Categoria: Teste

  • A reação de Bolsonaro à negativa de Nikolas em concorrer a governador

    A reação de Bolsonaro à negativa de Nikolas em concorrer a governador

    Breno Esaki/Metrópoles
    Bolsonaro Foto colorida do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília - Metrópoles

    O ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu à decisão do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de não concorrer ao cargo de governador de Minas Gerais nas eleições de 2026.

    Em uma das visitas de Nikolas à Papudinha, segundo relatos, Bolsonaro elogiou o deputado pela “humildade” de não disputar o governo agora e afirmou que “tudo tem sua hora”.

    Nikolas vinha sendo pressionado a concorrer a governador pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-MG), que queria ter o deputado como seu palanque em Minas Gerais, em 2026.

    Nikolas disputará reeleição

    O parlamentar mineiro, contudo, recusou a oferta. A avaliação de Nikolas foi a de que ainda não seria o momento de virar governador, sobretudo diante da situação fiscal de Minas Gerais.

    “Vou para a reeleição no Congresso. Agora, mais do que nunca, está provado que minha voz em âmbito nacional é muito importante. E estamos trabalhando para achar um nome para o governo de Minas”, afirmou Nikolas à coluna em 2 de fevereiro.

  • Homem é encontrado morto dentro de residência na região da Sobral

    Homem é encontrado morto dentro de residência na região da Sobral

    A ocorrência foi registrada após uma vizinha ir até o imóvel para visitá-lo e encontrá-lo já sem sinais vitais. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e enviou uma ambulância de suporte avançado, mas a equipe apenas confirmou o óbito no local.

    Policiais Militares compareceram à residência, realizaram o isolamento da área e acompanharam os trabalhos do perito criminal. Na análise preliminar, não foram constatados indícios aparentes de violência no corpo.

    Familiares informaram que Welliton enfrentava problemas de saúde e vinha realizando tratamento contra cirrose nos últimos anos. Ele era conhecido na região por ter sido proprietário de um bar chamado “Birosk”, que funcionava na área da Sobral, fato que originou o apelido. Após encerrar as atividades do estabelecimento, passou a atuar como trabalhador autônomo.

    Concluída a perícia, o corpo foi recolhido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames cadavéricos. A causa da morte será confirmada após a emissão do laudo. O caso poderá ser acompanhado pela Polícia Civil do Acre.

  • Construção de academia por R$ 3,6 milhões faz condomínio no DF entrar em ebulição

    Construção de academia por R$ 3,6 milhões faz condomínio no DF entrar em ebulição

    Material cedido ao Metrópoles
    academia-condominio-ouro-vermelho

    Moradores do condomínio Ouro Vermelho II, no Jardim Botânico (DF), protestam contra a possível construção de uma academia cujo gasto pode chegar a R$ 3,6 milhões. Uma assembleia geral marcada para o sábado (28/2) deve decidir pela continuidade ou interrupção do projeto.

    O valor de R$ 3,6 milhões seria dividido entre a construção do espaço e a compra de equipamentos. Caso o projeto saia do papel, a academia deve ter dois pavimentos e elevador panorâmico, contando ainda com salas individuais para modalidades como pilates, aeróbico e artes marciais.

    Alguns moradores reclamam do valor, alegam que o tema foi levado para assembleia geral sem que tenha havido ampla discussão entre a vizinhança, apontam outras prioridades no condomínio e questionam a real finalidade da academia.

    A diretora financeira da Associação de Moradores e Proprietários do Condomínio Ouro Vermelho II (Amprov-II), Eliane Morais, menciona uma obra de escoamento de águas pluviais a ser construída desde 2014 que nunca foi concluída e, na visão da moradora, deveria ser priorizada em detrimento da construção da academia.

    “A falta de direcionamento correto das águas pluviais danificou o asfalto e causou muitos prejuízos financeiros e emocionais para muitos de nós”, pontua Eliane, em crítica à administração do Ouro Vermelho II. “Não deram importância para isso e preferiram dar andamento em um projeto de uma academia faraônica de mais de 3 milhões”, critica.

    Para Eliane, a ideia de construir uma academia nestes valores representa “total descaso pelo sofrimento dos condôminos”. “Só se fala em fazer academia para valorizar os imóveis”, acusa.

    R$ 965 mensais

    A diretora financeira da Amprov-II lamenta ainda o gasto que a academia vai gerar para cada morador. Isso porque o projeto prevê taxa extra de R$ 295 para cada residência, a ser paga em 15 vezes. Paralelo a isso, a administração discute o aumento do valor condominial de R$ 528 para R$ 670 por mês. Se aprovadas, as medidas elevarão para R$ 965 o gasto mensal de cada família.

    “A partir dessa má escolha da administração, as preocupações tomaram conta de todos. Serão muitos meses pagando taxa extra com algo que só interessa a um grupo de pessoas que escolheram o Ouro Vermelho II para ter lucros.”

    O servidor público Maurílio Souza, 47 anos, morador do Ouro Vermelho II, não é contrário à implementação da academia, mas acha incorreto o valor de R$ 3,6 milhões a ser gasto. “Isso é orçamento para implementação de unidades das melhores academias do país”, analisa.

    “Penso que os condôminos aceitariam um projeto de academia térrea, sem elevador panorâmico, com ventilação e iluminação natural, em valor que seria um terço menor do que o apresentado pela atual administração”, opina o morador.

    Maurílio teme, ainda, que a taxa de R$ 295 mensais por 15 meses faça com que diversos vizinhos fiquem inadimplentes. “Muitos devem deixar de pagar o condomínio e as taxas extras e sofrerão graves consequências, inclusive a perda do imóvel”, diz.

    Um morador que pede para não ser identificado tem a percepção de que “há muita coisa necessária a se fazer” antes de se pensar em uma academia. “Nós já pagamos taxas para a obra de escoamento de águas pluviais ao menos três vezes e nada de conclusão”, comenta. “Imagina aumentar o custo do condomínio só para manter uma academia de quase R$ 4 milhões enquanto temos problemas estruturais para resolver?!”.

    A esperança do morador é que a maioria a votar na assembleia geral seja contrária à construção do empreendimento. “Seria um escárnio com nossos recursos”, encerra.

    Opiniões divididas

    Enquanto parte da comunidade protesta, outros apoiam a construção da academia. Entre críticas e parabenizações, é possível perceber a divisão por meio das redes sociais do Ouro Vermelho II.

    “Sinceramente, apoio e acho válida a ideia de uma academia, mas deveria ser algo bem mais simples. Desculpe, mas, nesses termos, meu voto será não”, reprovou um morador. “Estou ansiosa para termos nossa academia, mais saúde a todos”, comentou uma vizinha.

    “Excelente investimento. Além de proporcionar comodidade, saúde e segurança, trará valorização a todos os imóveis”, opina um rapaz. “Eu queria uma academia que fosse adequada à nossa realidade. Do jeito que está, está estranho”, diz outro.

    Outro lado

    Em contato com o Metrópoles, a síndica do condomínio Ouro Vermelho II, Liria Lis, assegurou estar seguindo a convenção do residencial. Ela conta que fez duas reuniões, com mais de 100 moradores, onde apresentou os orçamentos, antes de convocar a assembleia geral.

    A advogada que trata dos temas jurídicos inerentes ao condomínio, Cristiane Queiroz, disse que a questão é “irrelevante e política”, movida por “meia dúzia de moradores que não aceitam a atual gestão”. Cristiane declarou que não responderá as acusações feitas pelos inquilinos que ilustram a reportagem, uma vez que, segundo ela, “o condomínio está pautado juridicamente”.

  • "Mundo caiu", diz mãe que flagrou maus-tratos com gravador na mochila

    "Mundo caiu", diz mãe que flagrou maus-tratos com gravador na mochila

    Imagem cedida ao Metrópoles
    mae-esconde-escuta-em-mochila-do-filho-e-flagra-maus-tratos-em-creche

    A técnica de enfermagem Gessicarla de Almeida detalhou como descobriu que o filho dela, de apenas 2 anos e 8 meses, foi vítima de maus-tratos em uma creche do Distrito Federal, após esconder um dispositivo de escuta na mochila da criança. O caso aconteceu no Centro de Educação da Primeira Infância Araçá-Mirim, em Sobradinho II.

    “Meu mundo caiu. Eu me sinto um lixo de ter feito meu filho passar por isso. Queria que ele fosse para brincar, interagir com outras crianças, não para que isso tivesse acontecido”, desabafou.

    O menino havia sido matriculado na creche há apenas duas semanas quando os primeiros sinais surgiram. Segundo Gessicarla, o comportamento do menino mudou drasticamente: ele apresentava fome excessiva, olhos constantemente lacrimejantes e um desespero incomum ao ser levado para a escola.

    “Ele só falava que não queria ir para a ‘colinha’, ficava desesperado, chorando”, relembrou a mãe.

    Desconfiada, ela decidiu colocar um equipamento de escuta na mochila do filho. No dia seguinte, ao escutar os áudios, o conteúdo gravado confirmou os piores medos da família.

    Funcionárias foram flagradas imitando o choro e os gritos da criança e proferindo frases como: “Pode chorar que sua mãe não vai vir te buscar”.

    Ouça gravações:

    Em um dos trechos, ouve-se: “Vai adiantar você ficar chorando, não. Você não vai me ganhar no choro. Vai ficar o dia todo aí, nem que fique com fome”, diz a mulher ao menino.

    Os áudios captados revelam que o menino chorava ininterruptamente durante o período das aulas. Em determinado momento da gravação, uma das funcionárias o ameaça: “Eu só vou ligar para o seu pai, para a sua avó e para a sua mãe quando você parar de chorar. Vai embora agora não, vai ficar o dia todo aí. Pode morrer de chorar”.

    Segundo a mãe do menino, as principais suspeitas dos maus-tratos seriam duas monitoras e a professora responsável pela turma da criança.

    “O medo é muito grande”

    Ao questionar a instituição, Gessicarla conta que a direção demonstrou surpresa ao saber do monitoramento, mas garantiu que seriam tomadas providências sobre o caso.

    “Eu não tenho mais coragem de colocar meu filho em outra creche. O medo é muito grande”, confessou a técnica de enfermagem.

    Gessicarla registrou a ocorrência na 35ª Delegacia de Polícia. O menino foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar o caso.

    O Centro de Educação da Primeira Infância Araçá-Mirim é uma creche pública vinculada à Secretaria de Educação do Distrito Federal. A gestão é terceirizada ao Instituto Vitória-Régia.

    O Metrópoles acionou a pasta para se manifestar sobre a denúncia de maus-tratos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

     

     

     

  • "Paguei para tirar ele da cadeia", diz vítima de "Don Juan" indígena. Ouça áudio

    "Paguei para tirar ele da cadeia", diz vítima de "Don Juan" indígena. Ouça áudio

    Material cedido ao Metrópoles
    jorge-murilo-indigena-8

    Vítima de um golpe amoroso cometido por Jorge Murilo Oliveira Siqueira (foto em destaque), 30 anos, a ex-namorada do homem afirma que chegou a pagar fiança para tirá-lo da cadeia, em outubro de 2025, quando ele foi preso no Distrito Federal. À época, ele foi detido sob a acusação de furtar um taxista.

    Ouça:

    A história entre a mulher e o indígena começou quando ela conheceu Murilo — que tinha vindo de uma aldeia em Pernambuco — em terras próximas ao Santuário Sagrado dos Pajés, no Noroeste (DF), onde ela realizava trabalhos voluntários, em abril de 2025. Lá, a mulher ofereceu um emprego ao indígena, como motorista e segurança particular.

    Jorge Murilo acabou indo morar com a vítima, em Paracatu (MG). Durante a convivência, de acordo com a mulher, eles acabaram se relacionando brevemente. Foi quando as coisas começaram a mudar. O suspeito passou a ser agressivo e teria, até, ameaçado a vítima de morte. Nesse momento, em outubro, ela decidiu dar um basta na situação e o colocou para fora de casa, momento que ele acabou se envolvendo no furto do taxista no DF.

    “Ainda paguei para tirar ele da cadeia, pois ainda não sabia que ele me furtava. O que tinha ocorrido, até então, eram os surtos quando ele chegava dos bicos que fazia jogando futebol. Nesse último dia (outubro de 2025), ele chegou quebrando tudo, além de ter me chamado de vagabunda e puta”, afirmou.

    A vítima ressaltou que a família do indígena é honesta. “Ele furtou R$ 50 de uma funcionária minha e a irmã queria pagar, de tanta vergonha que ficou. Ela conversou muito com ele, falando que ia tentar ir atrás desse dinheiro, pois a gente achava que ainda estava com ele”, recordou.

    De acordo com ela, a irmã de Murilo disse que ele não se arrependeu do furto de R$ 60 mil. “Ela me falou, com muita clareza, que ele não tem o menor arrependimento e acha que fez certo. Na cabeça dele, eu tenho muito, ele é o ‘gostosão’ e merecia. Inclusive ele chegou a comentar que eu descobri com R$ 60 mil e poderia ter ‘esperado’ inteirar 100 (mil reais)”, disse.

    A irmã teria dito ainda que o indígena perdeu tudo em apostas. “Parece que ele perdeu tudo em jogo (aposta esportiva). Sei que ele é viciado nisso mesmo. Hoje, não tem R$ 10 para comer. É a mãe que sustenta”, pontuou a vítima.

    Segundo ela, o choro da mãe de Jorge Murilo, após a prisão no DF, a comoveu. “Ela mandou um áudio chorando e fiquei com dó. Naquele momento, pensei que ele ‘só’ tinha me xingado e, por pena, decidi que iria trazer ele de volta (a Paracatu), ajudar a se recuperar e mandar de volta para a aldeia. Foi nesse ‘voltar’ que acabei descobrindo os furtos”, afirmou.

    Pagamentos em máquina de cartão

    Os furtos teriam sido cometidos por Murilo no período em que o indígena trabalhava para ela em Paracatu, época em que estava passando por um momento de bastante fragilidade.

    “Estava investigando um suposto câncer de mama, em tratamento hormonal para fertilização in vitro (FIV) e, logo em seguida, grávida. Além disso, passava por questões no trabalho que exigiam escolta de segurança e, por ser autista, isso tudo me deixou mais vulnerável a cair no golpe”, desabafou.

    Foi se aproveitando de toda essa situação que Jorge Murilo teria cometido os furtos contra a mulher. “Percebi o primeiro pagamento em outubro, quando vi um valor na minha fatura. Ao contestar com o banco, descobri outros pagamentos, realizados na mesma máquina, utilizando dois cartões diferentes. No total, ele pegou cerca de R$ 54 mil”, recordou.

    Nesse momento, a vítima decidiu dar um fim definitivo ao convívio com o indígena e ir atrás da Justiça. “Como a cidade onde moro é pequena, descobri onde o dono da máquina morava, fui até ele e o confrontei, que acabou confessando tudo, mostrando até conversas com o Murilo”, comentou.

    Veja:

    Ainda segundo a vítima, após pegar o celular que tinha dado para Murilo utilizar durante o período em que ele estava em Paracatu, a mulher descobriu que ele se aproveitou do vínculo para criar confiança com amigos e colegas de trabalho da vítima, para aplicar outros golpes, de menor valor. “Ele fingia que o pai tinha morrido ou uma filha estava doente para pedir Pix de R$ 20, R$ 30, R$ 50 ou R$ 100”, ressaltou.

    Jorge Murilo acabou voltando para aldeia de Pernambuco, onde está. Procurado pela reportagem, Jorge Murilo disse que não tem “nada a declarar” sobre o assunto. O espaço segue aberto caso o indígena mude de ideia e queira se manifestar.

  • "Don Juan" indígena é investigado por dar golpe de R$ 60 mil na ex

    "Don Juan" indígena é investigado por dar golpe de R$ 60 mil na ex

    Material cedido ao Metrópoles
    jorge-murilo-indigena-1

    Um indígena Fulni-ô, que morava em terras próximas ao Santuário Sagrado dos Pajés, no Noroeste (DF), é acusado de dar um golpe amoroso em uma mulher que o contratou como segurança. Jorge Murilo Oliveira Siqueira (foto em destaque), 30 anos, teria se aproveitado do momento de fragilidade da vítima para furtar quase R$ 60 mil de seus cartões de crédito.

    Segundo a vítima, que não quis se identificar, tudo começou quando ela conheceu Murilo — que tinha vindo de uma aldeia em Pernambuco — nas terras do Noroeste, onde ela realizava trabalhos voluntários, em abril de 2025. Lá, a mulher ofereceu um emprego ao indígena, como motorista e segurança particular.

    Veja fotos do suspeito:

    Jorge Murilo acabou indo morar com a vítima, em Paracatu (MG). Durante a convivência, de acordo com a mulher, eles acabaram se relacionando brevemente. Foi quando as coisas começaram a mudar.

    O suspeito passou a ser agressivo e teria, até, ameaçado a vítima de morte. Nesse momento, em outubro, ela decidiu dar um basta na situação e o colocou para fora de casa. “Nesse último dia, ele chegou quebrando tudo, além de ter me chamado de vagabunda e puta. Foi quando chamei a polícia e o coloquei para fora”, relatou.

    Furto no DF

    O indígena, então, acabou voltando para o DF e, no dia seguinte à confusão em Paracatu, teria furtado o celular de um taxista, sendo preso em flagrante pelo crime. A vítima do “Don Juan” indígena contou ao Metrópoles que a mãe de Murilo, em desespero, entrou em contato, pedindo que o ajudasse a sair da prisão.

    “Ainda paguei para tirar ele da cadeia, pois ainda não sabia que ele me furtava. O que tinha, até então, eram os surtos quando ele chegava dos bicos que fazia jogando futebol”, comentou.

    Segundo ela, o choro da mãe de Jorge Murilo a comoveu. “Naquele momento, pensei que ele ‘só’ tinha me xingado e, por pena, decidi que iria trazer ele de volta (a Paracatu), ajudar a se recuperar e mandar de volta para a aldeia. Foi nesse ‘voltar’ que acabei descobrindo os furtos”, afirmou.

    Fragilidade emocional

    A vítima disse que, no período em que o indígena trabalhava para ela, estava passando por um momento de bastante fragilidade.

    “Estava investigando um suposto câncer de mama, em tratamento hormonal para fertilização in vitro (FIV) e, logo em seguida, grávida. Além disso, passava por questões no trabalho que exigiam escolta de segurança e, por ser autista, isso tudo me deixou mais vulnerável a cair no golpe”, desabafou.

    Foi se aproveitando de toda essa situação que Jorge Murilo teria cometido os furtos contra a mulher. “Percebi o primeiro pagamento em outubro, quando vi um valor na minha fatura. Ao contestar com o banco, descobri outros pagamentos, realizados na mesma máquina, utilizando dois cartões diferentes. No total, ele pegou cerca de R$ 54 mil”, recordou.

    Nesse momento, a vítima decidiu dar um fim definitivo ao convívio com o indígena e ir atrás da Justiça. “Como a cidade onde moro é pequena, descobri onde o dono da máquina morava, fui até ele e o confrontei, que acabou confessando tudo, mostrando até conversas com o Murilo”, comentou.

    Ainda segundo a vítima, após pegar o celular que tinha dado para Murilo utilizar durante o período em que ele estava em Paracatu, a mulher descobriu que ele se aproveitou do vínculo para criar confiança com amigos e colegas de trabalho da vítima, para aplicar outros golpes, de menor valor. “Ele fingia que o pai tinha morrido ou uma filha estava doente para pedir Pix de R$ 20, R$ 30, R$ 50 ou R$ 100”, ressaltou.

    Jorge Murilo acabou voltando para aldeia de Pernambuco, onde está até então. Procurado pela reportagem, ele disse apenas não ter “nada a declarar” sobre o assunto. O espaço segue aberto caso o indígena mude de ideia e queira se manifestar.

  • Policiais desviaram cocaína de sócio de Marcola, disse informante

    Policiais desviaram cocaína de sócio de Marcola, disse informante

    Arte/Metrópoles
    Arte gráfica em que homem branco, do lado direito, olha par ao lado oposto, em cujo undo há outro homem branco, com um dedo sobre a bohecha - Metrópoles

    No papel timbrado da 5ª Delegacia de Crimes Funcionais, da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, Tiago Lobo foi direto ao ponto.

    Disse que policiais civis teriam interceptado e desviado uma carga de cocaína pertencente a ninguém menos que Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, apontado como sócio do líder máximo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, do Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Tiago Lobo era informante de policiais civis investigados pela Corregedoria. Seu relato está em um pedido de acordo de colaboração premiada, obtido pelo Metrópoles. Ele foi assassinado com 10 tiros, em novembro do ano passado, em Campo Grande (MS).

    No documento, o informante descreve rotas, nomes e a suposta divisão de valores. Segundo Lobo, a carga — que ele associou a Fuminho e Marcola — teria sido interceptada na Rodovia Euclides da Cunha, região de Rubinéia (SP), após cruzar a divisa com Mato Grosso do Sul.

  • Vizinhos reclamam de barulho do Instituto Butantan: “Não durmo”

    Vizinhos reclamam de barulho do Instituto Butantan: “Não durmo”

    Foto: João Valério/Governo de SP
    Instituto Butantan, em SP

    Vizinhos do Instituto Butantan, na zona oeste da capital paulista, afirmam que não têm conseguido dormir à noite por causa do barulho dos equipamentos da instituição. Os moradores cobram uma solução para o problema e criticam a falta de diálogo com o instituto, que completou 125 anos na última semana.

    O Butantan, por outro lado, diz que já está a par da situação e construindo um isolamento acústico para atender a demanda dos moradores (veja mais abaixo).

    A aposentada Mônica Rosenfeld, de 62 anos, mora ao lado da instituição e é uma das participantes do movimento SOS Butantan, que reivindica uma resposta do instituto.

    “Depois que esse barulho aumentou, eu, que sempre tive um sono tranquilo, não durmo mais”, conta a moradora.

    Mônica afirma que os ruídos surgiram em meados de abril de 2025. Na época, ela e o marido chegaram a cogitar que o som fosse causado por algum gerador.

    Os ruídos vêm do sistema de refrigeração do biotério, prédio novo do instituto, onde ficam animais que auxiliam na produção dos medicamentos desenvolvidos no Butantan.

    Em maio, o barulho teria ficado mais forte e passou a ser percebido pela família de Mônica em qualquer horário do dia, inclusive de madrugada. “O quarto de casal é o pior. Você ouve o barulho com tudo fechado”. Em um vídeo enviado pela aposentada ao Metrópoles, é possível notar o ruído durante a noite.

    Mônica diz que já registrou mais de 20 boletins de ocorrência por causa do ruído. A empreendedora Patrícia Coelho, 53, também tem sofrido com o problema.

    “Se você andar pelo Butantan, você vai ver o nível de ruído que existe dentro de todo o ambiente do instituto. Prejudica colaboradores e funcionários da fundação e do instituto também”, afirma ela.

    Limite ultrapassado

    Patrícia diz que os vizinhos já acionaram diferentes instâncias para reclamar da situação. Uma delas foi a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que foi até o local verificar o nível dos ruídos.

    O parecer técnico emitido pela Cetesb, ao qual o Metrópoles teve acesso, confirmou que os níveis de “pressão sonora” emitidos pela Instituto Butantan ultrapassam o limite estabelecido pela Norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o ambiente externo, no período diurno. O documento é de novembro de 2025.

    Os moradores dizem que o instituto não tem respondido às tentativas de diálogo do grupo, o que é negado.

    Diretor do Butantan desde 2023, Ésper Kallas disse ao Metrópoles que o instituto ouviu os moradores e contratou uma empresa para construir uma parede acústica ao redor do prédio de onde partem os ruídos.

    “A gente abriu um diálogo também com o [Programa] PSIU [da Prefeitura de São Paulo], com o Ministério Público, com todo mundo, e identificou a necessidade de fazer uma obra de contenção de ruído, que está na sua fase final de conclusão”, afirma o diretor.

    Segundo ele, a obra deve terminar até abril. “É claro que a gente gostaria que ela terminasse mais cedo, mas os processos administrativos e executivos numa instituição pública, mesmo sendo uma fundação privada, acabam indo um pouco além do que a gente gostaria, mas a gente tá terminando. Isso deve solucionar esse problema.”

    Corte de árvores

    Além do barulho do biotério, outro ponto de preocupação para o movimento SOS Butantan é a expansão da planta de fábricas do instituto, que vai inaugurar novos prédios para aumentar a capacidade de produção de imunizantes, como a vacina contra os vírus da dengue e HPV, além de outros medicamentos.

    A ampliação das fábricas foi possibilitada por meio de uma mudança no zoneamento da região, aprovada na Câmara Municipal de São Paulo. O projeto, no entanto, levantou críticas dos moradores, entre outros pontos, por causa da quantidade de árvores que será cortada no terreno. O tema virou alvo de um inquérito no Ministério Público (MPSP) e de uma ação na Justiça.

    “Hoje, a gente reduziu isso para uma intervenção de supressão de 1.700 árvores (). Quase 90% delas são árvores invasoras ou exóticas”, afirma o diretor. Segundo ele, o instituto assumiu o compromisso de fazer uma “reestruturação ecológica”, com o plantio de nove mil árvores da Mata Atlântica como compensação.

    O diretor diz que a maioria das árvores que seria cortada para a construção dos prédios já foram retiradas, e que o projeto de reestruturação já começou.

  • Inventário de árvores da Prefeitura de SP não cumpre promessa

    Inventário de árvores da Prefeitura de SP não cumpre promessa

    Gestão Nunes anunciou tecnologia que detectaria espécies e estado fitossanitário, mas pesquisadores explicam que aparato tem limitações

  • Festival mais político do mundo muda discurso e causa debate no cinema

    Festival mais político do mundo muda discurso e causa debate no cinema

    Halil Sagirkaya/Anadolu via Getty Images
    Atores sobem ao palco carregando a bandeira palestina após vencerem o prêmio de Melhor Longa-Metragem com seu filme "Crônicas do Cerco" no 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) - Metrópoles

    A 75ª edição do Festival de Berlim, realizado em fevereiro, terminou sob a sombra de um debate importante sobre mudanças no cinema mundial. O evento, historicamente conhecido como o “mais político do mundo”, adotou uma postura mais cautelosa ao se referir a conflitos internacionais e ao próprio debate sobre se a arte é, ou não, política.

    Tudo começou com a declaração do presidente do júri, o cineasta alemão Wim Wenders, de que o cinema deveria ficar “fora da política”. A fala repercutiu e ganhou ainda mais força diante do silêncio de vários artistas quando questionados sobre temas sensíveis durante o Festival, especialmente sobre os confrontos na Faixa de Gaza e as políticas de imigração dos Estados Unidos. Diante desse cenário, o festival passou a adotar um tom mais contido.

    A diretora da 76ª Berlinale, Tricia Tuttle, divulgou uma nota em defesa de cineastas e jurados na qual afirmou que os artistas “são livres para exercer seu direito à liberdade de expressão da forma que desejarem” e não devem “ser obrigados a se pronunciar sobre toda questão política que seja apresentada, a menos que queiram”.

    A manifestação chamou atenção justamente por partir de um Festival com uma identidade que sempre esteve associada ao enfrentamento público de temas sensíveis. Para parte do meio cinematográfico, a postura levantou questionamentos sobre até que ponto se trata de um reposicionamento do Festival ou apenas de um gesto pontual.

    Para a coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM, Gisele Jordão, a questão precisa ser analisada à luz da origem do próprio Festival. Segundo ela, “a própria origem da Berlinale já a condena a ser política”, lembrando que o evento surgiu em uma Berlim dividida após a Segunda Guerra Mundial e funcionou durante décadas como vitrine simbólica.

    A especialista ressalta que essa marca histórica foi além da questão geográfica do período em que ele surgiu, já que, do ponto de vista curatorial, o Festival sempre privilegiou filmes sobre ditaduras, guerra, desigualdade e fronteiras.

    “O microfone sempre esteve disponível e, muitas vezes, estimulado, para que artistas se pronunciassem sobre conflitos do seu tempo”, afirma. Nesse contexto, a postura adotada na edição de 2026 representou, para a pesquisadora, uma mudança de tom.

    O professor do departamento de audiovisual da Universidade de Brasília (UnB), João Lanari Bo, no entanto, vê a ruptura tradicional sob um outro olhar. Para ele, a fala de Wenders teve caráter provocativo e cumpriu a função de recolocar o debate do Festival em evidência. No entendimento do professor, é “evidente que o cinema é sempre político” em sentido amplo e que Wenders sabe disso.

    “Essa nossa época vive uma crise sem precedentes, duas guerras, Gaza e Ucrânia, que se arrastam, líderes em sua maioria enlouquecidos ou irresponsáveis, ou os dois. Acho que dizer que ‘artistas não são obrigados a se manifestar’ é, de novo, provocar e trazer para o primeiro plano uma discussão política”.

    Discursos “isentos’” têm sido frequentes

    O discurso cauteloso apareceu ainda no Bafta 2026, quando o diretor Paul Thomas Anderson afirmou que não era um político e sim  cineasta. A declaração se somou a outras falas de artistas que figuram entre as principais premiações em 2026 e  sugere que essa cautela não é exclusiva do festival alemão.

    Para Lanari, declarações como “não sou político, sou cineasta” não suspendem o caráter político da atuação pública, ao contrário, configuram uma tomada de posição. “Afirmar ‘não sou político, sou cineasta’ é também um ato político, agora e no passado”.

    Leonardo DiCaprio e Paul Thomas Anderson em Uma Batalha Após A Outra

    Já Jordão identifica três fatores que ajudam a explicar essa postura: o clima de polarização extrema, a dependência econômica de mercados diversos, sejam eles autoritários ou conservadores, e um certo esgotamento dos discursos performáticos em premiações. Em contextos de guerra cultural, afirma, muitos artistas temem que uma frase pese mais do que a própria obra.

    Fora do eixo hollywoodiano, no entanto, a relação entre arte e política tende a ser menos abstrata. Jordão observa que, em países como o Brasil, essa conexão não é apenas teórica, mas experiência concreta. É o caso, por exemplo, de brasileiros como Wagner Moura e Kléber Mendonça Filho, que vêm fazendo discursos atrelando a arte à política com frequência durante a temporada de premiações.

    “Para um cineasta brasileiro, dizer que ‘arte e política sempre estiveram misturadas’ não é uma tese acadêmica, é uma constatação biográfica.” Em contextos onde decisões institucionais afetam financiamento, censura e até a sobrevivência profissional, a separação entre arte e política se torna artificial.

    Kleber Mendonca Filho
    Kleber Mendonca Filho

    Já Lanari observa, contudo, que essa discussão não é, necessariamente, protagonizada apenas por pessoas fora do eixo hollywoodiano. “Um dos filmes mais políticos do ano, Uma Batalha Após a Outra, veio do coração hollywoodiano, e é o favorito para o Oscar”, frisou.

    Em meio a este debate e à percepção de mudança no tom associados ao Festival de Berlim, muito se especulou se, de fato, pode existir algum tipo de mudança, a longo prazo, nos ideais que sempre pautaram o evento.

    Jordão avalia que existe um risco simbólico caso a Berlinale passe a sinalizar preferência por um cinema menos tensionado politicamente, o que poderia diluir um diferencial histórico construído ao longo de décadas.

    Lanari, por outro lado, acredita que o festival possui tradição e capacidade de ajuste suficientes para atravessar o momento sem uma mudança estrutural profunda. Para ele, a Berlinale “tem uma longa tradição, tem sempre ajustes e correções”, o que indica que a polêmica pode representar apenas um episódio e não uma guinada definitiva.