Comitê dos EUA acusa China de realizar operações espaciais no Brasil

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Imagem colorida, o presidente da China, Xi Jinping (D), aperta a mão do presidente dos EUA, Donald Trump, antes de uma reunião bilateral à margem da Cúpula do G20, em 2019- Metrópoles

Um comitê do Congresso dos Estados Unidos denunciou em um novo relatório que a China estaria “utilizando infraestrutura na América Latina para avançar suas capacidades espaciais e coleta de informações”. A investigação teria identificado pelo menos 11 instalações espaciais chinesas em países como Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e no Brasil.

De acordo com a investigação do Comitê Seleto sobre a China da Câmara dos Representantes,  intitulada Atraindo a América Latina para a Órbita da China, o país comandado por Xi Jinping desenvolveu extensa rede de estações terrestres espaciais e telescópios de uso duplo na América Latina.

O objetivo da operação seria coletar informações e aumentar a capacidade bélica do Exército Popular de Libertação (PLA) — principal força militar chinesa e o braço armado do Partido Comunista Chinês (PCC), com atuação terrestre, marítima, aérea e espacial.

Segundo o presidente do Comitê Seleto, John Moolenaar, grande parte da “vida cotidiana americana depende de satélites nos céus acima de nós, e é por isso que as operações espaciais da China são motivo de séria preocupação. A China está investindo em operações espaciais na América Latina apenas para promover sua agenda e minar a presença dos Estados Unidos no espaço”,  disse.

“O presidente Trump agiu de forma decisiva para confrontar a influência maligna da China no Hemisfério Ocidental, e nossos aliados devem agir prontamente de acordo com as recomendações deste relatório e impedir a expansão da infraestrutura espacial chinesa”, finalizou.

A China ainda não reagiu à divulgação do relatório. A reportagem entrou em contato com o Itamaraty e aguarda retorno.

O que preocupa os EUA no Brasil

Com relação ao Brasil, o documento cita a Estação Terrestre de Tucano, uma joint venture entre a startup brasileira Ayla Nanosatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, cuja localização exata é desconhecida.

E menciona também o Laboratório Conjunto de Tecnologia de Radioastronomia China-Brasil, estabelecido em 2025, após o Instituto de Pesquisa em Comunicação da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) assinar um acordo com a Universidade Federal de Campina Grande e a Universidade Federal da Paraíba. O projeto, que conta ainda com a colaboração de instituições de pesquisa da África do Sul, Reino Unido, Suíça e França, consiste na construção do Telescópio Bingo.

Segundo o relatório norte-americano, a missão científica do Bingo é detectar gás neutro, como o hidrogênio atômico e, para tanto, deve filtrar “agressivamente a Interferência de Radiofrequência (RFI) artificial”. E, mesmo admitindo que os astrônomos consideram tais sinais como “lixo”, o comitê alega que os algoritmos de alto desempenho usados ​​no sistema podem ser capazes de interceptar, classificar e isolar pulsos de radar militar, telemetria de satélite e atividades de guerra eletrônica com extrema sensibilidade.

Recomendações ao governo dos EUA

A investigação também apresentou diversas recomendações políticas para tentar frear a suposta ameaça chinesa no Ocidente. Entre elas, citou a Emenda Wolf, lei aprovada em 2011, que proíbe a Nasa e a Casa Branca de usar fundos federais para cooperação bilateral direta com organizações ou cientistas da China, a não ser mediante autorização especial. A legislação ainda inibe espionagem e restringe o acesso chinês à Estação Espacial Internacional (ISS).

Outra recomendação é que o governo norte-americano estabeleça a meta explícita de interromper a expansão da infraestrutura espacial da China na América Latina e, “em última instância, buscar reverter e eliminar as capacidades espaciais da China no Hemisfério Ocidental que representam uma ameaça aos interesses dos EUA”.


O comitê

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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