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  • Sócios da Fictor acionam a Justiça e denunciam manobra em investimento

    Sócios da Fictor acionam a Justiça e denunciam manobra em investimento

    Reprodução/X
    banco-fictor

    Investidores que compraram cotas de participação na Fictor e não receberam o retorno do investimento acusam o grupo de ter vendido uma “aplicação financeira dissimulada” e promover “uma série de manobras protelatórias” para não pagar os valores aportados.

    Duas empresas do Grupo Fictor entraram com pedido de recuperação judicial (RJ) na Justiça paulista no último domingo (1º/2). Na solicitação, os advogados da empresa atrelaram o pleito a um bloqueio cautelar de R$ 150 milhões e ao pedido de novos ressarcimentos. Eles apresentaram uma lista de credores que somam quase R$ 4,2 bilhões em dívidas.

    Por outro lado, dezenas de investidores buscam individualmente o ressarcimento na Justiça. O Metrópoles analisou três dessas ações que somam mais de R$ 1 bilhão em ativos da Fictor. Na noite da segunda-feira (2/2), uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendeu ações de bloqueios de bens contra o grupo financeiro por 30 dias.

    Os investimentos contestados na Justiça foram feitos por meio de uma Sociedade em Contas de Participação (SCP), que tornam o investidor um sócio do grupo. No entanto, as pessoas que se sentiram lesadas e procuraram a Justiça alegam que nunca foram sócias de fato e que foram ludibriadas em uma estratégia da Fictor para captar recursos. A maior parte desses sócios recebeu um e-mail com a rescisão unilateral da sociedade.

    Em comunicado, o grupo disse que pretende pagar aos credores “sem nenhum deságio”.

    “No pedido de recuperação judicial, foi solicitado tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, reduzindo o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”, diz o grupo Fictor, em nota.

    Consumidor lesado

    “A comercialização por parte do grupo Fictor é como se você estivesse comprando um contrato de investimento com retorno garantido”, disse Maia ao Metrópoles. Ele pediu o aporte de volta assim que soube, pela imprena, que a Fictor pretendia comprar o Banco Master em meio a investigações. O prazo para receber o recurso de volta venceu em 17 de janeiro, e Maia não recebeu ainda o dinheiro que investiu.

    Sócias aposentadas

    Os outros dois casos analisados foram de mulheres aposentadas. Uma delas, Wilma de Castro, é mãe de um vendedor da Fictor que investiu o dinheiro dele e da família. Ela protesta o recebimento na Justiça e critica a “aplicação financeira dissimulada” na sociedade.

    Wilma recebe R$ 1,9 mil do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e aplicou R$ 120 mil na Fictor, o que representa “a economia de uma vida inteira de trabalho”, de acordo com o advogado Felipe Gousen da Silveira.

    O Metrópoles ainda analisou o caso de Maria Silveira, que fez o aporte de R$ 290 mil na Fictor. A ação dela também é movida pelo mesmo advogado, que afirma que a aposentada foi ludibriada. Ele tem casos contra a Fictor em São Paulo e no Distrito Federal.

    “A grande maioria me disse o seguinte: ‘olha, meu assessor de investimento me procurou, era uma pessoa de confiança, ele me vendeu lebre por gato, tá? Ele me falou que era um investimento seguro, que era uma empresa segura, que era uma empresa que patrocinava o Palmeiras, mas, na verdade, a pessoa não estava ciente do que ela estava assinando, que era uma sociedade’”, afirmou Silveira.

    “Blindagem de patrimônio”

    Nos processos que move contra a Fictor, Silveira alega que há um suposto esquema para blindar o patrimônio. Segundo a denúncia, a Fictor Invest fazia a captação do recurso, enquanto os valores iam para outras empresas do grupo.

    A Fictor Holding e a Fictor Invest entraram com um pedido de recuperação judicial na Justiça paulista no último domingo (1º/2). Os dois CNPJs compõem o grupo Fictor, mas, segundo os advogados das pessoas que se sentiram lesadas, outras empresas do grupo estão envolvidas numa “estrutura societária desenhada para blindar o patrimônio”.

    A gestora Fictor Asset, por exemplo, ficou de fora do pedido de recuperação judicial. Silveira sustenta que ela é “peça-chave” no negócio. Segundo ele, a Invest capta o dinheiro por contratos de SCP, favorecida pelo fato de que não é regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto a Fictor Asset gere o dinheiro.

    “Conforme fichas cadastrais da CVM, a Fictor Asset é a gestora oficial dos fundos do grupo (como o Fictor Agro e Fictor Energia), evidenciando que o dinheiro sai da mão do consumidor, passa pela Invest e é gerido pela Asset. Deixar a Asset de fora da lide seria permitir que o ‘cofre’ do grupo permaneça intocado”, denuncia Silveira.

    Procurada pelo Metrópoles, a Fictor informou que os casos serão tratados na Justiça dentro do processo de recuperação judicial e que, assim que o juiz se pronunciar sobre o pedido, um plano de recuperação será apresentado.

  • Quem é o médico do DF levado ao cinema após quase um ano internado. Veja vídeo

    Quem é o médico do DF levado ao cinema após quase um ano internado. Veja vídeo

    Vinícius Schmidt/Metrópoles (@vinicius.foto)
    Retrato Clóvis Puttini. Brasília (DF), 28/01/26. Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

    Nascido em Minas Gerais e morador de Brasília desde os 9 anos, Clóvis Roberto Puttini, 72, internado há quase um ano no Hospital Brasília foi levado para uma sessão de cinema pela equipe médica. O médico carrega uma vida dedicada à pediatria.

    Puttini veio para Brasília ainda criança, junto dos cinco irmãos. Ingressou em 1975 na Universidade de Brasília (UnB) onde se formou em medicina. Foi na capital que ele construiu a carreira e família.

    Carreira

    A escolha pela pediatria veio por afinidade. “Fui me agraciando pela profissão e pelas crianças”, contou. Ao longo da carreira, chegou a atuar como cirurgião pediátrico, mas um acidente no olho, que lesionou a córnea, fez com que abandonasse a área cirúrgica. “É uma especialidade que exige muita precisão. Aí voltei para a pediatria generalista”, explicou.

    Ao longo da trajetória profissional, Clóvis atendeu crianças em hospitais públicos e privados, como o Hospital Universitário de Brasília (HUB), Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e o Hospital Anchieta, unidade de saúde da rede privada, também em Taguatinga.

    Ao relembrar os anos de trabalho, o médico fala com carinho dos “pacientinhos” e da intensidade da profissão: “Tem aqueles que a gente cria mais apego, que exigem mais dedicação. São histórias maravilhosas, mas também com um pouco de sofrimento, porque a vida não é uma mágica. Nós somos mensageiros”.

    Estadia no hospital e estado de saúde

    A rotina nos consultórios e enfermarias foi interrompida em 2023, quando começaram os problemas de saúde. Clóvis foi diagnosticado com uma gastroenterocolite com perfuração intestinal e uma infecção grave, que exigiu a retirada de parte do intestino grosso. Ele passou cerca de um ano em casa com ileostomia e, depois, retornou ao hospital para a cirurgia de reversão.

    O procedimento, no entanto, teve complicações, com o surgimento de fístulas. Desde fevereiro de 2025, está internado no Hospital Brasília.

    O período de internação prolongada, segundo ele, tem sido o mais desafiador. “A parte mais difícil é o tempo. A dieta líquida, a nutrição parenteral pela veia, a enteral”, contou. Ainda assim, faz questão de destacar o cuidado recebido: “Desde que eu cheguei aqui, estou sendo muito bem cuidado”.

    “Já estive em situações extremas, já estive no biquinho do urubu. Teve médico que falou ‘hoje ele vai’, e eu não fui. O plano de Deus está marcado e a gente não define quando”, disse.

    Relação com a família

    Em meio a esse período, ele também viveu uma perda dolorosa: um irmão mais velho esteve internado no mesmo hospital, mas faleceu em dezembro.

    Casado pela terceira vez, Clóvis mora com a esposa e duas enteadas. Ao todo, tem sete filhos e oito netos. Na sessão de cinema organizada pelo hospital, uma filha e uma enteada o acompanharam.

    “Um ano enfurnado no hospital sem ver o céu direito… Foi bom sair um pouco, me divertir. Se pudesse, faria todo mês”, comentou sobre a sessão.

    O filme escolhido, Tom e Jerry, trouxe de volta lembranças de uma vida inteira indo ao cinema com os filhos. “Eu sempre levei as crianças para ver desenho, aventura. Gosto de aventura, de ação, mas não gosto de filme de ‘matação’”, contou.

    Entre os favoritos, citou Caminhando nas Nuvens. “É muito bonitinho, um romance.”

    A sessão especial não foi o único gesto de carinho da equipe. Em outro momento, após uma confissão de desejo do paciente, médicos e profissionais da assistência organizaram uma noite de pizza.

    Ao final da conversa, Clóvis resumiu o sentimento que carrega hoje: “Eu só tenho a agradecer a quem está cuidando de mim, zelando pelo meu bem-estar”.

  • Operação Verão: após 2 anos, 85% dos casos com mortes foram arquivados

    Operação Verão: após 2 anos, 85% dos casos com mortes foram arquivados

    William Cardoso/Metrópoles
    Policiais militares do Batalhão de Choque em Santos

    Dois anos após a Operação Verão de 2024, em que a Polícia Militar PM) de São Paulo matou ao menos 56 pessoas em um intervalo de dois meses na Baixada Santista, pelo menos 85% dos processos sobre os homicídios foram arquivados, apesar de uma série de denúncias de execuções sumárias e tortura. Entre as vítimas dos casos que foram para a gaveta, estão, por exemplo, um homem que fuzilado a mais de 50 metros de distância e um deficiente físico, baleado de muleta.

    Em um levantamento inédito, o Metrópoles analisou processos judiciais referentes a 42 das 44 ocorrências que resultaram nas 56 mortes da operação. Foram 36 arquivamentos — 23 deles em menos de um ano. Com isso, o tempo médio para que um processo fosse para a gaveta foi de 309 dias, o equivalente a pouco mais de 10 meses. Em um dos casos, por exemplo, os promotores levaram apenas 38 dias para entender que não houve excesso por parte dos agentes.

    Para a maioria das mortes, foram instaurados três procedimentos: um inquérito policial civil (IP), um Inquérito Policial Militar (IPM) e um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), conduzido pelo Ministério Público do estado (MPSP).

    Com uma força-tarefa de promotores criada pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, os PICs foram quase sempre os autos principais, concentrando todas as movimentações processuais. Os promotores escalados pelo PGJ foram os responsáveis por determinar, de forma conjunta, o arquivamento dos três procedimentos instaurados para apurar cada caso. Em dezenas de decisões, repetiram que não havia “indícios suficientes de que a conduta dos PMs estivesse desamparada de causas justificantes”.

    A reportagem identificou apenas 4 casos que seguem em andamento e, até o momento, nenhum PM passou por julgamento no tribunal do júri.

    A taxa de arquivamento dos processos já foi citada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo então secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), como argumento para tentar rebater as denúncias de execuções na operação. No entanto, vídeos das ocorrências e dos depoimentos dos policiais — obtidos com exclusividade pela reportagem — indicam que a força-tarefa do MPSP ignorou uma série de indícios de irregularidades.

    Fuzilado a 50 metros

    Tarcísio Braga Leite, de 35 anos, estava sentado em uma cadeira de plástico, próximo de um canal de esgoto, no Beco das Almas, na periferia do Guarujá, quando policiais da Rota chegaram ao local, por volta das 5h do dia 17 de fevereiro de 2024. Segundo os agentes, eles teriam recebido uma denúncia anônima, encaminhada pela Secretaria da Segurança, de que o local seria um ponto de venda de drogas.

    Na versão dos PMs, o tiro foi necessário porque a vítima supostamente teria apontado uma arma na direção de outra equipe que estaria se aproximando do local pela via central. Nada disso foi captado em vídeo pelas câmeras corporais de nenhum policial.

    As imagens, que em vários momentos não têm som, porque os botões de gravação não foram pressionados, mostram os PMs se aproximando do corpo após os disparos e ficando em posição de alerta, para evitar a aproximação de outras pessoas. Em dado momento, um dos policiais questiona se o colega Mateus Michael Galdino teria feito o desarme. Ele responde que sim, apesar de o suposto armamento não aparecer na filmagem. “Desarmei, desarmei, desarmei”, repete o PM.

    Em depoimento prestado no dia 20 de fevereiro de 2025, Galdino foi questionado pelos promotores sobre isso. Diante do vídeo da própria câmera corporal, ele se atrapalhou para explicar em que momento teria ocorrido o desarme e porque o suposto armamento não aparece no vídeo.

    Segundo a versão de Galdino, havia duas armas com o suspeito: um revólver e uma pistola. Quando se aproximou do corpo, ele conseguiu pegar uma delas, que estaria supostamente ao lado de uma caçamba. Em um segundo momento, quando se aproximou do corpo mais uma vez, teria avisado a outra arma, no mesmo local. Ele disse que as duas foram colocadas em um bolsa na lateral da farda. Por isso, não aparecem nas filmagens, como estabelece o manual das câmeras corporais.

    “O senhor tá andando até o desarme, se aproxima do corpo que está numa cadeira, e aí efetua, a gente acredita o desarme. E aí o senhor levanta. Aí fica mais um pouco e volta. Quando o senhor volta, pela COP do sargento, a gente consegue ver ele perguntando se houve o desarme, e a resposta é: ‘Houve o desarme’. Eu olhando a COP aqui eu não consegui ver essa arma. Para confirmar, foi nesse momento que o senhor conseguiu pegar, arrecadar, a arma de fogo que está com o vídeo?”, questiona o promotor.

    “Eu só vou pedir para o senhor rodar um pouquinho mais o vídeo, porque houve uma primeira tentativa de avançar no território, e depois a gente recuou, porque ainda havia movimentação. Aí depois que a equipe inteira avançou, o sargento foi na frente, que aí eu fiz o desarme”, responde Galdino, .

    “Se eu não me engano foi no momento em que a equipe inteira avança. Aí eu avancei sozinho. O sargento falou ‘avança’, para verificar o local. Porém ainda havia movimentação, por isso eu recuei, foi no segundo momento, se eu não me engano”, acrescenta.

    Em nenhum momento foram ouvidos os PMs que supostamente avançavam pela via central no momento do disparo e teriam sido ameaçados pelo suspeito. Apesar de todas as inconsistências, no mesmo dia do interrogatório do sargento Correa, que fez o disparo, os promotores decidiram pelo arquivamento conjunto dos três procedimentos que apuravam o caso.

    Morto de muleta

    Um dos casos mais emblemáticos da Operação Verão de 2024 teve o mesmo desfecho. O deficiente físico Leonel Andrade Santos, de 36 anos, morreu a poucos metros da casa em que morava no morro do São Bento, em Santos. Ele e o amigo Jefferson Ramos Miranda, de 37, foram fuzilados por PMs do Comando de Operações Especiais (COE), em 9 de fevereiro de 2024.

    Os agentes subiram o morro pela área de mata e ficaram horas escondidos, até anoitecer. De repente, apareceram atirando na rua São Mateus. Os policiais disseram que, apesar da deficiência física de Leonel, que tinha uma perna menor que a outra e andava de muletas, ele segurava uma pistola e teria atirado contra a equipe. Horas antes do ocorrido, o suspeito havia sido fotografado sem querer por uma moradora. Na imagem, ele aparece de muleta.

    Ao determinar o arquivamento do caso, os promotores disseram: “A utilização de muleta não inviabiliza, por completo, o manejo e empunhadura, com uma das mãos, de arma de fogo de cano curto por parte de Leonel”.

    O arquivamento ocorreu no dia 7 de novembro de 2024, exatamente dois dias depois da morte do filho de Leonel. Ryan, de apenas 4 anos, também foi morto por PMs no Morro do São Bento.

    Mãe morta com tiro na nuca

    Um dos poucos processos que, na teoria, segue em andamento diz respeito à morte de Ednéia Fernandes Silva, mãe de seis filhos, que foi baleada por engano por um policial militar na comunidade do Mangue Seco, em Santos, em 27 de março de 2024. Na época, a repercussão negativa do caso pressionou Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite a colocarem um fim na operação verão.

    Apesar de não haver dúvida de que Ednéia era inocente e foi baleada por um PM, o caso está parado. Primeiro, a Justiça Militar disse que, por se tratar de um crime doloso contra a vida, deveria ser julgado pelo tribunal do júri. Por sua vez, o promotor da Vara do Júri entendeu que a responsabilidade seria da Justiça Militar.

    A versão oficial é que o policial atirou contra um suspeito de moto que passou pelo local. Uma testemunha protegida, que estava presente no momento do disparo, afirma que não havia outra pessoa lá. Para o promotor, o policial atirador, Felipe Taffarel de Moura, “não queria matar ninguém”, porque efetuou “apenas um disparo”.

    “Felipe Taffarel de Moura efetuou apenas um disparo, embora estivesse com sua pistola .40 carregada. Evidencia, assim, que não queria matar ninguém. Não estamos apenas a dizer que ele não queria matar Ednéia, pois isso é óbvio. Os elementos probatórios nos permitem concluir que ele não queria matar ninguém, nem mesmo o criminoso que fugiu”, diz o promotor.

    Em julho do ano passado, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, decidiu manter na gaveta 11 processos da Operação Verão que haviam sido arquivados. Agora, não há mais possibilidade de recurso na Justiça estadual.

    Outro lado

    O Metrópoles questionou o Ministério Público de São Paulo sobre os arquivamentos citados na reportagem, mencionando especificamente os casos de Tarcísio Braga Leite, fuzilado a mais de 50 metros, e de Leonel Andrade Santos, morto de muletas. O órgão disse que rechaça as alegações da reportagem e aprova integralmente o trabalho realizado pela força-tarefa.

    O MPSP afirma ter agido de forma “eminentemente técnica”, após analisar imagens das câmeras corporais, colher depoimentos de testemunhas, ouvir os PMs e confrontar todos esses dados com os laudos periciais produzidos.

    A Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que a Polícia Militar “não compactua com desvios de conduta” e que todas as ocorrências dessa natureza são “rigorosamente apuradas”.

  • Prefeitura de SP atrasou poda de árvore e limpeza de córregos em 2025

    Prefeitura de SP atrasou poda de árvore e limpeza de córregos em 2025

    William Cardoso/Metrópoles
    Imagem mostra caminhão - Metrópoles

    A Prefeitura de São Paulo teve, em 2025, o menor número de podas de árvore no período que antecede a temporada de chuvas na capital paulista, entre abril e setembro, em comparação com anos anteriores. Também “tirou o pé” na limpeza de córregos e piscinões. Questionada, a administração municipal diz que fez mais ao longo do ano como um todo.

    Podas de árvores e limpezas de córregos e piscinões são serviços fundamentais para evitar tragédias em uma cidade densamente povoada como São Paulo.

    Os números analisados pela reportagem fazem parte do Plano de Prevenção às Chuvas (Ciclo 2025-2026), divulgado pela própria administração municipal. Trata-se de esquema detalhado sobre tudo o que deve ser feito em meio aos temporais na época mais chuvosa do ano, bem como de que maneira a prefeitura deveria se preparar nos meses que antecedem o período.

    Com relação às podas, foram realizadas quase 82 mil entre abril e setembro, número inferior às cerca de 90 mil feitas em igual período de 2024. É uma quantidade ainda menor do que o realizado em 2023, quando a prefeitura fez quase 104 mil podas.

    O volume de detritos retirados de córregos também caiu no período de abril a setembro, em comparação com anos anteriores. Foram removidas quase 82 mil toneladas, ante 112 mil, em 2024, e 142 mil, em 2023.

    Último trimestre de 2025

    Com relação ao último trimestre de 2025, os dados de solicitações feitas ao Portal 156 (que recebe pedidos dos cidadãos) trazem um panorama de como anda a agilidade da administração municipal para resolver problemas.

    Eles mostram, por exemplo, que 29% (283) dos 972 chamados para limpeza de córregos permaneciam em aberto no início de janeiro deste ano, sem solução.

    Sobre a poda de árvores, 43% (8.697) dos pouco mais de 20 mil pedidos feitos entre outubro e dezembro não foram atendidos até o começo de 2026.

    O que diz a Prefeitura de São Paulo

    A Secretaria Municipal das Subprefeituras diz que o ano de 2025 registrou aumento de manejo arbóreo e de investimento na área em comparação com 2024, “sendo errado afirmar que houve uma diminuição do serviço, com base em dados parciais do período”.

    Segundo a administração municipal, enquanto em 2024 o montante destinado a esses serviços foi de R$ 311, 5 milhões, em 2025 o valor passou para mais de R$ 334 milhões, um aumento de 7,19%.  Em 2024, foram 164 mil podas e 13 mil remoções de árvores, enquanto em 2025 foram 167 mil podas e 14 mil remoções.

    “Ao longo do primeiro semestre de 2025, algumas subprefeituras ficaram sem contrato de manejo arbóreo após a licitação ser suspensa pelo Tribunal de Contas do Município”, diz, em nota.

    Segundo a prefeitura, no entanto, “nenhuma região ficou sem atendimento, porque equipes próprias da Secretaria das Subprefeituras (DZU) realizaram serviços de podas em toda a cidade”, afirma.

    A prefeitura afirma também que, desde 1º de agosto de 2025, está em vigor uma ata válida para a contratação de manejo arbóreo que abrange todas as subprefeituras, o que solucionou de forma definitiva a questão.

    “Os novos contratos também possibilitaram que a Prefeitura de São Paulo passasse de 122 equipes de cuidados arbóreos para 182 em 2025, garantindo a prestação do serviço na época de chuvas, sem prejuízo para a população”, afirma, em nota.

    Sobre a limpeza de piscinões, a prefeitura diz que o serviço que é feito conforme a demanda de cada estrutura e “também é reflexo da limpeza dos córregos e bocas de lobo, que impactam de forma positiva na quantidade de lixo que é depositada nos reservatórios”.

    A administração municipal diz que não houve transbordamento de piscinões e pôlderes na cidade nesta temporada de chuvas 25/26. “A limpeza de córregos também é mantida em toda a cidade, que conta atualmente com 86 equipes, 860 funcionários ao todo”, afirma.

    Com relação aos chamados do 156, Secretaria Municipal das Subprefeituras afirma sobre a limpeza de córregos que está em fase final a elaboração de licitação para contratação de mais equipes do serviço. “A exemplo do que ocorreu com o manejo arbóreo, a nova ata permitirá que as subprefeituras contratem equipes especializadas e aumentem o atendimento das solicitações”, diz, em nota.

    Sobre número de solicitações de podas de árvores em aberto, atualmente, segundo a prefeitura, o tempo médio de atendimento é de 25 dias. “Os serviços são executados em ordem cronológica, além do atendimento a remoções emergenciais, com o objetivo de atender às solicitações no menor prazo possível”, finaliza.

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    Cobra como pet? Veterinária explica o que é necessário e os riscos

    Mesmo sendo os mais comuns, cães e gatos não são os únicos pets. Veterinária explica o que é necessário para criar uma cobra em casa

  • Café com limão é trend no TikTok: faz bem ou traz riscos à saúde?

    Café com limão é trend no TikTok: faz bem ou traz riscos à saúde?

    Freepik
    Xícara de café em cima de tábua de madeira ao lado de limões

    Você sabia que uma mistura simples de café com limão virou uma das novas tendências do TikTok? Defendida por influenciadores como estratégia para “desinflamar o corpo”, melhorar a digestão ou até ajudar no emagrecimento, a combinação tem chamado atenção, mas também levanta dúvidas importantes sobre seus reais efeitos no organismo.

    Do ponto de vista nutricional, não existe milagre na mistura. O café é uma bebida rica em cafeína e compostos antioxidantes, conhecidos por estimular o sistema nervoso, melhorar o estado de alerta e, em algumas pessoas, ajudar no desempenho físico e mental. O limão, por sua vez, fornece vitamina C e compostos bioativos com ação antioxidante.

    Quando combinados, porém, os efeitos não se somam de forma extraordinária, como muitas postagens sugerem. Não há evidências científicas de que café com limão “detoxifique” o organismo, acelere o metabolismo de forma relevante ou promova emagrecimento por si só.

    Foto colorida com fundo verde e vários limões inteiros e cortados - Como o consumo diário de água com limão favorece a saúde do organismo - Metrópoles.
    A fruta é rica em vitamina C, antioxidantes e fibras

    O principal ponto de atenção está nos possíveis riscos, especialmente para pessoas mais sensíveis. A união da cafeína com a acidez do limão pode aumentar a irritação da mucosa gástrica, favorecendo sintomas como azia, queimação, refluxo e dor no estômago.

    Quem já tem gastrite, refluxo gastroesofágico ou sensibilidade intestinal deve redobrar o cuidado.

    Outro efeito possível é sobre o esmalte dos dentes. O limão é ácido e, quando consumido com frequência, pode contribuir para o desgaste dentário — especialmente se ingerido em jejum ou sem higienização adequada após o consumo.

    Café com limão ajuda a queimar gordura?

    Também vale um alerta sobre expectativas irreais criadas nas redes sociais. Muitas trends associam a bebida à perda de gordura localizada ou à redução rápida de peso, o que não encontra respaldo científico. O emagrecimento continua sendo resultado de um conjunto de fatores, como alimentação equilibrada, rotina de exercícios, sono adequado e manejo do estresse.

    Isso não significa que a mistura seja proibida. Para pessoas saudáveis, consumir café com limão ocasionalmente não costuma trazer problemas graves. A questão é entender que a bebida não substitui hábitos saudáveis nem tratamentos médicos.

    Em resumo, o café com limão pode até fazer parte da rotina de quem gosta do sabor, mas está longe de ser uma solução milagrosa. Vale permanecer atento quanto a promessas rápidas e lembrar que o que realmente funciona costuma ser “menos viral”, e mais consistência.

    Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida
  • MPSP arquivou caso em que homem foi fuzilado por PM a 50 metros

    MPSP arquivou caso em que homem foi fuzilado por PM a 50 metros

    Reprodução
    PM atira a 50 metros com fuzil e mata suspeito

    O caso, que aconteceu há exatos dois anos, durante a Operação Verão de 2024, a mais letal de São Paulo desde o Massacre do Carandiru, teve o mesmo desfecho que 85% dos homicídios cometidos por PMs na Baixada Santista no período.

    Em um levantamento inédito, o Metrópoles analisou processos judiciais referentes a 42 das 44 ocorrências e concluiu que pelo menos 36 casos foram arquivados, com o tempo médio de arquivamento sendo de 10 meses e cinco dias.

    Mais da metade foi arquivada em menos de um ano. Em um deles, por exemplo, com três suspeitos mortos à queima-roupa, a Polícia Civil e o Ministério Público (MPSP) precisaram de apenas 38 dias para concluir que não houve excesso por parte dos policiais. A reportagem identificou apenas quatro casos que seguem em andamento e, até o momento, nenhum PM passou por julgamento no tribunal do júri.

    A taxa de arquivamento dos processos já foi citada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como argumento para tentar rebater as denúncias de execuções na operação. No entanto, vídeos das ocorrências e dos depoimentos dos policiais — obtidos com exclusividade pelo Metrópoles — indicam que a força-tarefa do MPSP, criada pelo procurador-geral de Justiça para apurar os casos, ignorou uma série de indícios de irregularidades.

    Tarcísio Braga Leite, de 35 anos, estava sentado em uma cadeira de plástico próximo de um canal de esgoto no Beco das Almas, na periferia do Guarujá, quando policiais da Rota chegaram ao local, por volta das 5h do dia 17 de fevereiro de 2024. Segundo os agentes, eles teriam recebido uma denúncia anônima, encaminhada pela Secretaria da Segurança, de que o local seria um ponto de venda de drogas.

    Na versão dos PMs, o tiro foi necessário, porque a vítima supostamente teria apontado uma arma na direção de outra equipe que estaria se aproximando do local pela via central. Nada disso foi captado em vídeo pelas câmeras corporais de nenhum policial.

    As imagens, que em vários momentos não têm som, porque os botões de gravação não foram pressionados, mostram os PMs se aproximando do corpo após os disparos e ficando em posição de alerta, para evitar a aproximação de outras pessoas. Em dado momento, um dos policiais questiona se o colega Mateus Michael Galdino teria feito o desarme. Ele responde que sim, apesar de o suposto armamento não aparecer na filmagem. “Desarmei, desarmei, desarmei”, repete o PM.

    Em depoimento prestado no dia 20 de fevereiro de 2025, Galdino foi questionado pelos promotores sobre isso. Diante do vídeo da própria câmera corporal, ele se atrapalhou para explicar em que momento teria ocorrido o desarme e porque o suposto armamento não aparece no vídeo.

    Segundo a versão de Galdino, havia duas armas com o suspeito: um revólver e uma pistola. Quando se aproximou do corpo, ele conseguiu pegar uma delas, que estaria supostamente ao lado de uma caçamba. Em um segundo momento, quando se aproximou do corpo mais uma vez, teria avisado a outra arma, no mesmo local. Ele disse que as duas foram colocadas em um bolsa na lateral da farda. Por isso, não aparecem nas filmagens, como estabelece o manual das câmeras corporais.

    “O senhor tá andando até o desarme, se aproxima do corpo que está numa cadeira, e aí efetua, a gente acredita, o desarme. E aí o senhor levanta. Aí fica mais um pouco e volta. Quando o senhor volta, pela COP do sargento, a gente consegue ver ele perguntando se houve o desarme, e a resposta é: ‘Houve o desarme’. Eu olhando a COP aqui, eu não consegui ver essa arma. Para confirmar, foi nesse momento que o senhor conseguiu pegar, arrecadar, a arma de fogo que está com o vídeo?”, questiona o promotor.

    “Eu só vou pedir para o senhor rodar um pouquinho mais o vídeo, porque houve uma primeira tentativa de avançar no território, e depois a gente recuou, porque ainda havia movimentação. Aí, depois que a equipe inteira avançou, o sargento foi na frente, que aí eu fiz o desarme”, responde Galdino.

    “Se eu não me engano, foi no momento em que a equipe inteira avança. Aí eu avancei sozinho. O sargento falou ‘avança’, para verificar o local. Porém, ainda havia movimentação. Por isso, eu recuei, foi no segundo momento, se eu não me engano”, acrescenta.

    Em nenhum momento, foram ouvidos os PMs que supostamente avançavam pela via central no momento do disparo e teriam sido ameaçados pelo suspeito. Apesar de todas as inconsistências, no mesmo dia do interrogatório do sargento Correa, que fez o disparo, os promotores decidiram pelo arquivamento conjunto dos três procedimentos que apuravam o caso.

    Outro lado

    O Metrópoles questionou o Ministério Público de São Paulo sobre os arquivamentos citados na reportagem, mencionando especificamente os casos de Tarcísio Braga Leite, fuzilado a mais de 50 metros, e de Leonel Andrade Santos, morto de muletas. O órgão disse que rechaça as alegações da reportagem e aprova integralmente o trabalho realizado pela força-tarefa.

    O MPSP afirma ter agido de forma “eminentemente técnica”, após analisar imagens das câmeras corporais, colher depoimentos de testemunhas, ouvir os PMs e confrontar todos esses dados com os laudos periciais produzidos.

    A Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que a Polícia Militar “não compactua com desvios de conduta” e que todas as ocorrências dessa natureza são “rigorosamente apuradas”.

  • Terceiro Sincerão rende treta generalizada no BBB 26, e internautas se agitam: ‘Em polvorosa’

    Terceiro Sincerão rende treta generalizada no BBB 26, e internautas se agitam: ‘Em polvorosa’

    O Sincerão esquentou a rivalidade no BBB 26! A dinâmica desta segunda-feira (2) fez alusão a termos do futebol. Os protagonistas da semana escalaram seu “pior time”, elegendo técnico, juiz, bola murcha, gandula, frangueiro e arquibancada. O Sincerão rendeu tretas na casa e memes na web. Dentre os destaques da noite, Edilson foi eleito a […]

  • Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 130 milhões nesta terça (3/2)

    Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 130 milhões nesta terça (3/2)

    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
    Mega-Sena

    O sorteio do concurso 2968 da Mega-Sena, que ocorrerá na noite desta terça-feira (3/2), pode pagar um prêmio de R$ 130 milhões, caso alguém acerte as seis dezenas. O valor estimado acumulou, após o último sábado (31/1), quando nenhuma aposta completou os seis números.

    O valor do prêmio vem acumulando, nos últimos sorteios. Primeiro, subiu de R$ 102 milhões para R$ 115 milhões, e agora atinge a cifra estimada em R$ 130 milhões.

    No sorteio anterior, 72 apostas acertaram cinco dezenas e receberam prêmios a partir de R$ 59 mil. Já 6.741 jogos marcaram quatro dezenas, levando prêmios de R$ 1.039,98 cada.

    Os números sorteados, no sábado, foram: 01 – 06 – 38 – 47 – 56 – 60.

    Como apostar na Mega-Sena

    Para jogar, é preciso escolher de seis a 15 dezenas por cartela. O jogo simples, com seis números, custa R$ 6 e oferece uma chance em 50.063.860 de ganhar o prêmio principal. Com 15 números, a probabilidade aumenta para 1 em 10.003 por cartela.

    As apostas podem ser feitas online, para maiores de 18 anos, ou presencialmente em casas lotéricas e agências da Caixa, até às 20h do dia do sorteio. O cadastro online exige registro no site oficial, cartão de crédito e confirmação por e-mail.

    A Caixa Econômica Federal sorteará as dezenas da Mega, nesta terça, a partir das 21h, no Espaço da Sorte, em São Paulo.

  • Marina Sena detona Jonas após barraco com Juliano Floss: "Falido"

    Marina Sena detona Jonas após barraco com Juliano Floss: "Falido"

    Reprodução/X
    Marina Sena e Juliano Floss

    Namorada de Juliano Floss, Marina Sena usou o X para criticar Jonas Sulzbach em meio a um barraco envolvendo o amado e Jonas Sulzbach. Na rede social, Marina disse que Jonas representa o “modelo falido” de homem.

    “Jonas, você é o modelo falido de homem, caiu em desuso, sinto muito”, escreveu a cantora.

    O posicionamento de Marina ocorre após Juliano e Jonas protagonizarem uma briga na noite desta segunda-feira (2/2), após o Sincerão. Em meio à troca de ofensas, o veterano disse que o marido da cantora tinha “progesterona” em referência ao hormônio sexual feminino. “Você nunca vai ter testosterona”, bradou (confira o vídeo abaixo).

    Veja a parcial da enquete do 3º Paredão do BBB 26 e vote! 

    Jonas: “Coisa que você não tem. Você nunca vai ter testosterona. Vai lá, progesterona.”

    É SEGUNDA VEZ que o Jonas vem com discurso homofóbico pra cima do Juliano, que é hetero hein? Imagina se fosse LGBT. #BBB26pic.twitter.com/xhXHFdK8Re

    — thiago (@httpsrealitys) February 3, 2026