Eduardo Bolsonaro, o “03”, sempre se achou um diplomata sem embaixada, um articulador global da extrema direita que poderia dobrar as instituições brasileiras a partir de um salão em Washington.
Acordou réu.
O Supremo Tribunal Federal, o mesmo que ele e o pai tentaram emparedar com ameaças e pedidos de sanções estrangeiras, decidiu que a hora da bravata acabou.
O crime é grave: coação no curso do processo. Eduardo não apenas torceu contra o Brasil; ele trabalhou ativamente contra o país. Viajou para os Estados Unidos com o dinheiro do contribuinte para pedir que o governo americano punisse ministros do STF e asfixiasse a economia brasileira com tarifas e sanções.
Tudo isso com um único objetivo: livrar o pai da sentença inevitável pelo 8 de janeiro.
Hoje, Eduardo é sinônimo de “tarifaço”, a piada do Congresso, o deputado que perdeu o mandato por fugir do trabalho para fazer lobby contra a própria pátria.
É um personagem melancólico que celebrava cada ameaça externa ao Brasil como se fosse um gol de placa. O “patriota” que odeia as instituições do seu país finalmente encontrou o seu lugar.
O destino de Eduardo parece traçado pelo DNA familiar.
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), reagiu às notícias de que, por decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL deverá lançar uma chapa pura ao Senado em Santa Catarina nas eleições de 2026.
A decisão de Bolsonaro prevê que o PL terá o ex-vereador Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni (SC) como candidatos ao Senado na chapa do governador Jorginho Mello (PL), que tentará reeleição.
A formação escanteia o senador Esperidião Amin (PP-SC), que precisa renovar seu mandato na Casa e vinha se articulando para ficar com uma das duas vagas ao Senado na chapa do atual governador catarinense.
À coluna, Ciro Nogueira afirmou que, se a decisão de Bolsonaro se confirmar, defenderá que o PP procure um novo caminho em Santa Catarina, em oposição à chapa formada por Carlos e Caroline de Toni.
“Se depender de mim, o Progressistas procura um novo caminho”, disse o senador piauiense à coluna.
O presidente do PP já tinha demonstrado insatisfação com a decisão de Bolsonaro em escolher o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal candidato da direita à Presidência da República.
Ciro defendia que o candidato fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sem a presença do mandatário paulista, o PP pode acabar liberando seus diretórios na eleição nacional.
Já no PL, a escolha de Bolsonaro deverá pacificar a situação. Nas últimas semanas, conforme noticiou a coluna, Caroline de Toni chegou a ameaçar deixar o partido, caso fosse preterida na disputa ao Senado.
Como a coluna revelou na terça-feira (17/2), a deputada pediu uma carta de Bolsonaro e garantias públicas de outros caciques do PL de que será candidata a senadora pelo partido.
A nova denúncia foi registrada em 12 de fevereiro, na 33ª Delegacia de Polícia. O caso é apurado como difamação, injúria, ameaça e violência psicológica contra a mulher, no âmbito da Lei Maria da Penha.
Hessley, até dezembro do ano passado, era técnico assistente social da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Distrito Federal. No último mês de 2025, ele recebeu, líquido, o salário de R$ 13.610,86, conforme o descritivo do Portal da Transparência.
Mais detalhes:
Imagens:
Ameaças e ofensas
Segundo a denunciante, após a separação, o ex-companheiro passou a ofendê-la com frequência, bem como seus familiares, além de aparecer de forma inesperada em locais que ela frequenta, como a escola das crianças, a residência e a igreja.
“Ruim igual a mãe”
O principal motivo do registro da ocorrência, no entanto, teria sido o tratamento dispensado à filha do casal. Conforme o relato, a adolescente passou a ser alvo de xingamentos, humilhações e tratamento diferenciado em relação ao irmão.
A mãe afirma que o pai teria dito que a menina era “ruim igual à mãe” e que deveria respeitar a madrasta mesmo sem ter cometido qualquer erro. A situação, segundo a denunciante, deixou a jovem com medo.
Detalhes:
Violência psicológica e traição
Embora afirme que não houve agressões físicas, a ex-companheira relata histórico de violência psicológica, ciúmes excessivos e intimidações.
Ela diz que o relacionamento terminou, principalmente, após a descoberta de um caso extraconjugal. Ainda houve uma tentativa de reconciliação por uma semana — quando o filho mais novo tinha apenas três semanas de vida — período que, segundo ela, foi marcado por ofensas e humilhações constantes.
Fraude nas eleições
Em 2023, Hessley foi alvo da Operação Degola, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). A investigação apurou invasões a contas de candidatos no processo de escolha de conselheiros tutelares do DF.
De acordo com as apurações, invasores teriam acessado o sistema da empresa responsável pelo certame e inserido documentos incorretos nas inscrições de concorrentes — em sua maioria candidatos à reeleição — com o objetivo de provocar a eliminação deles ainda na fase de análise documental.
A operação resultou no cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Santa Maria (DF). Foram apreendidos notebooks, celulares e um simulacro de arma de fogo. O material foi encaminhado para perícia.
À época, após a deflagração da operação, Hessley foi exonerado do cargo de gerente de Políticas Sociais da Administração Regional de Santa Maria.
Os investigados podem responder por crimes como falsa identidade, invasão de dispositivo informático qualificada e associação criminosa, cujas penas somadas podem chegar a até dez anos de prisão.
A coluna Na Mira tenta localizar a defesa de Hessley Santos. Entramos em contato com ele pelo Instagram. O espaço segue aberto para posicionamentos.
A coluna apurou quais foram os questionamentos feitos aos servidores investigados por suposto acesso e possível vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares.
As perguntas foram elaboradas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e remetidas ao STF, no âmbito do inquérito das fake news, instaurado em 2019 e conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Ao todo, são 11 perguntas, divididas em seis blocos temáticos, que orientaram os depoimentos prestados à Polícia Federal.
Os questionamentos buscam esclarecer desde a identificação funcional dos investigados até a possibilidade de uso indevido de credenciais, existência de conversas sobre os dados e autorização para análise de aparelhos eletrônicos.
Bloco 1 – Identificação e vínculo funcional
1. Confirme sua identidade completa, cargo, matrícula, unidade de lotação e tempo de serviço na Receita Federal. 2. Descreva quais são suas atribuições e rotinas de trabalho.
Bloco 2 – Acesso a dados de autoridades
3. O(a) senhor(a) acessou dados cadastrais ou fiscais da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes e de outros ministros? 4. Caso positivo, qual foi a motivação e a finalidade funcional do acesso?
Bloco 3 – Uso de login e credenciais
5. Houve, em algum momento, uso indevido de seu login ou senha por terceiros? 6. O(a) senhor(a) já compartilhou credenciais de acesso a sistemas da Receita Federal?
Bloco 4 – Guarda e segurança das senhas
7. Como são armazenadas suas credenciais de acesso? 8. Que medidas de segurança adota para impedir o uso indevido por outras pessoas?
Bloco 5 – Histórico funcional e conversas internas
9. Já respondeu a sindicância, procedimento administrativo ou investigação interna anteriormente? 10. Conversou com outros servidores sobre dados de ministros, familiares ou eventuais conexões políticas?
Bloco 6 – Dispositivos eletrônicos e cooperação
11. Utiliza dispositivos extras (celular pessoal, tablet ou notebook) durante atendimentos? Autoriza a extração de dados de seus aparelhos eletrônicos?
Servidora diz que já havia explicado acesso à Receita
A coluna apurou que a técnica do Seguro Social Ruth Machado dos Santos, investigada por suposto acesso a dados de Viviane Barci, já havia apresentado justificativas formais à Receita Federal antes mesmo da deflagração da operação da Polícia Federal.
Quando questionada internamente, ela respondeu por e-mail e anexou documentos que supostamente comprovam a sua versão.
Segundo pessoas com conhecimento do procedimento, Ruth informou que não realizou a consulta apontada pelos sistemas e apresentou provas de que, no dia e horário indicados, estava em atendimento presencial a um contribuinte na agência da Receita onde trabalha, no Guarujá (SP).
Mesmo após essas explicações, ela foi alvo de mandado de busca e apreensão na terça-feira de Carnaval.
Teve objetos recolhidos, foi afastada do cargo, impedida de acessar os sistemas e passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
A Receita Federal informou ao STF que teriam ocorrido consultas a CPF, filiação, data de nascimento e dados eleitorais da advogada. A servidora nega ter feito qualquer uma dessas pesquisas.
A defesa sustenta que Ruth tem quase 32 anos de serviço público, nunca respondeu a sindicância ou PAD e sempre atuou em funções técnicas. Também afirma que ela não possui vínculo político-partidário ou histórico de militância.
Auditor diz que acesso foi “acidental”
Outro investigado, o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes, afirmou em depoimento preliminar que acessou de forma “acidental” informações ligadas a uma enteada do ministro Gilmar Mendes.
Segundo ele, a consulta teria ocorrido por “infelicidade”, sem intenção de violar sigilo.
Por decisão de Alexandre de Moraes, Mansano foi alvo de busca e apreensão, teve sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, foi afastado das funções e está proibido de deixar a cidade onde mora, além de cumprir recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana.
Investigação em andamento
Além de Ruth e Mansano, também são investigados Luiz Antônio Martins Nunes e Luciano Pery Santos Nascimento.
A Receita Federal informou que seus sistemas são totalmente rastreáveis e que a auditoria interna ainda está em andamento. O relatório final deve ser enviado ao STF até o fim do mês.
O inquérito apura se houve acesso indevido e eventual vazamento de informações sigilosas de ministros do STF e de seus familiares, a partir de auditoria solicitada pelo próprio Supremo no contexto do inquérito das fake news.
Nova Délhi – O ministro da Fazenda Fernando Haddad comentou o novo episódio na disputa sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump assinou decreto que reduz as tarifas sobre produtos estrangeiros para 10%. Antes disso, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas impostas pelo presidente norte-americano.
Haddad nega que as tarifas afetem a competitividade brasileira:
“Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e na janta, consome produtos brasileiros. Eles foram paulatinamente revendo as tarifas sobre vários produtos, sobretudo esses de consumo de massa, mas nós já tínhamos a percepção de que íamos chegar a bom termo”, avaliou.
O ministro reconhece, contudo, que a instabilidade no cenário – com seguidas mudanças nas alíquotas tarifárias – afeta o país, mas acredita que a situação é passageira.
“Afeta um pouco, mas penso que está durando pouco. Nós estamos colhendo frutos da ação diplomática brasileira com uma velocidade razoável. Obviamente que não queríamos estar passando por isso, mas penso que, diante do desafio, o Brasil e a diplomacia brasileira andaram bem”, avaliou.
A declaração foi dada a jornalistas neste sábado (21) após o ministro discursar na abertura do Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Délhi. O ministro acompanha o presidente Lula (PT) em sua viagem à capital indiana.
Para ele, ainda é preciso ver os próximos passos do governo americano e compreender o alcance da decisão: “Vamos ver quais vão ser os próximos passos do governo americano, mas independentemente da reação do Executivo à decisão do Judiciário lá, temos certeza que estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações. Vamos, obviamente, compreender primeiro o alcance da decisão que foi tomada, mas o nosso curso está definido desde o primeiro momento pelo presidente Lula. Vamos restabelecer condições de normalidade, uma vez que entendemos que os 200 anos de amizade que unem os nossos países não podem ser comprometidos por razões ideológicas”, declarou o ministro.
Com o novo desdobramento na situação das tarifas comerciais americanas, o ministro pensa que o processo de derrubada das tarifas vai se acelerar e destaca que o governo brasileiro está focado em amadurecer as parcerias, não apenas com os EUA. “Agora, tudo o que queremos é, em relação à Ásia, em relação à Europa, em relação aos Estados Unidos, ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro. O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja, nós temos que ser parceiros do mundo todo”, destacou.
Na sexta-feira (20), logo após a decisão da Suprema Corte americana, o ministro reconheceuque o efeito imediato é positivo para os países afetados pelas tarifas. “O efeito imediato, evidentemente, é favorável aos países que foram sancionados”.
E afirmou que o Brasil se comportou “diplomaticamente da maneira mais correta” para lidar com o tarifaço de Donald Trump.
“O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta. Acreditou no diálogo, acreditou na disputa pelos canais competentes. Na contestação pelos canais competentes. Tanto na OMC quanto no judiciário americano. Estabeleceu uma relação diplomática, uma conversa direta para falar de temas relevantes”, afirmou o ministro.
Estudos técnicos produzidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o fim da escala 6×1 poderia gerar um aumento de até 13% nos preços finais ao consumidor. O debate sobre a mudança na escala de trabalho no país tem aparecido como um ponto de divergência entre o governo federal e parte importante do empresariado brasileiro.
Em entrevista ao Metrópoles, o presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defendeu que a necessidade de contratações adicionais para cobrir os turnos e o aumento imediato da folha de pagamento criam uma pressão financeira insustentável para muitas empresas.
“Para manter a viabilidade do negócio com outras escalas ainda não praticadas hoje, o empresário do varejo e de serviços tende a repassar esses custos operacionais ao preço final dos produtos e serviços, penalizando ainda mais o já defasado poder de compra da população”, explica Trados.
De acordo com Trados, o impacto mais imediato com a aprovação do fim da escala 6×1 seria na elevação do custo operacional, que estudos técnicos da CNC apontam poder chegar a R$122 bilhões no comércio e R$ 235 bilhões nos serviços.
Na avaliação do estudo, reduzir a jornada sem o correspondente aumento de eficiência colocaria em risco a saúde financeira de milhões de estabelecimentos que operam com margens estreitas.
Diante desse possível cenário, a CNC vê com preocupação qualquer tentativa de imposição de uma jornada única e uniforme para todo território brasileiro por meio de lei nacional.
“Defendemos que a definição da escala de trabalho deve ser mantida no âmbito dos acordos e convenções coletivas, respeitando o princípio do “negociado sobre o legislado” estabelecido pela Reforma Trabalhista de 2017, que permite soluções personalizadas para cada realidade produtiva”, ressalta Trados.
Setores mais impactados
A maior preocupação recai sobre atividades que operam de forma ininterrupta e dependem da presença física do trabalhador. Bares, restaurantes, hotéis e o comércio varejista de gêneros essenciais seriam os mais atingidos.
Para esses estabelecimentos, a escala 6×1 é vista como uma “âncora” que permite o revezamento sem inviabilizar a operação. Sem esse modelo, o risco não é apenas o aumento de preços, mas o fechamento de comércios de bairro aos finais de semana e feriados.
“A população conta com a abertura desses estabelecimentos para suprir necessidades básicas como alimentos, medicamentos e combustíveis”, alerta Tadros.
Além da inflação, a CNC aponta para um efeito colateral no mercado de trabalho. A incapacidade de arcar com os novos custos pode forçar empresas a reduzir quadros de funcionários, migrar para a informalidade como estratégia de sobrevivência e reduzir renda de trabalhadores que dependem de comissões e produtividade.
“Imposição abrupta”
A posição da CNC é de que o verdadeiro benefício para o trabalhador e para o país vem do crescimento econômico sustentável e da alta produtividade. Para a Confederação, benefícios sociais devem ser fruto de negociações voluntárias e maduras entre as partes.
Tadros defende que a rigidez de uma lei nacional desconsidera as peculiaridades de cada município e setor, ferindo os avanços da Reforma Trabalhista de 2017.
“O verdadeiro benefício para o trabalhador vem do crescimento econômico e da alta produtividade. Uma imposição abrupta traria mais riscos de desequilíbrio macroeconômico do que ganhos efetivos de qualidade de vida”, conclui.
O caminho da PEC
O fim da escala 6×1 é uma das bandeiras que devem ganhar destaque na provável campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Popular, o tema mobilizou mais de 1,5 milhão de assinaturas em um abaixo-assinado do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende a redução da jornada máxima semanal.
Dentre as muitas propostas sobre mudanças na jornada de trabalho no Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), direcionou o assunto para a Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Casa na última semana e prevê apreciação do tema até maio em plenário.
Paralelo a isso, no Senado, também tramita uma PEC semelhante, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
A PEC de Erika Hilton propõe reduzir a jornada máxima para 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias de trabalho. Atualmente, a Constituição fixa o limite em 44 horas semanais, sem definir a divisão por dias — brecha que permite a adoção de escalas como a 6×1.
Há exatamente 10 anos, na madrugada de 21 de fevereiro de 2016, 10 presos que estavam cumprindo pena no Complexo Penitenciário da Papuda fugiram ao fazer buracos nos alambrados do presídio de segurança máxima. A evasão dos detentos naquele ano escancarou uma crise no sistema penitenciário do Distrito Federal que culminou em demissões de autoridades que ocupavam cargos importantes no Governo do DF (GDF).
Os 10 detentos que fugiram estavam alocados na Penitenciária do Distrito Federal 1 (PDF 1), onde ficam os presos de maior periculosidade. Na época, o GDF informou que a fuga foi confirmada horas depois, durante a chamada nominal feita pelos agentes penitenciários, conhecida como “confere”. Para escapar, os homens quebraram uma parede, porta e cadeados e tamparam as câmeras de segurança.
A guarita de uma das torres de observação que ficava na parte externa da Papuda estava desativada desde 2011.
O episódio incendiou ainda mais o já atribulado cenário do sistema penitenciário do DF naquele período. A fuga resultou na exoneração do secretário de Justiça e Cidadania, João Carlos Souto, bem como do subsecretário do Sistema Penitenciário, João Carlos Lóssio, e o diretor da PDF 1, Mauro Cézar Lima.
O diretor da ala mais perigosa da Papuda chegou a justificar o fato devido ao “sucateamento” do sistema carcerário. Na PDF 1, 200 agentes eram responsáveis por 3,4 mil detentos, em uma proporção de um profissional para cada 17 presidiários, o que, segundo o diretor da instituição, Mauro Cezar Lima, comprometia a segurança do local.
À época, a fuga foi considerada a maior da história do DF. Apenas quatro anos depois, em 2020, o Distrito Federal registrou um número maior: quando 17 presos conseguiram fugir do Centro de Detenção Provisória (CDP).
Roubo e invasão em lote de ex-governador
Os foragidos da Papuda geraram pânico e invadiram pelo menos três casas no Setor de Mansões Dom Bosco (SMDB), no Lago Sul. Dois deles chegaram a sequestrar um caseiro e roubar o veículo dele na noite do dia 21 de fevereiro, mesma data da fuga.
A dupla teria levado ainda celulares, dinheiro e objetos do caseiro, que contou que, ao chegar em casa, por volta das 19h30, após fazer compras no supermercado, foi surpreendido pelos criminosos na garagem. Armados com um revólver e um facão, eles colocaram o homem no banco traseiro do veículo e só o liberaram em Taguatinga, quando teriam dado à vítima R$ 20 para que ela retornasse para casa.
A Polícia Civil do DF (PCDF) também recebeu denúncias de que três dos fugitivos invadiram o lote onde ficava a residência do ex-vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli (PMDB), localizada no conjunto 15 da QI 17 do Lago Sul.
O ex-deputado federal disse ao Metrópoles à época que estava em uma missa na Igreja São Pedro de Alcântara, na QI 13 do Lago Sul, quando vizinhos acionaram a polícia após verem uma movimentação suspeita no terreno. “Por volta das 18h15, o doutor Lóssio (João Carlos Couto Lóssio Filho, subsecretário do Sistema Penitenciário) me telefonou e pediu que eu voltasse para casa. Quando entrei na residência, percebi que a casa estava intacta, mas bicicletas e outros objetos no jardim tinham sido mexidos. Há, portanto, fortes indícios de que os bandidos tenham passado por ali para fugir”, relatou Filippelli ao Metrópoles.
Todos os fugitivos foram recapturados e 2 morreram
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) informou que todos os detentos foram recapturados e dois deles morreram.
Seis presos que escaparam com o trio foram recapturados um dia após a fuga, no Lago Sul (DF). Sete dias após o fato, um deles, Levino Pereira de Brito, de 35 anos, morreu após trocar tiros com a polícia, em Brazlândia (DF). Marcos Antônio Moreira dos Santos seguiu foragido, mas morreu em 10 de outubro de 2016. Ele cumpria pena total de 93 anos em regime fechado por 10 condenações por roubo e receptação. A causa da morte não foi revelada pela Seape.
A poucos dias da fuga completar 10 anos, o último foragido Michael da Mata Silva, de 35 anos, foi encontrado. Ele foi localizado na última terça-feira (17/2), no Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, ao tentar realizar uma poda irregular de uma árvore com uma motosserra sem registro.
Reprodução/GDF
Saiba quem foram os presos e os crimes que respondem
Outras fugas e tentativas na mesma época
Em outubro de 2015, cinquenta presos da mesma unidade foram isolados por suspeita de participarem da escavação de um túnel de quatro metros de extensão. A rota de fuga começava no pátio do CDP.
No dia 2 de fevereiro daquele mesmo ano houve uma fuga, onde cinco internos escaparam do Centro de Detenção Provisória (CDP), destinado a homens em prisão temporária ou que aguardam transferência.
Menos de uma semana após a grande fuga, em 26 de fevereiro, o CDP registrou uma nova, seguida de uma tentativa de rebelião. Na ocasião, os internos aproveitaram o momento para fazer uma ação denominada como “cavalo doido”, quando saem correndo em várias direções ao mesmo tempo para dificultar o controle dos agentes penitenciários, mas acabaram impedidos.
No ano seguinte, em setembro de 2016, 40 detentos também tentaram fugir por buracos no teto, mas foram contidos pelos agentes.
A última fuga divulgada foi em janeiro de 2025, quando um dos maiores ladrões de banco do Brasil, Argemiro Antônio da Silva, 62 anos, condenado a 125 anos de prisão, fugiu ao serrar grades da ala de idosos da Papuda. Cerca de um mês depois, o homem foi morto pela Polícia Militar de Goiás durante confronto em Águas Lindas (GO).
Atualmente, há mais de 16 mil pessoas cumprindo pena nos sete presídios do complexo da Papuda, para 10.673 vagas.
O Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) investiu R$ 6,5 milhões em um fundo que é administrado pela Trustee DTVM, vinculada ao Banco Master e alvo das operações Carbono Oculto e Compliance Zero.
Segundo documento que detalha a carteira de investimentos, obtido pelo Metrópoles, o Iprev-DF tinha esse valor milionário no FIP Venture Brasil Central em novembro de 2025, mês no qual o conglomerado Master começou a ser liquidado pelo Banco Central. O instituto confirmou que o próprio fundo está em liquidação.
A Trustee pertence a Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. A maior parte do patrimônio da gestora pertence ao fundo Estocolmo, do empresário Nelson Tanure. Ambos são investigados pela PF.
O Iprev-DF tem patrimônio líquido de R$ 4,2 bilhões no Fundo Solidário Garantidor (FSG). O dinheiro é dividido em investimentos de renda fixa e variável, como é o caso dos R$ 6,5 milhões no fundo da Trustee. A entidade possui, também, R$ 2,1 bilhões em Fundo Capitalizado (FC).
“Ausência de quórum”
Os investimentos do Iprev-DF e supostas irregularidades foram objeto de reunião do Conselho Fiscal do instituto, realizada em 14 de janeiro de 2026.
Na ocasião, foi aprovada a solicitação de acesso integral ao processo da última reunião do Comitê de Investimentos (CIAR) para análise da votação, “dada a ausência de quórum presencial e coleta de votos escritos posteriores”. A ata do Conselho Fiscal, porém, não detalha qual foi a deliberação ocorrida na reunião citada.
Em nota, o Iprev-DF disse que o fundo encontra-se em fase de liquidação e que o instituto está em processo de saída, sem prejuízo. Veja a nota do órgão:
“Fundo iniciou suas atividades em 2016 com o objetivo de investir em empresas de tecnologia na Região Brasil Central, visando ao desenvolvimento tecnológico e econômico da região.
O IPREV firmou compromisso de investimento no montante de R$ 5 milhões.
Durante o período de investimento, entre 2016 e 2022, o Fundo aplicou recursos em 20 companhias, tendo o IPREV aportado efetivamente o valor de R$ 4.157.122,44 (capital integralizado).
Até o momento, o Fundo realizou a venda de 7 empresas, tendo amortizado ao IPREV o total de R$ 5.188.864,37, o que representa retorno de 124,8% sobre o capital investido nessas operações.
O Fundo ainda possui 13 empresas em seu portfólio, sendo que o valor contábil (marcação na carteira do Fundo) da participação do IPREV atualmente corresponde a R$ 6.488.326,28.
Importa esclarecer que não procede qualquer informação acerca da existência de prejuízo relacionado ao Fundo Venture Brasil Central. Conforme demonstrado, o IPREV já recebeu amortizações superiores ao capital efetivamente investido, registrando retorno positivo sobre os aportes realizados.
Adicionalmente, o Fundo encontra-se em fase de liquidação, estando o IPREV em processo de saída do investimento, com início dos resgates das participações remanescentes. Trata-se de etapa natural do ciclo de investimentos em fundos de venture capital, não havendo qualquer caracterização de perda ou prejuízo para o Instituto.“
O fim de semana será agitado no Distrito Federal. A programação da capital federal neste sábado (21/2) inclui diversos bloquinhos de rua, apresentações artísticas e programações variadas, para agradar a todos os gostos. Confira.
Para este sábado (21/2), a agenda conta com quatro blocos de rua, além de visitações em museus, programação de cinema e atividades infantis.
Blocos carnavalescos
Infantil
O Teatro Nacional Claudio Santoro aposta em uma programação especial para toda a família, com o evento Ressaquinha em Cena, que conta com atividades artísticas como pintura de rosto, balão mania, personagens vivos, brinquedos infláveis e espaço de experimentação sensorial. O evento ocorre neste sábado (21/2), das 14h às 17h, com entrada gratuita, mediante a retirada dos ingressos pelo site do sympla.
Cinema
Aos cinéfilos, a pedida é a Mostra Oscar 2026, no Cine Brasília. A programação conta com os filmes estreantes Coração de Lutador — The Smashing Machine e A Hora do Mal, além de novas sessões de O Agente Secreto, Foi Apenas um Acidente, Valor Sentimental, Pecadores, Frankenstein, Sonhos de Trem, Sirât, A Meia-Irmã Feia, Jurassic World: Recomeço e Zootopia 2. Veja a programação completa dos filmes no site do Cine Brasília.
Os moradores de São Sebastião também poderão aproveitar a programação cinematográfica com o Cine Funn, que passará pela região neste sábado (21/2), com sessões gratuitas de curtas e longas-metragens.
Museu
O Memorial dos Povos Indígenas também promove uma programação de ressaca de Carnaval. Localizado no Eixo Monumental, o museu recebe o projeto educativo Arandu: Ouvir o Tempo, com atividades até o final de março. Neste sábado (21/2), a partir das 11h, o espaço teá atividades de leitura de imagens.
Para os interessados em artes visuais, o Museu de Arte de Brasília (MAB) promove uma visita guiada neste sábado, às 16h, quando serão apresentadas as exposições Imagem Arkhé, Fazer o Quilo, A Erosão Inevitável do Tempo e Imagem Escrita Palavra Pintada. O evento ficará disponível até 1º de março.
Parque
O Jardim Botânico de Brasília (JBB) também está entre as opções de lazer. Com funcionamento das 8h30 às 17h, o ingresso custa R$ 5 por pessoa, de terça a sábado; aos domingos, é gratuito, pelo programa Lazer para Todos.
Clima para o DF
Com tantas atividades distintas é importante estar preparado para o clima do fim de semana para poder aproveitar as atrações. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital deve enfrentar dias de tempo fechado e com possibilidade de ocorrência de chuva. Para este sábado (21/2), a tendência é de céu bastante nublado e precipitações ao longo do dia.
As temperaturas mínimas devem permanecer na faixa dos 19 °C, enquanto as máximas não devem ultrapassar os 27 °C.
Segundo o órgão, são esperadas chuvas contínuas, com pancadas pontualmente fortes, principalmente no período da tarde. Os volumes previstos podem variar entre 50 e 100 milímetros por dia.
Atualmente, o DF está sob aviso de perigo para chuvas intensas, válido até este sábado (21/2). Os alertas são reavaliados diariamente e podem ser prorrogados ou alterados, conforme as condições meteorológicas.
Diante do cenário, a orientação é que a população redobre a atenção em áreas com histórico de alagamentos, enxurradas e quedas de energia.
Alterações no trânsito
Os motoristas devem ficar atentos neste fim de semana em relação ao trânsito. Com a realização de eventos em diferentes regiões administrativas, o tráfego no Distrito Federal passará por alterações para garantir a segurança de pedestres e condutores.
Em Taguatinga, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) fará intervenções nas proximidades do Taguaparque por causa do Bloco Joaninha, que ocorre neste sábado (21/2), das 12h às 20h, no estacionamento do Centro Cultural do parque.
As equipes de fiscalização vão reforçar a sinalização na via principal do Taguaparque, em frente à administração, para coibir os crimes e irregularidades de trânsito.
Durante o evento, agentes do Detran-DF e do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) também farão patrulhamento nas vias adjacentes, com o objetivo de manter a fluidez do tráfego e assegurar a segurança viária.