Eric Dane morre aos 53: entenda a ELA, doença que causou morte do ator

Jon Kopaloff/FilmMagic
“Marley & Me” – Los Angeles Premiere – Arrivals

O ator Eric Dane, conhecido mundialmente por seus papéis em Grey’s Anatomy e Euphoria, morreu nessa quinta-feira (19/2), aos 53 anos, após complicações da esclerose lateral amiotrófica (ELA). O diagnóstico da doença neurodegenerativa havia sido tornado público por ele em abril de 2025.

Segundo comunicado divulgado pela família, o ator passou os últimos dias cercado pelas filhas e por pessoas próximas. Desde que revelou a condição, Dane também passou a contribuir para ampliar a conscientização sobre a doença.

Foto colorida de Eric Dane - Metrópoles
Eric Dane em Grey’s Anatomy

A carreira que marcou a televisão

Eric Dane ganhou projeção internacional ao interpretar o cirurgião plástico Dr. Mark Sloan, apelidado de “McSteamy”, em Grey’s Anatomy. O personagem rapidamente se tornou um dos mais populares da série médica criada por Shonda Rhimes, consolidando o ator como um dos rostos mais conhecidos da TV dos anos 2000.

Nos últimos anos, voltou a ganhar destaque ao viver Cal Jacobs em Euphoria, produção da HBO que se tornou fenômeno cultural entre o público jovem. Ao longo da carreira, também participou de filmes e outras séries de televisão.

O que é a ELA

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete os neurônios motores superiores, localizados no córtex cerebral, e os neurônios motores inferiores, presentes no tronco encefálico e na medula espinhal.

Essas células são responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos. Quando degeneram, o estímulo elétrico deixa de chegar ao músculo, que perde força e volume progressivamente.

“O que ocorre é uma falha na comunicação entre o cérebro e o músculo. Sem esse estímulo, o músculo atrofia e perde função, levando a uma paralisia gradual”, explica o neurologista Marcelo Marinho.

Cérebro humano em 3D com pontos de conexão e linhas do plexo. Conceito de Inteligência Artificial e Aprendizado Profundo. Renderização 3D. Metrópoles
A doença compromete os neurônios

Sintomas iniciais e evolução

O início da doença costuma ser discreto. Fraqueza assimétrica em uma mão ou perna, dificuldade para tarefas finas, tropeços frequentes e câimbras estão entre os primeiros sinais. Fasciculações — pequenos tremores visíveis sob a pele — também são comuns.

“Em parte dos casos, o comprometimento começa pela fala e pela deglutição. O paciente pode perceber voz mais pastosa, dificuldade para articular palavras ou engasgos frequentes”, afirma o especialista.

Com o avanço da doença, a fraqueza se dissemina, atingindo membros, musculatura respiratória e funções essenciais. Embora tradicionalmente classificada como uma doença motora, a ELA pode, em alguns casos, estar associada a alterações cognitivas e comportamentais, inclusive com demência frontotemporal.

Causas e fatores de risco

“Não existe uma estratégia comprovada de prevenção. Diferentemente de doenças cardiovasculares, não há um fator isolado que determine o surgimento da ELA”, destaca Marinho.

Estudos investigam possíveis associações com tabagismo, exposição a pesticidas e metais pesados, mas sem conclusões definitivas.

Foto colorida de mulher triste abraçando homem - Adeus! Entenda como o seu cérebro lida com despedidas - Metrópoles
A ausência de um exame único que feche o diagnóstico torna o processo mais demorado e, muitas vezes, angustiante para o paciente

Diagnóstico desafiador

O diagnóstico é predominantemente clínico e envolve avaliação neurológica detalhada. A identificação simultânea de sinais de comprometimento do neurônio motor superior (espasticidade, hiperreflexia) e inferior (atrofia, fasciculações) é fundamental.

Exames como eletroneuromiografia e ressonância magnética ajudam a excluir outras doenças. Ainda assim, não há um marcador específico para confirmação imediata.

“A ausência de um exame único que feche o diagnóstico torna o processo mais demorado e, muitas vezes, angustiante para o paciente”, explica o neurologista.

Tratamento e qualidade de vida

A ELA ainda não tem cura. Existem alguns medicamentos que podem retardar discretamente a progressão em parte dos casos.

O maior impacto, no entanto, vem do cuidado multidisciplinar: fisioterapia motora e respiratória, fonoaudiologia, suporte nutricional, ventilação não invasiva e acompanhamento psicológico.

“O tratamento vai muito além da prescrição de remédios. Envolve cuidado contínuo, individualizado e suporte emocional para o paciente e a família”, afirma Marinho.

A sobrevida média varia entre três e cinco anos após o início dos sintomas, principalmente devido ao comprometimento respiratório. No entanto, a evolução é heterogênea, podendo ser mais lenta em alguns pacientes.

Eric Dane caracterizado de Mark Sloan. Ele usa um jaleco branco com crachá
Eric Dane em Grey’s Anatomy

O impacto emocional e a importância da conscientização

A perda progressiva da autonomia costuma gerar sofrimento emocional significativo, tanto para o paciente quanto para familiares.

“O medo da dependência e o luto antecipatório são sentimentos frequentes. O suporte psicológico é parte essencial do tratamento”, ressalta o especialista.

Casos de figuras públicas ajudam a ampliar o debate. O diagnóstico e posterior morte de Eric Dane trouxeram visibilidade à ELA, estimulando discussões sobre financiamento de pesquisas e acesso a tratamentos.

Galã de Grey's Anatomy, Eric Dane fala sobre diagnóstico de ELA: "Lutar até o fim" - Metrópoles
Galã de Grey’s Anatomy, Eric Dane fala sobre diagnóstico de ELA: “Lutar até o fim”

Avanços na pesquisa

Nos últimos anos, houve avanços importantes no entendimento dos mecanismos da doença. Estudos investigam terapias gênicas direcionadas a mutações específicas, drogas neuroprotetoras e abordagens com células-tronco.

“Ainda estamos distantes da cura, mas o conhecimento científico sobre a ELA é hoje muito mais sólido do que há duas décadas. Isso abre caminhos reais para terapias mais eficazes no futuro”, conclui o neurologista.

A morte de Eric Dane marca o fim precoce de uma carreira que deixou personagens memoráveis na televisão, e que amplia o olhar sobre uma doença que segue desafiando a ciência — e reforça a urgência de informação, apoio e investimento em pesquisa.

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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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