Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Agressões, disputas eleitorais e guerra virtual marcaram CPMI do INSS

    Agressões, disputas eleitorais e guerra virtual marcaram CPMI do INSS

    Geraldo Magela/Agência Senado
    CPMI – INSS – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS

    A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terminou oficialmente neste sábado (28/3), foi marcada por um ambiente de forte tensão política, episódios de confronto entre parlamentares e uma intensa disputa narrativa nas redes sociais.

    Instalada em 20 de agosto de 2025 sob o argumento de apurar irregularidades em descontos associativos e possíveis esquemas de corrupção, a comissão acabou se tornando também palco da polarização que domina o cenário político nacional.

    Desde as primeiras sessões, os trabalhos foram atravessados por embates entre governistas e oposição. Parlamentares trocaram acusações frequentes, elevando o tom dos debates e, em alguns momentos, protagonizando discussões que interromperam depoimentos e atrasaram o andamento das investigações.

    Em episódios mais recente, houve uma confusão generalizada após a aprovação da quebra dos sigilos fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho da presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Depois de aprovados dos requerimento, parlamentares da ala do governo no Congresso foram para cima da mesa da presidência do colegiado. Houve uma confusão generalizada, com gritos, xingamentos, e até agressão física.

    A CPMI também avançou sobre um terreno sensível ao tratar de possíveis irregularidades envolvendo entidades que operam descontos em benefícios previdenciários. Depoimentos de investigados e de representantes de órgãos de controle trouxeram à tona suspeitas de cobranças indevidas e fragilidades nos mecanismos de fiscalização.

    Apesar disso, divergências sobre o foco das apurações geraram impasses recorrentes, com parte dos integrantes defendendo a ampliação das investigações e outros acusando tentativas de desvio de finalidade.

    A tentativa de prorrogação não teve o final que a oposição esperava. O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a decisão liminar do ministro André Mendonça que elastificava os trabalhos do colegiado.

    O placar contra a prorrogação foi de 8 a 2. Votaram contra a ampliação os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin. Somente Mendonça e Luiz Fux opinaram por manter a ampliação dos trabalhos por mais 60 dias.

     


    CPMI do INSS foi marcada por confusões generalizadas


    O colegiado ganhou ainda mais visibilidade ao se inserir no contexto pré-eleitoral. Parlamentares passaram a utilizar a comissão como vitrine política, reforçando discursos voltados às suas bases e explorando o tema em agendas públicas. Esse movimento contribuiu para intensificar a disputa entre diferentes grupos, transformando a CPMI em uma extensão do debate eleitoral.

    Fora do Congresso, a chamada “guerra virtual” ampliou o alcance dos conflitos. Trechos de depoimentos, recortes de falas e interpretações dos fatos passaram a circular amplamente nas redes sociais, muitas vezes acompanhados de desinformação e ataques direcionados a integrantes da comissão.

    A repercussão digital alimentou a radicalização do debate e pressionou parlamentares a adotar posturas ainda mais contundentes durante as sessões.

    Ao longo dos trabalhos, a CPMI conseguiu reunir um volume significativo de informações e evidências sobre o funcionamento de esquemas suspeitos, mas enfrentou dificuldades para consolidar consensos. O relatório final, que foi rejeitado, refletiu esse cenário de divisão, com interpretações distintas sobre responsabilidades e encaminhamentos.

     

  • CPMI do INSS termina sem relatório aprovado, após 7 meses de trabalho

    CPMI do INSS termina sem relatório aprovado, após 7 meses de trabalho

    Marcos Oliveira/Agência Senado
    CPMI do INSS

    A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao fim neste sábado (28/3) após sete meses de trabalho e sem um relatório final aprovado. O texto oficial, do relator deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12 no início da madrugada, depois de mais de 16 horas de sessão.

    A expectativa era que os parlamentares apreciassem um relatório paralelo, apresentado pelos governistas, em uma sessão neste sábado, último dia da CPMI. Mas, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), não aceitou a possibilidade ao negar o pedido da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) de indicação de um relator para a leitura do texto.

    Sem mais tempo hábil para discussões, a CPMI não terá um parecer oficial. O colegiado tentava a prorrogação dos trabalhos desde dezembro  e tinha as assinaturas necessárias para isso. No entanto, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não foi favorável à medida. De acordo com o regimento interno, para estender o prazo, Alcolumbre precisaria fazer a leitura do pedido em uma sessão do Congresso, o que não ocorreu.

    O impasse chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). A CPMI entrou com um pedido na Corte para obrigar Alcolumbre a autorizar a prorrogação do prazo. O ministro André Mendonça chegou a determinar a continuidade dos trabalhos. Contudo, a decisão foi revertida pelo plenário, que entendeu que o tema é de competência interna do Congresso.

    Sem concesso no relatório

    O relatório oficial foi apresentado por Alfredo Gaspar nessa sexta-feira (27/3) e pedia o indiciamento de 216 pessoas por suposto envolvimento no desvio bilionário de aposentadorias e pensões do INSS.

    Entre os nomes com pedido de indiciamento está o de Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento também pedia a prisão preventiva dele por ter deixado o Brasil com destino à Espanha, onde reside, o que a CPMI considerou como tentativa de fuga.

    Mas, antes mesmo do parecer ser apresentado, os governistas, maioria na comissão, apresentaram um relatório paralelo que pedia o indiciamento de 130 pessoas. De autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), o texto incluía o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os pedidos de indiciamento. Bolsonaro por furto qualificado contra idoso, organização criminosa e improbidade administrativa; e Flávio por organização criminosa.

    O relatório, no entanto, não chegou a ser lido e nem votado. Após o fim da sessão, Paulo Pimenta disse que a decisão do presidente da CPMI de não colocar o texto em votação é uma “afronta à democracia” e que levará o relatório à Polícia Federal. “Se essa comissão concluiu seus trabalhos sem ter um relatório final, foi uma decisão política. Isso é uma afronta à democracia”, disse.

    Apesar do resultado, o senador Carlos Viana se disse satisfeito com o trabalho e fez críticas aos governistas. “Hoje ficou muito claro quem estava a favor da verdade da investigação e quem blindou aqueles que infelizmente roubaram e tomaram de assalto a previdência brasileira”, afirmou.


    O que diz o relatório de Alfredo Gaspar


    Sete meses de trabalho

    A CPMI teve sete meses de trabalho, 38 reuniões e mais de mil quebras de sigilo. O colegiado também obteve a prisão em flagrante de quatro pessoas:

    Mas, acumulou uma série de derrotas durante as atividades. Além de inúmeros depoimentos cancelados por habeas corpus concedidos por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a CPMI não conseguiu obter declarações importantes em audiências, como a do “Careca do INSS”, nem ouvir figuras midiáticas como o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

    O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

    As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

  • Mais uma CPI que despreza a busca da verdade e só produz barulho

    Mais uma CPI que despreza a busca da verdade e só produz barulho

    Reprodução/TV Senado
    Viana e Gaspar CPMI INSS

    Você compraria um carro usado ao deputado federal alagoano Alfredo Gaspar? Há dois dias, a convite do senador Flávio Bolsonaro, ele filiou-se ao PL, partido da primeira família presidencial da história do Brasil. Ontem, na condição de relator da CPMI do INSS, Gaspar pediu a prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do atual presidente da República.

    O nome Bolsonaro aparece 5 vezes nas 4.340 páginas do relatório, fora menções em reportagens reproduzidas no documento ou transcrições dos depoimentos à CPI. Lula é citado 37 vezes, excluídas também as menções em depoimentos, matérias jornalísticas ou as citações a seus dois filhos, irmão e ex-nora. Flávio agradece a Gaspar por mais uma prestação de serviços.

    Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram na Polícia Federal uma notícia de fato contra Gaspar. O documento aponta indícios da prática de estupro de vulnerável pelo deputado, relatando violência sexual contra uma menina de 13 anos, da qual teria resultado uma gravidez e o nascimento de uma criança.

    Gaspar nega a denúncia. Afirma que um exame de DNA indica que seu primo é o pai da criança. De acordo com os materiais apresentados, a mulher apontada como vítima relatou que a relação teria ocorrido de forma consensual enquanto os envolvidos eram adolescentes. “Não aceitarei que minha honra e minha história sejam atingidas por mentiras”, disse ele.

    E ao senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, você compraria um carro usado? Viana repassou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação Oásis, braço social da Igreja da Lagoinha. A Justiça cobra explicações dele. A Igreja da Lagoinha é ligada ao empresário Fabiano Zettel, suposto operador financeiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

    Em 2021, quando já era senador, Viana, se tornou apresentador do programa “Brasil Notícias”, da Rede Super de Televisão. A emissora pertence à Igreja da Lagoinha, cujo líder é o pastor André Valadão. Zettel e Valadão estão presos. Viana comprou por R$ 1,5 milhão um avião Seneca que custou três anos antes RS 330 mil ao proprietário anterior. Deve ter feito um bom negócio.

    O relatório final da CPMI do INSS foi votado nesta madrugada. A bancada do governo prometeu derrubá-lo e conseguiu, para aprovar depois seu próprio relatório que indiciava Flávio e seu pai. Viana não deixou com medo de ser também indiciado. Encerrou a sessão. Vai-se mais uma CPI que desprezou a busca da verdade e só produziu barulho, espuma e falsas acusações.

     

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  • Ex-sócio do Master botou R$ 75 milhões em fundo em um único dia

    Ex-sócio do Master botou R$ 75 milhões em fundo em um único dia

    Paulo Mocofaya/Agência ALBA
    Augusto Ferreira Lima

    Documentos financeiros obtidos pela coluna revelam que o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, realizou um aporte de R$ 75,3 milhões em um único dia em um fundo de investimento estruturado.

    A movimentação ocorreu em setembro de 2019, coincidindo com o período de expansão do Banco Master no mercado de crédito consignado. Atualmente, Lima é um dos alvos centrais da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de fraudes bilionárias e pagamento de propinas.

     

    De acordo com o extrato de movimentação de cotistas, Augusto Lima injetou R$ 75,3 milhões no fundo 918 FI MM CP em 17 de setembro de 2019. O fundo em questão é um veículo de investimento restrito, gerido pela WNT Gestora, instituição que também aparece no radar das autoridades por sua proximidade com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

    Investigadores da PF e do Ministério Público Federal (MPF) suspeitam que fundos exclusivos como este tenham sido utilizados para ocultação de patrimônio e como canal para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e parceiros comerciais.

    Apenas três meses após o aporte, em dezembro de 2019, o empresário realizou uma série de retiradas classificadas como “Resgate Doação”, totalizando quase R$ 60 milhões. Para órgãos de controle como o Controle de Atividades Financeiras, resgates vultosos sob a rubrica de doação sem beneficiários claros são sinais de alerta para lavagem de dinheiro.

    Em 2019, Augusto Lima liderava a integração do Credcesta (cartão de benefício para servidores) ao Banco Master. O produto foi o motor do crescimento da instituição, mas as investigações apontam que esse crescimento pode ter sido lastreado em ativos inexistentes e fraudes em carteiras de crédito vendidas a outras instituições, como o Banco de Brasília (BRB).

    A Operação Compliance Zero, deflagrada no final de 2025 e com novos desdobramentos em março de 2026, aponta que o rombo estimado nas operações investigadas chega a R$ 12 bilhões.

    Há suspeitas de que Augusto Lima tenha utilizado sua influência política para garantir contratos públicos em troca de repasses financeiros mascarados como lucros de fundos de investimento.

    Em fevereiro de 2026, o Banco Pleno (antigo Voiter), que era controlado por Lima, sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central devido à deterioração financeira e falta de ativos reais.

    Outro lado

    A defesa de Augusto Ferreira Lima tem reiterado que todas as suas movimentações financeiras são lícitas e declaradas aos órgãos competentes. Em notas anteriores, seus advogados afirmaram que o empresário possui um histórico ilibado no mercado financeiro e que as investigações se baseiam em interpretações equivocadas de operações bancárias complexas.

  • Sol tímido ou calor sem freio? Como fica o tempo no fim de semana

    Sol tímido ou calor sem freio? Como fica o tempo no fim de semana

    Paulo Pinto/Agência Brasil
    Mesmo com chuva, temperaturas devem voltar a subir em São Paulo a partir de quarta-feira (18/9). “Calorão” deve chegar na sexta-feira (20) - Metrópoles

    O tempo neste fim de semana será de sol entre algumas nuvens em todo o estado de São Paulo, o que ajuda a elevar as temperaturas ao longo do sábado (28/3) e domingo (29/3).

    Pela manhã, podem ocorrer nevoeiros na faixa leste, por causa da umidade e do resfriamento durante a noite. Mas, ao longo do dia, o tempo fica firme e seco, devido à atuação de uma massa de ar seco.

    A umidade do ar deve ficar em torno de 30%, o que já exige atenção. Mesmo assim, não está descartada a chance de chuvas isoladas em alguns pontos do estado, segundo a Defesa Civil.

    Na capital paulista, as temperaturas variam entre 17°C e 30°C, sem previsão de chuva. O mesmo vale para o domingo, que terá máxima de 31°C.

    Já em São Carlos, calor o dia todo com algumas nuvens à tarde e noite estrelada. A mínima é de 20°C e a máxima deve chegar aos 30°C no sábado e aos 29°C no domingo.

    No litoral, o sol aparece entre nuvens pela manhã e tarde ensolarada. Em Ilhabela, a máxima neste fim de semana não passa de 26°C, com mínima de 22°C.

  • Por que a CPMI do INSS acabou em pizza, na avaliação de bolsonaristas

    Por que a CPMI do INSS acabou em pizza, na avaliação de bolsonaristas

    Editoria de Arte/Metrópoles
    Montagem com as fotos de Daniel Vorcaro e Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS"

    Lideranças bolsonaristas avaliam que o principal responsável por dificultar a aprovação do relatório final da CPMI do INSS não foi apenas o governo Lula, mas, sim, o escândalo do Caso Master, que virou alvo da comissão.

    A conta é de que o Centrão, grupo de partidos que têm maioria no Congresso, teria outra posição sobre os indiciamentos pedidos pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), caso o Master não estivesse envolvido.

    Até mesmo a prorrogação da CPMI, negada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), poderia ter um desfecho diferente caso as revelações sobre o Master não tivessem surgido, avaliam os bolsonaristas.

    Com o Master na mira da comissão, o Centrão pulou para o lado do governo e ficou contra o relatório de Gaspar. Sem votos necessários para sua aprovação, a CPMI do INSS foi concluída sem um texto final aprovado.

    CPMI sem relatório

    Na madrugada deste sábado (28/3), a comissão que investigou a Farra do INSS chegou ao fim sem ter seu relatório final aprovado. O texto de Gaspar foi rejeitado em votação na CPMI por 19 votos a 12.

    Os governistas, com maioria no colegiado, tentaram emplacar um relatório alternativo, feito pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que pedia o indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), no entanto, não acatou o relatório paralelo, cancelando a possibilidade de nova votação que poderia ocorrer na manhã deste sábado.

  • IRPF: ostentação nas redes pode chamar atenção da Receita Federal

    IRPF: ostentação nas redes pode chamar atenção da Receita Federal

    Arte Carla Sena / Metrópoles
    Ostentação, Receita Federal

    A Receita Federal do Brasil está utilizando tecnologia avançada para detectar “ostentações” nas redes sociais que podem apontar incompatibilidade patrimonial com valores declarados no Imposto de Renda.Viagens internacionais, carros de luxo, restaurantes caros, podem indicar fraudes, caso não haja comprovação da renda.

    As equipes de gerenciamento de risco, planejamento e inteligência da Receita Federal fornecem informações à equipes de fiscalização da Receita e qualquer alteração que demonstre divergência entre os rendimentos reais e os declarados, podem subsidiar a abertura de procedimentos de fiscalização, informou a Receita ao Metrópoles.

    Portanto, a Receita verifica postagens públicas em redes sociais como Instagram, Tiktok, Facebook, entre outras plataformas, para averiguar se há algum tipo de ostentação que não condiz com os bens declarados. Se houver alguma publicação que indique incompatibilidade patrimonial, elas se tornam provas em processos de revisão fiscal, podendo levar o indivíuo à malha fina, ou seja, em casos de erros, omissão de dados e Imposto de Renda com inconsistência, a pessoa corre o risco de ter a declaração retida.

    Mas as viagens internacionais e bens materiais caros precisam estar alinhados com a renda declarada? O advogado tributarista Rodrigo de Natale, explica que, caso seja cobrado, o contribuinte deve conseguir comprovar a origem dos valores que custeam os bens de alto custo.

    “Em regra, os bens obtidos por uma pessoa devem ser condizentes com o seu patrimônio. O importante aqui é conseguir demonstrar a origem, licitude dos valores que foram utilizados para aquisição de bens de alto valor”, diz.

    Ele ainda explica que em casos de doação, empréstimo ou herança, que podem destoar do rendimento adquirido por uma pessoa, é possível saber a origem exata daquele bem.

    Ostentar nas redes é crime?

    Em um primeiro momento a incompatibilidade patrimonial não é considerada crime. No entanto, o indivíduo tem um prazo para comprovar a origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea, ou seja, documentos fiscais e comerciais legítimos, válidos e autênticos.

    “Caso não seja apresentada provas para justificar o ganho desses bens, a diferença é considerada rendimento omitido e o Imposto é cobrado com juros e multa qualificada entre 75% e 100%, podendo chegar a 150% se houver reicidência”, conta.

    Além disso, se for apurado e comprovada sonegação fiscal dolosa, fraude ou simulação, o caso será comunicado pela Receita Federal e a Ministério Público, podendo configurar crime contra a ordem tributrária ou lavagem de dinheiro, de acordo com o art. 1º da Lei 8.137/90. Nesses casos, a pessoa pode cumprir pena de 2 a 5 anos de prisão.

    “Fora as implicações administrativas, a depender do caso, é possível que haja investigação criminal, para apurar se houve atividades criminosas, por exemplo ocultação ou dissimulação de propriedades, bens e valores, notoriamente conhecido como ‘lavagem de dinheiro’”, afirma.

    Para evitar dores de cabeça o ideal é que a pessoa tenha sempre em mãos os documentos de todas as transações realizadas que envolvem bens e valores, tendo um histórico válido da origem das aquisições. Rodrigo diz que muitos dos contribuintes acreditam que por não documentarem certas operações, estariam isentos de pagar tributos, ação essa que é desconsiderada pela Receita Federal.

    Imposto de Renda 2026

     

  • Coronel preso disse ter testosterona de jovem e "libido altíssima"

    Coronel preso disse ter testosterona de jovem e "libido altíssima"

    Reprodução/Câmera Monitoramento
    Homem sem camisa ao telefone - Metrópoles

    O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil ter níveis de testosterona equivalentes aos de um jovem entre 16 e 21 anos e uma libido “altíssima”.

    A declaração foi feita após ele ser preso sob suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, 32, encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo.

    No interrogatório, o oficial detalha exames realizados no fim de janeiro e afirma que sua testosterona chegou a 939, “sem reposição hormonal”, índice que, segundo ele, é equivale ao de jovens.

    “A minha testosterona […] deu 939, que nas tabelas lá do médico é uma testosterona de um jovem de 16 a 21 anos. Imagina eu ali meses, quase ali sem ter relação sexual”, disse, em seguida reforçando: “a minha testosterona é muito alta, sempre foi”, associando o dado à própria libido.

    As falas aparecem no contexto de uma tentativa de explicar a dinâmica íntima do casal, marcada, segundo o próprio inquérito, por cobranças constantes de sexo.

    Mensagens extraídas do celular da vítima mostram que Geraldo pressionava Gisele a manter relações como uma espécie de contrapartida dentro da relação. “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu ele em uma das conversas analisadas pelo 8º Distrito Policial (Brás).

    “Não vou trocar sexo por moradia”

    Gisele, por sua vez, resistia. Nas mensagens, a soldado deixava clara a insatisfação com a cobrança e rejeitava a imposição. ]

    “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, respondeu.

    Em outro trecho citado no inquérito policial, obtido pela reportagem, ela também afasta investidas do marido e afirma que ele deveria “se satisfazer da sua própria maneira, nas suas próprias mãos”, indicando um distanciamento significativo na vida sexual do casal.

    Os diálogos reforçam que a relação já estava em processo de ruptura. De acordo com o inquérito, Gisele cogitava a separação e se opunha à dinâmica imposta pelo oficial, que vinculava o sustento financeiro à exigência de afeto e relações íntimas. Para a Polícia Civil, o conteúdo das mensagens evidencia um cenário de desgaste, pressão psicológica e conflito crescente entre os dois.

    A morte da soldado é investigada como feminicídio. Inicialmente, Geraldo sustentou que Gisele teria tirado a própria vida por não aceitar o fim do relacionamento que, asseverou, teria sido proposto por ele. A versão, no entanto, passou a ser questionada à medida que avançaram as perícias e a análise do material digital.

    Mensagens apagadas e expulsão

    Como revelou o Metrópoles, a Polícia Civil conseguiu recuperar mensagens apagadas do celular da soldado Gisele. Nas conversas, ela não apenas admite a separação, como concorda com o fim do relacionamento, o que enfraquece a narrativa apresentada pelo tenente-coronel.

    Para os investigadores, o conteúdo recuperado coloca em xeque a hipótese de suicídio levantada pelo oficial da PM — que ainda a sustenta — e reforça as suspeitas sobre quem puxou o gatilho que feriu mortalmente a vítima na cabeça.

    Geraldo Leite Rosa Neto segue trancafiado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.

    Fontes da Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmaram à reportagem, em sigilo, que o Comando da PM abriu um procedimento no qual delibera o possível desligamento do oficial da corporação. Caso isso ocorra, ele pode ser demitido ou expulso.