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  • Advogado acusado de 9 estupros denunciou tortura em DP; PCDF nega

    Advogado acusado de 9 estupros denunciou tortura em DP; PCDF nega

    Material cedido ao Metrópoles
    Advogado acusado de 9 estupros denunciou tortura fake em DP - Metrópoles

    O advogado Cláudio Martins Lourenço, envolvido no suposto caso de agressão cometido por policiais civis do Distrito Federal (PCDF) também é investigado por descumprimento de medidas protetivas e outros crimes – entre eles, estupro . No ano passado, o defensor foi preso preventivamente após investigação conduzida pela 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul). Ele foi detido após uma técnica de enfermagem, de 21 anos, procurar a delegacia para denunciar o advogado por stalking e cárcere privado.

    Um laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) comprova que ele entrou na cela da DP sem nenhuma lesão. Depois de algum tempo sob a custódia do Estado, Cláudio apresentou hematomas e passou a dizer que teria sido torturado por policiais, com arma de choque. A versão é contestada pelos agentes, que informaram à corporação que o advogado teria se autolesionado. O caso foi parar na Corregedoria-Geral da PCDF, que investiga o caso.

    No Boletim de Ocorrência, registrado em 4 de maio de 2025, a técnica de enfermagem relatou ter sido vítima de cárcere privado e perseguição, além de outras formas de violência psicológica.

    Na ocasião, foram solicitadas medidas protetivas de urgência, incluindo proibição de aproximação do agressor ou qualquer forma de comunicação com a vítima. As medidas foram determinadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

    Stalking

    Apesar da decisão judicial, a vítima afirmou que continuou recebendo ligações e mensagens de números desconhecidos, que posteriormente teriam sido identificadas como sendo do próprio advogado. Segundo o relato, em 18 de maio de 2025, as tentativas de contato se intensificaram. A jovem afirmou que conseguiu gravar algumas das ligações recebidas, material que foi entregue às autoridades.

    Ela também declarou que não manteve nenhum contato voluntário com o acusado e que sempre respeitou o distanciamento determinado pela Justiça. No depoimento prestado à polícia, a vítima relatou viver sob constante medo das atitudes do investigado. Desde o episódio ocorrido em 3 de maio de 2025, ela informou estar em acompanhamento psiquiátrico.

    De acordo com ela, o trauma causado pelos episódios de violência e perseguição tem dificultado a manutenção de suas atividades rotineiras. No final do depoimento, a jovem declarou expressamente o interesse em representar criminalmente contra o advogado e pediu que os fatos fossem investigados e processados pela Justiça.

    Outro episódio envolvendo o advogado ocorreu na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), durante atendimento a um cliente detido.


    Entenda o caso


    Vítimas imundas e aterrorizadas

    O histórico de ocorrências em que Cláudio Dias figura como autor começou em 2001. Na época, o advogado era soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Ele foi levado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I) após abordar uma vítima em ponto de ônibus. Armado, forçou-a a entrar em um veículo e a levou a uma área isolada, nas proximidades da construção do Superior Tribunal de Justiça.

    Em agosto de 2002, Cláudio foi preso após uma garota de programa, que fazia ponto no Conic à noite, denunciar a ação de estupradores na região.

    Segundo as acusações registradas na Deam, além de não pagar pelo programa, Cláudio amarrava as vítimas e defecava sobre elas. Na época, a então titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), delegada Vera Lúcia da Silva, contou que as vítimas do acusado chegavam à unidade imundas e aterrorizadas.

    A defesa do advogado disse, por meio de nota, que “a tentativa de desqualificar a vítima com base em registros policiais antigos e unilaterais (já analisados pelo Poder Judiciário e pela própria OAB por ocasião de sua inscrição) não apaga a gravidade dos abusos cometidos, nem justifica a violência praticada”.

  • Mãe de adolescente que estava em ônibus escolar sonhou com acidente

    Mãe de adolescente que estava em ônibus escolar sonhou com acidente

    Jéssica Ribeiro / Metrópoles
    Acidente, ônibus escolar EPIA

    Lilian Amarílis, 50 anos, mãe de uma adolescente que estava dentro do micro-ônibus que ficou parcialmente destruído neste sábado (7/12), na Epia Sul, sonhou com um acidente na noite que antecedeu o caso. Segundo a mulher, pouco mais de 1h após a filha embarcar no veículo, foi informada de que o coletivo havia se acidentado.

     

    “No meu sonho, uma amiga que mora na Candangolândia [próximo à Epia] tinha batido o carro. Eu procurava o sapato dela e ficava desesperada atrás de notícias. No fim do sonho, tudo ficava bem, mas foi desesperador”, declarou.

    Ao Metrópoles, Lilian contou que chegou a comentar sobre um sonho ruim com uma colega da filha. “Uma amiga da minha filha chegou a perguntar o que eu tinha sonhado na noite anterior, e ela nunca me perguntou algo assim. Eu fiquei tentando lembrar, mas apenas recordei que foi horrível. Então disse que já havia repreendido. Talvez, não sei, pode ter sido Deus já dando livramento, né?”, comentou Lilian.

    O ônibus saiu da Cidade Ocidental (GO) e seguia para o Guará, onde 15 meninas participariam de um campeonato de vôlei. Além delas, outras quatro pessoas também estavam no veículo.

    Lilian contou que, momentos após deixar a filha, recebeu a notícia. “Nossa, foi terrível, terrível. O corpo todo entra em choque. A gente já entra em ansiedade porque fica sem saber o que fazer, procura o celular com ele na mão. É um desespero. Então, foi uma situação muito desesperadora, mas graças a Deus sinto um verdadeiro alívio agora por minha filha estar bem”, disse.

    “A gente recebeu a notícia umas 8h e pouco, fiquei muito nervosa. O estrago é muito grande no ônibus, quem olha pensa que teve até morte né? Mas graças a Deus estão todas bem”, finalizou.

    Lilian é mãe de Júlia, de 13 anos, que estava no micro-ônibus à caminho de um jogo de volêi no Guará quando foi surpreendida pelo forte impacto da batida.Ela relatou que muitas passageiras estavam em pé ou sentadas no chão por não haver espaço para todas irem sentadas.

    “A gente tava cantando, tava tranquilo, foi muito de repente. A gente pensou que ia pegar fogo. Aí o professor quebrou a janela e a gente conseguiu sair. Quando eu saí eu senti um alívio enorme”, relatou a jovem ao Metrópoles.

    Resgate feito pela janela

    O motorista do veículo explicou ao Metrópoles que a porta do ônibus não abriu após o acidente e rapidamente uma fumaça começou a se espalhar. Eles tiveram medo de uma explosão e resgataram todas as alunas pela janela.

    “Foi um susto horrível. Ainda mais quando vi fumaça saindo. Tivemos medo que pegasse fogo”, relatou o profissional.

    O motorista do ônibus explicou que perdeu o controle do ônibus depois que a barra da direção do veículo quebrou. Ele afirmou que tentou puxar para esquerda para evitar a colisão, mas o veículo não respondeu a atingiu a árvore.


    O caso


    Veja vídeo:

     

     

    Após o acidente, 15 meninas foram hospitalizadas par avaliação. Três delas passaram por atendimento no Hospital de base, sete para o Hospital de Taguatinga e quatro par o Hospital de Ceilândia. Todas estão fora de risco.

  • Dia da Mulher: atos da esquerda e da direita pedem fim de feminicídios

    Dia da Mulher: atos da esquerda e da direita pedem fim de feminicídios

    Daniel Ferreira/Metrópoles
    Cartaz em protesto contra feminicídios e feminicidas - Metrópoles

    No Dia Internacional da Mulher, parlamentares conhecidas por divergentes ideologias políticas defendem uma causa em comum. Marcados para este domingo (8/3), os atos da esquerda e da direita pedem principalmente o fim dos feminicídios.

    As parlamentares de ambos os lados convocaram a população para protestos na Avenida Paulista.Contudo, as mobilizações ocorrerão separadamente, em turnos contrários.

    Além disso, as manifestações organizadas pela oposição ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) cobram ampliação do orçamento destinado ao enfrentamento da violência de gênero.

    Mobilização da esquerda

    A manifestação da esquerda ocorrerá às 14h, com concentração no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na Paulista. Entre as pautas colocadas como principais, além dos feminicídios, estão: melhores condições de vida e trabalho, com foco no fim da escala 6×1; fim da violência policial contra o povo negro e periférico; e retomada de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.

    “Não podemos naturalizar a barbárie. Precisamos ocupar as ruas novamente neste 8 de março”, convidou a vereadora Luana Alves (PSol) via redes sociais.

    No fim do ano passado, a deputada estadual Beth Sahão (PT) chegou a abrir um processo judicial contra o governador por omissão em relação às políticas públicas voltadas para a redução da violência. “As mulheres continuam sofrendo, as mulheres continuam morrendo, e nós precisamos dar um basta nisso”, disse.

    Como o Metrópoles mostrou anteriormente, na gestão Tarcísio, em 2025, a Secretaria de Políticas para a Mulher foi a que obteve menos recursos do governo de São Paulo.

    Manifestação do centro e da direita

    Também na Paulista, no Dia Internacional da Mulher, a mobilização da direita será pela manhã, a partir das 10h, com início no Méqui 1000. “Mulheres, somos essenciais e potentes! Vamos juntas, porque somos imparáveis”, destacou a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL).

    “Nós não queremos que o mês de março seja apenas de discursos ou homenagens simbólicas. Queremos que seja um marco de ação, de posicionamento e de mobilização real”, apresentou uma publicação da deputada federal Renata Abreu, presidente do Podemos.

    A vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos) chamou outras mulheres para ocupar as ruas. “Por cada mulher que teve sua história interrompida.
Por cada vida que não pode virar só estatística”, sinalizou.

    Feminicídios

    Em São Paulo, os feminicídios aumentaram 96,4% em 2025, em comparação com 2021, segundo levantamento é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado na quarta-feira (4/3).

    No ano passado, houve registro de 270 mulheres mortas. Na região Sudeste, o estado paulista representa 41% dos casos.

    Em todo o país, no mesmo período de comparação, houve um crescimento de 14,5% nos registros de feminicídios. Somente em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas no Brasil.

    De acordo com dados do Painel de Violência contra a Mulher, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o país registrou 30 feminicídios por dia em janeiro de 2026.

    Por motivos variados, como medo, filhos, dependência financeira e/ou emocional, muitas mulheres não conseguem acusar os próprios agressores. Para denunciar, a vítima de violência doméstica ou qualquer testemunha pode entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.

    Segundo o governo federal, o serviço funciona diariamente, durante 24 horas, inclusive nos sábados, domingos e feriados. “Em todas as plataformas, as denúncias são gratuitas, anônimas e recebem um número de protocolo para que o denunciante possa acompanhar o andamento”.

  • UFC 326: Charles Do Bronx vence Max Holloway e conquista cinturão BMF

    UFC 326: Charles Do Bronx vence Max Holloway e conquista cinturão BMF

    Charles do Bronx dominou confronto contra Max Holloway. Brasileiro conquistou o título de “lutador mais durão” do UFC

  • Projeto em Santa Maria muda vida de mulheres por meio da capacitação

    Projeto em Santa Maria muda vida de mulheres por meio da capacitação

    Reprodução/Arquivo Pessoal
    mulheres em curso de capacitação profissional

    Um projeto criado há mais de duas décadas, em Santa Maria (DF), tem ajudado mulheres a encontrar autonomia financeira por meio da capacitação profissional. A iniciativa reúne moradoras da região, do Gama e até do Entorno do Distrito Federal em atividades de capacitação e convivência, que, para muitas, representam mais que aprendizado. O espaço tornou-se um lugar de acolhimento, uma rede de apoio.

    A Associação Nova Cidadania foi fundada em 2003, com objetivo inicial de atender crianças e adolescentes vulneráveis. Com o tempo, a atuação do projeto se ampliou e passou a incluir as mães desse jovens, principalmente em ações voltadas ao empreendedorismo. Segundo Ivete Figueira, responsável pela associação, a mudança aconteceu a partir da própria realidade das mulheres atendidas.

    “A gente começou trabalhando com as crianças e os adolescentes, mas percebemos que as mães também precisavam de apoio. Foi aí que começamos a desenvolver atividades voltadas para elas”, explica.

    Autonomia financeira

    A história de Francisca Zélia Pereira, 35 anos, se cruzou com o projeto pelos cursos oferecidos pela associação.

    Zélia participou de uma formação em parnificação artesanal oferecida pelo grupo, e com o curso, conquistou maior segurança. Hoje, além de produzir para consumo próprio, ensina outras mulheres. “É isso que acontece ali: mulheres ajudando mulheres”, define.

    A panificação não foi a única atividade que aprendeu. Ela também participou de cursos de costura e artesanato, e em uma das atividades, ganhou uma máquina de costura, que hoje utiliza para produção de peças e complementar a renda.

    Francisca destaca os benefícios que a companhia de outras mulheres cumprem na vida: “Às vezes a mulher fica só dentro de casa, cuidando dos filhos. Lá a gente sai um pouco, conversa, aprende alguma coisa”, afirma.

    Rede de apoio

    Para a autônoma Ana Paula Porto de Araújo, 51 anos, o projeto chegou na vida dela em um dos momentos mais difíceis. Ana veio do Piauí para Brasília depois que o filho, à época com 16 anos, sofreu um grave acidente de moto.

    O jovem teve politraumatismo craniano, ficou com sequelas graves e, desde então, vive acamado, em estado vegetativo, e dependendo dos cuidados da mãe.

    “Quando cheguei aqui, conheci o projeto e fui muito ajudada. Recebia cesta básica, frutas, verduras e alimentação”, conta.

    Moradora de Santa Maria, Ana Paula diz que o espaço também trouxe acolhimento emocional. Mesmo sem dominar as técnicas de costura, ela decidiu participar como voluntária nas atividades: “Eu ajudo as meninas que costuram. Ainda não sei costurar direito, mas quero aprender quando tiver curso”, afirma.

    Além do apoio material, Ana Paula conta que encontrou no projeto uma rede de pessoas dispostas a ajudar em diferentes momentos, inclusive nos cuidados com o filho.

  • F1: com dobradinha da Mercedes, George Russell vence GP da Austrália

    F1: com dobradinha da Mercedes, George Russell vence GP da Austrália

    Russell venceu a primeira prova da temporada da Fórmuula 1. Prova foi marcada por acidente de Piastri antes da largada

  • Policiais presos por corrupção faziam até parcelamento de propina

    Policiais presos por corrupção faziam até parcelamento de propina

    Arte/Metrópoles
    Arte gráfica de 4 fotos sobre mesa, com HD, dinheiro e celular, ao fundo policiais conversam, em um grupo, ao lado de viatura da Polícia Federal - Metrópoles

    Conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Robson Martins de Souza mostram que o pagamento de propinas a policiais civis suspeitos de corrupção em São Paulo seguia uma lógica quase empresarial constituída por valores combinados, cobranças recorrentes e até parcelamento da dívida ilegal.

    Nos diálogos encontrados por policiais federais, integrantes do grupo investigado discutem quanto pagar, quando pagar e de que forma reduzir as quantias exigidas por policiais civis paulistas. Em alguns casos, segundo a PF, os valores eram entregues em parcelas, com cobranças constantes, também por meio de mensagens, quando os pagamentos atrasavam.

    O episódio integra o material que embasou operação realizada na quinta-feira (5/3), conduzida de forma conjunta pela PF, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), e pela Corregedoria da Polícia Civil, que resultou na prisão de policiais e intermediários suspeitos de corrupção.

    Cobranças constantes

    Em uma das conversas analisadas, obtida pelo Metrópoles, o investigador Rogério Coichev Teixeira, ligado ao serviço aerotático da Polícia Civil, cobra diretamente o pagamento de uma parcela de propina.

    No diálogo, ele questiona se o dinheiro seria entregue no dia seguinte porque precisava levar os valores para outros envolvidos no esquema.

    Em um dos trechos citados pela investigação, o policial afirma:

    “Preciso levar pros meninos [outros policiais] amanhã”.

    Em outro momento, um interlocutor informa que conseguiu reunir R$ 40 mil para pagar parte da quantia combinada, prometendo quitar o restante posteriormente.

    Segundo a PF, os diálogos mostram que os pagamentos eram feitos gradualmente, conforme o grupo conseguia reunir recursos.

    Pressão por dinheiro

    As conversas também revelam momentos de pressão por parte dos policiais.

    Em um dos áudios analisados, um escrivão identificado como Ciro Borges Magalhães Ferraz, ligado a investigações conduzidas no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), alerta que a investigação poderia avançar caso não houvesse uma conversa rápida. “Seria interessante conversar logo… porque o caldo pode engrossar”, diz um trecho de conversa interceptada pela PF.

    Segundo a PF, esse tipo de mensagem reforça a suspeita de que policiais utilizavam o andamento das investigações como instrumento de pressão para obter pagamentos.

    Reclamações sobre os valores

    As mensagens mostram ainda que integrantes do grupo investigado reclamavam dos valores exigidos pelos policiais. Em um dos diálogos, um interlocutor relata que membros da Polícia Civil teriam pedido até R$ 5 milhões para resolver problemas relacionados a investigações envolvendo empresas do grupo.

    Em outros trechos, advogados e empresários discutem estratégias para reduzir os valores cobrados pelos policiais, tentando negociar pagamentos menores.

    Celulares registrados em nome de familiares

    A investigação também revelou que alguns policiais utilizavam celulares registrados em nome de familiares para conversar com integrantes do grupo investigado.

    Em um dos casos citados pela PF, o telefone usado pelo investigador Rogério Coichev Teixeira, ligado ao serviço aerotático da Polícia Civil, estava cadastrado em nome de sua esposa.

    Segundo os investigadores, a prática pode indicar uma tentativa de dificultar a identificação direta dos usuários das linhas utilizadas nas conversas.

    Operação de quinta-feira

    As conversas analisadas pela PF fazem parte de um conjunto maior de provas reunidas ao longo de meses de investigação.

    O material foi obtido a partir da extração de dados do celular de Robson Martins de Souza, apreendido em novembro de 2023 durante uma investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada usadas para enviar recursos ilegalmente ao exterior.

    A análise das mensagens revelou indícios de pagamentos a policiais civis e negociações para interferir em investigações conduzidas por delegacias da capital paulista.

    Com base nessas informações, a Polícia Federal passou a trabalhar em conjunto com o Gaeco e com a Corregedoria da Polícia Civil, responsável por investigar desvios dentro da instituição.

    A cooperação entre os três órgãos resultou na operação deflagrada na quinta-feira (5/3). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra policiais e intermediários suspeitos de integrar o esquema, além de ordens de busca e apreensão para recolher celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.

    Segundo os investigadores, o objetivo da ofensiva foi desarticular o núcleo responsável por negociar propinas para interferir em investigações policiais e aprofundar a apuração sobre a participação de servidores da Polícia Civil no esquema.

  • Após 1ª semana de março, encontro de Trump e Lula segue sem previsão

    Após 1ª semana de março, encontro de Trump e Lula segue sem previsão

    Ricardo Stuckert/PR
    Trump Lula

    O encontro presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não tem data definida. Interlocutores do Palácio do Planalto admitem que a reunião, inicialmente cogitada para a segunda semana de março, pode ser adiada.

    A agenda entre os dois líderes vem sendo negociada desde o ano passado. Em janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone. Segundo o Planalto, na ocasião, os presidentes acertaram que o petista faria uma visita a Washington, capital dos Estados Unidos.

    Ainda naquele mês, Lula chegou a afirmar que o encontro ocorreria “no começo de março”. Em fevereiro, porém, integrantes do governo brasileiro passaram a indicar que a reunião poderia ocorrer apenas na segunda quinzena do mês.

    Um auxiliar do presidente afirma que, apesar das sinalizações, ainda não é possível confirmar o cronograma. Na avaliação dele, a escalada de tensões envolvendo a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã pode influenciar o calendário.

    “A gente ainda pode ter essa reunião, sim. Se não for em março, pode ser em abril, pode ser em maio”, disse.

    Lula e Trump se encontraram pessoalmente em outubro do ano passado, durante uma agenda na Malásia. A reunião ocorreu em meio à sobretaxação imposta pelo presidente americano a produtos brasileiros. Na ocasião, o petista defendeu a suspensão do “tarifaço” contra o Brasil.

    Um mês depois, o , como café e carne bovina.


    Pauta do encontro


    Expectativas de Lula e Trump

    Em janeiro, Lula afirmou que pretendia conversar com Trump sobre as “boas relações entre Brasil e Estados Unidos”. No ano passado, o relacionamento entre os dois países passou por momentos de tensão, marcados por disputas comerciais e sanções americanas contra autoridades brasileiras.

    “Eu estou convencido de que a gente vai voltar à normalidade logo, que vamos fortalecer o multilateralismo e fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós”, disse o petista.

    Na conversa que tiveram por telefone, Lula e Trump também discutiram a criação do chamado Conselho da Paz, iniciativa anunciada pelo presidente americano para coordenar esforços internacionais em torno de conflitos globais.

    Críticas de Lula a Trump

    O presidente Lula criticou, na última semana, os planos anunciados por Trump para reconstruir a região da Faixa de Gaza. O americano tem dito que vai promover, por meio do Conselho da Paz, um plano de reconstrução e “estabilização” de Gaza. Segundo ele, o grupo deve investir cerca de US$ 5 bilhões na empreitada.

    “Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças, para agora aparecerem com pompa criando um Conselho, para dizer: ‘Vamos reconstruir Gaza’?”, questionou Lula.

    Sem mencionar Trump, o petista avaliou que os planos do Conselho da Paz envolvem a construção de um “resort para milionário passar férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças”.

    “Muitas vezes, a gente fica impassível. Se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece”, disse Lula.

    Em fevereiro, Donald Trump declarou que “se dá muito bem” com Lula e que vai “adorar” recebê-lo em Washington.

    “Bem, eu me dou muito bem com o presidente do Brasil”, disse Trump. “Eu vou adorar fazer isso”, acrescentou ele, ao responder sobre o encontro entre os líderes que deve ocorrer em breve.

  • Mulheres do Irã enfrentam restrições ampliadas pela guerra

    Mulheres do Irã enfrentam restrições ampliadas pela guerra

    Handout/Getty Images
    Foto colorida mostra mulheres iranianas - Metrópoles

    A situação do direito das mulheres no Irã, que enfrenta problemas estruturais diante do regime teocrático do islamismo xiita, se agrava com o cenário de guerra no país contra Israel e Estados Unidos.

    O Oriente Médio virou palco do conflito no dia 28 de fevereiro, quando ataques estadunidenses e israeleneses atingiram diversas partes do Irã e causaram a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

    A combinação entre restrições estruturais e o cenário de guerra torna a situação dos direitos femininos ainda mais delicada no Irã.


    Mulheres no Irã


    O advogado Daniel Toledo, especialista em direito internacional, analisa que em tempos de guerra, as garantias das mulheres ficam ainda mais frágeis, “o que reforça a importância dos mecanismos internacionais de proteção”.

    Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) corroboram com a visão do advogado, e indicam que mulheres estão entre os grupos mais afetados por deslocamentos forçados, violência sexual e interrupção de serviços essenciais em guerras recentes no Oriente Médio.

     

    Perse

    Toledo ressalta que, sob a ótica do direito internacional, perseguições baseadas em gênero podem fundamentar pedidos de asilo.

    “Se uma mulher sofre repressão por participar de protestos, por descumprir normas impostas ou por manifestar posicionamentos políticos, isso pode caracterizar perseguição. Países signatários da Convenção de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados têm obrigação de analisar esses casos à luz do princípio da não devolução”, afirma.

    A Irã é um dos signatários da Convenção de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados, e estabelece que refugiados em outros países não podem ser devolvidos ao país de origem onde sua vida ou liberdade esteja ameaçada.

    Segundo a Agência da ONU para Direitos Humanos (ACNUR), ao menos 100 mil pessoas deixaram Teerã, capital do Irã, desde o começo da guerra. A ACNUR estima que, em todo o Oriente Médio, cerca de 330 mil pessoas foram forçadas ao deslocamento por guerra.

  • SP tem um registro de violência contra a mulher a cada dois minutos. Veja vídeo

    SP tem um registro de violência contra a mulher a cada dois minutos. Veja vídeo

    W Prasongsin Stulio/Getty Images
    Foto genérica para matérias sobre violência contra mulher, feminicídio, abuso.

    O estado de São Paulo teve um registro de violência contra a mulher a cada dois minutos no ano passado. Os dados fazem parte das estatísticas oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e mostram que foram mais de 281 mil boletins de ocorrência por feminicídio, estupro e lesão corporal, entre outros, como calúnia e ameaça.

    Vale ressaltar que não constam no levantamento baseado nos dados oficiais crimes contra o patrimônio, como roubo, latrocínio ou extorsão mediante sequestro, onde também há violência contra a vítima.

    Em meio a tantos ataques, as cidades viram “campo minado” para as mulheres. “Acho que, como mulher, temos medo de todas as pessoas que passam por você, porque tudo pode representar uma ameaça. O tempo inteiro em que a gente anda na rua se sente desprotegida. Se tiver um pessoal passando a seu lado, atrás de você, todo olhar, toda sombra, podem ser um perigo. Então, tenho medo de andar na rua, basicamente”, afirma a estudante Maila Maricato, 20 anos.

    Os números da SSP sustentam a posição da estudante e mostram ainda uma tendência distinta entre os homicídios em geral e aqueles em que vítimas foram exclusivamente mulheres. Enquanto os assassinatos tiveram queda de 3,1% (de 2.517 para 2.438), aqueles contra mulheres especificamente (incluindo feminicídios, mas não apenas) cresceram 6,4% (421 para 448), na comparação entre 2024 e 2025.

    Destaca-se também a quantidade de ameaças sofridas e registradas por mulheres no estado de São Paulo no ano passado. Foram quase 100 mil casos (98.820).

    A Polícia Civil também registrou quase 70 mil boletins de ocorrência por lesões corporais dolosas contra mulheres. Foram 68.842 agressões ao longo dos 12 meses do ano.

    A violência não se resume aos danos físicos. Palavras também compõe o quadro de intimidação contra as mulheres. Segundo os dados oficiais, calúnias, injúrias e difamações representam mais de 77 mil casos.

    Medo

    Questionar mulheres nas ruas para falar sobre seus próprios medos é notar, já no início da pergunta, um sorriso que revela desconforto diante de tantas ameaças sofridas no dia a dia, seja nas ruas ou em casa.

    A cozinheira Elizete Maria de Jesus, 54 anos, afirma que a violência está demais, de forma generalizada. “Em tudo quanto é lugar, o medo de ser assaltada, ser atacada de maneira geral. Você não anda mais tranquila. Em qualquer lugar, está assustada, tem medo, não fica mais à vontade”, diz.

    A body piercer Talita Porto Mendonça, 31 anos, diz que há risco em qualquer horário. “Tenho medo tanto de sair à noite, só com as minhas amigas, sem amigos homens, até mesmo agora, à tarde, de ser assediada. Tudo me deixa um pouco paranoica. Já fico olhando para os caras, me protegendo. Pode ser 14h ou 21h, para mim é perigoso do mesmo jeito”, diz a body piercer.

    Os deslocamentos pela cidade no transporte público também oferecem riscos, como conta a estudante Bruna Mascher, 36 anos. “É sempre muito lotado, e a gente vê frequentemente algumas atitudes questionáveis do sexo masculino. Isso é o que mais me deixa com essa ansiedade, sempre muito alerta com o que está ao me redor, com as atitudes maliciosas”, afirma.

    A advogada Laís Almeida Mota, 27 anos, afirma que São Paulo é uma cidade insegura e o Brasil é um dos países como maior índice de feminicídio. “Só pelo fato de ser mulher, já existe uma violência de gênero explícita. Então, por causa disso, é preocupante a forma como o país se encontra, como a cidade lida com a segurança pública. A segurança me faz repensar todas as vezes em que venho para a cidade de São Paulo”, afirma.

    O que diz da SSP

    A Secretaria da Segurança Pública afirma que o estado de São Paulo é pioneiro na criação e na implementação de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, com ações voltadas à ampliação do acesso, à proteção das vítimas e ao fortalecimento da rede de atendimento.

    “Na atual gestão, foram inauguradas as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de Ferraz de Vasconcelos e Paulínia, totalizando 142 unidades territoriais no estado. Desse total, 18 funcionam em regime de plantão 24 horas — sendo dez no interior, sete na capital e uma na região metropolitana”, diz, em nota.

    Segundo a SSP, o governo implantou 111 Salas DDMs desde 2023, sendo 15 naquele ano, 77 em 2024, 16 em 2025 e três em 2026. O estado conta com 173 Salas DDMs e, nessas unidades, as vítimas são atendidas por videoconferência por equipes da DDM Online, assegurando atendimento ininterrupto, conforme previsto na Lei Federal nº 14.541/23.

    Entre outras medidas, São Paulo tem promovido o tornozelamento de agressões de mulheres. Desde setembro de 2023, o equipamento já foi utilizado por 712 agressores, dos quais 189 permanecem ativos. “Além disso, possibilitou a condução à delegacia de 211 autores, dos quais 120 permaneceram presos por descumprimentos de medidas protetivas”, diz.

    O App SP Mulher Segura conecta mulheres em situação de risco com a polícia e conta com 45,7 mil usuárias, tendo registrado 9,6 mil acionamentos do botão do pânico. A SSP destaca ainda outras medidas tomadas para proteger mulheres.