Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Limite de 35% para penduricalhos tenta frear supersalários no Judiciário

    Limite de 35% para penduricalhos tenta frear supersalários no Judiciário

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    Imagem colorida da estátua do STF com Congresso ao fundo - Metrópoles

    O Supremo Tribunal Federal (STF) impôs, nessa quarta-feira (25/3), limite de 35% para os penduricalhos na tentativa de impedir os chamados supersalários no Judiciário. Com isso, salários de juízes, promotores e defensores poderão chegar, no máximo, a R$ 78 mil por mês, em fim de carreira.

    Os penduricalhos são remunerações extras que não entram na conta do teto constitucional. Hoje, servidores públicos têm um limite máximo que podem receber por mês. O teto é estabelecido pelos salários dos ministros do STF, atualmente em R$ 46.366,19. No entanto, verbas indenizatórias podiam furar essa barreira. Com isso, juízes chegam a receber R$ 99 mil por mês.

    A decisão do STF, agora, estabelece que o pagamento dessas verbas indenizatórias, como diárias, ajuda de custo para remoção e férias não tiradas, ficará restrito a 35% do teto. Além disso, os ministros aprovaram um adicional por tempo de carreira (5% a cada cinco anos), também limitado aos 35%. Ou seja, membros do Judiciário ainda poderão receber até R$ 78.822,32 por mês.

    As normas terão validade até que uma regra geral seja aprovada no Congresso Nacional e entrarão em vigor já em abril. O STF calcula uma economia  de R$ 7,3 bilhões ao ano, estipulados a partir das médias de 2025.

    Supersalários Judiciário

    Uma comparação feita com dez países (Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido) mostrou que o Brasil tem o Judiciário mais caro do mundo. Segundo o estudo feito pelas organizações não governamentais República.org e Movimento Pessoas à Frente, 19.933 juízes e 8.446 integrantes do Ministério Público estão no grupo do 1% mais rico do Brasil.

    De acordo com uma pesquisa feita pelas organizações Transparência Brasil e República.org divulgado na terça-feira (24/3), 98% dos juízes e desembargadores do país receberam salários acima do teto pelo menos uma vez em 2025. O salário médio dos juízes durante o ano foi de R$ 99 mil. Um a cada quatro magistrados recebeu R$ 1 milhão acima do teto no acumulado do ano.

    Os valores contrastam com a média salarial dos outros servidores públicos, que é de R$ 3.200. No Judiciário, onde estão os melhores salários, a média é de R$ 14.900, segundo o Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço Público.

    Discussão agora vai para o Congresso

    As regras aprovadas ficarão em vigor até que o Congresso legisle sobre o assunto. Uma das possibilidades é que o tema entre na reforma administrativa, em tramitação na Câmara e relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). O texto estabelece uma tabela única de remuneração para todos os servidores públicos do país.

    Veja como fica a regra do STF

    Parcelas sujeitas ao limite de 35% do subsídio:

    Verbas que não entram no limite:

  • Coaf aponta pagamentos suspeitos de R$ 11 milhões da J&F para empresário Leonardo Valverde

    Coaf aponta pagamentos suspeitos de R$ 11 milhões da J&F para empresário Leonardo Valverde

    KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
    leonardo-valverde

    A J&F fez pagamentos suspeitos que somam R$ 11 milhões ao empresário de Brasília Leonardo Valverde, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS.

    De acordo com as informações sobre as movimentações financeiras do grupo J&F destacadas pelo Coaf, a empresa fez transferências para a All Channel Publicidades e a Alltec, entre fevereiro e outubro de 2025. As duas organizações têm como beneficiário final o empresário conhecido como Leo Valverde.

    Foram identificados os seguintes pagamentos:

    Sediada na capital federal, a All Channel tem como atividade econômica principal “agenciamento de espaços para publicidade, exceto em veículos de comunicação”. A empresa foi aberta em 2006, segundo registro na Receita Federal.

    Já a Alltec fica em São Paulo, de acordo com as informações oficiais. A empresa faz “consultoria em tecnologia da informação” e presta outros serviços relacionados à área de informática.

    Relações políticas

    Personagem conhecido nos bastidores da política, Leo Valverde chamou atenção pública, no ano passado, após vender uma mansão ao deputado federal Arthur Lira (PP), no Lago Sul, por R$ 10 milhões.

    Como noticiou a coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles, Lira declarou ter pago R$ 3 milhões de entrada e financiado os R$ 7 milhões restantes no Banco de Brasília (BRB).

    Em vídeo registrado durante evento social, Leo Valverde aparece junto do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

    Leo Valverde foi cotado como possível suplente de Ibaneis Rocha (MDB), que pretende se candidatar ao Senado nas eleições de outubro. Ibaneis deixará o cargo de governador do DF neste sábado (28/3).

  • PicPay teve acesso indevido a dados de servidores do GDF e ofereceu consignado via SMS

    PicPay teve acesso indevido a dados de servidores do GDF e ofereceu consignado via SMS

    Arte/Metrópoles
    picpay-e-gdf

    O PicPay, fintech do grupo J&F, teve acesso indevido aos dados pessoais de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) para oferecer empréstimo consignado. A empresa é a única credenciada para ofertar “antecipação salarial” e realizar os descontos diretamente na remuneração dos funcionários públicos.

    A partir de um contrato com a Secretaria de Economia do DF que permitiu a instituições financeiras realizarem empréstimos consignados, o banco digital fez descontos de R$ 81,7 milhões nos salários de servidores do DF.

    O Metrópoles teve acesso a algumas das mensagens enviadas pelo PicPay para os servidores na qual anuncia o produto. “Seu saldo já está liberado! Antecipe parte do seu salário sem juros e receba o valor na hora”, diz um SMS. “Aproveite o valor máximo de antecipação! Receba agora parte do seu salário. Seguro e sem juros”, afirma em outro.

    Servidores ouvidos pela reportagem relataram surpresa ao receberem as mensagens porque não se inscreveram no PicPay, de forma que não foram eles que divulgaram os próprios dados.

    Questionada pela reportagem, a Secretaria de Economia do DF declarou que “não realiza, em nenhuma hipótese, o compartilhamento de dados pessoais de servidores públicos com empresas privadas, em estrita observância à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)”.

    Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou a suspensão de novos descontos diretamente na remuneração dos servidores vinculados ao serviço do PicPay. A decisão ocorreu após uma inspeção da área técnica da Corte de Contas identificar que a empresa cobrava uma taxa – o que não seria permitido na legislação local para a modalidade de consignados.

    Estande na sede do GDF

    O PicPay assinou, em setembro de 2024, contrato com a Secretaria de Economia do DF por meio do qual a empresa foi autorizada a oferecer os empréstimos consignados a servidores do GDF.

    Para impulsionar a divulgação do produto, além de enviar mensagens aos funcionários públicos distritais, o PicPay montou um estande no Palácio do Buriti, sede do GDF.

    A Secretaria de Economia do DF disse, em resposta à reportagem, que concedeu autorização para o PicPay realizar “ação de divulgação institucional de seus serviços” nas portarias sul e norte e na marquise norte do prédio público. A pasta declarou que a concessão “restringiu-se exclusivamente ao uso de espaço físico para fins informativos, sem qualquer cessão de dados por parte do Governo do Distrito Federal”.

    “A Secretaria reforça que a eventual abordagem direta aos servidores, por meios próprios da empresa, não envolve participação, intermediação ou fornecimento de informações por parte do GDF”, disse.

    Irregularidade de taxa

    O TCDF identificou que houve “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento: a amortização do serviço contratado com o PicPay.

    Em 2024, os consignados do PicPay representaram R$ 11,7 milhões. No ano seguinte, de janeiro a agosto, chegaram a R$ 70 milhões descontados nos salários dos servidores.

    Segundo a área técnica do tribunal, a condição “essencial e inafastável” para a legalidade do desconto diretamente na folha de pagamento é a ausência de juros. No caso do PicPay, foi identificada a cobrança de uma “taxa”, apontada pelo TCDF como irregular.

    “A alegação de que a modalidade com taxa é opcional não afasta a irregularidade, pois o desconto em folha, sendo compulsório, não deveria estar atrelado a um serviço que, em uma de suas formas, implica custo financeiro para o servidor”, afirmou o TCDF.

    O TCDF também questiona a transferência, pela Secretaria de Economia, da responsabilidade sobre os descontos na remuneração para a BRB Serviços.

    “Dessa forma, cabe à empresa BRB Serviços S.A. orientar e controlar as consignações, prevenir e solucionar possíveis fraudes, administrar e buscar soluções em processos administrativos e/ou judiciais que tenham sua origem nas consignações em folha de pagamento, bem como manter esta SEEC permanentemente informada sobre todas as operações”, declarou a pasta ao TCDF.

    O PicPay e o BRB não responderam os questionamentos da reportagem.

  • PF encontra mensagens entre CEO da Fictor e operador ligado ao CV

    PF encontra mensagens entre CEO da Fictor e operador ligado ao CV

    Ramsey Cardy/Web Summit via Sportsfile via Getty Images
    Rafael Góis, sócio e CEO da Fictor Holding S.A

    No pedido de quebra de sigilo e bloqueio de bens de Rafael Góis, CEO da Fictor que foi alvo de operação por suspeita de fraudes milionárias, a Polícia Federal (PF) cita conversas de WhatsApp entre o executivo e um operador ligado ao Comando Vermelho (CV) nas quais eles teriam tratado de um esquema fraudulento para obter créditos bancários e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada.

    De acordo com as investigações, Góis (foto em destaque) e Luiz Rubini, ex-sócio da Fictor, são suspeitos de envolvimento em fraudes de até R$ 500 milhões contra a Caixa Econômica Federal e outros bancos. A dupla e outras 36 pessoas foram alvos de busca e apreensão nessa quarta-feira (25/3), no âmbito da Operação Fallax, que também cumpriu 21 mandados de prisão em três estados.

    Rafael Góis e Luiz Rubini tiveram o sigilo bancário quebrado pela Justiça Federal em São Paulo e foram alvo de bloqueio judicial de até R$ 47 milhões, a pedido da PF.

    O operador ligado ao CV que conversa com o CEO da Fictor é Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado. De acordo com as investigações, ele possui uma rede com pelo menos 100 laranjas e também oferece o serviço de ocultação e alavancagem fraudulenta de patrimônio para o núcleo da facção carioca que atua no interior de São Paulo.

    Uma das trocas de mensagens citadas pela PF na representação teria ocorrido no final de 2023. Referindo-se a Rafael Góis como “chefe”, Ralado sugere um superfaturamento de uma das empresas em nome de laranja, que estava sem movimentação nos últimos 12 meses, para viabilizar uma operação. O CEO da Fictor teria respondido com naturalidade, dizendo que já tinha a simulação referente ao ano anterior.

    As investigações apontam que a empresa citada por Thiago teria obtido quantias relevantes da Caixa Econômica Federal com apoio de um gerente bancário cooptado pelo esquema, mediante pagamento de propina.

    “Dar uma manipulada”

    De acordo com a investigação, apesar do contato direto entre Rafael Góis e Ralado, executivos ligados à Fictor envolvidos no caso tinham como intermediário Felipe Alves Martins de Sá, um empresário que falava abertamente com o operador do esquema sobre as manipulações e chegou a convidá-lo para ir à Fictor. A PF chegou a pedir a prisão de Sá, que foi indeferida pela Justiça Federal.

    “Thiago, eu tô indo para a Fictor. Você vai estar aí? Para eu te explicar certinho. Lá eu consigo uma pancada de dinheiro por causa do ramo de atividade. Mas eu preciso deixar a documentação toda ok. Então assim, a gente precisava dar uma manipulada. Eu precisava ver a ECF (escrituração de crédito fiscal) para ver se tem para eu poder falar”, escreveu Felipe Alves Martins de Sá.

    Em outra conversa citada pela PF, o fundador da Fictor diz que Ralado foi um “verdadeiro achado” e sugere o nome de um possível laranja, com quem seria possível “levantar muita grana com certeza”.

    Ralado respondeu dizendo que compensava montar umas duas empresinhas retroativas no nome dele.

    Ralado

    A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo.

    De acordo com as investigações, ele usava documentos falsos para criar empresas de fachada em nome de desconhecidos e obter empréstimos bancários que nunca eram pagos. A rede de empresas era utilizada pelo Bando do Magrelo para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

    Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho (CV) teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.

  • Vídeos mostram gangue aterrorizando porta de escola em São Paulo. Veja

    Vídeos mostram gangue aterrorizando porta de escola em São Paulo. Veja

    Imagem cedida ao Metrópoles
    Vídeos mostram gangue aterrorizando porta de escola em São Paulo - Metrópoles

    Vídeos capturados por estudantes da Escola Estadual Professora Cláudia Dutra Viana, no Conjunto Habitacional Sítio Conceição, na região de Guaianases, zona leste de São Paulo, mostram uma “gangue” aterrorizando a saída de aula da instituição. Veja:

    Relatos indicam que brigas na frente da escola são frequentes e quase sempre são causadas pelo mesmo grupo — que inclui alunos do colégio, adolescentes de outras instituições de ensino e indivíduos maiores de idade.

    Na última segunda-feira (23/3), um adolescente, de 15 anos, aluno da escola, teve o nariz e a mandíbula fraturados pela gangue.

    A aluna que teria provocado as agressões foi expulsa, e dois estudantes foram suspensos. Já o adolescente agredido deve ser transferido de turma e os demais agressores não foram punidos por não serem alunos da escola.

    Adolescente é atacado por gangue

    O estudante que teve nariz e mandíbula fraturados está no 1º ano do ensino médio. Ele ingressou na instituição no mês passado, início do ano letivo, e não tinha tido qualquer desetendimento com os colegas desde então.

    A mãe da vítima disse ao Metrópoles que uma aluna procurou a diretoria da escola para denunciar que teria sido empurrada pelo estudante. A direção chamou os dois adolescentes e mais alguns quem estava próximos dos dois na ocasião para conversar.

    Ao verificarem as imagens do circuito de segurança, constataram que não houve empurrão ou qualquer agressão. Em seguida, todos foram liberados. Os pais e responsáveis não foram comunicados sobre o episódio.

    A aluna que denunciou a suposta agressão teria acionado colegas de fora da escola por mensagem. Após o fim do período de aula, às 19h dessa segunda-feira, uma gangue de aproximadamente 10 pessoas atacou o adolescente no portão da escola.

    “Os alunos relataram pra mim que a diretora e a coordenadora estavam no portão quando isso estava acontecendo e não fizeram nada. Aí, depois que meu filho estava todo sanguentado, que a população ajudou ele, principalmente a vizinha de frente, aí elas colocaram meu filho dentro do carro e levaram até o Hospital Cidade Tiradentes”, contou a controladora de acesso, Jéssica Thais Santos Araújo, de 32 anos.

    A mãe do aluno contou que diretora e coordenadora não teriam conseguido abrir a ficha do adolescente no hospital por não serem as responsáveis legais. Jéssica só soube do caso por um colega de sala do filho, que pegou o celular dele e ligou para ela.

    “Eu liguei pra minha mãe, que estava próximo uns 20 minutos próximos [do hospital]. Ela foi até lá para poder ver ele, e acompanhar. Quando chegou, ele ainda estava dentro do carro”, disse.

    O adolescente, segundo a mulher, está bastante assustado. No dia seguinte às agressões, ele e a mãe foram até o 54º Distrito Policial (Cidade Tiradentes) registrar um boletim de ocorrência sobre o ocorrido. Nesta quarta-feira (25/3), o garoto foi submetido a um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

    Jéssica disse ter ciência de que brigas ocorrem na escola com frequência, tanto que ela procura buscar o filho na instituição sempre que pode. Devido ao trabalho da mãe, muitas vezes o adolescente precisa deixar o local sozinho.

    O Metrópoles tentou contato com a escola, mas não obteve sucesso. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada para comentar o caso, mas não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

    A Secretaria Estadual da Educação (Seduc), em nota, disse que a “Unidade Regional de Ensino (URE) Leste 3 repudia toda e qualquer forma de agressão, dentro ou fora das escolas. Assim que a gestão da escola tomou conhecimento do caso, ocorrido fora da unidade, no último dia 23 de março, os responsáveis foram acionados, o estudante foi prontamente socorrido pela equipe escolar e encaminhado para receber atendimento médico apropriado”.

    Segundo a pasta, o caso foi registrado no Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva), e um profissional do Programa Psicólogos nas Escolas está à disposição dos estudantes envolvidos.

    “A URE e a direção da escola permanecem à disposição da comunidade para eventuais esclarecimentos”, finaliza o texto.

  • Menina de 8 anos denuncia e avó flagra abusador com neta em galinheiro

    Menina de 8 anos denuncia e avó flagra abusador com neta em galinheiro

    Material cedido ao Metrópoles
    Homem sendo preso pela PCDF

    Em uma operação que encerra um capítulo de impunidade e angústia, a Seção de Atendimento à Mulher (SAM) da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) efetuou, nessa quarta-feira (25/3), a prisão de um homem condenado por estupro de vulnerável. O crime, que chocou os investigadores pela frieza e quebra de confiança, ocorreu em 2023, mas o rastro de trauma deixado nas vítimas permanece indelével.

    A brutalidade do caso reside na forma como o agressor acessou as vítimas. Após desentendimentos com sua então companheira, o homem buscou refúgio na casa de um amigo. Acolhido com hospitalidade, ele passou a dividir o teto com um casal, uma idosa e três crianças.

    De acordo com o inquérito policial, o criminoso transformou a casa, que deveria ser um local de segurança, em um cenário de horror. Em curtos intervalos de tempo em que ficava sozinho com as menores, ele abusava insistentemente das irmãs — uma menina de 8 anos e outra de apenas 5 anos — por meio de atos libidinosos e toques invasivos.

    Flagrante no galinheiro

    A máscara do agressor caiu graças à coragem da irmã mais velha. Após um dos episódios de abuso, a criança de 8 anos relatou o ocorrido à avó. Em um ato de desespero e proteção, a idosa correu pela propriedade em busca da neta caçula.

    Desde o encerramento das investigações e a expedição do mandado de prisão, o paradeiro do criminoso era desconhecido. Sem endereço fixo e agindo como um “fantasma” para fugir da Justiça, ele foi alvo de um intenso monitoramento da equipe da 27ª DP.

    Prisão em Sobradinho

    Após diligências técnicas e trabalho de inteligência, os agentes localizaram o paradeiro do indivíduo em Sobradinho II, onde foi surpreendido e detido. O preso foi conduzido à carceragem e agora permanece à disposição do Poder Judiciário para o cumprimento da pena.

    Para a comunidade e para a família das vítimas, a prisão representa não apenas a punição de um crime bárbaro, mas a retirada de circulação de um indivíduo que utilizava laços de amizade para predar o que há de mais vulnerável na sociedade: a infância.

  • Delegado explica causa das 6 novas mortes investigadas em hospital do DF

    Delegado explica causa das 6 novas mortes investigadas em hospital do DF

    Reprodução/Web
    Técnicos de enfermagem

    O delegado que investiga outras seis novas mortes no Hospital Anchieta, Raphael Seixas, afirmou, nessa quarta-feira (25/3), que todos os óbitos teriam sido causados por paradas cardiorrespiratórias. Agora, a apuração quer saber se elas teriam sido provocadas por substâncias injetadas propositalmente pelos três técnicos de enfermagem presos suspeitos de tirar a vida de pacientes de forma deliberada.

    “A causa da morte foi um dos critérios para a gente adotar a instauração dos inquéritos, além do atendimento, da data da morte, e a equipe que estava trabalhando”, explicou Seixas.

    O delegado-chefe da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) informou que com exceção de um paciente, todos as outras vítimas eram idosas de idade entre 73 a 83 anos.

    “A maioria era gente idosa. Somente em um caso não era, mas a gente resolveu instalar esse inquérito e, no momento oportuno, vai ser esclarecido”, contou o delegado do caso.

    Seixas confirmou ainda que uma das seis vítimas teria recebido a mesma substância letal que matou outros três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em novembro e dezembro de 2025.

    “O que a gente pode confirmar até agora é que uma das seis vítimas recebeu a mesma substância que teria sido aplicada nos outros três pacientes que tiveram suas mortes confirmadas”, disse.

    Apesar disso, o delegado-chefe da 12ª DP afirmou que ainda não se pode confirmar que a substância teria sido a responsável pela morte. “Temos que aguardar todas as investigações e a perícia do Instituto Médico Legal”, explicou.

    A pedido da PCDF, o Metrópoles, desde o início do caso, não tem revelado o nome da substância, que seria um medicamento capaz de provocar parada cardíaca se usado de forma incorreta ou ministrado em altas dosagens.

    Câmeras de segurança

    Os seis novos inquéritos que apuram as novas mortes não terão o uso de câmeras para auxiliar as investigações. Como os casos aconteceram no passado e as denúncias foram posteriores, já não havia mais tais imagens registradas no sistema de segurança.

    O delegado afirmou que a ausência de vídeos pode atrapalhar as investigações, mas destaca que outros pontos serão analisados. “A gente vai analisar o que foi prescrito para as vítimas, as amostras de sangue, o acesso à farmácia. As imagens seriam boas, de fato, mas não são o único elemento”, destacou.

    Segundo o titular da investigação, foram denunciadas nove mortes no total, sete por familiares dos falecidos e dois anonimanente. Porém, três casos foram descartados pelo fato de os três técnicos de enfermagem investigados não estarem trabalhando quando os óbitos ocorreram.

    A Polícia Civil viu indícios parecidos com as mortes dos outros três pacientes, principalmente as datas, que teriam ocorrido dentro de um período próximo.

    Os inquéritos recém-instaurados terão também como embasamento o depoimento de todos os parentes das vítimas, médicos, enfermeiros, além do laudo do Instituto Médico Legal (IML).

    “Todas as mortes que não foram naturais e ocorreram no período em que os técnicos estavam trabalhando serão investigadas”.

    De acordo com a delegacia, os óbitos sob investigação são de pessoas entre 73 e 83 anos. Todos elas tiveram paradas cardiorrespiratórias repentinas, o que fez as famílias procurarem a Polícia Civil.

    O que diz o Anchieta

    Sobre essas novas mortes suspeitas, o Anchieta se manifestou por meio de nota. leia abaixo:

    O Hospital Anchieta reforça que foi o responsável por identificar indícios de comportamentos atípicos relacionados a três óbitos ocorridos na instituição, tendo atuado de forma proativa e transparente ao comunicar imediatamente os fatos às autoridades competentes, contribuindo para o início das investigações.

    A instituição permanece à disposição da Polícia Civil e dos órgãos competentes, colaborando de forma integral com as apurações e fornecendo todas as informações necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

    Em relação aos casos atualmente em investigação, o Hospital Anchieta assegura que os desfechos clínicos negativos de pacientes sem qualquer vínculo com a atuação dos profissionais atualmente presos não têm relação com falhas na prestação de serviços da instituição. Cabe lembrar que o Hospital Anchieta atua sob rigorosos padrões de qualidade e segurança do paciente, reconhecidos por certificações nacionais e internacionais, que atestam a consistência de seus protocolos assistenciais e processos internos.

    A instituição acompanha com atenção o andamento das investigações e confia na condução técnica e criteriosa das autoridades, certo de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.

    Por respeito aos pacientes e às famílias envolvidas, e em conformidade com a legislação vigente, o hospital não comenta casos específicos“.

    Relembre o caso

    Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o momento em que os técnicos de enfermagem aplicam substâncias que mataram três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Entre as substâncias utilizadas pelos técnicos para matar as vítimas, está desinfetante.

    João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75, tiveram parada cardiorrespiratória na UTI da unidade e faleceram.

    Agora, a PCDF investiga, ao todo, 13 mortes ocorridas no local. A corporação deve analisar prontuários e cruzar as informações com escalas médicas da UTI da unidade.

    Marcos Vinícius, Amanda Rodrigues, 28, e Marcela Camilly, são acusados de injetar altas doses de medicamentos nos pacientes João, Marcos e Miranilde.

    Os técnicos seguem presos preventivamente enquanto aguardam julgamento pelas mortes.

    Justiça aceita denúncia

    No último dia 12/3, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos agora se tornaram réus.

    Em 18 de março último, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios aceitou denúncia contra o trio de técnicos de enfermagem pelas mortes dos três pacientes supracitados. Para a Corte, há indícios suficientes de materialidade e autoria para dar início à denúncia de homicídio qualificado contra Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly.

    Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.


    Mais sobre o caso


    As defesas dos investigados sustentam a inocência dos clientes e afirmam que os fatos ainda estão em fase de apuração. O Hospital Anchieta, por sua vez, reafirma que foi o responsável por comunicar as suspeitas às autoridades e diz colaborar integralmente com a diligência policial.

  • Foto mostra como está na Papuda "serial estuprador" que chocou o DF

    Foto mostra como está na Papuda "serial estuprador" que chocou o DF

    Reprodução
    filho do pastor, Gabriel de Sá

    A coluna Na Mira obteve, com exclusividade, o registro oficial de Gabriel de Sá Campos, 30 anos, ao dar entrada no sistema penitenciário do Distrito Federal. A imagem, que marca o rito de passagem para o Complexo da Papuda mostra o ex-líder religioso com uma aparência radicalmente distinta daquela que ostentava nos púlpitos: sem a barba característica e com os cabelos raspados. Apesar da transferência para o Centro de Detenção Provisória (CDP), Gabriel não apresenta sinais de abatimento na fotografia.

    homem sendo fotografado na Papuda

    O registro ocorreu no momento em que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) aceitou a denúncia contra ele, tornando-o réu por crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual. Gabriel, que estava detido no Departamento de Polícia Especializada (PCDF) desde 19 de dezembro do ano passado, teve sua prisão convertida em preventiva em 11 de fevereiro.

    As investigações da 4ª Delegacia de Polícia (Guará) traçam o perfil de um predador meticuloso. Atuando como líder do ministério de adolescentes da Igreja Batista Filadélfia, no Guará 2, Gabriel utilizava sua ascendência espiritual para conquistar a confiança de famílias e jovens.

    O lobo no púlpito

    O requinte de perversidade do “serial estuprador” incluía o uso de sua função como instrutor de um curso de “integridade sexual” oferecido pela própria congregação. Ali, ele extraía informações íntimas e mapeava as vulnerabilidades emocionais de meninos, que se tornariam suas vítimas.

    A investigação identificou que os crimes ocorriam há pelo menos seis anos. O modus operandi envolvia convites para ver filmes em sua residência ou aproveitando-se de eventos da igreja, como uma “festa do pijama”, onde um dos abusos teria sido consumado.

    O inquérito detalha uma violência precoce e sistemática. Entre as oito vítimas identificadas, os abusos começaram quando alguns tinham apenas 10 e 12 anos. Um dos jovens foi alvo dos 13 aos 17 anos.

    Vítimas em Série

    A polícia destaca que Gabriel não agia de forma concomitante: ele criava laços profundos com um adolescente até consumar os abusos; quando o menor se afastava por trauma ou desconfiança, ele iniciava a aproximação com o próximo alvo.

    A investigação também joga luz sobre a conduta da cúpula da Igreja Batista Filadélfia. De acordo com os autos:

    Embora uma carta de afastamento tenha sido lida na congregação, testemunhas afirmam que Gabriel continuou frequentando cultos e áreas restritas até sua prisão.

    Além da prisão preventiva, a Justiça determinou a quebra dos sigilos telemático e telefônico dos últimos cinco anos de Gabriel. Medidas protetivas proíbem o acusado de se aproximar das vítimas em um raio de 300 metros, além de seu afastamento imediato e definitivo de qualquer função religiosa.

    O processo segue sob segredo de Justiça para preservar a identidade dos oito adolescentes envolvidos.

  • Coronel réu por feminicídio reclamou de "vida precária" com PM Gisele. Veja vídeo

    Coronel réu por feminicídio reclamou de "vida precária" com PM Gisele. Veja vídeo

    Reprodução/Polícia Civil
    Homem branco, em pé, em sala de apartamento iluminado com a luz do dia - Metrópoles

    Enquanto a água caía sobre seu corpo, na primeira vez em que foi tomar banho, no início da manhã de 18 de fevereiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Júnior, de 53 anos, afirmou ter refletido sobre a decisão que havia supostamente acabado de declarar à esposa, a soldado Gisele Alves Santana, 32, de terminar o casamento deles. O oficial está preso pelo feminicídio da companheira.

    “Era melhor terminar o relacionamento, mesmo ainda gostando muito dela e ela de mim, mas aquele vida precária que eu estava tendo, não valia a pena”, afirmou o oficial, em depoimento ao delegado do 8º DP (Brás) Lucas de Souza Lopes (assista abaixo).

    O momento meditativo, ainda conforme afirmou à Polícia Civil, foi interrompido com um forte estrondo. “Eu pensei, será que ela está surtada e está batendo a porta do meu quarto, que é bem em frente ao banheiro?”.

    Quando foi abrir a porta, imaginando que iria dar de cara com a esposa “descarregando os demônios“, afirmou ter se supreendido ao vê-la caída no chão da sala, com a cabeça envolta em sangue.

    Gisele estava mortalmente ferida na cabeça com um tiro, cuja origem, desde o momento em que ligou para os serviços de socorro, Geraldo Neto tenta atribuir à vítima.

    O relato do oficial, porém, não corresponde às evidências e depoimentos de testemunhas coletados pelo 8º DP desde então.

    De suicído a feminicídio

    No próprio dia 18 de fevereiro, após a morte de Gisele ser oficialmente declarada, às 12h04, o caso primeiramente registado como suicídio passou a ser investigado como morte suspeita.

    Um mês depois, o tenente-coronel foi preso, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva do Tribunal de Justiça Militar (TJM), em São José dos Campos — cidade do interior paulista onde estava, em um apartamento, desde o assassinato de Gisele.

    No dia seguinte, já encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), expediu outro mandado de prisão, cumprido 28 horas após solicitação da Polícia Civil.

    Preso em dois juízos por feminicídio e fraude processual, pela suspeita de prejudicar a cena do crime à perícia, o oficial da PM prestou um segundo depoimento, no qual se contradiz em detalhes cruciais sobre a dinâmica da morte da esposa.

    Além disso, ele também pinta um retrato de Gisele como se a vítima fosse desequilibrada, desorganizada e instável, em contraste ao suposto comportamento organizado, disciplinado e ponderado do agora réu.

    Provedor do lar

    Desde o dia em que Gisele foi assassinada, o tenente-coronel ressaltou, inclusive para policiais militares que tentaram preservar a cena do crime, o fato de sustentar sozinho a casa e os custeios cotidianos, incluindo a escola particular da filha da soldado — uma garotinha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior.

    À Polícia Civil, ele também ressaltou essa condição, acrescentando ter “um gasto enorme” para “ficar vivendo essa subvida” com a então esposa. Gisele e Geraldo Neto dormiam em quartos separados, após a soldado desconfiar de uma traição do oficial, que nega o adultério, assim como, agora também, o feminicídio.

    “Praticamente eu não tinha espaço para andar dentro do quarto, que era muito apertado entre a cama e o guarda-roupa, não tinha, sei lá, meio metro. Eu falei: ‘Deus, eu não comecei a trabalhar aos 10 anos de idade para chegar aos 53 e estar vivendo nesse perrengue, né”, afirmou o oficial.

    Geraldo Neto acrescentou que essa condição teria motivado a dita decisão de terminar o relacionamento. Ao supostamente relatar isso à esposa, ele descreveu a reação dela como de uma mulher reativa e agressiva.

    “Uma pessoa normal, que tá totalmente controlada, ela não empurra ninguém, ela não bate a porta, ela estava surtada ali, doutor [delegado]. Gritou ‘some daqui, sai daqui, se você não quer continuar [o casamento], então sai do meu quarto’ e me empurrou e bateu a porta com força”.

    Após a descrição dessa cena, Geraldo Neto afirmou ter ido ao banheiro para, sob a água do chuveiro, refletir sobre a situação — quando, segundo ele, a esposa teria dado um tiro contra a própria cabeça.

    Evidências e perícia

    Laudos periciais, já mostrados pelo Metrópoles, indicam que Gisele estava com marcas de dedos no pescoço e mandíbula, indicando esganadura. A investigação atribui os ferimentos ao tenente-coronel, única pessoa no apartamento além da vítima.

    Ele, no depoimento dado após ser preso, porém, negou ser o responsável pelas marcas. Geraldo Neto ainda diz, como registrado em vídeo, que a esposa não estava com as marcas, até a noite que antecedeu o crime.

    Além dessa fator, ele também é réu por fraude processual, porque violou o isolamento do apartamento, após Gisele ser levada ao Hospital das Clínicas, onde morreu.

    Antes da chegada dos peritos, o oficial desrespeitou orientação de outros PMs e entrou no imóvel — em cujo chão ainda havia poças de sangue de Gisele — e foi tomar um segundo banho. Ingressou no apartamento acompanhado do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, “seu melhor amigo”, como ressaltado no depoimento.

    O magistrado tentou demover o amigo de ficar no imóvel, sem sucesso. O ingresso do desembargador na cena do crime, ainda preservado para perícia, resultou em um pedido de providências, no último dia 19, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    O caso segue em andamento, tanto na Justiça Militar como na comum, cuja última movimentação foi a citação do oficial. Com isso, a defesa de Geraldo Neto deverá se posicionar ao Tribunal de Justiça de São Paulo sobre as acusações.

  • Vereadores propõem alternativa mais barata a túnel na zona sul de SP

    Vereadores propõem alternativa mais barata a túnel na zona sul de SP

    William Cardoso/Metrópoles
    Imagem mostra cruzamento em São Paulo - Metrópoles

    Um grupo de vereadores deverá realizar uma audiência pública, nesta quinta-feira (26/3), na Câmara de São Paulo, para colocar em discussão uma alternativa estimada em R$ 1 milhão ao túnel de R$ 622 milhões que a prefeitura pretende construir na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, na zona sul da capital paulista.

    A proposta — apresentada por Renata Falzoni (PSB), Marina Bragante (Rede), Nabil Bonduki (PT) e Toninho Vespoli (PSol) — prevê a alteração de sentido em algumas vias e mudanças nos tempos semafóricos, sem a necessidade de se fazer uma intervenção do porte do túnel, que, entre outras consequências, exigiria a remoção de famílias da comunidade da Rua Souza Ramos.

    A vencedora da licitação é a Álya Construtora, sucessora da antiga Queiroz Galvão, que ganhou certame considerado fraudulento, em 2010, justamente para a construção do túnel.

    O túnel da Sena Madureira é uma obra polêmica, que foi suspensa em 2024, após corte de árvores e instalação de tapumes no local, o que gerou reação por parte de moradores e ativistas ambientais.

    Proposta

    A contagem que consta do projeto proposto pelos vereadores mostra que, atualmente, mais de 1.700 veículos acessam as ruas Monsenhor Manuel Vicente e sua continuação, a Mauricio Klabin, no pico da manhã, das 8h às 9h. Durante o pico da tarde, das 17h às 18h, o volume é maior, com mais de 2.800 passando pelo local.

    Entretanto, o estudo mostra que a quantidade de veículos provenientes da Sena Madureira da própria Rua Domingos de Morais (sentido Jabaquara) é similar, sendo que apenas os primeiros seriam beneficiados.

    A proposta pretende diluir o tráfego por meio de inversão de mãos e reprogramação de semáforos, anulando a necessidade de travessia da Rua Domingos de Morais, a partir da Sena Madureira em direção à Monsenhor Manuel Vicente, que hoje dá um nó no trânsito local. Também prevê fluidez maior na Rua Francisco Cruz.

    Por esse projeto, uma alternativa aponta que as ruas Mairinque, Cunha e Berta seriam usadas para se fazer a travessia da Domingos de Morais, com a instalação de um novo semáforo. Por esse caminho, passariam pouco mais de 700 veículos no pico da manhã e mais de 1.300 no horário de maior movimento da tarde.

    Uma segunda alternativa envolveria também a Mairinque, mas a transposição da Domingos de Morais ocorreria mais à frente, nas ruas Diogo de Faria e Thirso Martins, que teriam sentido invertido. Os dois caminhos são vistos pelos vereadores como sugestões de como há inúmeras formas de alterar o viário no local, sem a necessidade da construção do túnel.

    Segundo os vereadores, a proposta custaria R$ 300 mil em obras civis e de acessibilidade; R$ 200 mil, em sinalização vertical, horizontal e de orientação; e R$ 500 mil, em sinalização semafórica.

    O que dizem os vereadores

    Em uma representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), vereadores afirmaram, entre outras coisas, que licitação revela “a continuidade de agentes econômicos vinculados a projeto historicamente questionado”.

    Segundo os vereadores, a obra não resolveria plenamente os gargalos do trânsito e tenderia a provocar congestionamentos dentro do túnel e em seus acessos, citando inclusive o fato de a Rua Embuaçu não ter capacidade de absorver tráfego similar ao da Sena Madureira.

    Para Renata Falzoni, a prefeitura não considerou alternativas simples e de custo mais baixo. “Insistir em um túnel, que é um modelo ultrapassado e não vai solucionar os congestionamentos, é jogar fora R$ 600 milhões de recursos públicos que poderiam ser destinados às reais soluções para a mobilidade, em especial o transporte coletivo”, diz.

    Já Marina Bragante diz que “o estudo mostra que existem alternativas mais eficientes, mais baratas e com muito menos impacto ambiental, sem a necessidade de remover árvores e destruir um corredor verde importante para a cidade”.

    Para Nabil Bonduki, o túnel causará impactos os mais variados, como a remoção da comunidade Souza Ramos, que não teriam recebido alternativa habitacional definitiva. “Além disso, os estudos feitos pela prefeitura para justificar a obra possuem erros graves e não contemplam problemas de mobilidade e trânsito que poderão ser gerados”, diz.

    Toninho Vespoli diz que pode comprovar em audiência pública “a falta de planejamento da prefeitura e o desperdício de recursos públicos dos contribuintes para um túnel milionário que a cidade não precisa”.

    O que diz a Prefeitura de São Paulo

    A Prefeitura de São Paulo afirma que a obra do túnel Sena Madureira vai melhorar a fluidez do trânsito, ampliar a conexão entre bairros e beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia.

    “Além disso, vai aumentar a eficiência dos ônibus que atendem milhares de passageiros diariamente, reduzir o tráfego dentro do bairro e melhorar o uso da rede cicloviária existente”, diz, em nota.

    Segundo a administração municipal, a revisão do projeto do túnel e da requalificação urbana do entorno, realizadas pela atual gestão, trouxe significativos ganhos ambientais e de mobilidade.

    “Seguindo as orientações da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o novo traçado reduziu a supressão de árvores e aumentou a preservação ambiental, inclusive com o transplante de exemplares e o compromisso de executar toda a compensação ambiental antes do início das obras”, afirma.

    A prefeitura diz também que o Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA), de 2024, elaborado pela Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito, que foi submetido à SVMA e passou por consultas públicas, apresenta as exigências a serem cumpridas durante a execução da obra. “A licitação para contratação dos projetos executivos, gestão ambiental e execução das intervenções está em fase final”, afirma.