Categoria: Teste

  • Rosquinhas e castanhas: GDF atualiza alimentos permitidos em presídios

    Rosquinhas e castanhas: GDF atualiza alimentos permitidos em presídios

    Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
    Complexo penitenciario da Papuda em Brasília DF Metrópoles 3

    A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) atualizou a lista de alimentos permitidos aos presos nos presídios da capital federal. Entre as novidades estão castanhas, biscoito maisena de sabores diversos e rosquinhas industrializadas.

    A nova lista de itens foi publicada nesta quarta-feira (28/1).

    Itens permitidos na Papuda e na Papudinha são diferentes. Veja listas

    Outros itens

    A Seape já autoriza que os presos recebam um pacote de batata-palha, com peso máximo de até 140g, em embalagem lacrada pelo fabricante; um quilo de biscoitos industrializados (tipo água e sal, maisena ou rosquinha); 28 unidades de doce pé de moleque crocante ou doce de leite em sache 40g, industrializado e em embalagem lacrada pelo fabricante; além de um pacote de torrada industrializada, com peso máximo de 300g e em embalagem lacrada pelo fabricante; 300g de castanhas de caju ou castanhas-do-pará inteiras, em embalagem única, podendo ser a granel.

    Todos os alimentos direcionados aos detidos são inspecionados nas embalagens originais e transferidos para embalagem transparente, sendo responsabilidade do visitante o fornecimento de tais embalagens.

  • Saiba quem foi Yam Wisman, surfista do Brasil que morreu nas Filipinas

    Saiba quem foi Yam Wisman, surfista do Brasil que morreu nas Filipinas

    Reprodução/Instagram/Yan Wisman
    yan-wisman

    O surfista brasileiro Yam Wisman, de 23 anos, morreu na terça-feira (27/1) após sofrer um acidente de moto em Palawan, nas Filipinas. O atleta estava no país para disputar uma etapa classificatória da World Surf League (WSL) e permaneceu na região após o fim da competição.

    Radicado em Jijoca de Jericoacoara, no litoral do Ceará, Yam era filho de uma família de origem israelense que vive no Brasil. Ele iniciou a trajetória no surfe ainda jovem e construiu a carreira treinando nas praias da região, onde se destacou no cenário local e nacional.

    O atleta tinha como principal modalidade o longboard, mas também competia no shortboard. Ao longo dos últimos anos, participou de campeonatos no Brasil e no exterior.

    Nos últimos anos, Yam passou a disputar etapas do circuito qualificatório da WSL, com presença em competições internacionais. A participação em torneios fora do país fazia parte do processo de desenvolvimento esportivo e da tentativa de se firmar entre os atletas da modalidade.

    O acidente aconteceu quando Yam conduzia uma motocicleta em Palawan, província localizada na região de Mimaropa. Segundo familiares, outro veículo invadiu a contramão e colidiu de frente com a moto do surfista. Ele não resistiu aos ferimentos.

  • Cão Orelha: qual é a pena de quem pratica maus-tratos contra animais

    Cão Orelha: qual é a pena de quem pratica maus-tratos contra animais

    Freepik
    Mulher protegendo animal

    Entre um dos assuntos mais comentados entre os brasileiros, na últimas semanas, está a triste história do cão Orelha. De forma cruel, o animal, que precisou passar por eutanásia, foi vítima de maus-tratos por um grupo de quatro adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis (SC).

    Segundo investigações da Polícia Civil de Santa Catarina, além da violência cometida pelos jovens, três adultos, incluindo um pai e um tio, estão sendo indiciados por coação no curso do processo. Eles teriam ameaçado uma testemunha com uma arma de fogo — mas o objeto não foi encontrado durante as diligências.

    Um dos últimos desdobramentos acerca do caso é sobre as medidas que devem ser cumpridas pelos adolescentes suspeitos. Conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), eles podem responder por condutas do Código Penal, mas estão sujeitos a medidas socioeducativas, que são as sanções indicadas pelo ECA.

    CÃO ORELHA foi vítima de maus-tratos
    Os suspeitos estão sujeitos as sanções do ECA

    No Brasil, é muito comum ouvir as pessoas falarem que maus-tratos contra animais é considerado um crime. Pensando nisso, você sabe qual é, de fato, a pena para quem comete a violência?

    Qual é a pena para maus-tratos contra animais?

    Com a Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605), o ato é considerado um crime desde 1998. As penas incluem, além de multa, detenção de três meses a um ano para abuso, ferimento ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou exóticos.

    Atualmente, no caso de cães e gatos, a legislação também prevê multa, proibição de guarda e reclusão de dois a cinco anos. O aumento do tempo de detenção, ao se tratar dos caninos e bichanos, foi fruto da Lei Sansão (nº 14.064/2020). Além disso, se o crime resultar na morte do animal, a pena é aumentada de um sexto a um terço.

    Prisão e tempo de pena
    Os adultos estão sujeitos ao Código Penal

    E no caso do cão Orelha?

    Nas redes sociais, é possível ver diversas pessoas manifestando indignação ao saber que os familiares dos adolescentes, indiciados por coação, podem ter penas maiores do que eles, que cometeram os maus-tratos.

    De acordo com o ECA, entre as medidas, a mais severa é a de internação, com limite de três anos. A manutenção da medida é reavaliada por um juiz a cada seis meses, e a liberação se torna compulsória caso o adolescente atinja 21 anos.

    No caso dos adultos, que respondem de acordo com o Código Penal, o artigo 344 prevê que, para o crime de coação, a pena é de multa e de um a quatro anos de reclusão. Se houver violência física, a sanção é somada à pena da agressão praticada.

  • Novo fungo zumbi brasileiro ataca aranhas e entra em ranking mundial

    Novo fungo zumbi brasileiro ataca aranhas e entra em ranking mundial

    Reprodução/ João Paulo Machado de Araújo
    Foto colorida de fungo de cor branca saindo da casca de uma aranha após consumi-la - Metrópoles.

    João Araújo, pesquisador brasileiro e professor na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, identificou uma nova espécie de fungo parasita na Mata Atlântica, no sudeste do Brasil. 

    O fungo ganhou repercussão internacional por seu comportamento incomum. Batizado de Purpureocillium atlanticum, o microrganismo infecta aranhas conhecidas como aranhas-armadilha, vivendo dentro do corpo do animal até consumi-lo completamente. Por esse motivo, passou a ser chamado popularmente de “fungo zumbi”.

    A descoberta ocorreu em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e foi reconhecida como uma das 10 mais importantes de 2025 pelo Royal Botanic Gardens Kew, o Jardim Botânico de Londres Kew, uma das instituições científicas mais respeitadas do mundo na área de biodiversidade.

    O que é o Purpureocillium atlanticum

    A nova espécie foi descrita formalmente em um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista científica IMA Fungus, especializada em taxonomia e biologia de fungos. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores ligados a instituições do Brasil e da Europa.

    O Purpureocillium atlanticum pertence à família Ophiocordycipitaceae, conhecida por reunir fungos que parasitam insetos e aracnídeos. Esse grupo já era famoso por espécies que infectam formigas e alteram seu comportamento, inspirando inclusive obras de ficção. No caso da nova espécie brasileira, o hospedeiro é uma aranha que vive em tocas subterrâneas.

    Após o contato com a aranha, o fungo se desenvolve dentro do corpo do animal, utilizando seus tecidos como fonte de energia. Com o avanço da infecção, o corpo da aranha fica tomado por uma massa branca chamada micélio, que corresponde à estrutura vegetativa do fungo.

    Em um estágio mais avançado, o fungo forma uma estrutura que atravessa a entrada da toca da aranha e alcança o ambiente externo. Essa posição facilita a liberação dos esporos no solo e no ar, permitindo que o ciclo de infecção continue.

    Apesar do impacto sobre o hospedeiro, os pesquisadores ressaltam que esse fungo é altamente especializado e não representa risco para humanos.

    Por que essa descoberta é importante

    A inclusão do Purpureocillium atlanticum na lista anual do Kew Gardens reforça a importância da Mata Atlântica como um dos biomas mais ricos — e ao mesmo tempo mais ameaçados — do planeta.

    Segundo o próprio Jardim Botânico de Londres, , o que indica que descobertas como essa ainda são apenas uma pequena parte do que existe na natureza.

    Além de ampliar o conhecimento científico, a descoberta ajuda a entender melhor as relações entre fungos e animais na manutenção dos ecossistemas. Para os pesquisadores, cada nova espécie descrita é também um alerta sobre a necessidade de preservar áreas naturais, já que muitos desses organismos podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidos pela ciência.

  • Musa diz usar cinta durante o sexo para manter cintura de 62 cm

    Musa diz usar cinta durante o sexo para manter cintura de 62 cm

    Instagram/Reprodução
    Ravena Hanniely

    A musa da Estácio de Sá, Ravena Hanniely, é conhecida por ter uma “cinturinha de pilão”. Para ostentar seus 62 centímetros de circunferência, a influenciadora de 24 anos revelou que usa cinta modeladora até mesmo durante o sexo.

    “Virou algo natural para mim. Tenho cinta para absolutamente tudo: para treinar, para sair, para ficar em casa e até durante o sexo“, disse Ravena, que viralizou em 2025 por ter sido hospitalizada após congelar o bumbum durante um ensaio sensual.

    Influenciadora Ravena Hanniely vai parar na emergência após ensaio sensual na neve

    “Eu fiz lipoaspiração de alta definição, remodelação da cintura e procedimentos nos glúteos já pensando no Carnaval. Nada foi impulsivo. Tudo foi feito com planejamento para alcançar esse resultado e conseguir desfilar bem.”

    Ravena Hanniely tem quase 300 mil seguidores nas redes sociais. Ela foi escolhida como Deusa das Olimpíadas pela Playboy e já revelou que fez uma cirurgia para reconstruir o hímen antes de estrear no Carnaval de 2025.

  • PSD vai com Lula na Bahia apesar de Caiado, diz líder do partido

    PSD vai com Lula na Bahia apesar de Caiado, diz líder do partido

    À coluna, o chefe da CCJ do Senado e líder do partido Bahia, Otto Alencar, disse que está no “palanque de Lula”

  • Palestra sobre Linguagem Simples reúne servidores públicos e comunidade

    Palestra sobre Linguagem Simples reúne servidores públicos e comunidade

    Em continuidade ao programa Desperte a Liderança que Existe em Você, promovido pela Secretaria de Governo do Acre (Segov), foi ministrada na terça-feira, 27, em Rio Branco, a palestra “Linguagem simples para facilitar a vida”. Realizado no auditório do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o evento contou com a participação de servidores públicos, forças policiais […]

  • Metrópoles é indicado ao prêmio internacional True Story Award 2026

    Metrópoles é indicado ao prêmio internacional True Story Award 2026

    Vinicius Schmidt/Metrópoles
    O assédio sexual é um crime definido no Código Penal como o ato de constranger alguém, com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, valendo-se de condição de superioridade hierárquica

    O Metrópoles está entre os veículos de comunicação indicados para a True Story Award, concurso que aponta as melhores reportagens realizadas no mundo. A matéria especial O assédio sexual nos câmpus em 128 atos concorre com conteúdos publicados em veículos de prestígio internacional, como The New York Times (USA), The Washington Post (EUA), The Guardian (Reino Unido) e El País (Espanha).

    Entre os indicados desta temporada para o True Story Award, há apenas seis reportagens escritas em português.

    Investigação

    O especial multimídia O assédio sexual nos câmpus em 128 atos é resultado de uma investigação de nove meses, conduzida pelos jornalistas Tácio Lorran, Melissa Duarte e Manoel Marçal. O trio analisou processos administrativos disciplinares (PADs) em que professores ou servidores de universidades e institutos federais de pesquisa foram punidos por assédio sexual ou condutas de conotação sexual.

    Leia a reportagem O assédio sexual nos câmpus em 128 atos.  

    Obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), os dados permitiram a realização de um dossiê inédito no Brasil sobre as violências e os constrangimentos aos quais as mulheres – a maioria das 265 vítimas é do sexo feminino – estão submetidas em ambientes de ensino. O material também avança ao realizar um diagnóstico sobre as falhas que atrapalham o combate ao assédio nas instituições.

    A reportagem apurou situações de constrangimento ou violência em 59 universidades e institutos federais e disponibilizou um mapa interativo para que o leitor pudesse pesquisar detalhes do que aconteceu na instituição de ensino de seu interesse e qual foi o encaminhamento do caso.

    Entrevistas

    Além disso, os repórteres e o fotógrafo Vinícius Schmidt percorreram 5.637 km em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em Sergipe e no Distrito Federal para ouvir mulheres que se dispuseram a falar sobre as situações de violência que viveram. No documentário que acompanha o material multimídia, Beatriz Oliveira, Elizângela de Jesus Oliveira, Mariana Costa e Mariana Sobrinho rememoram suas dores na expectativa de interromper a espiral de silêncio que privilegia os agressores.

    A reportagem O assédio sexual nos câmpus em 128 atos foi premiada no XII Prêmio República, promovido pelo Ministério Público Federal (MPF). O documentário que acompanha o material foi escolhido como Melhor Trabalho Jornalístico Audiovisual.

    Veja o documentário O assédio sexual nos câmpus em 128 atos.

    Indicação anterior

    Essa é a segunda vez que o Metrópoles é indicado ao True Story Award. Em 2020, a reportagem Os segredos dos arautos, de Mirelle Pinheiro e David Ágape, com colaboração de Nelza Cristina, foi indicada para a pré-lista do prêmio. A reportagem revelou denúncias contra um grupo relgioso de origem católica que estava sendo investigado pela Santa Sé e pelo Ministério Público.

  • Magno Malta pede convocação de Toffoli na CPI do Crime Organizado

    Magno Malta pede convocação de Toffoli na CPI do Crime Organizado

    Metrópoles
    Magno Malta e Dias Toffoli

    O senador Magno Malta (PL) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado para convocar o ministro Dias Toffoli (STF) a prestar depoimento ao colegiado. A iniciativa tem como base reportagem da coluna de Andreza Matais e André Shalders, do Metrópoles, que apontou a existência de máquinas de apostas, jogos de cartas com dinheiro e atuação de dealers em um resort no Paraná, associado ao ministro.

    Ao justificar a convocação, o parlamentar sustenta que “a exploração de jogos de azar ilegais constitui atividade frequentemente associada à lavagem de dinheiro, em razão da intensa circulação de recursos, da dificuldade de rastreamento financeiro e da possibilidade de ocultação da real origem dos valores movimentados”.

    Magno Malta afirma ainda que compete à CPI “examinar as formas contemporâneas de atuação das organizações criminosas, com especial atenção aos mecanismos utilizados para ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem ilícita na economia formal”.

    Segundo ele, a oitiva é necessária para esclarecer o início das atividades, a participação de administradores e o grau de conhecimento sobre as práticas relatadas.

    Resort Tayayá

    Segundo a reportagem da coluna de Andreza Matais e André Shaldes, o Resort Tayayá, erguido em Ribeirão Claro (PR) pela família do ministro Dias Toffoli (STF), abriga um cassino. O estabelecimento está no centro de um escândalo que lançou desconfiança sobre a atuação de Toffoli no caso do Banco Master.

    O cassino tem entre seus atrativos máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado. No local, é possível jogar blackjack, modalidade de aposta com cartas proibida no Brasil. Todos os jogos são valendo dinheiro.

    No fim do ano passado, Toffoli fechou o resort para uma festa destinada a familiares e convidados. Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido por dois irmãos e um primo do ministro a um advogado da J&F, a gigante frigorífica de Joesley e Wesley Batista.

    Antes disso, ações do hotel foram adquiridas por um fundo que tinha como investidor o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Toffoli é o relator, no STF, de investigação envolvendo o banco. Também já atuou em processos da J&F.

  • Dólar anda de lado e Bolsa bate mais um recorde em dia de Fed e Copom

    Dólar anda de lado e Bolsa bate mais um recorde em dia de Fed e Copom

    Getty Images
    Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles

    Em um dia movimentado nos mercados globais, o dólar terminou estável a sessão desta quarta-feira (28/1), depois de ter recuado, pela manhã, ao menor patamar em quase dois anos.

    Nesta “superquarta”, termo usado pelo mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, os investidores voltaram suas atenções ao Banco Central (BC) e ao Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

    Em decisão já esperada, a autoridade monetária dos EUA manteve a taxa de juros inalterada, interrompendo uma sequência de três cortes consecutivos. No Brasil, o mercado seguia à espera da decisão do BC brasileiro.


    Dólar


    Ibovespa


    BC dos EUA interrompe série de cortes de juros

    O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed decidiu manter os juros básicos do país inalterados. Com isso, a taxa americana permanecerá no intervalo entre 3,5% e 3,75%, o menor nível desde setembro de 2022.

    A decisão anunciada pelo Fomc já era amplamente esperada pelo mercado. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, as chances de permanência dos juros no atual patamar eram de 97,2% para a reunião desta quarta-feira, a primeira de 2026. No próximo encontro do Fomc, em 18 de março, a possibilidade de uma nova manutenção da taxa chega a 82,2%.

    Com a decisão desta quarta, o Fed interrompeu uma série de três cortes seguidos dos juros, todos de 0,25 ponto percentual, iniciada em 17 de setembro de 2025. Antes disso, eles foram mantidos no intervalo entre 4% e 4,25% por um período de nove meses, com cinco reuniões seguidas do Fomc nas quais não houve alteração do valor.

    Segundo Paula Zogbi estrategista-chefe da Nomad, o Fed “cumpriu o script precificado” ao não mexer na taxa de juros da economia norte-americana. “Mas os dois votos dissidentes expõem uma dificuldade de tomada de decisão entre a visão majoritária de ‘soft landing perpétuo’ e uma minoria preocupada com riscos inflacionários persistentes, em meio a dados mistos como desemprego em 4,1% e núcleo do PCE (inflação do consumo) acima de 2,6%, além das tensões políticas com Donald Trump”, analisa.

    André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que o Fed “reconheceu que o mercado de trabalho perdeu dinamismo na geração de emprego, ao mesmo tempo em que a taxa de desemprego se estabilizou e a inflação continuou moderadamente elevada”. “Com os dados econômicos não apontando uma direção clara, o comitê optou por não fazer nada, até ter maior clareza”, explica.

    “Foi mais uma reunião em que não houve consenso entre os membros votantes. Na reunião de hoje, dois membros votaram por um corte adicional de 25 pontos-base. Além de Steve Miran, que era membro do governo Trump e defende por um ciclo de cortes mais intenso, chama a atenção o voto de Chris Waller, que é um dos cotados para assumir a vaga de Jerome Powell (atual presidente do Fed) a partir de maio. Especulava-se que ele pudesse divergir nessa reunião justamente como uma sinalização ao governo Trump”, afirma Valério.

    Para o economista, “o tom do comunicado veio em linha com uma mudança de decisão que era de cortar para uma de pausar”. “O comunicado omite os riscos de queda para o emprego, enquanto afirma que a atividade segue crescendo a um ritmo robusto e a inflação segue elevada. Tal linguagem é consistente com o que vimos nas divulgações recentes”, observa.

    “Entretanto, mantida a tendência atual do mercado de trabalho, esperamos que o comitê volte a cortar na reunião de março, tendo em vista o baixo dinamismo na geração de emprego e uma estabilização da taxa de desemprego em patamar elevado. Para o restante do ano, a dinâmica da política monetária americana será altamente dependente em que será escolhido para substituir Powell”, completa.

    Copom também define taxa de juros

    No Brasil, o mercado financeiro passou o dia em compasso de espera pela definição da taxa básica de juros, a Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

    A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

    Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

    Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

    A ampla maioria dos analistas do mercado esperava a manutenção da Selic no patamar atual, de 15% ao ano – trata-se da mais elevada taxa de juros em quase duas décadas no país.

    O foco das atenções fica voltado para o teor do comunicado do Copom, com possíveis “pistas” sobre as próximas reuniões. Há grande expectativa em torno do corte de juros a partir de março.

    Análise

    Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a alta do dólar “reflete a combinação de fatores externos na sessão, com destaque para o tom cauteloso do Fed após a manutenção dos juros, que reforçou a percepção de que a inflação segue elevada e que eventuais cortes permanecem dependentes da evolução dos dados, apesar da dissidência de dois dirigentes no Fomc”.

    “O movimento foi reforçado pela alta dos juros dos ‘treasuries’, que aumentou a atratividade relativa dos ativos denominados em dólar, e pela perda de fôlego das bolsas americanas, indicando uma reprecificação do apetite ao risco após a decisão”, explica Shahini. “Com esse cenário, o dólar se fortaleceu de forma generalizada no mercado internacional, com avanço frente a pares relevantes como o iene e o euro, refletido na alta do índice DXY.”