BC proibiu BRB de comprar novas carteiras um mês antes da liquidação do Master

Lula Marques/Agência Brasil
Imagem de Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central - Metrópoles

O Banco Central proibiu o Banco de Brasília (BRB) de comprar carteiras de crédito de instituições financeiras em 14 de outubro de 2025, um mês antes da liquidação do Banco Master e da primeira fase da Operação Compliance Zero.

Durante depoimento à Polícia Federal, obtido pelo Metrópoles, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, declarou que tratam-se de “medidas drásticas”.

“Quando aplicamos uma 4019 [número da norma] nós já esgotamos tudo. Quando você aplica 4019 para uma instituição, fala que não pode mais operar crédito consignado. É uma medida dura. Quando você diz: você não pode comprar mais crédito nenhum em instituição financeira é uma medida dura. Porque você está interferindo diretamente nos negócios da instituição financeira. A 4019 é algo que só se aplica diante de casos graves”, declarou na oitiva realizada no dia 30 de dezembro de 2025.

No dia 18 de novembro, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, prendeu executivos do Banco Master e ligados à Tirreno, que teria originado as carteiras falsas. Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, foi afastado da função.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse que a medida suspendeu novas cessões em que houvesse pagamento líquido ao Master e restringia a possibilidade de que fossem feitos DIs. A declaração foi dada durante a oitiva, também em 30 de dezembro, após uma pergunta feita pela defesa.

O ex-chefe do banco afirmou que o documento não exigia “nenhuma outra medida de gestão imediata”. “Ela concedia um prazo de 30 dias para que o banco fizesse plano de ação para endereçar termas que lá estavam colocados e dava prazo de seis meses para que fosse feita auditoria no valor específico de ativos que foram recebidos do Master”, declarou.

Ailton informou à PF que Paulo Henrique Costa enviou ofício no dia 18 de junho de 2025 no qual informou processo de diligência para internalizar ativos, após a identificação dos créditos inexistentes. “Ou seja, começa a buscar ativos no balanço do Master frente ao problema”, disse.

O BRB trocou os créditos inexistentes pelo Cresceste, cartão-benefício, CRI, FII, títulos do exterior, ações, cotas. Segundo o diretor do BC, aproximadamente R$ 2,4 bilhões pagos por carteiras da Tirreno não foram trocados por ativos do Master.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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