Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Sucessão de falhas: veja o que deixou servidora em estado vegetativo

    Sucessão de falhas: veja o que deixou servidora em estado vegetativo

    Camila Nogueira

    Um documento apresentado pela defesa da família da servidora pública do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Camila Nogueira (foto em destaque), de 38 anos, aponta uma série de supostas falhas médicas que, segundo os advogados, teriam ocorrido durante um procedimento cirúrgico e resultado no estado vegetativo da paciente.

    Com base nessa versão, a defesa pede o afastamento imediato e a cassação do registro profissional das três médicas que integraram a equipe responsável pela cirurgia.

    A peça, montada com base nos relatos da família e em documentos aos quais a defesa afirma ter tido acesso, foi enviada ao Cremepe e reúne supostas irregularidades registradas no centro cirúrgico no dia 27 de agosto de 2025.

    Naquele dia, a servidora foi ao hospital para fazer uma cirurgia de retirada da vesícula e correção de hérnia, procedimento considerado de “baixo risco”. Apesar disso, Camila entrou em sofrimento respiratório e foi acometida por sequelas permanentes.

    Para a família, a anestesista Mariana Parahyba e as cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti desconsideraram sinais significativos de que a paciente não estava bem.

    Na representação encaminhada ao Cremepe, os advogados sustentam que a paciente apresentava episódios de apneia, caracterizados por interrupções repetidas da respiração.

    Apesar disso, segundo o documento, os alarmes dos equipamentos teriam sido desconsiderados tanto pela cirurgiã quanto pela anestesista por mais de um minuto e 42 segundos.

    O relato aponta ainda que Camila permaneceu em quadro de sofrimento respiratório por aproximadamente 15 minutos. Às 11h16, ela teria evoluído para uma parada cardiorrespiratória, que, conforme a representação, só foi clinicamente identificada pela equipe por volta das 11h18 — quase dois minutos após o registro eletrônico do evento.

    Ainda segundo a representação, Camila foi reanimada apenas às 11h33, já com sequelas neurológicas permanentes. O documento afirma que a sucessão de falhas resultou no desenvolvimento de uma lesão cerebral causada pela falta prolongada de oxigenação.

    Desde então, Camila segue internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela está em estado vegetativo, precisando de ajuda para realizar até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.

    O hospital também foi procurado, mas não havia se pronunciado até a mais recente atualização desta matéria.

    A coluna tenta localizar as defesas das profissionais citadas. O espaço permanece aberto para manifestações.

    Procurado, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) informou que “todas as denúncias recebidas e sindicâncias instauradas pela autarquia correm em sigilo processual para não comprometer a investigação e que os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético – Profissional (CPEP), estabelecido pela Resolução CFM nº 2.306/2022.”

    “Família despedaçada”

    O pai de Camila, Roberto Wanderley Nogueira, desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, diz estar despedaçado com tudo o que aconteceu com a filha.

    “Episódios como esse, que vitimou a minha filha, não podem se repetir. Um paciente em estado de apneia não pode sofrer intervenção cirúrgica eletiva. Foi o que minha filha sofreu, e tudo isso está documentalmente provado. A família não quer segredo, porque não deseja que fatos semelhantes se repitam com terceiros”, disse à coluna.

    “Saiu de uma pessoa altamente desenrolada para alguém que hoje ‘patina’ entre o estado neurovegetativo e o estado minimamente consciente”, relatou Paulo Nogueira, marido de Camila, com quem ela tem dois filhos, de seis e dois anos.

  • Pesquisa: 6% de quem recebe benefício social no DF fazem aposta on-line

    Pesquisa: 6% de quem recebe benefício social no DF fazem aposta on-line

    Divulgação / IPEDF
    aposta-beneficios-sociais

    No Distrito Federal (DF), 5,8% dos apostadores de bets, “tigrinho”, loterias e semelhantes dependem de benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Cartão Parto Cheio, para viver. Este é um dos achados do estudo “Apostadores no Distrito Federal Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Família (Sefami-DF).

    O estudo entrevistou 1.827 homens e mulheres, entre 8 a 25 de setembro de 2025. Segundo a pesquisa, o número de pessoas que fizeram algum tipo de aposta nos últimos 12 meses é de mais de um terço (35%), valor superior ao verificado no Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool e Outras Drogas (Lenad) de 2024 para o Centro-Oeste (18,7%).

    Entre os entrevistados que apostam, foi expressivo o percentual de pessoas que recebem benefícios sociais, com maior concentração entre usuários de cassinos on-line, o famoso “Tigrinho”. Esses elementos indicam que grupos com menor renda, menor segurança financeira e escolaridade incompleta estão mais expostos a modalidades de jogo de acesso rápido e prático, o que amplia o potencial agravamento de vulnerabilidades preexistentes.

    Segundo Marcela Machado, diretora de estudos e políticas sociais do IPEDF, 5,8% dos apostadores declaram receber algum benefício social. “Parece um número baixo, mas não é. A gente não analisa só o percentual cru. Olhando para essa informação junto às demais, a exemplo de renda, em que a maior parte dos apostadores está na renda média-baixa e baixa, chama a atenção”, explicou.

    De acordo com Marcela, parte deste grupo provavelmente usa o benefício, direta ou indiretamente, para apostar.

    “Em vez de investir na compra de alimentos para a família, saúde, um percentual dessa renda está sendo destinada para apostas. Não são 0,1%. São 5,8%. Esse percentual chama a atenção. E as pessoas não tiveram pudor em falar. Disseram: eu recebo benefício social e estou apostando”, alertou.

    A maior incidência está no Bolsa Família. Do total, 64,9% dos entrevistados são beneficiários do programa social. Em seguida, aparece o Cartão Prato Cheio, somando 21,6%. Aposentadoria ou auxílio-doença e o BPC/LOAS surgem com 8,1% cada. Auxílio gás registra 5,4%, enquanto DF Social e pensão por morte aparecem como benefícios residuais, ambos com 2,7%.

    De acordo com o estudo, a prática da aposta é mais frequente entre homens, jovens adultos e pessoas com renda entre um e três salários mínimo. O perfil socioeconômico dos apostadores revela a presença de vulnerabilidades sociais: a maior parte pertence a camadas de renda média-baixa, com concentração nas faixas de até um salário mínimo e entre pessoas com ensino médio completo ou ensino superior incompleto.

    Os apostadores estão principalmente entre os empregados do setor privado (38,3%) e os autônomos (22,5%), embora essa distribuição acompanhe o que é observado para o DF como um todo. Entre categorias menores, a presença é de 0,3% são aprendizes; 0,5% militares e de 1,1%, pessoas do lar. Desempregados somam 3,9%, enquanto empresários representam 4,8%.

    No setor público, a participação chega a 8,4%, e no grupo “outros” a 8,6%. Aposentados formam 11,6% dos apostadores.

    A aposta pela aposta

    A motivação mais relatada pelos apostadores entrevista foi ganho financeiro (85,5%). Seguida por prazer ou diversão (11,1%) e socializar com familiares e amigos (7,3%).

    “Quando você vê 85,5% de pessoas dizendo que jogam modalidades legais ou até ilegais, não regulamentadas, e apenas 11,1% por prazer ou diversão, percebe um comportamento preocupante. São homens de baixa renda. A pessoa não têm renda para cobrir os gastos cotidiano, mas gasta com apostas, na esperança que terá ganhos mais fáceis. Ele está gastando, com a esperança de um ganho que não tem com o trabalho, com jogo”, pontuou.

    O estudo também indica um forte indicativo de vício. “A pessoa nunca ganhou e continua investindo dinheiro na esperança de ganhar. Ficam retroalimentando esse ciclo”, completou. A pesquisa também revelou que uma parte ínfima dos apostadores utilizou o dinheiro ganho com as apostas para gastos essenciais, como pagamento de contas ou dívidas.

    Escolaridade

    É possível observar que os apostadores se concentram no ensino médio completo e no superior incompleto, enquanto os não apostadores têm maior presença no superior completo.

    Migração digital

    De acordo com IPEDF, as loterias seguem como a modalidade mais popular, com uso mais ocasional e mais presente entre o público mais velho. Já as modalidades digitais, como cassinos on-line (jogo do tigrinho) e apostas esportivas (bets), concentram usuários mais jovens, apresentam maior frequência de uso diário, maior comprometimento financeiro e maior volume de gastos.

    A aposta, que antes era uma prática esporádica e mais restrita, tornou-se um entretenimento cotidiano, amplamente impulsionado por plataformas digitais, campanhas publicitárias e pela alta disponibilidade dos aplicativos. Em síntese, quanto mais digital e disponível é a modalidade, maior é a possibilidade de intensificação do uso e o risco de perda de controle sobre os gastos.

    População dividida

    Em relação à regulamentação de cassinos virtuais e apostas esportivas, as opiniões se dividem entre favoráveis e contrárias, o que evidencia a ausência de consenso quanto à legitimação e à aceitação social dessas modalidades. Praticamente metade dos entrevistados está a favor enquanto a outra metade é contrária. O quadro que se apresenta combina alta disseminação da prática, crescente normalização social das apostas digitais e conhecimento, por parte da população, sobre os riscos e danos oferecidos pelos jogos de azar.

    “Tem uma divisão muito clara. Isso mostra que a sociedade não está entendo o tema. Ela sabe que é delicado, prejudicial para o equilíbrio financeiro das pessoas, principalmente de baixa renda, o Congresso está discutindo, mas quando a gente pergunta para a população, a gente vê que as pessoas estão bem divididas. As pessoas entendem que é um problema, um risco para saúde financeira, mental, comportamental e social, mas ainda não têm uma opinião formada sobre o que a regulamentação traria para esse cenário”, comentou a especialista.

    Para Marcela, uma regulamentação responsável traria uma política de prevenção, informações mais claras para o consumidor, proteção para os grupos vulneráveis e pessoas que recebem benefícios sociais.

  • Tigrinho, bets e loterias: maioria dos apostadores têm sinais de vício

    Tigrinho, bets e loterias: maioria dos apostadores têm sinais de vício

    Rodrigo Freitas/Metrópoles
    Mulher com celular - Metrópoles

    Seja pela loteria, bets ou games do tipo “tigrinho”, a maior parte dos apostadores apresenta sinais de vício em jogos de azar. É o que revela o estudo “Apostadores no Distrito Federal Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Família (Sefami-DF).

    Grande parte dos apostadores reconhecem ter tentado recuperar dinheiro perdido com apostas fazendo novos jogos. Outros confessaram ter ficado mais tempo do que pretendiam nas apostas e até mesmo tentado parar. Do ponto de vista da população, os principais problemas causados pelos jogos de azar são o endividamento, brigas de família, ansiedade, culpa e o arrependimento.

    O estudo entrevistou 1.827 homens e mulheres, entre 8 a 25 de setembro de 2025. Segundo a pesquisa, o número de pessoas que fizeram algum tipo de aposta nos últimos 12 meses é de mais de um terço (35%), valor superior ao verificado no Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool e Outras Drogas (Lenad) de 2024 para o Centro-Oeste (18,7%).

    Foram mapeadas as apostas problemáticas, quando o hábito traz prejuízos e riscos para a vida do indivíduo e indicam vício. Neste recorte da pesquisa, as perguntas foram feitas para os apostadores. Entre os entrevistados, 30,9% afirmaram já ter tentado recuperar o dinheiro perdido com apostas, enquanto 28,1% reconheceram ter gasto mais tempo do que pretendiam apostando. Além disso, 26% relataram já ter tentado parar ou reduzir a frequência das apostas.

    Outros efeitos negativos com indicativo de vício também foram identificados, ainda que em menor proporção: cerca de 13,1% afirmaram ter gasto mais dinheiro do que podiam; 9,3% disseram que a condição de saúde foi afetada pelo hábito de apostar; e 8,8% admitiram esconder o comportamento de alguém próximo. Por fim, 6,1% dos respondentes declararam que as apostas já causaram problemas financeiros para si ou para a família.

    A maioria dos entrevistados discordou da ideia de que apostar seja uma forma de tentar melhorar a situação financeira: 58,6% declararam discordar totalmente dessa afirmação, enquanto 10,3% discordaram parcialmente. Por outro lado, 14,5% concordaram parcialmente e 13,5% concordaram totalmente. Apenas 3% afirmaram não ter opinião formada sobre o tema.

    A maior parte dos entrevistados reconhece que a aposta pode trazer consequências negativas para a vida do indivíduo: 93,8% responderam afirmativamente à questão, enquanto 3,6% afirmaram que não, e 2,6% avaliaram que os impactos dependem do tipo de jogo.

    Para a diretora de estudos e políticas sociais do IPEDF, Marcela Machado, o alerta é gritante.

    “Essa é um parte da pesquisa que identifica sinais de vício ouvindo a própria pessoa que aposta. São os achados que consideramos mais preocupantes. Porque a pessoa joga, sabe que é pernicioso, que já apresentou problemas para ela, mas continua jogando. Se ela está jogando e sabe que é problemático, isso pode ser indicativo de um sinal de vício ou de comportamento de risco”, afirmou.

    Impactos

    Com relação aos impactos negativos para a vida do indivíduo, segundo a perspectiva da população – ou seja, contando com relatos de apostadores e não apostadores –  o problema mais mencionado foi o endividamento ou a perda de dinheiro, com 51,6% das respostas. Em seguida, aparecem os problemas familiares ou conjugais (37,2%) e sentimentos de ansiedade, culpa ou arrependimento (34,7%).

    Outros efeitos apontados foram a perda de controle sobre o próprio comportamento (32,2%) e o isolamento ou afastamento social (28,2%). No Raio-X do Investidor Brasileiro (ANBIMA), 47% dos apostadores no Brasil estão com dívidas em atraso.

    Por que aposta?

    Sobre as motivações para jogar, o ganho financeiro aparece como principal razão declarada para apostar (85,5%), embora a maioria tenha relatado nunca ter obtido ganhos significativos. Entre os que ganham, predomina o uso do dinheiro para realizar novas apostas, evidenciando um ciclo contínuo de adesão aos jogos e de realimentação das expectativas de ganho. Em proporção menor, 11,1% afirmaram apostar por prazer ou diversão e 7,3% para socializar com familiares ou amigos.

    Paralelamente, parcela importante dos apostadores relata comportamentos associados ao risco, como tentativa de recuperar perdas, uso frequente das plataformas e comprometimento de recursos que deveriam ser destinados a despesas essenciais, além de impactos na saúde. Esses padrões reforçam a conexão entre práticas de jogo, endividamento e agravamento da vulnerabilidade financeira.

    Em relação à forma como conheceram as modalidades de aposta, 41,1% relataram ter sido influenciados por propagandas em rádio ou televisão. Outros 24,7% conheceram por meio de propagandas na internet ou redes sociais.

    Além disso, 23,8% conheceram por amigos ou colegas de trabalho que jogam. A influência de familiares foi citada por 14,1% dos respondentes, enquanto 6,9% apontaram os influenciadores digitais como meio. A figura 13 apresenta as maneiras como os apostadores conheceram as modalidades em que jogam por categoria de jogo.

    Para onde vai o dinheiro?

    Quanto ao destino do dinheiro obtido em apostas, 47% afirmaram nunca ter ganhado. Entre os que já obtiveram ganhos, 27% disseram usar o valor para realizar novas apostas e 16,3% para pagar contas de casa ou aluguel.

    Outros 11,3% utilizam para quitar dívidas em atraso. Do total, 9,7% declararam utilizar o dinheiro para lazer; 4,2% para compra de produtos alimentícios, de higiene ou limpeza; e 2% para bebidas alcoólicas. Percentuais menores foram observados entre os que guardam ou investem o dinheiro (1,6%), compram remédios (1,1%) ou outras drogas (0,3%).

    Prática ambígua

    A população enxerga as apostas como uma prática ambígua: ao mesmo tempo em que há divisão quanto à regulamentação, há consciência dos riscos associados, especialmente os financeiros. A compreensão majoritária de que as apostas agravam desigualdades e podem provocar endividamento, conflitos familiares e perda de controle indica que, para a maioria do DF, o impacto negativo supera possíveis benefícios.

    A maioria dos entrevistados considera que as apostas agravam as desigualdades sociais. Entre os respondentes, 76,9% afirmaram acreditar que os jogos de aposta intensificam essas desigualdades, 18,7% não compartilham dessa percepção e 4,4% avaliaram que o impacto depende do tipo de jogo.

    Segundo o IPEDF, ao articular essas evidências sobre o perfil socioeconômico dos apostadores, o alcance das modalidades digitais e as transformações geracionais no padrão de consumo, constata-se que o fenômeno das apostas no DF ultrapassa a esfera do lazer e se relaciona diretamente à reprodução de desigualdades sociais.

  • Master: BC não identificou Pix, TED nem boletos da Tirreno referentes a operações de crédito

    Master: BC não identificou Pix, TED nem boletos da Tirreno referentes a operações de crédito

    Michael Melo/Metrópoles
    Banco Master

    O Banco Central não identificou movimentação financeira da Tirreno referente às operações de crédito, como empréstimos, que a empresa diz ter realizado. A Tirreno é apontada pela Polícia Federal como empresa de fechada suspeita de ser a origem das carteiras de crédito que seriam falsas e foram vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), no valor total de R$ 12 bilhões.

    Segundo documento da PF obtido pelo Metrópoles, que originou a Operação Compliance Zero, em apenas quatro dias de janeiro de 2025, foram identificadas supostas 182 mil operações de crédito com 151 mil pessoas ou empresas.

    Segundo a investigação, porém, “o Banco Central não foi capaz de identificar como a Tirreno pagou pelas carteiras vendidas ao Master, pois a Tirreno não possui movimentação financeira identificada pelo BC”.

    O BC informou à PF que “não foram identificadas quaisquer movimentações financeiras da Tirreno” em consulta a sistemas de pagamento como TED, Pix, boletos ou câmbio.

    A PF diz, em trecho do inquérito, que “salta aos olhos, portanto, a clara intenção do Banco Master em se apossar dos recursos do BRB sem qualquer preocupação com a qualidade dos créditos que estavam sendo por ele cedidos e, também, a indispensabilidade da figura da Tirreno no esquema criminoso”.

    A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. O dono do Master, Daniel Vorcaro, e outros executivos do banco foram presos. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado da função e, posteriormente, demitido.

    Em dezembro, Vorcaro e Costa deram depoimento à PF e participaram de acareação. O ex-gestor declarou que não sabia que as carteiras repassadas pelo Master eram de terceiros (Tirreno). Vorcaro afirmou ter anunciado “que faria venda de originadores terceiros”.

    Em ofício enviado ao Ministério Público Federal (MPF), em agosto de 2025, o Banco Central diz que, em relação às operações de crédito consignado originadas pelo próprio Banco Master, e não por terceiros, “historicamente não foram identificados indícios de irregularidades”.

    A afirmação reforça a suspeita de que as fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) ocorreram a partir de 2025, quando surge a empresa Tirreno.

    O ofício número 20035/2025 foi enviado ao MPF pelo BC em agosto de 2025, no âmbito da investigação sobre os negócios do Master com o BRB.

  • Juiz quer saber do Ministério da Justiça quando sai a extradição de espião russo

    Juiz quer saber do Ministério da Justiça quando sai a extradição de espião russo

    Reprodução
    ESPIÃO RUSSO (2)

    Em meio à possível decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a extradição do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, a Justiça Federal acionou o Ministério da Justiça para obter informações sobre quando o estrangeiro será enviado ao país de origem.

    A iniciativa ocorre após a autorização da própria Justiça, respaldada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para a extradição do russo. Com o esgotamento da atuação do Judiciário no caso, o magistrado encaminhou despacho ao Ministério da Justiça para saber em que estágio se encontram os trâmites administrativos da medida.


    O que está acontecendo


    O documento foi endereçado à pasta por se tratar de um procedimento que, neste momento, depende exclusivamente do Poder Executivo, já que a decisão final cabe ao presidente da República.

    Atualmente, a responsabilidade pelos trâmites da extradição de Serguey ao Kremlin, antes de o caso chegar efetivamente à mesa de Lula, é da Coordenação-Geral de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas, vinculada ao Ministério da Justiça.

    Preso no Brasil desde 2022, Sergey Cherkasov já possui aval para deixar o país após a conclusão do inquérito que apurava suspeitas de espionagem. O processo foi arquivado por falta de provas de atuação do russo nesse tipo de atividade em território nacional.

    Apesar de ter sido preso utilizando identidade falsa, sob o nome de Victor Muller Ferreira, as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) não conseguiram comprovar a prática de espionagem.

  • "Fico" de Tarcísio intensifica disputa entre PSD e PL por vice em SP

    "Fico" de Tarcísio intensifica disputa entre PSD e PL por vice em SP

    Reprodução
    Tarcísio Felício Ramuth

    Com a provável permanência de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo para tentar a reeleição, reafirmada nessa quinta-feira (29/1), após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão, em Brasília, as movimentações pela vice na chapa do governador voltaram a se intensificar.

    De acordo com aliados do chefe do Palácio dos Bandeirantes, a tendência é que o PSD mantenha a vaga, firmada na coligação eleitoral feita em 2022, embora o PL pressione pelo posto por ser o partido oficial do bolsonarismo e por ter a maior bancada na Assembleia Legislativa paulista (Alesp).

    Fontes ligadas ao governador e também membros do PSD afirmam que Tarcísio prefere manter seu atual vice, Felício Ramuth, na vaga. No entanto, o presidente nacional da legenda e secretário de Governo, Gilberto Kassab, não esconde que deseja o posto, visando alcançar o governo paulista em 2030, quando Tarcísio poderá disputar a Presidência da República.

    Na cadeira, Kassab enxerga que teria chances de se eleger governador. Ele já foi prefeito da capital entre 2006 e 2011 e sonha em comandar o estado um dia. Na avaliação de aliados, a escolha de Felício daria menos “dor de cabeça” para Tarcísio. Já com Kassab, ele teria que comprar briga com outros partidos da base aliada, como PL, PP e MDB.

    Ao longo do mandato, no qual Kassab ocupou o cargo de secretário de Governo, a atuação do cacique, marcada por uma postura agressiva nos bastidores para atrair prefeitos paulistas ao PSD — a maioria egressa do PSDB —, incomodou outras legendas da base de Tarcísio, além do próprio governador.

    Em entrevistas nos últimos dias, após surpreender o mundo político ao filiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD — o que fez o partido concentrar três pré-candidatos ao Planalto —, Kassab tem reafirmado que a legenda vai seguir no projeto de Tarcísio em São Paulo.

    Ele diz também que o partido só não terá candidato próprio à Presidência caso Tarcísio seja o postulante, o que é descartado pelo próprio governador, como nessa quinta-feira em Brasília.

    Diante disso, interlocutores de Tarcísio afirmam que o governador pode se ver em saia justa durante a campanha, já que será obrigado a subir no palanque de Flávio Bolsonaro (PL) e não no do candidato do PSD, mesmo com o partido compondo sua chapa — além de Caiado, a legenda de Kassab tem como pré-candidatos ao Planalto os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

    Já pelo lado do PL, o principal interessado em ser o vice de Tarcísio é o atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, aliado de primeira hora do governador e presente na maioria das agendas de Tarcísio ao longo do mandato. A favor de Prado, conta o fato de ele ser próximo do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o que dá peso ao seu nome.

    Membros do PL, no entanto, ponderam que o presidente da Alesp não teria muita proximidade com a família Bolsonaro, o que dificultaria a indicação para a vice. Além disso, o partido deve ter um candidato ao Senado em São Paulo, o que já preencheria o espaço da legenda na montagem da chapa.

    Apesar disso, deputados estaduais do PL argumentam que o partido é quem garantiu a governabilidade de Tarcísio, com 19 cadeiras na Alesp, o que daria o “direito” da legenda de pleitear a indicação do vice.

    “O PL é o maior partido do Brasil e tem a maior bancada na Alesp. Sem o PL, o Tarcísio não governa. O partido já iria indicar (o vice) na primeira eleição de Tarcísio. Foi uma outra composição e assumimos a Alesp. Agora, acho difícil não ser o André”, disse reservadamente um deputado do PL.

  • Sem uniforme, escola cívico-militar cria regra de vestuário e pais reagem

    Sem uniforme, escola cívico-militar cria regra de vestuário e pais reagem

    Jessica Bernardo / Metrópoles
    imagem colorida mostra placa com nome da escola estadual professor gastão ramos. ao redor da placa é possível observar uma construção e vegetação verde

    O atraso na entrega de uniformes nas escolas cívico-militares de São Paulo tem feito colégios estabelecerem regras próprias sobre como os alunos devem se vestir.

    Em Osasco, na Grande São Paulo, as exigências viraram motivo de reclamação entre os pais, que se viram obrigados a comprar roupas novas para os filhos às vésperas da volta às aulas.

    Nessa quarta-feira (28/1), menos de uma semana antes do início do ano letivo, a Escola Estadual Professor Gastão Ramos enviou um comunicado às famílias dos estudantes informando o novo padrão de vestimenta que teria de ser cumprido pelos alunos.

    No aviso (veja abaixo), a escola diz que calças jeans não serão mais aceitas e que os estudantes terão de usar calças pretas de moletom, sarja, tactel ou helanca, além de camiseta na cor cinza. O problema é que até o ano passado a vestimenta padrão da escola previa calça jeans azul marinho ou preta.

    “Isso tinha que ter sido combinado antes. Ou no ano passado ou antes. Você acha que essa criançada toda tem dinheiro para comprar uniforme novo em cima da hora?”, critica Cláudia Xavier Araújo, empreendedora e mãe de uma aluna do colégio.

    A filha dela, Ana Cristina, disse ao Metrópoles que gastou R$ 80 para comprar a calça jeans aceita pelo colégio até então e agora precisou desembolsar mais R$ 100 para investir em outro tecido depois de receber o comunicado. Mesmo assim, não sabe se o produto vai chegar a tempo.

    “A minha calça que eu comprei agora vai chegar dia 5. As aulas começam dia 2”, diz Ana.

    O filho de Adriano Faustino de Miranda também não tem o modelo exigido pelo colégio no guarda-roupa e diz que a família terá que ir às compras. “Acho que para começar [o programa cívico-militar], realmente, tinha que estar tudo pronto.”

    Mãe de três alunos da escola, Olívia Caroline Silva de Oliveira também criticou a medida. “Um absurdo ter que comprar uniforme para uma escola do governo”, afirma ela. “Meus filhos usam calça jeans. Então, semana que vem, se forem pra escola, não vão poder entrar?”, questiona.

    Olívia questiona ainda a quantidade de uniformes que a escola pretende oferecer para as crianças. Ela diz que a unidade informou que cada aluno terá um kit com uma calça, uma bermuda, um blusão e duas camisetas. Para a mãe, o número é insuficiente, considerando que não haverá tempo hábil para lavar e secar as peças caso os estudantes se sujem.

    A reportagem solicitou explicações para a Secretaria da Educação sobre as exigências envolvendo os uniformes. Por telefone, a pasta disse que o comunicado da Escola Estadual Professor Gastão Ramos não segue as diretrizes das escolas cívico-militares.

    Segundo a secretaria, o regimento das unidades que participam do programa prevê que até a chegada dos uniformes escolares, os alunos utilizem calça jeans azul marinho ou preta, tênis e camiseta branca. A pasta alega que está em contato com a direção da unidade para nova orientação.

    Divergência entre pais e filhos

    Os pais entrevistados são favoráveis ao modelo cívico-militar e dizem acreditar que a presença de policiais vai melhorar a segurança da escola e a disciplina dos alunos, mas alguns filhos discordam do programa.

    A principal questão para os adolescentes, segundo as famílias, são as restrições envolvendo a aparência. “O que está mais pegando é as pessoas falando que vai ter que prender o cabelo, não pode usar esmalte, essas coisas. Quando a gente é adolescente, gosta de cabelo solto”, diz a aluna Ana Cristina.

    Como mostrado pelo Metrópoles, o regimento das escolas prevê que as meninas fiquem com cabelo preso e os meninos tenham cortes curtos. Piercings, bonés e alargadores estão proibidos, assim como risquinho na sombrancelha.

    Depois de um vaivém na Justiça, as aulas nas escolas cívico-militares devem começar na próxima semana, em uma vitória da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), que criou o programa para agradar a base bolsonarista do governo. A gestão alega que o modelo tem como objetivo melhorar os indicadores das escolas, mas especialistas em educação dizem que não há estudos que comprovem que a militarização impacte positivamente na qualidade do ensino.

     

  • TRF-1 manda Justiça goiana fiscalizar área cobiçada por família Caiado

    TRF-1 manda Justiça goiana fiscalizar área cobiçada por família Caiado

    Breno Esaki/Metrópoles (@BrenoEsakiFoto)
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    A 1ª Vara de Anápolis, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), determinou, nessa quinta-feira (29/1), que a Justiça de Goiás (TJGO) inspecione a comunidade Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto, na próxima segunda-feira (2/2). A ordem vem após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenar que os irmãos Caiado deixem o território.

    Os servidores do Tribunal de Justiça de Goiás deverão apurar se os moradores da Antinha de Baixo puderam retomar suas casas, conforme determinou o STF, ou se pessoas ligadas aos irmãos Breno e Murilo Caiado continuam ocupando as residências, como denuncia a população.

    Além disso, o TJGO deverá checar se houve demolição de casas e/ou alteração de vestígios territoriais na região. O órgão também precisará colher depoimentos de moradores e apurar possíveis denúncias feitas às polícias Civil e Militar.

    Para tanto, o Tribunal deverá pedir apoio da Polícia Federal (PF), “inclusive para garantia da segurança institucional do Juízo, das equipes técnicas e dos moradores”, e informar previamente sobre a inspeção a PMGO, a 1ª Vara Cível da Comarca de Santo Antônio do Descoberto, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Fundação Cultural Palmares, a Prefeitura do Município de Santo Antônio do Descoberto e os ministérios públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF), por meio da Promotoria de Justiça de Santo Antônio do Descoberto e da Procuradoria da República em Anápolis.

    A ordem do TRF-1 determina ainda multa de R$ 50 mil caso pessoas ligadas aos irmãos Breno e Murilo Caiado ou qualquer outro cidadão venha a praticar “condutas que caracterizem importunação, turbação, esbulho, intimidação, violação de domicílio, o qualquer outro ato atentatório à posse das famílias”.

    Decisão de Moraes

    Em decisão publicada na noite de terça-feira (27/1), o ministro Alexandre de Moraes determinou que o TRF-1 assegure que integrantes da família Caiado saiam da Antinha de Baixo.

    No texto, Moraes ordena que a Tribunal “assegure, de forma efetiva, a segurança de todas as pessoas da Comunidade Antinha de Baixo, assegurando o direito à posse sobre as terras que seus integrantes ocupam (as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural)”.

    O ministro fala ainda em “pessoas estranhas à comunidade”, referindo-se tanto aos irmãos Murilo Caiado e Breno Caiado quanto a funcionários do advogado e do empresário, respectivamente. Murilo e Breno são primos do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

    “Assegure, pelos meios possíveis, a ausência de presença de pessoas estranhas à Comunidade [Antinha de Baixo], caracterizada como remanescente de quilombola, que possam representar perigo aos moradores”, diz Alexandre de Moraes na referida decisão.


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    Outro lado

    O advogado Eduardo Caiado, que defende o espólio de Maria Paulina Boss (mãe de Breno e Murilo Caiado), afirmou que não houve oportunidade de se manifestar nos autos sobre as “afirmações inverídicas constantes no relatório do Incra”.

    Segundo Eduardo Caiado, o documento produzido pelo Instituto “descreve cenários inexistentes e desacompanhados de qualquer prova a demonstrar que os proprietários estariam fazendo o exercício arbitrário das próprias razões”.

    “Desde o início, os três proprietários em questão sempre atuaram dentro do que foi decidido pelo Poder Judiciário e aguardam a resolução amigável do imbróglio judicial, que se arrasta há mais de 80 (oitenta) anos sem que tenha sido garantido, até o momento, o exercício da posse da integralidade das áreas de sua titularidade”, encerra o advogado.

    Após a publicação da reportagem, a Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo de Goiás se posicionou sobre o caso, nesta quinta-feira (29/1). “Trata-se de processo que tramita exclusivamente no âmbito do Poder Judiciário, sem qualquer participação, direta ou indireta, do governador Ronaldo Caiado, que sequer é parte da ação”, declara o órgão.

    “O Governo do Estado de Goiás não integra o processo e não é mencionado nos autos”, prossegue. “A eventual existência de parentesco em quarto grau com uma das partes não implica, sob nenhuma hipótese, envolvimento do governador nos fatos”, assegura a pasta.

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    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
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    Ao ordenar que integrantes da família Caiado saiam da Antinha de Baixo, região quilombola em Santo Antônio do Descoberto (GO) de interesse do grupo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que é evidente o descumprimento de ordem da Corte por parte dos parentes.

    Moraes afirma que, embora a 1ª Vara Cível da Comarca de Santo Antônio do Descoberto (GO), do Tribunal de Justiça (TJGO), tenha informado que a decisão do STF de devolver a posse das casas aos moradores da Antinha de Baixo tenha sido cumprida, há “estrito descumprimento” da ordem. Em dezembro de 2025, o Metrópoles publicou reportagem que comprova a desobediência à medida.

    “Fica evidenciado o estrito descumprimento da ordem emitida, em especial, o direito à “segurança de todas as pessoas da comunidade Antinha de Baixo (Santo Antônio do Descoberto-GO), caracterizada como remanescente de quilombo”, escreveu Moraes.

    A decisão do ministro intima a 1ª Vara Federal Cível e Criminal (ligada à TRF-1) que “assegure, de forma efetiva, a segurança de todas as pessoas da Comunidade Antinha de Baixo, assegurando o direito à posse sobre as terras que seus integrantes ocupam (as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural)”.

    No texto, o ministro fala em “pessoas estranhas à comunidade”, referindo-se tanto aos irmãos Murilo Caiado e Breno Caiado quanto a funcionários do advogado e do empresário, respectivamente. Murilo e Breno são primos do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

    “Assegure, pelos meios possíveis, a ausência de presença de pessoas estranhas à Comunidade [Antinha de Baixo], caracterizada como remanescente de quilombola, que possam representar perigo aos moradores”, diz Alexandre de Moraes na referida decisão.

    Ainda na publicação, Moraes intima a Procuradoria-Geral da República (PGR) a solicitar informações em 15 dias sobre eventual descumprimento da ordem judicial. Caso haja desobediência, a 1ª Vara Federal Cível e Criminal poderá ser responsabilizada.

    Carros, máquinas e capangas na região

    Alexandre de Moraes embasou a publicação dessa terça-feira (27/1) em um relatório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Um mês após o Metrópoles revelar que os Caiados continuavam na Antinha de Baixo, o Incra foi à região para apurar as denúncias.

    Segundo o Incra, uma casa foi derrubada em 26 de dezembro de 2025, meses depois de o STF determinar que nenhum imóvel fosse desapropriado. Para o órgão, aquilo evidencia “uma afronta direta à autoridade da Suprema Corte”.


    Entenda a batalha judicial entre os Caiados e as famílias da Antinha de Baixo


    Outro lado

    O advogado Eduardo Caiado, que defende o espólio de Maria Paulina Boss (mãe de Breno e Murilo Caiado), afirmou que não houve oportunidade de se manifestar nos autos sobre as “afirmações inverídicas constantes no relatório do Incra”.

    Segundo Eduardo Caiado, o documento produzido pelo Instituto “descreve cenários inexistentes e desacompanhados de qualquer prova a demonstrar que os proprietários estariam fazendo o exercício arbitrário das próprias razões”.

    “Desde o início, os três proprietários em questão sempre atuaram dentro do que foi decidido pelo Poder Judiciário e aguardam a resolução amigável do imbróglio judicial, que se arrasta há mais de 80 (oitenta) anos sem que tenha sido garantido, até o momento, o exercício da posse da integralidade das áreas de sua titularidade”, encerra o advogado.

    Após a publicação da reportagem, a Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo de Goiás se posicionou sobre o caso, nesta quinta-feira (29/1). “Trata-se de processo que tramita exclusivamente no âmbito do Poder Judiciário, sem qualquer participação, direta ou indireta, do governador Ronaldo Caiado, que sequer é parte da ação”, declara o órgão.

    “O Governo do Estado de Goiás não integra o processo e não é mencionado nos autos”, prossegue. “A eventual existência de parentesco em quarto grau com uma das partes não implica, sob nenhuma hipótese, envolvimento do governador nos fatos”, assegura a pasta.