Haddad lança livro em SP e pede mobilização contra a extrema-direita

Reprodução/Redes Sociais
Imagem colorida mostra Fernando Haddad durante participação em podcast. Metrópoles

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu, neste sábado (7/2), durante o lançamento de um livro em São Paulo, a mobilização da sociedade contra a extrema-direita e a favor da democracia.

As declarações do chefe da equipe econômica, com forte cunho político, foram dadas durante o lançamento do livro “Capitalismo Superindustrial” (Editora Zahar), no Sesc 14 Bis, na capital paulista.

Haddad participou de uma mesa de debate com o cientista político Celso Rocha de Barros e a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz.

O que disse Haddad

Durante o evento, o ministro da Fazenda fez uma comparação entre o livro lançado neste sábado e uma obra anterior do próprio Haddad, escrita na década de 1990, na qual ele projetava uma crise do neoliberalismo e apontava uma falta de reação da esquerda à ascensão da extrema-direita.

“Por que esse livro é mais otimista? Porque a extrema-direita já ascendeu. E eu não acredito que a humanidade vai ficar parada”, disse Haddad.

“Então, é um otimismo mitigado por uma esperança de que a gente se mobilize contra a extrema-direita e faça alguma coisa útil das nossas vidas”, completou o ministro.

Segundo Haddad, a maior razão para alguém entrar na política é “encontrar caminhos” para uma sociedade menos desigual, e não para “se sair bem com todo mundo”.

“Quanto mais poder se acumula, mais distante você fica desse tipo de assunto. Você pode notar, é natural que você busque proteção. É tanta porrada: da esquerda, direita, de cima, debaixo e de dentro”, prosseguiu Haddad.

“Então, não é recomendável (escrever um livro como esse). Mas não é recomendável para uma pessoa que não entrou para a política com os meus compromissos. Eu não conseguiria sair deste cargo sem publicar este livro, porque a razão pela qual se entra na política é tentar encontrar caminhos. Não é sair bem com todo mundo. Não dá. Ainda mais em um país como o Brasil.”

Revisão de estudos anteriores de Haddad

O novo livro traz uma espécie de revisão de estudos de mestrado e doutorado de Fernando Haddad, nos anos 1980 e 1990. A obra atualiza algumas teses sobre o capitalismo. Haddad relaciona o conceito de “capitalismo superindustrial” com aspectos mais contemporâneos do pensamento progressista.

O livro aborda os caminhos buscados por diversos países para a construção de uma visão moderna do capitalismo, em meio a uma série de desafios inerentes ao mundo contemporâneo.

“Papel a cumprir” em SP

Haddad, , vem sendo pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por amplos setores do PT para disputar um cargo nas eleições de outubro deste ano.

Na última quinta-feira (5/2), em entrevista ao UOL, o próprio Lula foi enfático ao afirmar que tanto Haddad quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) – hoje também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – “têm um papel a cumprir” nas eleições em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

“Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo, eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela”, afirmou Lula.

O nome de Haddad vem sendo apontado como o preferido de Lula e do PT para a disputa pelo governo de São Paulo – o presidente precisa de um palanque forte no estado em sua investida pela reeleição ao Palácio do Planalto. O ministro da Fazenda também é cotado para uma das vagas ao Senado.

Haddad declarou, em diversos momentos, que não pretende se candidatar a nenhum cargo em outubro. Ele deseja contribuir com o programa de governo da campanha de Lula à reeleição.

O atual ministro da Fazenda disputou – e perdeu – as eleições de 2016 (prefeitura de São Paulo), 2018 (Presidência da República) e 2022 (governo do estado).

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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