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  • A goela entalada, as arvorezinhas e a “política”

    A goela entalada, as arvorezinhas e a “política”

    EDITORIAL

    A goela entalada, as arvorezinhas e a “política”

    Por Editorial ac24horas8 de março de 2026 – 06h39 4 min de leitura

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    O segundo mandato de Gladson Camelí entendeu a importância da habitação popular. Não coincidentemente, esse “entendimento” veio ao mesmo tempo da versão Lula 3 em Brasília. Atendendo ao bom senso e lembrando que o primeiro mandato de Gladson foi marcado pela pandemia e as consequências para a gestão pública em um Estado empobrecido, é possível afirmar que, no setor de Habitação, as coisas começam a acontecer agora. E não é um capricho do atual governo estadual ou uma exposição de incompetência: política de habitação popular, em lugares como o Acre, só se faz com apoio do Governo Federal. A justificativa está no custo. Praticamente, é impossível de ser bancada exclusivamente pelos cofres dos governos locais.

    E há outro detalhe: em Brasília, é preciso que o maior mandatário tenha sensibilidade com as coisas que acontecem aqui. Quem não se lembra da famosa entrevista do Bar do Vaz, em outubro de 2022, quando Gladson Camelí disse que havia conversado com o então presidente Jair Bolsonaro e este lhe prometera 18 mil unidades habitacionais?

    A quem pede não se pode exigir muito pudor: o governante vai a Brasília passar o pires e o faz “de com força”, obedecendo à lógica “se colar, colou”: já que não tem projetos inovadores, que respeitem a geografia local, o jeito é se aventurar. Mas um presidente se comprometer em construir 18 mil unidades habitacionais no Acre, ou mente de forma descarada; ou fala por falar, sem compromisso nenhum de cumprir o que deve ao povo. O resultado não podia ser outro: foi necessário tempo e muita modéstia nos números.

    A Fundação João Pinheiro é uma referência clássica quando se busca dados sobre política habitacional. No Acre, por exemplo, calcula-se que o déficit atual seja de 30,8 mil moradias. Aumentou. A cena piorou nos últimos anos. O que é lógico: se não se constroem casas populares, alguém vai se acomodando nos fundos dos quintais de mães e avós.

    Mas a política (partidária/ideológica) não entende assim. A política tem uma lógica própria. Em recente entrevista à imprensa local, o governador deu a seguinte declaração: “Cidadania é dar um lar para uma família poder viver com dignidade. Esse foi um dos grandes projetos desse segundo mandato como governador que nós abraçamos, não só na Capital, como no interior também. Vai ter moradia do Casa… do Minha Casa… minha… casa própria…”.

    O governador cometeu um ato falho. Tentou ser verdadeiro, mas a verdade lhe engasgou a goela. O gesto acabou expondo a estratégia política apequenada do Gabinete Civil de não dar o devido crédito na autoria da política pública que estava sendo oferecida ao povo.

    Nem isso se pode dizer que o atual governo é inovador. Jorge Viana fazia o mesmo, mas tinha melhor desenvoltura. Dissimulava melhor: nas declarações públicas, até falava, aqui ou acolá, as expressões “Governo Federal” ou “presidente Lula”. Mas “as arvorezinhas” eram tantas e em tantos lugares que encobriam qualquer ameaça do slogan oficial do companheiro de Brasília dizer quem tinha mandado fazer esta ou aquela obra.

    Outro detalhe sobre a política habitacional do atual governo precisa ser observado. E é algo positivo: percebe-se um tratamento mais institucionalizado, menos politiqueiro. Neste aspecto, ninguém supera Flaviano Melo. Ninguém utilizou melhor as casas populares e apartamentos populares do que Flaviano para “fazer política”. Ele foi imbatível. Na gestão de Gladson, não tem sido assim. Ao contrário, há unidades habitacionais que já estão em uso e que nem foto oficial foi feita. Percebe-se uma certa falta de cuidado, até. Em habitação popular, a cena é esta por aqui.

  • Homem morre ao ser atropelado em rodovia no DF

    Homem morre ao ser atropelado em rodovia no DF

    Divulgação CBMDF
    Atropelamento DF001

    Um homem, que não teve a identidade divulgada, morreu após ser atropelado na DF-001 na noite deste sábado (7/3). O atropelamento ocorreu  na QN 05 conjunto 08, entre Riacho Fundo ll e Recanto das Emas na DF 001, sentido Samambaia, por volta das 22h30.

    O Corpo de Bombeiros foi acionado para fazer o resgate da vítima, mas ao chegar ao local, o pedestre já estava morto.

    “Imediatamente, os socorristas iniciaram as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) e os procedimentos para vítimas de trauma, seguindo a regulação médica do SAMU. No entanto, não houve restauração dos sinais vitais, sendo constatado óbito no local“, detalhou o CBMDF.

    O motorista do carro que atropelou o pedestre nada sofreu.

    Polícia Militar e Polícia Civil foram acionadas para o local. As duas corporações foram acionadas pelo Metrópoles para dar mais detalhes sobre o caso.

  • Está tudo muito esquisito (por Mary Zaidan)

    Está tudo muito esquisito (por Mary Zaidan)

    Divulgação
    Vorcaro

    Maior fraude financeira da história do país, o caso Master agudizou na semana passada. Junto com a prisão preventiva do dono do banco liquidado, Daniel Vorcaro, e da suspensão do sigilo dos dados de seus celulares, ambas por ordem do novo relator do caso no STF, ministro André Mendonça, confirmou-se a extensa rede criminosa do ex-banqueiro, com gente graúda de todas as matizes políticas e em todas as esferas de poder.

    Um escândalo institucional estarrecedor que, na sexta-feira, chegou ao ápice com a revelação, pela repórter Malu Gaspar, de O Globo, de diálogos que seriam entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, no dia de sua primeira prisão, em novembro. O ministro supremo nega e o jornal reafirma a denúncia, acrescentando mais estranhezas a um emaranhado de pontos cegos nas investigações – ou no que já veio à tona sobre elas.

    Sabe-se, até agora, que a origem da revelação dos diálogos não foi a CPI do INSS, que no dia 20 de fevereiro passou a ter acesso ao conteúdo dos celulares de Vorcaro. Nas 1.565 páginas tornadas públicas, Moraes aparece oito vezes, todas elas de forma indireta, em mensagens de Vorcaro com a então namorada, a influencer Martha Graeff, a quem ele contava absolutamente tudo o que fazia, com nomes dos interlocutores e um certo deslumbramento. Ora dizia estar na casa do presidente do Senado, ora recebia figurões em sua casa, ora ia ao Planalto. Algo que em nada combina com alguém que circulava com tanta desenvoltura nos círculos de poder. Mais: que tipo de bandido deixa tantos rastros com tantos detalhes?

    Da mesma forma, não soa factível que alguém tão cioso de suas comunicações, a ponto de mantê-las no “modo desaparecer”, ferramenta que apaga as mensagens após a leitura, escreva seus textos no bloco de notas do celular, fotografe e só aí envie a mensagem, deixando todas as pegadas não apenas no bloco, mas no arquivo de fotos, de fácil acesso no aparelho ou na nuvem. Muito menos que o experiente e safo Xandão trocasse quase uma dezena de mensagens com Vorcaro, uma bomba com explosão anunciada.

    É preciso entender também por que as conversas Vorcaro-Moraes decriptadas pela PF não foram entregues à CPI no mesmo formato obtido pelo Globo, gerando diferentes hipóteses de interpretação. Acrescenta-se ao rol de esquisitices a justificativa da PF para não solicitar que Moraes seja investigado, diferentemente do que fez com o então relator do caso, Dias Toffoli. Os próprios investigadores afirmam que não há como saber se as mensagens do bloco de notas de Vorcaro eram mesmo para o ministro.

    Há muitas outras pontas desamarradas. O suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário (cruel, sanguinário), nas dependências da PF de Minas, continua a alimentar dúvidas. Embora a PF diga que tudo foi filmado e que entregou a fita sem cortes ao STF, causa espanto imaginar que um bandido dessa importância – suspeito de ser o “justiceiro” de Vorcaro – tenha ficado sem qualquer monitoramento, nem mesmo virtual. E por tempo suficiente para se auto estrangular, com suas próprias roupas – em silêncio. A ele, Vorcaro teria pedido para golpear o jornalista Lauro Jardim (OGlobo), “dar um pau”, “quebrar os dentes num assalto”.

    A tentativa de suicídio foi citada pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, ao rebater a critica de Mendonça de que era “lamentável” ele não ter visto “urgência” para mandar prender Vorcaro.  Em nota, Gonet afirmou que a “análise da PGR não é formalidade vazia”. Destacou que os documentos somavam mais de duas mil páginas, impossíveis de serem escrutinados no exíguo prazo determinado pelo ministro – 72 horas.

    Os episódios envolvendo Vorcaro escancaram as conhecidas rivalidades entre ministros do STF, PGR e Polícia Federal. Com razão, os investigadores comemoraram quando Mendonça acabou com os limites impostos por Toffoli, que chegou a indicar os peritos para analisar os celulares do ex-banqueiro. Por outro lado, Mendonça teve uma atitude inusual ao determinar que o sigilo incluísse superiores, até o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Não funcionou. Houve vazamentos em série – pela CPI do INSS ou pela própria PF.

    Outras brechas podem até beneficiar o criminoso. Embora a PF possa pedir a prisão de um investigado diretamente ao STF, a Lei nº 13.964, de 2019 – rubricada por Mendonça, então Advogado-Geral da União de Jair Bolsonaro -, e a jurisprudência conferem à PGR a atribuição de solicitar a prisão preventiva de um suspeito. Teria sido mais prudente, portanto, que Mendonça aguardasse a PGR por mais uns dias, o que não mudaria o estado das coisas. No máximo ficaria adiada a eclosão do novo episódio do escândalo. Teme-se que o caminho escolhido pelo ministro possa fundamentar a alegação de nulidade de partes do processo.

    A suspensão de sigilo e os vazamentos também causaram apreensão. Ainda que Mendonça tenha mandado investigar a origem das goteiras, só o fez a pedido da defesa de Vorcaro.

    Á despeito dos diálogos negados por Moraes, o ministro deve explicações, a começar pelo contrato milionário de sua mulher Viviane Barci com o Master, de R$ 129 milhões em três anos.  O ex-relator Toffoli continua obrigado a esclarecer suas tretas com Vorcaro na venda do resort Tayayá e na carona de jatinho. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ambos em mudez absoluta, também deveriam esclarecer por que estão segurando – pelo menos enquanto dá – a criação de uma CPI para investigar os podres do Master.

    O caso deve continuar sacudindo o país, podendo até evoluir para uma delação premiada de Vorcaro. E todo cuidado é pouco. Mendonça, o heroi da vez, que já cometeu pequenos deslizes, não pode errar. O país está cansado do mesmo filme. Moraes, que liderou com garra a condenação ao golpismo, encarnou a figura do todo-poderoso, ares que também subiram à cabeça do juiz Sérgio Moro, na Lava Jato, e de Joaquim Barbosa, no Mensalão. Ninguém quer ver uma reprise.

     

    Mary Zaidan é jornalista 

  • União Brasil tenta manter controle da PEC 6X1 até no plenário

    União Brasil tenta manter controle da PEC 6X1 até no plenário

    Giuliano Gazzoni/Metropoles
    Paulo Azi 1

    O União Brasil articula, nos bastidores, a manutenção do deputado federal Paulo Azi (União-BA) como relator da PEC do fim da escala 6×1 na comissão especial e no plenário da Câmara.

    A sigla conseguiu emplacar Azi para relatar a proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agora, negocia com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para manter o deputado no posto nas demais fases de tramitação da PEC.

    A aposta do União Brasil é que Azi será mantido na relatoria. A situação seria parecida com a do deputado Mendonça Filho (União-PE), que foi relator da PEC da Segurança tanto na CCJ quanto nas outras etapas de tramitação da proposta.

    A coluna mostrou que integrantes do Palácio do Planalto avaliaram como “positiva” a indicação de Azi para relatar o fim da 6×1 na CCJ. O governo, no entanto, pretende tentar emplacar um nome mais alinhado à gestão petista nas demais fases.

    Surfar na 6×1

    Aliados de Azi disseram à coluna, sob reserva, que o relator vai tentar surfar na PEC que trata do fim da escala 6×1 durante a análise na CCJ. O colegiado analisa apenas a constitucionalidade do tema, sem alterar o mérito da proposta.

    O relator, no entanto, fará audiência públicas para debater a redução da jornada de trabalho. Na semana passada, a CCJ aprovou um requerimento para realização de debates sobre o tema com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    Azi ainda solicitou audiência com representantes de centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    O colegiado também deve ouvir membros da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    A primeira audiência será com o ministro do Trabalho e está prevista para a tarde da terça-feira (10/3). Em entrevista à coluna, Motta sinalizou que trata a PEC 6×1 como uma das prioridades e disse que pretende votar a proposta até maio no plenario.

  • Frase do dia

    Frase do dia

    Aline Massuca/ Metrópoles
    lula durante pronunciamento em Ato público de Lula lota a Cinelândia no Rio de Janeiro

    “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime e vamos sim meter a colher”. (Lula)

  • Pesquisadora da Embrapa alerta sobre indústria do açaí em Feijó

    Pesquisadora da Embrapa alerta sobre indústria do açaí em Feijó

    Joana Leite tem autoridade para falar sobre agroindústrias. Doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela prestigiada Universidade Federal de Pelotas, a pesquisadora falou ao agro24cast sobre produtos desenvolvidos pela empresa estatal que poderiam mudar a qualidade da segurança alimentar no Acre, mas não encontraram na iniciativa privada local os agentes de inovação necessários para […]

  • Vídeo com drone revela outra perspectiva de Rio Branco e destaca pontos históricos da capital

    Vídeo com drone revela outra perspectiva de Rio Branco e destaca pontos históricos da capital

    VIRALIZOU NA REDE

    Vídeo com drone revela outra perspectiva de Rio Branco e destaca pontos históricos da capital

    Por Rebeca Martins8 de março de 2026 – 05h07 2 min de leitura

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    Quem passa todos os dias pelas ruas de Rio Branco nem sempre percebe a cidade que existe além do nível dos olhos. Vista do alto, a capital acreana ganha outra dimensão. Um vídeo produzido com imagens aéreas mostra exatamente isso. A cidade sob um novo ângulo.

    As imagens captadas por drone pelo jornalista Walcimar Junior percorrem alguns dos principais cartões-postais da capital. O resultado aparece em um vídeo publicado nas redes sociais que reúne paisagem urbana, história e cultura em poucos minutos.

    A proposta do material parte de uma ideia simples. Mostrar Rio Branco de um jeito que muita gente da própria cidade ainda não viu.

    No vídeo, a jornalista Quésia Melo aparece em alguns dos pontos mais conhecidos da capital. As cenas foram gravadas no Palácio Rio Branco, no Museu dos Povos Acreanos, na Gameleira e no Memorial Chico Mendes, locais que fazem parte da história política, cultural e social do Acre.

    Do alto, o drone revela detalhes da arquitetura, do traçado urbano e da relação da cidade com o Rio Acre. Os espaços ganham destaque a partir de uma perspectiva que normalmente não aparece no cotidiano de quem circula pela região central.

    O vídeo também aproveita uma tendência viral das redes sociais. A estratégia amplia o alcance da produção e coloca os espaços turísticos da capital acreana em destaque.

    VEJA O VÍDEO:

    Rebeca Martins

    Rebeca Martins

    Jornalista e social media, com atuação em marketing, assessoria de comunicação política e institucional. Atualmente escreve para o ac24horas, fazendo cobertura regional do estado do Acre.

    rebecamsmartins@gmail.com

  • No Acre, ser mulher ainda é um risco: estado lidera casos de feminicídios no Brasil

    No Acre, ser mulher ainda é um risco: estado lidera casos de feminicídios no Brasil

    Enquanto o país se prepara para celebrar o Dia Internacional da Mulher, um dado coloca o Acre no centro de uma realidade dura. O estado registra a maior taxa de feminicídio do Brasil, com 3,2 mulheres assassinadas a cada 100 mil. O número revela uma verdade incômoda. No Acre, ser mulher ainda significa viver sob risco constante.

    Os dados reunidos pelo Ministério Público do Acre (MPAC) e pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que 14 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. Todas morreram em um contexto de violência doméstica ou familiar. Nenhum caso ocorreu fora desse cenário.

    O dado desmonta um mito recorrente. O perigo raramente vem de desconhecidos. Ele costuma estar dentro de casa. Nos 14 casos registrados, o autor mantinha relação íntima com a vítima. Maridos, companheiros ou ex-parceiros aparecem como protagonistas dos crimes.

    A maioria dessas vítimas já convivia com a violência antes do desfecho fatal. Doze mulheres tinham histórico de agressões anteriores. Mesmo assim, a proteção não chegou a tempo.

    Entre as vítimas, 11 não possuíam medidas protetivas ativas no momento do crime. Apenas três estavam amparadas judicialmente. O dado expõe um dos principais gargalos no enfrentamento à violência doméstica. Muitas mulheres não conseguem acessar ou manter a proteção do Estado.

    O local dos crimes também revela um padrão. Onze feminicídios ocorreram dentro de residências. Apenas três aconteceram em via pública. A casa, espaço associado à proteção, tornou-se o principal cenário da violência letal contra mulheres.

    As armas utilizadas reforçam a brutalidade desses crimes. Facas e outros objetos cortantes aparecem em 64% dos casos, com nove registros. Armas de fogo foram usadas em quatro homicídios, o equivalente a 29%. Outros meios aparecem em menor escala.

    O comportamento dos agressores também chama atenção. No momento do crime, seis autores estavam sóbrios, quatro embriagados, um sob efeito de drogas e um sob efeito combinado de álcool e entorpecentes. Em dois casos não há informação.

    No andamento dos processos, nove suspeitos permanecem presos preventivamente. Há ainda um condenado, um foragido, um preso temporariamente, um autor morto e um que tirou a própria vida após o crime.

    Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam 39.541 ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha no Acre entre 2018 e 2026. Os registros incluem ameaças, agressões físicas, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.

    A curva segue em crescimento. Em 2018, o estado registrou 2.336 ocorrências. Em 2025, o número chegou a 7.038 casos, quase o triplo.

    A violência se concentra nas cidades mais populosas, Rio Branco lidera o ranking, com 20.847 registros, Cruzeiro do Sul aparece em seguida, com 3.636 casos, Sena Madureira soma 2.097 ocorrências.

    O perfil das vítimas também aparece nos dados. Mulheres pardas concentram a maior parte dos registros, com 20.734 ocorrências. Em seguida aparecem mulheres brancas, com 4.976, e pretas, com 3.907. Há ainda casos envolvendo mulheres indígenas, amarelas e situações sem informação registrada.

    Esses números revelam uma realidade que vai além das estatísticas. Eles mostram um padrão persistente de violência que atravessa bairros, cidades e relações familiares.

    No calendário, o 8 de março celebra conquistas, direitos e avanços das mulheres. No Acre, porém, os dados lembram outra face dessa data. A de um estado que permanece no topo de um ranking negativo e que convive com um dos cenários mais graves de violência contra mulheres no país.

    Jornalista e social media, com atuação em marketing, assessoria de comunicação política e institucional. Atualmente escreve para o ac24horas, fazendo cobertura regional do estado do Acre.

  • Projeto da PM transforma rotina de mulheres na Cidade do Povo

    Projeto da PM transforma rotina de mulheres na Cidade do Povo

    Extra Total 2

    Projeto da PM transforma rotina de mulheres na Cidade do Povo

    Por Rebeca Martins8 de março de 2026 – 05h08 5 min de leitura
    Fotos Marcos Araújo

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    Toda terça e quinta-feira, um grupo de mulheres ocupa um espaço aberto na Cidade do Povo, em Rio Branco. Ali não há equipamentos sofisticados nem mensalidade de academia. Há cones, barras improvisadas, equipamentos simples e uma rede de apoio que nasceu de um projeto da Polícia Militar.

    Fotos Marcos Araújo

    O projeto nasceu dentro da proposta da Polícia Comunitária, aproximar a corporação dos moradores e atuar na prevenção. No lugar de operações e sirenes, a estratégia aqui passa por algo mais simples: atividade física, convivência e escuta. “O projeto foi criado dentre tantos outros da Polícia Militar para interação com a comunidade. A gente busca trazer qualidade de vida para dentro da comunidade e trabalhar também a prevenção”, explica Hálida Prado.

    Mas o funcional que acontece na Cidade do Povo não se resume a exercícios. A rotina inclui rodas de conversa, apoio psicológico, encontros comunitários e atividades que tratam de temas como saúde mental e violência contra a mulher. A estrutura conta com apoio da Coordenadoria de Polícia Comunitária da PM.

    Fotos Marcos Araújo

    “A gente traz não só o treino em si. Também tem atividades ecumênicas, apoio psicológico e rodas de conversa. É um trabalho que busca saúde e cuidado dentro da comunidade”, afirma a sargento.

    O projeto também recebe incentivo da tenente-coronel Ana Cássia e da comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marta Renata, segundo Hálida.

    Para quem participa, o impacto vai além da atividade física. A agente de saúde Maria Valéria da Silva, de 38 anos, conheceu o projeto por indicação de amigas. Chegou curiosa e decidiu ficar.

    “Tudo que é bom se espalha rápido. Chegou aos meus ouvidos por amigas. Eu fui lá conhecer, cheguei, me apaixonei e fiquei”, conta.

    Fotos Marcos Araújo

    Hoje ela enxerga o funcional como um espaço de pausa na rotina. “Aqui a gente não se reúne só para um treino. É um lugar onde a gente sai da rotina, conhece pessoas novas, faz amizades. Cansa o corpo e relaxa a mente”, afirma.

    A mudança também chegou à saúde mental, segundo as alunas. “Quando eu cheguei eu usava medicamentos psicotrópicos. Hoje eu não faço mais uso. O funcional veio para somar no tratamento da minha saúde mental”, relata.

    A esteticista Ana Maira Nascimento, de 33 anos, acompanha o projeto desde que se mudou para o bairro. “As amizades que a gente faz aqui vão além do treino. A gente se encontra fora daqui também. Viraram amizades para a vida”, diz.

    Fotos Marcos Araújo

    “Quando a gente está prestes a parar, vem outra e fala ‘bora, tu consegue’. Uma vai incentivando a outra. Isso faz muita diferença”, afirma.

    Um recomeço após a perda

    Para Diana Aquino, de 34 anos, o projeto marcou o início de uma virada pessoal. Há três anos e meio, ela perdeu o marido e enfrentou um período de depressão. “Eu era só dona de casa e não cuidava da minha saúde. Quando meu esposo faleceu, eu me afundei na depressão”, conta.

    “Quando eu vi a professora Hálida, pensei: é isso que eu quero para a minha vida. Quero buscar qualidade de vida por meio do exercício. Eu largo tudo que tenho para fazer no dia do funcional. Toda terça e quinta eu estou aqui. Isso mudou minha história”, afirma.

    Fotos Marcos Araújo

    Embora a maioria dos participantes seja formada por mulheres, o projeto também atrai moradores de diferentes idades com o propósito de acolher. O aposentado Antônio Pinheiro da Silva, de 70 anos, participa das atividades e valoriza o convívio.

    “Eu gosto porque a gente fica com mais saúde. Eu vivo sozinho e aqui eu me distraio mais”. Moradores também afirmam que a presença da Polícia Comunitária e do funcional ajudou a alterar a forma como o bairro é visto.

    Durante anos, a Cidade do Povo ganhou destaque nas notícias por episódios de violência. Hoje, iniciativas como o projeto da PM ajudam a contar outra história.

    Fotos Marcos Araú08

    “Quando a polícia comunitária entrou no bairro, ela veio fazer a diferença. Hoje, o nosso bairro está sendo visto de outra forma”, afirma Diana Aquino.

    Em meio ao esforço físico e às conversas depois do treino, o funcional virou algo maior do que o exercício. Virou encontro, apoio. E, para muitas mulheres da Cidade do Povo, virou o primeiro passo para recomeçar.

    Rebeca Martins

    Rebeca Martins

    Jornalista e social media, com atuação em marketing, assessoria de comunicação política e institucional. Atualmente escreve para o ac24horas, fazendo cobertura regional do estado do Acre.

    rebecamsmartins@gmail.com

  • Rio Branco sedia Campeonato de Pesca Esportiva e deve reunir competidores de todo o Acre

    Rio Branco sedia Campeonato de Pesca Esportiva e deve reunir competidores de todo o Acre

    Rio Branco recebe, nesta segunda-feira (9), mais uma edição do Campeonato de Pesca Esportiva do Acre, competição que promete reunir pescadores, equipes e famílias às margens do Rio Acre. O evento terá disputas na modalidade pesca esportiva embarcada, prática que cresce entre praticantes do esporte na região Norte. A proposta da organização é transformar o […]