Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Irã acusa EUA de usar civis do Golfo Pérsico como "escudos humanos"

    Irã acusa EUA de usar civis do Golfo Pérsico como "escudos humanos"

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    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que militares dos Estados Unidos estão usando cidadãos do Golfo Pérsico como “escudos humanos” no conflito no Oriente Médio.

    Segundo o ministro, os militares estão saindo das bases militares e se hospedando em hotéis para evitar serem atacados pelas tropas iranianas.

    “Desde o início desta guerra, soldados americanos fugiram de bases militares nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para se esconderem em hotéis e escritórios. Eles usam cidadãos dos países do CCG como escudos humanos”, afirmou em publicação no X nessa quinta-feira (26/3).

    Ele sugeriu que os hotéis desses países não deveriam aceitar fazer reservas para militares. “Hotéis nos EUA negam reservas a oficiais que possam colocar os clientes em perigo. Os hotéis dos países do CCG deveriam fazer o mesmo.”

    O Irã tem respondido aos ataques dos Estados Unidos e Israel com ofensivas a bases militares norte-americanas em países do Golfo Pérsico.

    Pausa na ameaça

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, na quinta-feira (26/3), que estenderá a suspensão de sua ameaça de atacar a infraestrutura energética do Irã por 10 dias. Na semana passada, Trump ameaçou destruir usinas de energia iranianas caso Teerã não reabrisse o Estreito de Ormuz.

    O republicano afirmou que o diálogo com o Irã “está indo muito bem”.

    Segundo o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, EUA e Irã planejam se encontrar em breve no Paquistão.

    “Segundo minhas informações, houve contatos indiretos e preparativos foram feitos para um encontro direto. Aparentemente, isso ocorrerá muito em breve no Paquistão”, disse  à rádio Deutschlandfunk nesta sexta-feira (27/3), citado pela Reuters.

     

     

     

  • 868 famílias que viviam em áreas de risco ganham moradia em São Paulo

    868 famílias que viviam em áreas de risco ganham moradia em São Paulo

    27/03/2026 06:00, atualizado 27/03/2026 06:00

    metropoles.com

    As unidades habitacionais da Torre 4 do Residencial Major Paladino, na Vila Leopoldina, e do Residencial Mix Morumbi, na Vila Sônia, ambos na Zona Oeste, e do Residencial Boulevard da Paz, na região do M’Boi Mirim, na Zona Sul da capital, estão entre os grandes projetos habitacionais em execução pela prefeitura de São Paulo.

    No caso do Residencial Major Paladino, onde a família de Ronaldo e outras 243 construirão as histórias a partir de agora, a nova etapa aproxima o empreendimento da fase final e amplia o acesso à moradia definitiva para famílias de baixa renda atendidas pelo Pode Entrar, o maior programa habitacional da história da cidade.

    Outras três torres já foram entregues no local, somando 791 apartamentos, e mais uma segue em construção, totalizando 1.035 unidades, com investimento de mais de R$ 333 milhões, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FUNDURB), da Prefeitura, e do Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura (FMSAI).

    Os apartamentos têm entre 52 m² e 53 m², com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, oferecendo conforto e funcionalidade às famílias atendidas.

    Ronaldo morará com a esposa e os dois filhos, de 17 e 12 anos, e celebra a conquista como um legado para a família. “É muito bom poder proporcionar isso aos meus filhos, porque é uma coisa nossa. Vai ser meu por enquanto, mas, lá na frente, vai ser deles”, afirmou.

    Ao comentar sobre a estrutura no entorno do condomínio, ele também destacou a proximidade de serviços essenciais. Animado, Ronaldo comentou sobre o futuro do neto. “Vai ser muito legal! Eu falei: ‘meu filho, agora seu filho vai ficar na creche do lado de casa. Vai ser uma maravilha.”

    Outra contemplada, a diarista Ludivânia Feitosa Vieira, de 28 anos, comemorou a conquista da casa própria após passar por muitas dificuldades. “Estou muito feliz, é uma bênção de Deus. Não via a hora de pegar a chave. Morava antes na comunidade, onde às vezes alagava, e houve um incêndio no qual a gente perdeu nossa casa, perdemos tudo. Foi bem difícil.”

    As famílias beneficiadas viviam em áreas de risco, em comunidades como Moinho, Virtudes, Pau Queimado, Cristina Tomás, Diogo Pires e Nova Jaguaré, além de regiões como Humaitá, Japiassu, Ilha Verde, Lidiane, Humaitá Caixa C, Jardim Wilson e Ponte Orestes Quércia. Até a entrega das unidades, eram atendidas pela Prefeitura de São Paulo com auxílio-aluguel.

    Residencial Mix Morumbi

    No Residencial Mix Morumbi, mais 373 apartamentos foram entregues pela Prefeitura de São Paulo a pessoas de baixa renda que esperavam há anos pela casa própria. As novas unidades já começaram a receber os primeiros moradores, na maioria famílias que viviam em área de risco em Paraisópolis. Os demais atendidos integravam a demanda habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do estado.

    O condomínio composto por duas torres, com 373 apartamentos no total. Uma delas tem 188 unidades e a outra, 185. O residencial tem três elevadores e no estacionamento há 75 vagas cobertas (uso comum), duas para pessoas com deficiência, 17 para motos, 22 para bicicletas e uma para veículo utilitário.

    Um salão de festas, outro de jogos, brinquedoteca e áreas multiuso, assim como playground, academia, quadra poliesportiva e coworking integram a estrutura. O projeto também incorpora soluções sustentáveis, como reservatórios para reaproveitamento de águas pluviais e controle de escoamento.

    Residencial Boulevard da Paz

    A Prefeitura de São Paulo entregou as primeiras 251 unidades habitacionais do Residencial Boulevard da Paz. Com investimento de R$ 48,5 milhões, as moradias fazem parte da primeira etapa do empreendimento, que terá 539 apartamentos após a conclusão das obras.

    As áreas comuns incluem salão de festas, bicicletário, parquinho infantil e redário, além de churrasqueira.

    O edifício tem piso térreo e 11 andares. No quarto andar foram instaladas três salas multiuso: a primeira reúne biblioteca e sala de estudos; a segunda abriga brinquedoteca e sala de jogos; e a terceira conta com academia e sala de dança.

    As moradias foram viabilizadas pelo Programa Mananciais, crucial para a transformação de vidas em São Paulo ao atuar na urbanização e na preservação de áreas próximas às represas Guarapiranga e Billings.

    O programa oferece moradia digna a famílias que viviam em áreas de risco ou recebiam auxílio-aluguel, integrando habitação e saneamento básico.

    Pode Entrar

    Promovido pela Secretaria Municipal de Habitação, o programa foi desenvolvido para ampliar e facilitar o acesso à moradia no município, por meio de mecanismos inovadores de incentivo à produção de empreendimentos habitacionais de interesse social.

    O Pode Entrar atua tanto na requalificação e aquisição de imóveis quanto na oferta de financiamento e locação social subsidiados.

    Desde 2021, a prefeitura já entregou mais de 15,8 mil unidades habitacionais na cidade. Somente entre 2025 e 2026, cerca de 8 mil famílias foram beneficiadas com a casa própria. Outras 43,6 mil novas moradias estão atualmente em construção.

    A urbanização, também executada pela Secretaria Municipal de Habitação, tem como foco a requalificação e a regularização fundiária de áreas ocupadas de forma precária e sem infraestrutura.

    A implantação de ruas asfaltadas, saneamento básico, iluminação pública e serviços urbanos é fundamental para a inserção dessas áreas no contexto legal da cidade e para a promoção de segurança, dignidade e qualidade de vida à população.

  • Michelle e Flávio

    Michelle e Flávio

    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
    MIchelle Bolsonaro após saída do ex-presidente do hospital DF Star – Metrópoles 2

    Você acha que Michelle fará a cabeça de Bolsonaro para substituir Flávio por outro candidato a presidente? Respostas de 949 leitores:
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    Não – 56,9%

  • Entre nuvens e suor: previsão de sexta-feira abafada em São Paulo

    Entre nuvens e suor: previsão de sexta-feira abafada em São Paulo

    Cesar Sacheto/Metrópoles
    Imagem colorida mostra pôr-dol-sol entre nuvens na cidade de São Paulo - Metrópoles

    A sexta-feira (27/3) será mais um dia marcado pelo sol entre nuvens em todo o estado de São Paulo, o que mantém a sensação de calor e abafamento ao longo do dia.

    Pela manhã, há possibilidade de formação de nevoeiros na faixa leste, que inclui a capital paulista, que se dissipam com o aquecimento.

    A partir da tarde, a atuação de um sistema meteorológico favorece a ocorrência de pancadas de chuva, que podem vir acompanhadas de raios e rajadas de vento em pontos isolados, principalmente na região oeste do estado.

    Nas demais áreas, as pancadas ocorrem de forma isolada, rápida e irregular, segundo a Defesa Civil.

    Na cidade de São Paulo, as temperaturas variam entre 19°C e 31°C. Não há previsão de chuva para a capital paulista.

    Já em Limeira, no interior, o sol aparece o dia todo com algumas nuvens à tarde. a noite deve ser estrelada, com mínima de 20°C e máxima de 32°C.

    No litoral, o sol aparece com nuvens pela manhã e possibilidade de pancadas de chuva à noite. Em Peruíbe, a máxima não passa de 28°C com mínima de 22°C.

  • Motta resiste à ideia de Erika Hilton para o PL da Misoginia

    Motta resiste à ideia de Erika Hilton para o PL da Misoginia

    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
    Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fala ao Metrópoles sobre agenda da Casa e sobre as eleições de 2026

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resiste a levar o PL da Misoginia diretamente para votação no plenário, como defende a deputada Erika Hilton (PSol-RJ).

    A líderes partidários aliados, o presidente da Câmara tem dito que o tema é polêmico e que, por isso, é preciso discutir bem o projeto antes de levá-lo para votação no plenário.

    À coluna, Motta limitou-se a dizer que pretende dar “tratamento regimental” à proposta e que pretende manter o eixo da discussão em dar respostas concretas à proteção das mulheres.

    “Vou dar tratamento regimental. Vamos manter, no eixo da discussão, a construção de respostas concretas e que possam contribuir para ampliar proteção e segurança das mulheres”, afirmou à coluna.

    A ideia de Erika Hilton

    Na quinta-feira (26/3), a coluna noticiou que Erika Hilton topa abrir mão de votar o PL da Misoginia na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, presidida pela deputada.

    A parlamentar avalia que a proposta deveria passar pela comissão, mas admite abrir mão dessa análise para que o projeto tramite de forma rápida e seja votado diretamente no plenário.

    “Provavelmente nós possamos trabalhar com requerimento de urgência para que ela vá logo, direto ao plenário, porque é um tema que pede celebridade, é um tema que pede que as instituições se posicionem e dê um basta em todo esse discurso de ódio. Não vejo razões para que eu peça para que passe pela comissão da Mulher. Eu acho que o tema tem que ir logo para apreciação no plenário, ser votado, trabalhar para que o texto não seja alterado, eu sei que vai ser um desafio, mas para que logo seja sancionado e virar lei”, afirmou Erika à coluna.

    O que prevê o PL da Misoginia

    O  projeto inclui a misoginia Lei do Racismo e prevê penas de 2 a 5 anos, além de multa. Caso a proposta seja aprovada na Câmara sem modificações, a proposta seguirá para sanção do presidente Lula.

     

  • Excelentíssimo ministro André Mendonça: você perdeu. Batata frita

    Excelentíssimo ministro André Mendonça: você perdeu. Batata frita

    Alice Rabello
    andre-mendonca

    Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas realmente, realmente, não será tão fácil assim a vida do ministro André Mendonça como relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal. Não será tão fácil como muitos desejariam, a exemplo dos bolsonaristas, admiradores do ministro terrivelmente evangélico.

    Era uma vez o ministro Dias Toffoli, a quem coube a tarefa original de relatar o Caso Master, o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Deveria ter abdicado da tarefa, declarando-se suspeito. O Master, ou uma de suas empresas, comprou parte das ações da família Toffoli em um resort no Paraná.

    Toffoli escondeu a informação pelo tempo que deu, até que não deu mais. Embora com o apoio quase unânime dos seus pares, finalmente Toffoli pediu dispensa da relatoria, sendo substituído por Mendonça, o impoluto. Toffoli baleado, Alexandre de Moraes suspeito de ter ajudado o dono do Master, já preso…

    Quem no tribunal teria coragem de se opor a Mendonça, a nova estrela da vez? Ele nadaria de braçada. No limite, teria poder de influir nos resultados das próximas eleições. Seria Mendonça por um lado, e Daniel Vorcaro, dono do Master, por outro, a negociar uma delação premiada com a Polícia Federal.

    Mendonça deve ao ex-presidente Bolsonaro sua nomeação para ministro. Vorcaro foi um dos maiores doadores de dinheiro para as campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022. Quando se lembra disso, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do papai, se arrepia todo e se sente mais forte do que é.

    Na primeira oportunidade, o tribunal, por oito votos contra dois, deu um chega para lá em Mendonça. Derrubou sua decisão de prorrogar os trabalhos da CPMI do INSS, comandada pelo senador do PODEMOS Carlos Viana, que por sinal deve explicações ao tribunal a respeito de emendas ao Orçamento mal aplicadas.

    Os colegas de Mendonça deixaram claro que as CPIs têm poderes limitados. O tribunal pode atender as minorias apenas para a criação de comissões, mas não para prorrogá-las. A duração das CPIs fica a cargo dos parlamentares, somente deles. Os Poderes da República são independentes, aprendeu, Mendonça?

    Aprendeu que são graves as fraudes ao INSS, mas que elas já estão sendo investigadas em inquérito aberto no próprio Supremo? Ali, deseja-se que tudo fique como está para evitar o uso político das investigações em ano eleitoral – inclusive com eventual apuração de menções a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

    O resultado do julgamento abre caminho para confirmar  a decisão do ministro Flávio Dino de anular quebras de sigilo em bloco aprovadas por CPIs. Entre os alvos dos parlamentares, estava o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Não se pode quebrar sigilos de forma indiscriminada.

    Mendonça, você perdeu, Excelência. O único ministro a concordar com sua tese foi Luiz Fux. Para a dupla, os direitos das minorias devem ser respeitados não apenas na criação de uma CPI, mas na prorrogação dela. Fux tem sido um aliado de primeira hora de Mendonça em votações da Segunda Turma do tribunal.

     

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  • Senado dos EUA aprova acordo para finalizar paralisação em aeroportos

    Senado dos EUA aprova acordo para finalizar paralisação em aeroportos

    Anna Rose Layden/Getty Images
    Imagem colorida do Senado dos EUA - Metrópoles

    O Senado dos Estados Unidos aprovou, por unanimidade, o financiamento da maior parte do Departamento de Segurança Interna (DHS), deixando de fora o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Patrulha da Fronteira. O acordo segue agora para a Câmara dos Representantes.

    O impasse orçamentário tinha paralizado os repasses financeiros e milhares de agentes da Administração de Segurança de Transportes (TSA) estavam sem receber salários. A falta de recursos tem provocado escassez de pessoal, filas longas e tempos de espera imprevisíveis em aeroportos de todo o país.

    A oposição não queria aprovar um acordo sem que o governo de Donald Trump promovesse mudanças nas políticas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

    Na madrugada desta sexta-feira (27/3), o texto aprovado pelos senadores acolheu boa parte das demandas dos democratas. Não terá financiamento para o ICE e partes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). No entanto, eles não conseguiram mudanças requeridas como a exigência de mandados judiciais ou o uso de máscara pelos agentes.

     

  • Energia solar: DF tem aumento exponencial na quantidade de sistemas instalados

    Energia solar: DF tem aumento exponencial na quantidade de sistemas instalados

    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
    Energia solar casa GIlberto

    Em um mundo onde a preocupação ambiental cresce a cada dia, o Distrito Federal tem se destacado em um aspecto importante: a energia solar. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), em parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL),  apontam que

    Veja:

    Ainda segundo o levantamento, nos últimos 10 anos, o DF passou de 92 conexões de energia solar em 2016, para 31.782 projetos em funcionamento em 2025, um aumento exponencial de 34.445%.

    Atualmente, de acordo com os dados, são mais de 33 mil consumidores que contam o sistema e, desde 2012, a modalidade já proporcionou ao DF a atração de R$ 2,4 bilhões em investimentos, geração de mais de 15,7 mil empregos e a arrecadação de mais de R$ 700 milhões aos cofres públicos.

    O presidente executivo da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia afirmou que o uso da energia solar amplia o protagonismo do DF na política da transição energética nacional, pois fortalece a sustentabilidade, alivia o orçamento das famílias e eleva a competitividade dos setores produtivos.

    “Também alivia a pressão sobre os recursos hídricos, traz mais resiliência ao sistema elétrico e é um motor de desenvolvimento econômico, social e ambiental”, avaliou.

    Combinação de fatores

    Engenheiro eletricista e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Mario Kenji pontuou que, no caso específico do DF, algumas características ajudam a explicar os motivos para a região aparecer no topo do ranking nacional em potência instalada.

    Ainda de acordo com o especialista, o crescimento acelerado da energia solar fotovoltaica no DF, nos últimos anos, é resultado de uma combinação de fatores técnicos, econômicos e regulatórios.

    “O custo dos sistemas fotovoltaicos caiu significativamente na última década, em função do avanço tecnológico e da escala global de produção de painéis solares. Ao mesmo tempo, o custo da energia elétrica convencional no Brasil vem aumentando ao longo dos anos, tornando a geração solar economicamente mais atrativa”, observou Kenji.

    Outro ponto fundamental, de acordo com o engenheiro eletricista, é o modelo de compensação de energia elétrica regulamentado pela ANEEL. “Nesse modelo, quando o sistema fotovoltaico produz mais energia do que o consumidor utiliza naquele momento, o excedente é injetado na rede e convertido em créditos energéticos, que podem ser utilizados posteriormente na própria unidade ou em outras unidades consumidoras vinculadas”, explicou.

    Economia garantida

    Um dos “pioneiros” na instalação de um painel solar residencial foi o economista Gilberto Azevedo. “Durante uma viagem pela Europa, observei nos telhados residenciais a presença de painéis distintos dos coletores solares para aquecimento de água. Ao retornar ao Brasil, busquei informações sobre esses dispositivos e descobri que se tratavam de painéis fotovoltaicos”, comentou.

    Segundo o morador do Lago Norte, ele entrou em contato com uma empresa que fazia a instalação e solicitou um orçamento. “Apesar do custo, na época, ter sido significativamente superior ao praticado atualmente, decidi investir, ficando na casa dos R$ 70 mil”, calculou.

    O economista lembrou que, quando instalou os painéis, todos que o conheciam tiraram sarro. “Acharam que eu estava ficando louco por investir R$ 70 mil em uma tecnologia, até então, desconhecida no DF. Hoje, quem disse isso ou colocou também ou está pensando em colocar”, brincou.

    Logo após a instalação, Geraldo disse que começou a sentir os primeiros impactos. “A conta de energia, que anteriormente girava em torno de R$ 1,2 mil, foi drasticamente reduzida. Não me recordo do valor exato, mas a conta passou a ser de, aproximadamente, R$ 100 e nunca ultrapassou a marca de R$ 150, valor máximo pago até o momento”, afirmou.

    “Estou cooperando com o meio ambiente e com o meu bolso. Estou muito satisfeito”, acrescentou o economista.

    Síndico de um condomínio em Águas Claras há oito anos, Henrique Liporoni implementou a energia fotovoltaica no local há cerca de quatro anos. “A decisão foi motivada pela busca por uma fonte de energia limpa, que não gerasse poluentes, em consonância com as tendências globais e a necessidade de combater o aquecimento global, promovendo o uso de energias renováveis”, afirmou.

    Além disso, segundo ele, a economia proporcionada pela redução de custos operacionais do condomínio foi outro fator determinante para a mudança. “Desde então, temos observado os benefícios. Em alguns meses, zeramos a conta de energia, ou seja, a produção foi superior ao consumo”, comentou.

    O síndico lembrou que, antes da instalação, a conta de energia costumava ficar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil. “Essa economia acarretou em vantagens significativas aos condôminos, como a redução de custos e a realização de melhorias sem a cobrança de taxas adicionais ou aumento no valor do condomínio”, pontuou.

    “A recuperação do investimento iniciou ainda no primeiro mês de instalação, pois o valor da conta de luz caiu para, aproximadamente, 20% do que era pago antes. Isso fez com que parte do dinheiro economizado fosse para o pagamento do empréstimo e ainda sobrasse uma boa quantia para outros investimentos”, observou Henrique.

    Também síndico de um condomínio na mesma região, Flávio Ribeiro disse que a decisão de instalar o sistema ocorreu em 2016. “Porém, o custo alto adiou o projeto, que acabou sendo aprovado e instalado em 2020, sendo um dos primeiros projetos aprovados e executados em Águas Claras”, garantiu.

    O foco, segundo ele, era a economia e a otimização das despesas fixas. “Na época, era tudo muito novo. Muitos ficaram resistentes à ideia. Porém, com o trabalho de explicar e a segurança com relação à situação de pagar o investimento com a economia nas contas, essa questão foi superada”, recordou.

    Flávio comentou que o projeto foi 100% financiado e, em cerca de um ano e meio, o investimento se pagou. “Os primeiros impactos vieram já nas primeiras contas, passando de R$ 6 mil, antes da instalação, para cerca de R$ 400. Já houve meses com picos de geração, ou seja, a conta veio zerada, com o pagamento apenas da iluminação pública”, disse o síndico.

    O engenheiro eletricista Mario Kenji ressaltou que há um elemento de efeito demonstrativo e difusão tecnológica na questão da energia fotovoltaica.

    “À medida que mais sistemas são instalados, aumenta a visibilidade da tecnologia e cresce a confiança dos consumidores. Isso cria um ciclo positivo de adoção: vizinhos, empresas e condomínios passam a perceber os benefícios e também decidem investir”, avaliou.

    Fonte limpa

    Doutor em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), Christian Della Giustina lembrou que a energia solar, a exemplo da eólica e da hidráulica, se enquadra na categoria de fontes renováveis. “A fonte solar se caracteriza por sua constância e inesgotabilidade”, explicou.

    O especialista comentou ainda que a energia solar é classificada como limpa e tem apresentado avanços tecnológicos significativos. “Recentemente, as células fotovoltaicas, dispositivos que permitem o armazenamento e a distribuição da energia solar para diversas aplicações, têm se tornado cada vez mais comuns”, reforçou.

    Della Giustina disse que, atualmente, a energia solar apresenta diversas vantagens e se consolidou comercialmente. “Além de diminuir os custos com a energia elétrica, a possibilidade de vender o excedente de energia às concessionárias é um dos atrativos”, esclareceu.

    A ressalva do especialista fica no fato de que a energia solar ainda não se estabeleceu como a única matriz energética. “Sua geração de energia depende da disponibilidade de luz solar, limitando sua utilização. Portanto, ela é, atualmente, uma fonte complementar, contribuindo para a segurança energética de uma região”, avaliou.

    Como instalar

    Para quem mora no DF, o diretor de Relacionamento com o Cliente da Neoenergia Brasília, Gustavo Álvares, afirmou que, antes de instalar esse tipo de geração, é fundamental contratar um profissional habilitado e registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).

    “Esse técnico deve elaborar o projeto de Geração Distribuída e submetê-lo à análise da Neoenergia, pelo portal da distribuidora. A aprovação dependerá da potência informada e das condições técnicas do local”, apontou.

    No caso de usinas solares, Álvares destacou que a orientação é para que os empreendedores consultem previamente a Neoenergia, para verificar se a área escolhida tem uma infraestrutura adequada para a conexão. “Se não houver, será necessário incluir, no planejamento, as obras complementares exigidas para viabilizar o acesso à rede”, explicou o diretor da companhia.

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    Salário de R$ 46,3 mil é insuportável, diz presidente de sindicato de servidores

    Para o presidente do Sindilegis, o serviço público está perdendo atratividade pois “advogado mediano” ganha mais de R$ 40 mil