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  • Mensagens revelam como Vorcaro recrutava modelos para festas na Europa

    Foto: Divulgação
    CPMI do INSS espera ouvir Daniel Vorcaro nesta quinta-feira (5/2)

    Conversas no Instagram encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master usava os serviços de um amigo que “agenciava” mulheres com perfis de modelo para eventos durante suas viagens internacionais.

    O banqueiro foi preso na quarta-feira (4/3), na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias contra o sistema financeiro envolvendo o Master. Vorcaro é acusado de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Ele nega.

    As mensagens estavam no celular que foi apreendido com Vorcaro pela PF na primeira fase da operação, em novembro de 2025, quando o banqueiro ficou preso por 11 dias em Guarulhos, na Grande São Paulo.

    Mulheres para festas

    Segundo as mensagens, em 25 de junho de 2024, Vorcaro organizou uma festa na cidade de Lisboa, em Portugal. Na conversa pela rede social, um amigo dele chamado Stheve Lopes manda alguns perfis de mulheres no Instagram e avisa o banqueiro que elas estavam na capital portuguesa naquele período

    “Tava aqui conversando com elas, qualquer coisa posso falar para elas esticarem, pois iriam embora amanhã já. Disseram que estão livre até dia 26. Você quem sabe se for fazer uma festa acho que vale segurar”, escreveu o amigo.

    Vorcaro respondeu: “Pode segurar para a festa. Loirinha top”.

    Lopes, então, avisa que conseguiu o hotel para elas no mesmo que “as meninas”, aparentemente outras garotas que já conhecia. “Estão indo com você? Para Portugal vi que estão em aeroporto indo para Portugal. Qualquer coisa mando msg [mensagem] aqui para uma delas que conheci. As 3 ficam até dia 28. Posso convidar para festa?”

    Logo depois, Lopes manda outra mensagem: “Convidei as duas, estão aí em Lisboa”. Na sequência, envia outro perfil e explica: “Também está aí. Disse que vai ficar mais um dia. Pode chamar? Ela acho que você já conheceu em festa conosco”.

    Vorcaro responde com orientações: “Pode, claro. Todas. Fala pra quando chegarem me procurar e falar que são suas amigas. Senão na hora eu fico perdido quem chamou quem”.

    No dia seguinte à festa, em 26 de junho, Lopes volta a mandar mensagens para Vorcaro: “Irmão, ela pode ficar mais, iria precisar de lugar. Podemos pegar um quarto a ela?”, escreveu, enviando mais um link com perfil de uma garota.

    “Disse que te viu ontem mas não conseguiu falar com você. Foi legal ontem a festa? Ela está afim de ficar mais, se for fazer algo quer segurar ela? Pois voo de volta para o Brasil seria [dia] 28”, diz Lopes.

    Desta vez, a resposta de Vorcaro é mais curta: “Já tô em Saint-Tropez“, escreveu o banqueiro, dizendo que já havia deixado Lisboa e seguido para o destino paradisíaco de milionários, no sul da França.

    O amigo, então, sugere mandar as mulheres para Saint-Tropez: “Se quiser eu resgato aqui elas e mando aí. Estão animadas para ficar mais. Precisar que mande umas gata aí conte comigo”.

    Vorcaro encerra a conversa com outra frase rápida: “Aí é foda”.

    Pouco tempo depois, em 5 de julho de 2024, Lopes volta a puxar assunto com Vorcaro pelo Instagram. “Tinha que convidar essa para alguma coisa, tô falando com ela sempre aqui. Ela é animada”, escreveu o amigo do banqueiro, junto com o envio de uma foto.

    Vorcaro responde: “Demais, hein. Tô aqui”. O amigo logo oferece mais garotas: “Quer armar algo? Eu chamo umas gatas que estão aí, se for fazer festa. Tem bastante menina que faz imagem aí, umas gata que conheço. Estão tudo aí”.

    “Amanhã festa com vintage. Chama a turma”, diz Vorcaro.

    “Okay que horas? Endereço? Manda as coordenadas. Tem umas gata aí que trabalha de imagem, se quiser posso ver também. Paga alguma coisa para as meninas ir umas maneira. Posso ver isso se me avisa que eu organizo rápido, mas já avisa tudo hoje que eu monto a operação aqui. Me dá o ok que opero aqui”, reforça o amigo.

    Sem resposta, o rapaz envia outra mensagem no dia seguinte: “Bom dia, irmão, vai ter mesmo? Preciso das coordenadas, que montamos a operação”. Não há registro de resposta de Vorcaro.

    Segundo as conversas encontradas pela PF, mais uma festa foi marcada em agosto de 2024. No dia 5 daquele mês, o amigo envia nova mensagem no Instagram: “Fala Dani, tudo bem? Amanhã vamos ter algo que já começo organizar aqui hoje. Oi, vai ser de última hora?”.

    No dia seguinte, Vorcaro responde: “Amanhã tem. No grilo”.

    Eficiente, o amigo já comunica: “Beleza, vamos armar lá. Vou marcar umas 21h, então”. Na sequência, ele envia uma imagem ao banqueiro, que rapidamente responde: “Wow”.

    Em outra mensagem, Lopes faz nova oferta a Vorcaro: “Tem umas querendo vir em Octuber [outubro]. Se animar de trazer, organizo aqui. Esse aqui tá em Sampa veio por uma agência, conheci ela, maneira ela”. E conclui a conversa mostrando que o diálogo entre eles diminuiu: “Tu sumiu, pow. Saudades”.

    Cinco dias depois, em 11 de agosto, o amigo volta a enviar um perfil de mulher para Vorcaro com a mensagem “essa é máquina”. Recebeu um “demais” como resposta.

    Na sequência, o amigo avisa: “Tá aqui em Sampa perguntando se amanhã teria algo. Se for fazer lá amanhã posso convidar. Lugar, arrumei um bacana lá no Jardins, privado”.

    Vorcaro, como sempre, é curto na resposta: “Chama”.

    Em outra mensagem oferecendo mulheres a Vorcaro, Lopes afirma que contrata DJ e que até manda “arrancar as câmeras”.

    A próxima interação entre Daniel Vorcaro e o amigo só ocorre em agosto de 2025, quando a crise envolvendo o Banco Master já ocupava o noticiário. Lopes sugere retomar a parceria, e o banqueiro responde: “Vamos voltar mais fortes. Deixa só eu sobreviver aqui”.

  • Trump diz que não tem intenção de invadir o Irã por terra

    Trump diz que não tem intenção de invadir o Irã por terra

    Win McNamee/Getty Images
    Donald Trump no discurso do Estado da União, no Capitólio

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sobre a possibilidade de invadir o país persa por terra. Trump disse que uma invasão terrestre não é algo que ele esteja pensando no momento. 

    “É uma perda de tempo. Eles perderam tudo. Perderam a marinha. Perderam tudo o que podiam perder”, disse ele à NBC nesta sexta-feira (6/3).

    Araghchi afirmou que o Irã está preparado para uma invasão por terra pelos Estados Unidos. “Estamos à espera deles”, disse. “Porque temos confiança de que podemos enfrentá-los, e isso seria um grande desastre para eles”, afirmou.

    O norte-americano classificou a fala de Araghchi como “comentário inútil” .

    Conflito no Irã

    No sábado (28/2), Israel e Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar coordenada contra o Irã. O objetivo declarado foi destruir instalações de enriquecimento de urânio que, segundo Washington e Tel Aviv, estavam prestes a produzir material para bombas atômicas.

    O Irã reagiu com ataques de mísseis balísticos e drones, não apenas contra Israel, mas contra bases militares americanas na região.

     

  • "Vou puxar seu RIF": policiais simulavam investigação ao pedir propina

    "Vou puxar seu RIF": policiais simulavam investigação ao pedir propina

    Reprodução/Polícia Civil
    Arte gráfica insinuando grades de prisão com dois homens em fotos distintas, um ao lado do outro - Metrópoles

    Uma ferramenta de análise mencionada repetidamente em conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) ajuda a explicar o mecanismo que teria sido usado por policiais civis de São Paulo para pressionar investigados. A frase “vou puxar o seu RIF também”, como relatou uma fonte sigilosa ao Metrópoles, ajuda a ilustrar o argumento usado para intimidar pessoas que apareciam em relatórios financeiros solicitados em investigações oficiais.

    A expressão, ainda segundo a fonte, ajuda a explicar como policiais transformavam informações bancárias em instrumento de pressão.

    A conduta suspeita, identificada em trocas de mensagens, levou à operação deflagrada nessa quinta-feira (5/3), conduzida pela PF, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), e pela Corregedoria da Polícia Civil.

    Segundo os investigadores, a engrenagem do esquema usava um recurso legítimo da atividade policial, ou seja, o acesso a relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), com os quais os policiais corruptos constrangiam pessoas e, com elas, negociavam pagamentos.

    Ao todo, 10 suspeitos tiveram prisão preventiva decretada na investigação que apura um esquema de corrupção envolvendo policiais e intermediários. Entre eles, estão: o delegado João Eduardo da Silva, o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz, além dos investigadores Rogério Coichev Teixeira e Roldnei Eduardo dos Reis Baptista.

    O Metrópoles apurou que os quatro foram submetidos a audiência de custódia, ainda na tarde dessa quinta, na qual a Justiça manteve suas prisões preventivas, ou seja, por tempo indeterminado. Todos foram encaminhados ao presídio da Polícia Civil. A defesa deles não foi localizada e o espaço segue aberto para manifestações.

    Como o esquema funcionava

    A investigação aponta que o ponto de partida era um Relatório de Inteligência Financeira (RIF). Esses documentos reúnem movimentações consideradas atípicas, como transferências elevadas ou incompatíveis com o perfil financeiro de uma pessoa. Delegados, por exemplo, podem solicitar esses relatórios em investigações policiais.

    Segundo a apuração federal, porém, parte dessas consultas teria sido usada para outro fim. Policiais civis de São Paulo — alvos do inquérito da PF, entre eles, o delegado João Eduardo da Silva e o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz — identificavam, por meio de um RIF, pessoas que tinham feito transferências ou mantinham relações financeiras com o investigado principal de um inquérito instaurado pela delegacia. Esses nomes passavam, então, a ser tratados como novos alvos.

    Em seguida, essas pessoas eram chamadas para prestar esclarecimentos em delegacias. O procedimento parecia regular. Mas, segundo os investigadores, havia um detalhe decisivo.

    “Investigação de gaveta”

    De acordo com a investigação, muitas dessas diligências não eram registradas oficialmente nos autos do inquérito. Nem os relatórios financeiros usados para identificar os alvos, nem algumas das intimações expedidas eram anexados ao processo. Isso permitia, conforme levantou a PF, que os policiais paulistas conduzissem uma apuração paralela, fora do registro formal.

    O próprio processo, obtido pela reportagem, descreve o método como uma espécie de “investigação de gaveta”, um conjunto de diligências que existiam na prática, mas não apareciam no procedimento oficial.

    Segundo os investigadores, era nesse espaço informal que surgiam as negociações.

    “Vou puxar seu RIF”

    Para explicar como funcionava a pressão sobre os alvos, uma fonte que acompanha o caso descreveu um exemplo típico usado pelos policiais.

    A partir do relatório financeiro de um investigado, policiais identificariam pessoas que haviam feito qualquer tipo de transação com ele, até mesmo pagamentos legítimos. Essas pessoas eram chamadas para depor. Durante a conversa, segundo a fonte, surgia a ameaça “vou puxar o seu RIF também”.

    A frase servia para sugerir que a vida financeira do convocado poderia ser examinada em detalhe. Segundo a fonte, a mensagem implícita deixava claro que, se os policiais resolvessem aprofundar a análise, sempre seria possível encontrar algum ponto para questionamento.

    Era nesse momento que surgiam as propostas para “resolver” o problema.

    Negociações e valores

    Conversas analisadas indicam que valores para encerrar investigações eram discutidos entre intermediários e pessoas ligadas aos investigados.

    Em um dos diálogos mencionados no material da investigação, um advogado afirma ter analisado o relatório financeiro do caso e diz que havia movimentações relevantes. O mesmo interlocutor relata ter conversado com um escrivão da delegacia — apontado na investigação como Ciro Borges Magalhães Ferraz.

    Segundo o relato, policiais teriam mencionado a possibilidade de cobrar R$ 700 mil para encerrar a questão. O valor acabou sendo reduzido durante a negociação.

    Em outra conversa analisada na investigação, o interlocutor afirma que conseguiu baixar a cobrança. “Eu baixei pra um valor pequeno… foi um ‘cenzão’”. A referência seria a R$ 100 mil, segundo a interpretação dos investigadores.

    O papel dos intermediários

    A investigação também aponta a atuação de intermediários que ajudavam a negociar os pagamentos. Em um dos diálogos analisados, o advogado Guilherme Sacomano Nasser afirma que tinha proximidade com o delegado responsável pelo caso, identificado no processo como João Eduardo da Silva.

    Segundo a transcrição incluída na investigação, ele diz que o policial seria seu “parceiraço”, o que lhe permitiria tratar diretamente do problema. Na conversa, ele relata ter conseguido reduzir o valor exigido pelos policiais e sugere que o pagamento resolveria a situação.

    O documento da PF diz que o pagamento teria sido feito para evitar o avanço da investigação envolvendo empresas e pessoas citadas no relatório financeiro.

    Investigadores viraram investigados

    O caso ganhou força após a análise de celulares apreendidos em uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada a operadores que simulavam importações para enviar recursos ilegalmente ao exterior.

    Segundo a PF, o grupo criava diversas empresas de fachada para movimentar valores e ocultar a origem do dinheiro.

    Durante a perícia nos aparelhos, apreendidos em novembro de 2023, investigadores encontraram conversas que mencionavam pagamentos a policiais civis e tratativas envolvendo delegacias de São Paulo, incluindo contatos com o escrivão Ciro Borges e outros servidores da instituição.

    Essas mensagens levaram à abertura de uma nova frente de investigação, desta vez, voltada à atuação de policiais.

    Ação conjunta

    O material reunido ao longo da apuração levou à operação conjunta realizada nessa quinta-feira (5/3). Segundo os investigadores, o caso revela um esquema que explorava justamente as ferramentas criadas para combater crimes financeiros.

    Relatórios do Coaf, intimações policiais e investigações formais — todos instrumentos legítimos — teriam sido usados para montar um sistema paralelo de pressão.

    Agora, a investigação federal tenta esclarecer até que ponto esse mecanismo foi usado dentro da estrutura da Polícia Civil de São Paulo e, também, se a frase “vou puxar seu RIF” era apenas um argumento isolado, ou parte de um método recorrente para transformar investigações em moeda de negociação.

  • Deputados de SP miram aportes de aposentadorias no Master em CPI

    Deputados de SP miram aportes de aposentadorias no Master em CPI

    Michael Melo/Metrópoles
    Banco Master

    Uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) vai mirar nas operações de aportes dos institutos de Previdência de municípios paulistas em letras financeiras no Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.

    A chamada CPI dos Golpes de Pirâmide elegeu na última quarta-feira (4/3) o deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil) como presidente. O petista Paulo Fiorillo será o vice-presidente. Já o relator será Leonardo Siqueira (Novo). O colegiado terá duração de 120 dias e tem o objetivo de investigar golpes por meio da promessa de falsos investimentos.

    Ao Metrópoles, Zacarias afirmou que protocolou um requerimento de convocação de Vorcaro, que será votado na próxima reunião da CPI, agendada para a próxima quarta-feira (11/3).

    O foco será a compra de papéis do Master por institutos de Previdência de ao menos cinco municípios: Cajamar (R$ 87 milhões), São Roque (R$ 93 milhões), Araras (R$ 29 milhões), Santo Antônio de Posse (R$ 7 milhões) e Santa Rita d’Oeste (R$ 2 milhões).

    “Estamos falando do dinheiro da aposentadoria de servidores paulistas. Se fundos de Previdência de municípios foram parar no Banco Master e houve irregularidade, isso precisa ser explicado. Por isso, convocamos Vorcaro. A CPI vai pressionar até que todos os responsáveis sejam responsabilizados”, disse Zacarias.

    Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, foram presos nessa quarta-feira (4/3), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

    “A CPI chega em um momento crucial, diante de denúncias sérias envolvendo os tentáculos do Banco Master no Estado de São Paulo, por meio de investimentos realizados por Institutos de Previdência de cidades paulistas. É imprescindível compreender a forma como essas aplicações foram feitas e se houve intenção por trás dessas operações, uma vez que os fundos de investimento do Banco Master sempre foram considerados de alto risco”, disse Paulo Fiorilo (PT).

    Prejuízo aos municípios

    A Lei Federal nº 9.717/1998 estabelece que os entes federativos – neste caso, os municípios – são responsáveis pela cobertura de “eventuais insuficiências financeiras do respectivo regime próprio, decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários”.

    Isso porque o chamado Fundo Garantidor de Créditos (FGC), usado para ressarcir investidores, cobre apenas os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), vendidos pelo Master no mercado, mas não letras financeiras.

  • Suplência de Derrite ao Senado deve ficar com assessor de Tarcísio

    Suplência de Derrite ao Senado deve ficar com assessor de Tarcísio

    Rosinei Coutinho/SCO/STF
    José Vicente Santini, assessor de Tarcísio

    A posição de suplente de Guilherme Derrite (PP) na candidatura ao Senado por São Paulo deve ficar com José Vicente Santini que, desde o início do atual mandato, é assessor especial de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na eleição ao Senado, cada candidato registra dois nomes como suplentes.

    Próximo de Eduardo e Flávio Bolsonaro, Santini é o chefe do escritório do Governo de São Paulo em Brasília e também atuou em cargos na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

    Segundo fontes ligadas ao grupo, a suplência de Derrite está assegurada a Santini, embora o PP ainda especule que a vaga possa ficar com algum quadro do partido. Nomes como dos vereadores Major Palumbo e Janaína Paschoal são citados.

    Vicente Santini é irmão de Nelson Santini, oficial da reserva da Polícia Militar e que atua como empresário na área de segurança.

    Na reunião entre Tarcísio e Flávio, realizada na última sexta-feira (27/2), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, também ficou definido que os irmãos atuarão na coordenação das campanhas. Nelson ficará encarregado da área de logística da campanha nacional de Flávio.

    Já Vicente Santini servirá como uma espécie de elo entre as campanhas de Flávio e Tarcísio em São Paulo, em áreas como agenda e eventos. Ele deve deixar o cargo na gestão Tarcísio nas próximas semanas para se dedicar à campanha.

  • Nova sede de governo: moradores veem jogo de empurra com desapropriações

    Nova sede de governo: moradores veem jogo de empurra com desapropriações

    Édson Lopes Jr/SECOM
    Parque Princesa Isabel é inaugurado no Centro da capital após revitalização da área

    Moradores de prédios que serão demolidos para a construção da nova sede do governo estadual no centro de São Paulo têm vivido uma rotina de incertezas em meio ao avanço do projeto e relatam um jogo de empurra-empurra por parte da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) no processo de desapropriações.

    Pegos de surpresa com o anúncio da obra, em 2024, os moradores dos edifícios Princesa e Henrique, alvos do projeto, afirmam ter sido procurados no primeiro semestre de 2025 pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A estatal teria perguntado ao grupo quem teria interesse em uma negociação amigável para deixar os imóveis.

    Segundo ele, a companhia chegou a enviar peritos para avaliar o valor dos imóveis. Depois disso, no entanto, a estatal parou de retornar às tentativas de contato dos moradores.

    Agora, tanto a CDHU quanto a gestão Tarcísio afirmam que as desapropriações não serão mais conduzidas pelo governo, e ficarão totalmente sob a responsabilidade da empresa privada que vai gerir a obra. O Metrópoles apurou que as perícias nos apartamentos serão refeitas do zero.

    As propostas da CDHU

    Silvio mora há 20 anos com a família no prédio que fica em frente ao Parque Princesa Isabel, em uma das quadras que serão totalmente modificadas pelo projeto. Desde que soube da obra do governo, ele tem participado das reuniões e audiências públicas sobre o projeto.

    O aposentado conta que estranhou quando a CDHU apresentou, em maio, uma proposta de negociação antecipada aos moradores do seu prédio e de um edifício vizinho. Isso porque o próprio edital do projeto previa que as desapropriações seriam negociadas pelo consórcio que assumisse a parceria público-privada (PPP).

    “Eu só deixei a CDHU avaliar o meu apartamento porque fiquei com medo. Porque, no fim, eu ia ficar sozinho dentro do prédio”, diz o aposentado, comentando que a ideia de negociar diretamente com o governo animou seus vizinhos e ele achou melhor não ser o único a esperar pelo leilão.

    Naquele dia, representantes da CDHU disseram que os moradores poderiam negociar entre a possibilidade de receber uma indenização no valor do apartamento ou fazer uma permuta por outro imóvel. Até mesmo a possibilidade de que a companhia financiasse outra residência foi aventada pelos representantes. O encontro contou com a presença do presidente da CDHU, Reinaldo Iapequino.

    “[Eles disseram] que teria dois caminhos: ou nós faríamos com eles, ou com a empresa que ia ganhar a licitação lá no leilão”.

    “Destruir apartamentos”

    Odair diz que, naquele dia, o presidente da companhia disse que a CDHU começaria a “destruir” os apartamentos que fossem sendo deixados vazios, mesmo que outros vizinhos ainda estivessem no prédio e quisessem entrar na Justiça para negociar, por exemplo.

    O Metrópoles teve acesso a uma gravação da reunião e confirmou a fala. No áudio, Reinaldo diz que a companhia buscará entrar em acordo com 100% dos moradores, mas que se tiver uma maioria de apartamentos vazios, começará a descaracterizá-los.

    “Imagina que a gente consiga [esvaziar] 30 [apartamentos]. Se a gente conseguir 30, o que nós vamos fazer? Vamos destruir os apartamentos por dentro. Eu não posso gerar risco de ter invasão. A gente precisa ter as nossas condições”, disse o presidente.

    Odair e Silvio dizem que quase todos os moradores aceitaram negociar antecipadamente com a CDHU, mas desde setembro de 2025 o grupo não tem mais retorno da companhia. O grupo chegou a montar um abaixo-assinado cobrando resposta sobre o andamento do processo, mas não foi mais atendido pelo governo.

    A escolha do governo

    Diretor-presidente da Companhia Paulista de Parcerias, empresa estatal que estruturou o projeto da PPP no centro, Edgar Benozatti disse que a gestão Tarcísio optou por manter as desapropriações com o setor privado “para proteger o cronograma” da obra, que tende a andar mais rapidamente quando essa etapa é feita pela iniciativa privada, segundo ele.

    Em entrevista ao Metrópoles, Edgar afirmou que os apartamentos passarão por uma nova perícia, contratada pela concessionária e revisada por um certificador independente, para garantir um preço atualizado e justo aos proprietários.

    “Mesmo que eu quisesse utilizar esses laudos [que já foram feitos pelos peritos anteriores], à medida que o tempo vai passando, eu vou prendendo a data base. Então, de todo modo, a gente precisaria fazer aqui um novo estudo, um novo laudo, até pra dar o valor justo por morador, que pode ter feito uma reforminha na casa dele, algum tipo de melhora ali. Isso tem que ser levado em consideração”.

    Segundo o diretor, as propostas feitas pela concessionária para as desapropriações serão exclusivamente de pagamento em dinheiro pelo valor do imóvel, não sendo mais ofertadas possibilidades de permuta, por exemplo. Edgar disse que as famílias receberão um valor adequado para que possam se manter no centro.

    A reportagem questionou se ao diretor se ele sabia que a CDHU tinha apresentado uma proposta independente aos moradores e enviado peritos próprios antes, mas ele afirmou “não recordar” de “todos os detalhes das ações da CDHU”.

    “Fato é que a CDHU foi muito parceira nesse aspecto de diálogo com a população, porque é um processo complexo. É um processo razoavelmente traumático para as pessoas. A gente tenta que ele seja o mais suave possível, mas a gente reconhece as dificuldades inerentes a esse processo de desapropriação”, afirmou.

    O que diz a CDHU

    Em nota, a CDHU disse que iniciou o diálogo com os moradores dos edifícios Henrique e Princesa “com a finalidade de dar transparência à situação e de abrir as tratativas sobre as desapropriações”.

    A empresa afirma que realizou duas reuniões com os residentes e apresentou os procedimentos necessários à desapropriação, “incluindo todas as etapas e exigências formais”.

    “Todo o histórico das tratativas com os moradores será disponibilizado à coordenação do projeto e ao consórcio vencedor”, diz a nota. A empresa não respondeu por que deu início ao processo de negociação para a desapropriação e depois parou de responder aos moradores.

    O governo Tarcísio prevê que 312 imóveis, entre residenciais e comerciais, serão desapropriados para a obra. No total, a estimativa é que o número de famílias que precisarão deixar suas casas passe de 700.

    A gestão promete que tanto quem vive em casas próprias quanto as famílias moram em pensões e cortiços na região terão condições de continuarem morando no centro.

    Veja fotos do projeto:

  • STF termina nesta sexta julgamento sobre debêntures bilionárias de Eike

    STF termina nesta sexta julgamento sobre debêntures bilionárias de Eike

    Michael Melo/Metrópoles
    Imagem colorida de Eike Batista

    A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) conclui, nesta sexta-feira (5/3), julgamento de ação que analisa disputa sobre direito de preferência por debêntures do empresário Eike Batista. Após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, o colegiado retomou a análise, em plenário virtual, no dia 27 de fevereiro. O prazo para o término é nesta sexta-feira (6/3).

    Hoje, a Turma do STF já tem maioria para negar o agravo da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a reconsideração da Corte em relação à venda de debêntures para que os valores sejam usados como pagamento da multa de R$ 800 milhões acordada por ele em delação premiada. Os votos para negar o pedido da PGR são de Dias Toffoli, André Mendonça e Gilmar Mendes.

    A grande discussão, no entanto, é que o relator do caso, ministro Toffoli, foi além do pedido da PGR e fez um complemento em seu voto. O magistrado analisou que o Fundo Itaipava FIM, que teve aporte do BTG Pactual, tem direito de preferência de compra das debêntures, mesmo elas tendo sido arrematas em leilão por R$ 612 milhões pela empresa Argenta Securities em 2021.

    O ministro Gilmar Mendes concordou com Toffoli. Mas André Mendonça discordou, formando um placar de 2 a 1 para a preferência do Fundo Itaipava na compra. Falta ainda o ministro Nunes Marques votar. Luiz Fux, que também faz parte da Turma, se declarou suspeito de julgar o caso, pois o filho do ministro faz parte do corpo de advogados de Eike.

    Desde o leilão, autorizado pela Justiça de Minas Gerais para pagar a massa falida da MMX, a titularidade das debêntures vem sendo alvo de disputa judicial. Após o certame, o Fundo Itaipava questionou a operação, alegando ter direito de preferência na compra, uma vez que, formalmente, as debêntures estariam vinculadas à NB4 Participações, empresa da qual o fundo afirma deter participação.

    Pedido de vista e retorno do julgamento

    Gilmar pediu vista no início de fevereiro, em meio à polêmica sobre a relatoria do ministro Dias Toffoli. Os advogados de Eike Batista tentavam, em 6 de fevereiro, reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que manteve Toffoli como relator do caso.

    A defesa alegou a necessidade de que seja declarada a suspeição de Toffoli devido à suposta relação do ministro com o dono do BTG Pactual, André Esteves. Pediu ainda que o recurso seja analisado em plenário.

    Moraes manteve Toffoli na relatoria do caso durante as férias de Edson Fachin quando estava como presidente em exercício do STF.

    Imparcialidade

    A defesa de Eike argumentou, na Arguição de Suspeição, que a relatoria de Toffoli não teria imparcialidade garantida devido à relação pessoal dele com André Esteves.

    Além de trazer nos autos a informação de que os ativos tiveram valor subestimado e de fazer um ponto a ponto sobre o voto de Toffoli que deu preferência de compra das debêntures ao fundo de investimento Itaipava FIM, que teve aporte do BTG Pactual, a defesa apontou a amizade do ministro após vídeos divulgados pelo Metrópoles, na coluna de Andreza Matais.

    Reportagem como exemplo

    A reportagem jornalística foi usada como exemplo para demonstrar a relação pessoal de Dias Toffoli com André Esteves. No entanto, Moraes disse, em sua decisão, que não poderia declarar a suspeição de Toffoli no caso, porque “o pedido se ampara unicamente em notícias de portais da internet que não servem minimamente como prova do alegado”. 

    A coluna revelou, com vídeos e relatos, que Toffoli se encontrou com André Esteves e Luiz Pastore no resort Tayayá, no Paraná. Pastore é empresário do setor metalúrgico e suplente de senador pelo MDB.

  • Licença-paternidade ampliada: entenda a proposta aprovada no Senado

    Licença-paternidade ampliada: entenda a proposta aprovada no Senado

    Getty Images
    pai-filho

    A licença-paternidade aprovada pelo Senado na noite de quinta-feira (5/3) estabelece uma ampliação gradual da licença, que poderá alcançar até 20 dias até 2029. A proposta também prevê o pagamento de um salário-paternidade durante o período em que o pai estiver afastado do trabalho.

    O projeto aprovado pelo Congresso Nacional estabelece que a lei valerá a partir de 2027, com aumento gradual. Eis como ficará:

    O texto aprovado diz ainda que as empresas deverão manter o pagamento integral do salário do trabalhador durante o período de licença, sem qualquer tipo de desconto.

    A proposta também garante estabilidade no emprego ao pai, proibindo a demissão sem justa causa até 30 dias após o retorno da licença-paternidade.


    Como ficará a licença-paternidade, aprovada pelo Congresso Nacional


    Atualmente, trabalhadores com carteira assinada têm direito a cinco dias corridos de licença-paternidade, contados a partir do primeiro dia útil após o nascimento do filho ou a formalização da adoção.

    Servidores públicos federais também contam com o benefício, garantido por legislação específica. A licença é válida tanto para pais biológicos quanto para adotivos.

    A proposta permite que a licença seja usufruída em duas etapas, desde que a mãe esteja viva. Nesse modelo, o pai deverá utilizar ao menos metade do período logo após o nascimento ou a adoção, podendo reservar os dias restantes para um segundo momento, dentro do prazo de até seis meses.

    Para trabalhadores de empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, o texto prevê a concessão de 15 dias adicionais. Com isso, a duração total da licença-paternidade pode chegar a 35 dias nesses casos.

    Impacto fiscal

    A regulamentação da proposta, que agora deverá ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve gerar um impacto de R$ 3,3 bilhões em 2027, R$ 4,35 bilhões em 2028 e R$ 5,44 bilhões em 2029.

    O efeito fiscal, no entanto, tende a ser neutro, pois os valores poderiam ser compensados por receitas previstas no projeto que instituiu o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp), aprovado pela Câmara dos Deputados em 29 de outubro.

  • Irã diz que está preparado para invasão por terra pelos EUA

    Irã diz que está preparado para invasão por terra pelos EUA

    Reprodução/X
    Abbas Araghchi, chanceler iraniano

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na quinta-feira (5/3) que o país persa está preparado para uma invasão por terra pelos Estados Unidos. “Estamos à espera deles”, disse. “Porque temos confiança de que podemos enfrentá-los, e isso seria um grande desastre para eles”, disse ao ser questionado sobre uma possível ofensiva terrestre em entrevista à NBC.

    Araghchi também afirmou que não pediu por um cessar-fogo aos EUA. “Nem da última vez pedimos um cessar-fogo. Anteriormente, foi Israel quem pediu um cessar-fogo”, disse, em referência à última ofensiva de Israel.

    Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã pediu por um cessar-fogo. “Eles estão ligando, perguntando: ‘Como podemos chegar a um acordo?’”, afirmou Trump na Casa Branca. “Eu respondi: ‘Vocês estão um pouco atrasados, e nós queremos brigar agora mais do que eles’.”

    Conflito no Irã

    No sábado (28/2), Israel e Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar coordenada contra o Irã. O objetivo declarado foi destruir instalações de enriquecimento de urânio que, segundo Washington e Tel Aviv, estavam prestes a produzir material para bombas atômicas.

    O Irã reagiu com ataques de mísseis balísticos e drones, não apenas contra Israel, mas contra bases militares americanas na região.

     

     

  • O comentário de Alexandre de Moraes sobre Flávio Bolsonaro

    O comentário de Alexandre de Moraes sobre Flávio Bolsonaro

    Hugo Barreto/ Metrópoles
    O ministro Alexandre de Moraes

    O ministro Alexandre de Moraes (STF) fez um comentário, durante conversa informal com pessoas próximas esta semana, sobre a postura de Flávio Bolsonaro (PL) na pré-campanha à Presidência da República.

    Segundo interlocutores ouvidos pela coluna, Moraes usou a palavra “moderado” ao analisar o comportamento que Flávio vem adotando desde que se colocou como postulante ao Planalto. Tal posição contrasta com a que marcou a trajetória de Jair Bolsonaro na política.

    Na conversa, Alexandre de Moraes não demonstrou preocupação com as investigações relacionadas ao Caso Master, que reveleram um contrato firmado entre a instituição financeira e sua esposa, Viviane Barci. Flávio, por sinal, tem evitado fazer críticas sobre o escândalo envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.

    No último protesto da direita realizado na Avenida Paulista, no domingo (1/3), Flávio defendeu o “impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei”, mas não citou o nome de Alexandre de Moraes.

    Contraste nos disursos

    O discurso foi considerado suave, sobretudo em comparação com os realizados por outras lideranças do campo conservador, que carregaram nas críticas ao ministro do STF.

    O deputado federal Nikolas Ferreira, por exemplo, chamou Moraes de “panaca” e disse que o “destino final” do magistrado seria a “cadeia”.