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  • Como atleta de Francisco Morato chegou às Paralimpíadas de Inverno. Veja vídeo

    Como atleta de Francisco Morato chegou às Paralimpíadas de Inverno. Veja vídeo

    Divulgação / Alessandra Cabral – CPB
    Paralimpíadas de Inverno começam nesta sexta-feira (6/3), e Elena Sena estreia após uma trajetória de superação e títulos internacionais - Metrópoles

    Elena Sena, de 22 anos, moradora de Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, vai integra a delegação brasileira que disputará, a partir da próxima sexta-feira (6/3) até o dia 15 de março, as Paralimpíadas de Inverno Milano Cortina 2026.

    O Brasil terá oito representantes nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano Cortina 2026, sendo três mulheres e cinco homens. A delegação competirá nas modalidades de biatlo, esqui cross-country e snowboard. Esta será a maior participação feminina do país em edições de inverno.

    Disputando as provas de esqui cross-country e biatlo, Elena Sena reforça a equipe feminina brasileira na competição ao lado de Aline Rocha e Vitória Machado. Para a jovem, a convocação representa não apenas a estreia em um evento deste porte, mas o resultado de uma trajetória marcada por adaptação ao esporte de neve e preparação intensa para competir em alto nível.

    Moradora do bairro Recanto Feliz, em Francisco Morato, Elena cresceu longe de qualquer estrutura voltada aos esportes de inverno, principalmente, na neve.

    O primeiro contato com o esporte veio ainda na escola pública, em um projeto de contraturno da prefeitura.

    “Eu ficava o dia inteiro na escola porque gostava de estar fazendo as coisas”, relembra. Foi ali que se apaixonou pelo handebol. Chegou a ser titular nos jogos interescolares, mas sentia que existia um limite. “Eu assistia aos campeonatos na televisão e pensava: eu nunca vou poder estar ali”. Ela sequer sabia que existia a possibilidade de entrar no esporte paralímpico.

    Centro Paralímpico

    O ponto de virada na trajetória de Elena começou quando um professor percebeu seu potencial esportivo e decidiu inscrevê-la na escolinha do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado na zona sul da capital paulista, a . Para treinar, ela precisava cruzar cidades utilizando trens, metrô e ônibus, enfrentando longas horas de deslocamento. Ainda assim, não hesitou. “Era uma oportunidade gigantesca”, afirma.

    Na época com 17 anos, o início dos treinos no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro marcou uma mudança significativa em sua trajetória. Foi ali que passou a conviver diariamente com outros atletas com deficiência, muitos com vivências semelhantes à sua. A atleta nasceu com uma má-formação na perna esquerda, que não se desenvolveu completamente.

    Ao Metrópoles, Elena contou que o seu primeiro esporte começou pelo vôlei sentado. Ela vivia um momento de crescimento nas atividades esportivas quando, por acaso, durante um passeio escolar em Jundiaí, interior de São Paulo, viu atletas praticando roller ski, uma versão do esqui no asfalto. “A semana inteira eu não consegui parar de pensar em ski. Eu fiquei obcecada”, relembra.

    O entusiasmo, porém, encontrou um obstáculo, em 2020, devido à pandemia de Covid-19, que fechou as atividades do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro e interrompeu os treinos presenciais. Elena descreve o período como desafiador, mas agarante que nunca cogitou parar. Sem acesso à estrutura oficial, adaptou a rotina e passou a treinar roller ski no quintal de casa. Todos os dias.

    Ao lado dela, a família teve papel central. O pai ajudou a improvisar equipamentos e estruturas para manter a preparação ativa, enquanto a mãe reorganizou a rotina da casa para que a filha pudesse seguir treinando.

    “Eu não tinha perspectiva de quando as coisas iam voltar, mas eu pensava: quando abrir, eu preciso estar pronta.”

    Ciclo Olímpico

    Quando as atividades foram retomadas, ela voltou ainda mais preparada. Intensificou os treinos em cidades do interior paulista, como São Carlos, passou a competir em etapas nacionais e, na sequência, internacionais. Vieram provas na Argentina e temporadas na Europa, incluindo competições na Noruega, país referência no esqui. A evolução técnica se consolidou também no biatlo, modalidade que combina esqui e tiro esportivo.

    Após acumular resultados consistentes no ranking mundial e cumprir os índices exigidos, Elena teve a convocação confirmação, obtida com um ciclo construído entre treinos improvisados em casa, competições  fora do país e uma rede de apoio familiar que esteve presente em cada etapa do caminho. Ela jáiniciou oficialmente os preparativos para as Paralimpíadas de Inverno 2026.


    Elena Sena resume o momento com emoção e senso de responsabilidade. “Eu sinto muito orgulho de tudo o que eu construí até aqui. Cada treino, cada dificuldade, cada apoio da minha família fizeram parte desse caminho.” Para ela, a convocação é mais do que um resultado esportivo, é a confirmação de que persistir valeu a pena.

    Mais do que representar o país, a atleta leva para a neve a própria trajetória. “Eu entro para dar o meu melhor e buscar o primeiro lugar. Se não vier, eu sei que entreguei tudo”, afirma. A estreia nas Paralimpíadas de Inverno simboliza não apenas um marco na carreira, mas a confirmação de um projeto que começou no quintal de casa e agora ganha projeção mundial.


    1º fim de semana das Paralimpíadas de Inverno

    Sexta-feira,  6 de março

    16h — Cerimônia de abertura

    Porta-bandeiras: Aline Rocha e Cristian Ribera

    Sábado, 7 de março

    6h — Biatlo 7,5km Sprint

    Aline Rocha

    Elena Sena

    Domingo, 8 de março

    6h — Biatlo 12,5km Individual

    Elena Sena


    O restante da programação do Time Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 pode ser conferido aqui. Para ver todas as datas, horários e modalidades, basta acessar o cronograma completo disponível no link.

  • Sargento que usou viatura para transar com travesti em motel do DF vira réu

    Sargento que usou viatura para transar com travesti em motel do DF vira réu

    Material cedido ao Metrópoles
    travesti gravando viatura em motel

    A Auditoria Militar do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) formalizou denúncia contra um 1º Sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) após ele abandonar o posto de trabalho e desviar uma viatura da corporação para ir até um motel, em Taguatinga, fazer programa com uma travesti. A Justiça aceitou a denúncia e o militar se tornou réu.

    Travesti expõe PMs fardados em viatura após “festinha” em motel:

    O militar, que estava escalado para funções de manutenção de frota, chegou fardado no motel e foi gravado pela garota de programa.

    O caso, que ganhou repercussão nacional após vídeos circularem em grupos de mensagens, tramita na Justiça Militar. O sargento responderá por dois crimes principais: abandono de posto e peculato-desvio.

    Segundo o Inquérito Policial Militar (IPM), os fatos ocorreram em 2 de setembro de 2024. O sargento estava escalado no 28º Batalhão (Riacho Fundo) como auxiliar de garagem. Durante uma diligência externa para levar viaturas a oficinas em Samambaia e Taguatinga, o denunciado teria usado um pretexto falso para se afastar de seu colega de equipe.

    Flagrante em vídeo

    A relação extraconjugal e o uso indevido do equipamento público foram revelados pela própria acompanhante, uma mulher trans identificada como Pâmela Martins. Nas imagens publicadas em suas redes sociais, ela aparece com as chaves da suíte 3, filmando a chegada da viatura caracterizada.

    “Vem amor, quarto três!”, diz ela no vídeo, enquanto o sargento estaciona o veículo na garagem privativa do quarto. Em outro trecho da gravação, a mulher ironiza a situação, afirmando que seu “público é diferenciado” e mencionando uma “festinha” dentro do estabelecimento.

    As acusações

    A Promotoria de Justiça Militar dividiu a denúncia em dois fatos delituosos:

    A coluna apurou que as investigações internas foram devidamente encaminhadas e que o militar, agora, figura como réu no processo. Se condenado, o sargento pode enfrentar penas que variam de detenção à exclusão dos quadros da corporação, além das sanções administrativas cabíveis.

  • Advogado que denunciou agressão em delegacia é acusado de 9 estupros

    Advogado que denunciou agressão em delegacia é acusado de 9 estupros

    Material cedido ao Metrópoles
    Policiais e advogado - Metrópoles

    O episódio envolvendo um suposto abuso de autoridade e violência policial ocorrido na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), na noite de segunda-feira (2/3), trouxe à tona o passado judicial do advogado Cláudio Dias Lourenço, vítima das agressões. A ampla repercussão do caso motivou a apuração detalhada de sua ficha criminal, que revela 14 inquéritos policiais, nove Termos Circunstanciados (TCs) e duas condenações judiciais, sendo uma por estupro.

    A confusão na delegacia foi filmada e viralizou nas redes sociais. Veja:

     

    O histórico de Cláudio Dias remonta ao início dos anos 2000. A primeira denúncia formal contra ele, que na época era soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), foi registrada em 2001, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I). Segundo a apuração, a vítima foi abordada em um ponto de ônibus por um homem armado, forçada a entrar em um veículo e levada a uma área isolada nas proximidades da construção do Superior Tribunal de Justiça. O homem em questão seria o hoje advogado.


    Entenda o caso


    Em agosto de 2002, Cláudio foi preso após uma garota de programa que fazia ponto no Conic, à noite, denunciar a ação de estupradores na região. O primeiro estupro dos quatro dos quais o advogado é acusado, teria ocorrido em fevereiro de 2001, contra uma prostituta de 28 anos. Na época, quando ainda atuava como soldado da PM, a então titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), delegada Vera Lúcia da Silva, contou que as vítimas do acusado chegavam à DP imundas e aterrorizadas.

    Segundo as acusações registradas da Deam, além de não pagar pelo programa, Cláudio amarrava as vítimas e defecava sobre elas.

    A defesa do advogado disse, por meio de nota, que “a tentativa de desqualificar a vítima com base em registros policiais antigos e unilaterais (já analisados pelo Poder Judiciário e pela própria OAB por ocasião de sua inscrição) não apaga a gravidade dos abusos cometidos, nem justifica a violência praticada”.

    Mais estupros

    O registro descreve, ainda, grave ameaça e violência sexual praticada dentro do carro. Em 2002, novos casos semelhantes foram formalizados na mesma delegacia. Em julho daquele ano, uma mulher relatou ter sido perseguida nas imediações do Brasília Shopping, na Asa Norte, coagida com arma de fogo e levada a um matagal no Setor de Clubes, onde sofreu violência sexual sob ameaça constante.

    Dias depois, em agosto, outra ocorrência descreveu abordagem de Cláudio na Asa Norte. Outra mulher foi levada até uma estrada de terra próxima à orla do Lago Paranoá, ameaça com uma arma, violentada sexualmente, além de ter dinheiro e documentos subtraídos.

    Os registros indicam que, somente em 2002, ao menos quatro casos de estupro foram atribuídos a Cláudio, que acabou expulso da PMDF anos depois. As vítimas relataram ameaças reiteradas, intimidação psicológica e agressividade. À época, as ocorrências foram conduzidas pela Deam, com encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) para exames periciais.

    Em 2005, novas denúncias surgiram e foram registradas na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). Em uma delas, a vítima afirmou ter sido levada a um matagal na L4 Norte, onde também foi submetida à violência sexual sob ameaça de arma de fogo. Em outro caso, no mesmo ano, a denunciante reconheceu o autor por fotografia na delegacia.

    O boletim descreve que ela foi conduzida a uma área isolada no Setor de Mansões Park Way e violentada, registrando ainda que o medo de represálias teria retardado a formalização da denúncia. Consta, também, em 2005, um registro envolvendo estupro associado a roubo.

    Longa ficha criminal

    Após esse período, o histórico criminal de Cláudio passou a incluir outros tipos penais. Em 2009 houve inquérito por furto. Em 2017, registro por falsidade ideológica, relacionado à suposta inserção de informação falsa em documento.

    Em 2020, além de estelionato, foi registrada nova acusação de estupro na 4ª Delegacia de Polícia (Guará). Segundo o boletim, a investigação incluiu reconhecimento formal do suspeito, análise de imagens de câmeras de segurança e identificação de compra realizada em farmácia no horário do crime.

    Houve cumprimento de mandado de prisão e encaminhamento da vítima para exames periciais. Este procedimento resultou em uma das condenações atribuídas ao advogado.

    Mais recentemente, em 2022, consta um registro por ameaça. Já em 2025, com o homem já atuando como advogado, foi lavrada ocorrência na 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) envolvendo aplicação da Lei Maria da Penha.

    O boletim descreve perseguição insistente, ligações reiteradas de números diversos, ameaças de exposição de conteúdo íntimo e impedimento de saída da residência do investigado, situação que teria sido encerrada apenas após acionamento da Polícia Militar pelo telefone 190. O caso foi enquadrado como violência psicológica, perseguição e cárcere privado.

    OAB se manifesta

    Procurada, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Distrito Federal informou que, no episódio ocorrido na 26ª DP, atuou na defesa das prerrogativas profissionais e comunicou as autoridades competentes para apuração de eventual abuso.

    Sobre as denúncias envolvendo o advogado, a entidade afirmou que, à época de sua inscrição, foram apresentadas certidões negativas. Segundo a entidade, diante das informações atualmente divulgadas, os “órgãos internos da OAB serão acionados, assegurando contraditório e ampla defesa, com tramitação sob sigilo conforme o Estatuto da Advocacia”.

    Em nota, a defesa de Cláudio diz, também, que “não há qualquer decisão judicial ou administrativa que tenha suspendido ou cassado a inscrição do advogado, que permanece no pleno
    exercício de sua profissão, com presunção de idoneidade até que se prove o contrário, nos termos da lei”.

    “Se o advogado responde ou respondeu a processos, isso não autoriza a polícia a agredi-lo, nem retira o caráter ilegal da conduta dos agentes. Tampouco legitima a tentativa de desviar a atenção dos fatos concretos: socos, algemas e cela para quem apenas buscava defender um cidadão”, completou a defesa.

  • Delegado compara pai que acionou PM por desenho de orixá a Dom Quixote

    Delegado compara pai que acionou PM por desenho de orixá a Dom Quixote

    Reprodução
    Imagem colorida mostra PMs em frente à escola onde pai questionou desenho de orixá. Metrópoles

    O delegado responsável por investigar o caso do pai que chamou a polícia após a filha desenhar uma orixá na escola comparou o homem com o personagem Dom Quixote, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Após a conclusão do inquérito, o pai foi indiciado por intolerância religiosa.

    “O protagonista, movido por convicção pessoal e imaginação exacerbada, investe contra moinhos de vento acreditando tratar-se de ameaçadores gigantes”, lembrou o delegado responsável pelo inquérito, Saulo Ramos Furquim, ao citar a obra, lançada no ano de 1605.

    “Naquela narrativa, a reação do personagem não se funda na realidade fática, mas na interpretação que constrói a partir dela. De modo semelhante, no presente caso, o investigado, ao deparar-se com mural contendo desenho infantil feito por sua filha alusivo à cultura afro-brasileira, interpretou tal contexto como prática de ensino religioso confessional, passando a agir de modo enérgico contra tal situação”, acrescentou.

    Ainda segundo o delegado, o pai optou por “escalar o conflito” com a escola ao adotar postura beligerante e acionar a PM mesmo sabendo que haveria uma reunião do conselho escolar para discutir a atividade. O inquérito também aponta que o investigado ultrapassou os limites do direito de questionar o projeto pedagógico da escola e agiu de forma depreciativa em relação à cultura de matriz africana.

    A Polícia Civil de São Paulo indiciou o homem por intolerância religiosa. O resultado da investigação foi enviado à Justiça e ao Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia, propõe acordo na esfera penal ou adota outras medidas cabíveis.

    Procurada pelo Metrópoles, a defesa do pai, que terá a identidade preservada para não expor a filha, informou que ele não quis se manifestar.

    O caso foi revelado pelo Metrópoles e gerou repercussão nacional. Como mostrou a reportagem à época, no dia 12 de novembro de 2025, o pai da estudante chamou a PM após discordar de uma  atividade feita pela filha, de 4 anos. O homem, que também é policial, disse aos agentes que sua filha estaria sendo obrigada a ter “aula de religião africana”, e alegou que sua família era cristã e não concordava com aquilo.

    No dia anterior ao ocorrido, ele já havia demonstrado insatisfação com o conteúdo escolar, baseado no currículo antirracista da rede municipal de ensino, e chegou a rasgar um mural com desenhos das crianças que estava exposto na escola, segundo a mãe de um estudante.

    Depois do episódio, a direção do colégio indicou que o homem participasse da reunião do conselho da escola. Ele não compareceu ao encontro e chamou a PM.


    Atividade sobre Orixás


    Os policiais, que não fazem parte da ronda escolar, foram até a escola. Eles teriam dito para a direção da instituição que a atividade escolar configurava “ensino religioso” e destacaram que a criança estava sendo obrigada a ter acesso ao conteúdo de uma religião que não é a da família dela. Um dos agentes portava uma metralhadora e a abordagem foi considerada hostil por testemunhas.

    Segundo uma mãe, que preferiu não ser identificada, os policiais demonstraram “abuso de poder, assustando crianças e funcionários” enquanto estiveram na escola. A situação também teria feito com que a diretora passasse mal. “Foi preciso que um grupo de pais fosse conversar com eles para irem embora”, relatou a mulher. A ação foi gravada pela câmera corporal de um dos agentes e pelo sistema de segurança da escola.

    Após a repercussão do caso, diferentes autoridades se pronunciaram sobre o episódio, exigindo investigação sobre a atitude do pai e também dos policiais que atenderam a ocorrência. Como mostrou o Metrópoles, uma investigação preliminar do 16º Batalhão de Polícia Militar concluiu pelo arquivamento da apuração sobre o pai da criança e sobre o tenente que atendeu a ocorrência. Em nota, a SSP disse que ainda há um Inquérito Policial Militar (IPM) aberto sobre o caso.

  • Vorcaro chamou Ciro Nogueira de "grande amigo" e comemorou emenda do senador

    Vorcaro chamou Ciro Nogueira de "grande amigo" e comemorou emenda do senador

    KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo
    Senador Ciro Nogueira é entrevistado no estúdio do portal Metrópoles

    Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro celebrou a emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que favorecia o Banco Master. Nas mensagens reveladas pela coluna Tácio Lorran, Vorcaro ainda se refere a Ciro como “grande amigo”.

    “É um senador. Muito amigo meu”, escreveu o ex-banqueiro, em conversa com a ex-noiva Martha Graeff, ao explicar quem era Ciro Nogueira. “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, completou.

    Nas mensagens, ele conta para a ex-noiva sobre a apresnetação de emenda que poderia aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

    “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu. “Se fosse filme, não teria tantos desdobramentos loucos”, completou.

    Graeff então celebra. “Whaaaaaat. Wow isso é incrível 🙌. Esse filme seria o ganhador do Oscar”. Na sequência, Vorcaro responde mostrando contentamento. “Kkk todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”, disse.

    A emenda apresentada pelo senador, no mesmo dia da troca de mensagens, previa aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto, no entanto, não foi incluído na redação final aprovada pelo Congresso Nacional.

    As mensagens reunidas estão nos documentos que estão sendo analisados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social  (INSS).

    Prisão de Vorcaro

    Daniel Vorcaro voltou a ser preso nesta quarta-feira (4/3) no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão preventiva foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

    O banqueiro já cumpria medidas restritivas em São Paulo, inclusive com o uso de tornozeleira eletrônica.

    A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do Banco Master, em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.

    Vorcaro é investigado pelos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa dele nega as acusações e diz que o banqueiro não tentou obstruir as investigações.

     

     

  • Servidores do BC que atuavam para Vorcaro ganham mais de R$ 40 mil

    Servidores do BC que atuavam para Vorcaro ganham mais de R$ 40 mil

    Marcello Casal Jr./Agência Brasil
    Imagem colorida da fachada do Banco Central (Bacen) - Metrópoles

    Os servidores do Banco Central que atuavam dentro da instituição em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, segundo a Polícia Federal (PF), têm salários superiores a R$ 40 mil no BC. Ambos foram alvo da operação da PF que prendeu Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel nessa quarta-feira (4/3).

    Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam no Departamento de Supervisão Bancária do BC, são acusados pela PF de atuar como consultores privados para os interesses do Master e de Vorcaro. A investigação aponta que eles mantinham um grupo de mensagens com o banqueiro a fim de facilitar a discussão de estratégias. Eles foram afastados de suas funções.

    Ainda segundo a PF, essa relação extrapolava a esfera administrativa, configurando indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

    De acordo com dados do Portal da Transparência do Governo Federal, Belline Santana tem um salário bruto de R$ 44 mil no Banco Central. Já Paulo Sérgio ganha R$ 41,5 mil mensais. De acordo com o relatório da PF, eles atuavam, respectivamente, como chefe e chefe-adjunto do referido departamento.

    Após pedido da PF, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instalação de tornozeleira eletrônica nos servidores, que estão impedidos de deixar a cidade onde residem e tiveram o passaporte retido. Eles também estão proibidos de entrar nas dependências do BC.

    O Metrópoles busca contato com as defesas. O espaço segue aberto para manifestação.

    Como atuavam os servidores do BC

    A Polícia Federal afirma que Paulo Sérgio fornecia orientações sobre como o Banco Master deveria se comportar em processos administrativos e reuniões com a diretoria do Banco Central, sugerindo argumentos e abordagens que pudessem ser feitas por Vorcaro.

    O servidor ainda analisava e sugeria alterações em minutas de ofícios e relatórios que o Master deveria enviar ao próprio departamento onde ele trabalhava. A investigação ainda diz que Paulo Sérgio atuava para influenciar análises internas e  alertar Vorcaro sobre movimentações financeiras identificadas pelos sistemas de monitoramento do Banco Central.

    A PF aponta indícios de que o servidor recebia pagamentos pela “consultoria”, por meio de “mecanismos indiretos e estruturas financeiras destinadas a ocultar a natureza ilícita dos pagamentos”.

    Em um dos episódios citados como “forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio”, o banqueiro teria contratado serviços de guia para uma viagem de Paulo Sérgio aos parques da Disney e Universal, nos Estados Unidos.

    Já Belline Santana, como chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, desempenhava papel semelhante ao de Paulo Sérgio, atuando de modo informal em favor do Banco Master, de acordo com a PF. O servidor ainda teria participado de reuniões privadas com Vorcaro, fora das dependências do BC.

    A investigação aponta que Belline recebia pagamentos por meio de um contrato simulado com a empresa Varajo Consultoria Empresarial. Mensagens interceptadas mostram Belline “cobrando” pagamentos, que eram operacionalizados por terceiros para ocultar a origem ilícita.

  • Empresa reloca imóvel de abrigo à Prefeitura de SP pelo dobro do preço

    Empresa reloca imóvel de abrigo à Prefeitura de SP pelo dobro do preço

    Google Street View
    Centro de acolhida

    Uma empresa conseguiu fazer um negócio com margem de lucro bastante incomum relativo a um equipamento da gestão Ricardo Nunes (MDB): alugou um imóvel para um centro de acolhida para moradores de rua no Ipiranga, na zona sul de São Paulo, a R$ 105 mil por mês. Enquanto isso, tinha um contrato para repassar apenas R$ 45 mil aos verdadeiros donos do prédio.

    O arranjo que renderua R$ 60 mil por mês à empresa atravessadora fez com que a administração municipal virasse alvo do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

    As suspeitas vão além do sobrepreço: os promotores apuram em procedimento preliminar se o imóvel foi indicado pelos próprios servidores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Smads) e se a pasta tentou induzir a entidade terceirizada que geria o equipamento a assumir integralmente a responsabilidade pela decisão.

    O equipamento em questão era o Centro de Acolhida Santa Terezinha, com capacidade para mais de 200 moradores rua, gerenciado pela ONG Associação Cultural Nossa Senhora das Graças (ACNSG). É a entidade que assina o contrato com o locador, pago por meio de repasses da prefeitura. O imóvel escolhido era um antigo motel de 2.146 m² de área construída, na rua do Manifesto.

    Os detalhes do negócio acabaram vindo a público porque os donos do imóvel conseguiram uma ordem de despejo, alegando inadimplência dos aluguéis –com isso, o contrato foi interrompido e os repasses públicos duraram poucos meses.

    O burburinho entre os usuários do serviço, porém, fez o assunto chegar ao Fórum da Assistência Social (FAS-SP), autora da representação que chamou a atenção dos promotores do Patrimônio Público e Social do MPSP.

    A empresa pivô do caso é a Vaughan Administradora Ltda, cujo representante foi Jhone Borges de Oliveira, empresário que aparece em uma foto obtida pela reportagem ao lado da secretária de Desenvolvimento Social, Eliana Oliveira(veja abaixo).

    Jhone Borges
    Jhone Borges com a secretária de Desenvolvimento Social, Eliana Gomes

    Entre os materiais enviados ao MPSP, estaria uma troca de emails em que uma funcionária da prefeitura sugere que a ONG ACNSG assuma a responsabilidade pela escolha do local. A comunicação entre a direção da entidade e uma funcionária da SMADS teria o objetivo de formular uma resposta a questionamentos do Fórum de Assistência Social a respeito da locação.

    Em um dos conteúdos, a ONG diz que, em meio a tratativas com a pasta, “foi informada da existência de imóvel situado à Rua do Manifesto, nº 940, já vinculado ao sistema da Secretaria e previamente avaliado tecnicamente”. Uma funcionária da Smads, porém, sugere em outro email que a ONG se posicione, declarando que não teria havido indicação ou imposição do imóvel por parte da Smads –o que não é acatado.

    Na apuração preliminar, o MPSP cobrou de funcionários da Smads e da ONG Associação Cultural Nossa Senhora das Graças, em ofício, explicações sobre os indícios de irregularidades. Após ouvir os envolvidos, o MPSP decidirá se abre um inquérito civil ou se arquiva o caso.

    No mês passado, a Smads criou uma comissão para apurar “indícios de sobrepreço em relação ao valor de mercado ou ao contrato de origem” e a eventual responsabilidade de agentes públicos e da ONG no caso.

    O que dizem os envolvidos

    Jhone Borges de Oliveira, que representou a Vaughan na locação, afirmou ao Metrópoles que o prédio foi locado há dois anos, “sem qualquer estrutura hidráulica ou elétrica, e estava em condições deploráveis, alvo de assaltos e invasões”. “Após uma reforma que durou cerca de dois anos, o prédio foi restaurado e se tornou possível a comercialização ou locação”, alegou ele, que estimou os gastos em cerca de R$ 700 mil.

    Oliveira disse que o imóvel já estava na fila da prefeitura. Após o contrato de locação ser formalizado com a ONG, ele afirma que a proprietária do imóvel “cancelou o acordo que tínhamos com a imobiliária e solicitou a reintegração de posse, que ainda não foi realizada”. “Em relação aos pagamentos, tentamos negociar, mas a proprietária se recusa a receber”, disse.

    A presidente da Associciação Nossa Senhora das Graças, Adriana Silva Santos, afirmou em nota que “os fatos narrados estão sendo objeto de esclarecimento perante os órgãos competentes, de consulta pública”.

    A Smads afirmou, em nota, que não a locatária do imóvel e, “mesmo assim”, determinou abertura de “uma averiguação preliminar para apurar todos os fatos detalhadamente logo que tomou conhecimento de possíveis irregularidades entre entes particulares (proprietário e imobiliária)”. A Controladoria Geral do Município também apura o caso.

    “Em relação à locação, SMADS explica que o valor de referência para o repasse foi definido seguindo critérios técnicos e, após a emissão de novo laudo de avaliação imobiliária, atualizado para R$ 94.900,00 mensais, o que está em análise para a devida oficialização”, diz a gestão.

    Sobre a foto com o representante da empresa que alugou o imóvel com a secretária Eliana, a nota diz que “o encontro não teve qualquer relação com tratativas imobiliárias, sendo uma audiência institucional com o Grupo de Trabalho Cristão da Cidade Tiradentes”.

  • Conflito no Oriente Médio atinge pelo menos 12 países

    Conflito no Oriente Médio atinge pelo menos 12 países

    Photo by Kaveh Kazemi/Getty Images
    U.S. And Israel Wage War Against Iran

    O conflito no Oriente Médio já atingiu quase todos os países da região. Após o ataque coordenado pelos Estados Unidos e Israel ao Irã, o país persa respondeu com ofensivas a bases norte-americanas em países aliados de Israel, como Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Jordânia, Iraque, Omã e Arábia Saudita. 

    Governos de varíos países estão aconselhando seus cidadãos a deixarem a região em qualquer voo comercial disponível, já que o espaço aéreo do Golfo está praticamente fechado.

    Em apoio ao Irã, o grupo terrorista Hezbollah, no Líbano, também direcionou ataques a Israel, que respondeu com ofensiva terrestre. Nesta quarta-feira (5/3), um míssil balístico foi disparado do Irã em direção ao espaço aéreo da Turquia. O artefato, porém, foi interceptado e destruído pelos sistemas de defesa aérea e antimíssil da Organização do Tratado Norte (Otan), no leste do Mar Mediterrâneo.

    O último balanço do Crescente Vermelho, braço da Cruz Vermelha que atua no Oriente Médio, aponta 787 mortos no Irã. Já a ONG Hran diz que as fatalidades passam de 1 mil. 

    Em Israel, foram relatadas nove mortes devido ao impacto de míssil balístico iraniano, perto de Jerusalém, relatou o Times of Israel. Já os Estados Unidos confirmaram a morte de seis soldados.

    De acordo com a CNN Internacional, nesta quarta, aviões bombardeiros iranianos estiveram a poucos minutos de atingir a maior base militar dos Estados Unidos  no Oriente Médio. Mas, eles foram  abatidos por aviões do Catar. O país anunciou na quarta que está evacuando os moradores que vivem nas proximidades da Embaixada dos EUA como medida de precaução temporária.

    O chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, negou que o país esteja atacando seus vizinhos, mas sim as bases americanas nesses territórios.

    “Tínhamos avisado os Estados Unidos, por meio da embaixada suíça, que se atacassem desta vez, atingiríamos suas bases”, disse.

     

     

     

     

  • Doria fez alerta a Vorcaro pelo WhatsApp e pediu encontro reservado

    Doria fez alerta a Vorcaro pelo WhatsApp e pediu encontro reservado

    Reprodução / Governo de São Paulo
    João Dória

    Durante as investigações sobre as fraudes financeiras promovidas pelo Banco Master, a Polícia Federal (PF) destacou uma conversa entre o ex-governador de São Paulo, João Doria, e o banqueiro Daniel Vorcaro.

    Nas mensagens, Doria faz um alerta a Vorcaro ao dizer que “tem escutado coisas que vão precisar de reação”. O ex-governador também manifestou “preocupação” com relação a Vorcaro, que na ocasião disse não saber o que poderia prejudicá-lo.

    “Amigo Daniel, Boa tarde. Estou preocupado com você. Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com o silêncio. Vamos agendar um café?”, escreveu Doria a Vorcaro.

    “Café”

    Em seguida, o banqueiro demonstrou desconhecer os motivos citados por Doria que poderiam preocupá-lo: “Com relação a que?”.

    “A você. Ao Maurício. Ao banco”, respondeu Doria, referindo-se a Maurício Quadro, ex-sócio do Banco Master. Na sequência, o ex-governador voltou a se referir ao encontro: “Reservadamente”. Vorcaro questionou: “Não entendi bem. Quer me ligar?”.

    “Ligo já”, respondeu o ex-governador. A ligação não foi atendida pelo banqueiro, que ligou para Doria em seguida. No documento, não consta a data do diálogo.

    João Doria é fundador e copresidente do Grupo Lide, organizador de eventos e fóruns realizados no Brasil e nos Estados Unidos, patrocinados pelo Banco Master. Os encontros costumam contar com a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, integrantes do governo, senadores e deputados.

  • EUA freta 1º voo para retirar americanos de países do Oriente Médio

    EUA freta 1º voo para retirar americanos de países do Oriente Médio

    Divulgação/ Departamento de Estado
    Foto colorida de atendimento consular dos EUA - Metrópoles

    O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou, nessa quarta-feira (4/3), que um voo fretado para a evacuação de cidadãos norte-americanos partiu do Oriente Médio rumo aos EUA. A operação faz parte de uma iniciativa do governo para auxiliar o retorno de americanos que estão na região, que enfrenta uma escalada militar desde o último sábado (28/2).

    O governo dos EUA afirmou que novos voos fretados devem ser disponibilizados para atender cidadãos que desejam retornar ao país. De acordo com a pasta, americanos que estiverem nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita e Israel podem solicitar apoio para embarcar em voos fretados ou utilizar opções de transporte terrestre organizadas pelo governo.

    Estimativas citadas por autoridades e pela imprensa internacional indicam que centenas de milhares de cidadãos dos Estados Unidos vivem no Oriente Médio. A maior concentração está em Israel, onde residem americanos, muitos com dupla cidadania.

    Os interessados precisam preencher um formulário de atendimento de crise, disponibilizado pelo Departamento de Estado, ou entrar em contato com a força-tarefa do órgão para assistência consular.

    Por motivos de segurança operacional, o governo informou que não divulgará detalhes adicionais sobre as operações de transporte em andamento, como rotas, locais de embarque ou número de passageiros.

    Guerra no Irã

    No sábado (28/2), Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irã. O ataque resultou na morte de Ali Khamenei, líder supremo do país.

    Em resposta, o Irã atacou bases militares dos EUA em diversos países do Oriente Médio, além de realizar ofensivas contra Israel. O confronto já impacta diretamente ao menos 11 países e não há previsão de trégua.

    Os efeitos do conflito também já atingem a economia global. No sábado, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz – canal por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo – e ameaçou incendiar qualquer navio que tente atravessá-lo.

    A medida pressionou o mercado internacional de petróleo, e o preço do barril chegou a acumular alta de 10% após o início do conflito.