisador.

    O site interativo e seu modelo matemático mostram como os mosquitos giram, aceleram e desaceleram em função de sinais visuais e de CO₂.

    Silhueta e dióxido de carbono

    Quando recebem apenas o sinal da silhueta de uma pessoa, os mosquitos adotam uma abordagem rápida: avançam rapidamente em direção ao alvo e depois voam para longe caso não detectem nenhum outro sinal que confirme a presença de um hospedeiro.

    Se não conseguem ver um alvo, mas percebem um sinal químico, como o dióxido de carbono exalado, os mosquitos fazem “voos de reconhecimento”, reduzindo a velocidade e ziguezagueando para se manterem próximos da fonte.

    Agora, se percebem tanto sinais visuais quanto químicos (a silhueta e o odor de dióxido de carbono), a pessoa está perdida: eles passam a voar ao redor dela a uma velocidade constante, enquanto se preparam para atacar, de modo muito semelhante a um tubarão que circula sua presa.

  • Mulher que recebia auxílio por ansiedade é presa por golpe após viagem

    Mulher que recebia auxílio por ansiedade é presa por golpe após viagem

    Reprodução/Internet
    A mulher alegou que não podia sair de casa, mas foi vista viajando alegremente

    Uma mulher britânica recebia mais de US$ 30 mil, cerca de R$ 157 mil, ao alegar que sua ansiedade era tão debilitante que a impedia de sair de casa. No entanto, ela foi flagrada surfando e praticando tirolesa durante férias no México e acabou sendo condenada pelas autoridades por fraude.

    Catherine Wieland, de 33 anos, de Goring-by-Sea, na Inglaterra, afirmou que fraudou o sistema de benefícios sociais do Departamento de Trabalho e Pensões do Reino Unido por mais de dois anos. A mulher iniciou o processo em março de 2021.

    À época, ela citou problemas de saúde mental, incluindo transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), transtorno de personalidade emocionalmente instável e depressão. Wieland também disse que não conseguia mais sair de casa devido à “ansiedade extrema” e que, sem assistência, passaria o dia inteiro de pijama.

    A mulher alegou que não podia sair de casa, mas foi vista viajando alegremente
    A mulher alegou que não podia sair de casa, mas foi vista viajando alegremente

    Porém, a realidade era outra. Catherine foi flagrada praticado tirolesa e surfe a mais de 8 mil quilômetros de casa, no México. Ela também foi ao parque de diversões Thorpe Park, no Reino Unido, pelo menos três vezes e marcou 76 consultas em salões de beleza. Não satisfeita, visitou pelo menos 60 pubs, clubes e restaurantes.

    Investigação

    Uma investigação foi iniciada após uma denúncia anônima e provas foram coletadas a partir de fotos e vídeos no Facebook. Mesmo após a descoberta, Wieland alegou que sua ansiedade havia piorado.

    “Eu não sabia que não era permitido sair de casa”, afirmou Catherine aos investigadores quando confrontada com seus extratos bancários.

    A britânica se declarou culpada por não ter notificado uma mudança de circunstâncias e foi condenada a devolver os aproximadamente US$ 31.500 em dinheiro dos contribuintes que desviou entre 2021 e 2024, de acordo com o DWP.

    Nessa quinta-feira (26/3), Catherine Wieland foi condenada a 28 semanas de prisão, com pena suspensa por 18 meses. Ela também foi obrigada a participar de 12 sessões de atividades de reabilitação.

  • No ônibus com Guilherme

    No ônibus com Guilherme

    Tony Winston/Agência Brasília
    Ônibus amarelo BRT passando em viaduto cercado de outras pistas abaixo - Metrópoles

    “E essa parada da direita querer colar o escândalo do banco Master no governo Lula? Bizarro. Você viu o powerpoint da Globonews? Até pediram uma desculpa meia-boca”, disse Clara a João, assim que sentaram no último assento do ônibus. Era o assunto que mais irritava João, a política, os partidos, as notícias, pra quê tudo aquilo se nada mudava?

    Na verdade João vivia em uma corda bamba sentimental com Clara. Incomodava ela ter opinião sobre tudo, saber de quase tudo que acontecia. Era um feminista incontrolável e era essa ideia, a ideia de controle que os homens acreditam ter nas relações com as mulheres, que mais desafiava João, que mais latejava sua contradição. Não queria repetir o que seu pai fazia com sua mãe e sua irmã, mas ao mesmo tempo, não sabia como lidar com uma mulher inteligente e corajosa. Cansava com o falatório de Clara na mesma medida que aprendia algo novo todo dia. Em alguns momentos, rechaçava e mudava de assunto, em outros, aprendeu a perguntar. Muitas vezes, calava.

    Calava porque seu peito doía. Não alcançava aquela mulher. Ela parecia seguir um caminho, tinha um chão pra pisar, enquanto ele colecionava hipóteses e sonhos distantes. Ela exalava força e ele queimava de medo, um medo silencioso e inconfessável. Essa insegurança era um veneno que ele tentava combater com duas imagens: eles na cama depois de gozarem; eles viajando para Peruíbe na casa dos pais dela. Essas cenas destilavam sintonia, sentido, colocavam o mundo em lugar seguro.

    Mas ali no ônibus o que ele sentia era raiva. Raiva de não ser como ela, raiva de não conseguir se desvencilhar das ideias de seu  pai, de sua família, de seus amigos. Sentia-se um ser limitado, enclausurado por regras que colidiam com a realidade. Queria ser diferente para si mesmo e para Clara. Enquanto Clara destrinchava as relações da direita com o Master, João ouvia, falava das doações do cunhado do Vorcaro para as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio, João balança as pernas, ela citava o rolo do Ibaneis Rocha na compra do Master pelo BRB, João coçava a cabeça, ela contava da proximidade de Ciro Nogueira com Vorcaro, João busca um ponto no horizonte, ela apontava os envolvimentos de Antonio Rueda, do Campos Neto, do ACM Neto, João explodiu e gritou: ‘Eu detesto política”. Clara tomou um susto, “mas…”, “Chega Clara, vamos ficar em silêncio um minuto por favor”. João baixou a cabeça e olhou as mãos suadas, em seu peito o embate entre a raiva e o arrependimento.

    Foi aí que um moço com cara de professor cutucou o ombro de João e disse: “Meu amor, mas você pega o ônibus, né? Como que detesta política? Você sabe quem faz a linha de ônibus? Você sabe por que o ônibus é ruim? Você sabe por que ele custa o que ele custa? Você sabe por que é que você, pobre, fodido, estudante, não tem passe livre? Política! Po-lí-ti-ca, meu amor!” *. Clara pensou em defender o namorado, mas aquelas palavras traduziam exatamente o que ela não conseguia falar para João, que olhou para ela atônito.

    O moço continuou: “Anjo, só existem duas possibilidades de você ser apolítico. Se você é um privilegiado, mas privilegiado ao ponto de poder parar de trabalhar por quatro gerações. Aí você pode ser apolítico numa boa. Ou você é um alienado, massa de manobra. Tirando esses dois lugares, não existe ‘apolítico’”. Clara então reconheceu o moço: “Guilherme, quer dizer, Rita?”, “Sim”, “É o Guilherme Terreri, que faz a Rita von Hunty, amor!”. “Oi”, disse João ressabiado, reconhecendo o nome, mas sem saber do que tratavam os vídeos que Clara assistia. Clara desabafou: “Ai, tenho andado com tanto medo, você não acha que vivemos uma guerra contra as mulheres e a comunidade LGBTQIA+?

    “Sim, e tem muito a ver com a desvalorização das nossas vidas. E dentro do recorte LGBT, quem mais sofre são as mulheres trans negras. São os corpos que acumulam em si essas três marcas indesejáveis para o sistema. A marca da fêmea, a marca da raça e a marca da classe, porque a gente também está falando sobre pobreza. Falar sobre esses assassinatos é falar sobre como a nossa sociedade está organizada, e são corpos superexplorados e supersubalternizados. E a gente tem que sempre pensar também em quem assassina esses corpos. Muitas mulheres trans são assassinadas pelos seus parceiros que, na maioria das vezes, são homens heterossexuais que estavam com mulheres trans e que têm medo do que vai acontecer ao serem descobertos. É um assunto muito extenso, mas, basicamente, eu o vejo a partir de um lugar de organização da nossa sociedade”, falou.

    João respirou aliviado ao perceber que faltavam dois pontos para chegar em casa e disse para Guilherme: “Desculpe, mas a gente já vai descer”. Clara perguntou a Guilherme: “Você vai descer onde?”, “No ponto final”. Clara olhou para João e falou: “Vou com ele até o final, se quiser descer, sem problema”. João tentou conter a surpresa e a indignação, mas levantou-se e disse um “tchau” contrariado.

    Desceu do ônibus e viu o coletivo partir, com o sentimento de que mais uma vez o mundo andava, e ele ficava para trás.

    *Trechos da entrevista de Guilherme Terreri à Revista Continente (01/02/2021)

  • Morre último Cameli de primeira geração no Acre, tio-avô do governador Gladson, aos 87 anos

    Morre último Cameli de primeira geração no Acre, tio-avô do governador Gladson, aos 87 anos

    Racene Ferreira Cameli, tio-avô do governador do Acre, Gladson Cameli, morreu neste sábado (28), aos 87 anos, em Cruzeiro do Sul, onde estava internado em uma UTI em decorrência de diabetes. O sepultamento ocorre na mesma cidade. Ele era considerado o último Cameli de primeira geração ainda vivo no estado. Racene era irmão de Marmud […]